Wind Walker - O Mercenário Voador

3 Prólogo - Momentos confidentes


Notas iniciais
Corrigi este conto em alguns aspectos, mas preocupei-me em manter a estrutura, o vocabulário e o tema de acordo com o que escrevi na época.
Espero que esta história corresponda às suas expectativas.

Ela segurou-me pelo pulso e me puxou para dentro de sua casa.

O local estava surpreendentemente arrumado, a mesa posta, com um aroma doce suave no ar. Subi as escadas, com Alyss andando na frente calmamente, entramos em seu quarto e ela fechou a porta interrogando-me:

–O que você acha que eu devo vestir?

Repousei minhas costas na parede do quarto, pus minhas mãos nos bolsos da jaqueta e pensei por uns trinta segundos e falei:

–Não sei. O que você acha? – Perguntei, enquanto ela vasculhava o guarda-roupa.

–Espere um minuto – Disse ela enquanto mergulhava nas roupas

Olhei em volta, seu quarto estava um pouco desarrumado, suas roupas estavam empilhadas na cama enquanto ela escolhia. E minha faca estava em cima de seu travesseiro.

Como?

Minha faca?

Aqui?

Chequei o bolso traseiro da calça onde estava o canivete, mas, para a minha surpresa, ele havia desaparecido.

–Como você tirou a faca do meu bolso sem que eu tivesse percebido? – Pergunte com uma entonação calma, cruzando os braços, ainda encostado na parede.

–Não gosto de ver você carregando este tipo de coisa, Luke – Falou ela com um ar carinhoso e preocupado.

–Prefiro usar uma lâmina a uma arma de fogo – Respondi da forma mais carinhosa que consegui.

Caminhei em direção a cama e peguei o objeto

–Deixe-o aqui – Pediu ela com um sorriso triste

Voltei para a mesma parede e me encostei novamente com os olhos fechados e braços cruzados:

–Uma condição – Falei depois de uma pausa

–Por que você não gosta que eu use roupas curtas? – Adivinhou ela

Como ela sabia que eu iria pedir isso?

–Bom... – Falei, tentando arranjar uma resposta menos constrangedora que a verdade – A noite está fria – Afirmei virando-me para o outro lado do quatro em seguida.

Naquele momento eu estava tentando controlar o tom avermelhado que estava aparecendo em meu rosto.

–Só isso? – Interrogou-me ela com um olhar verdadeiramente inocente.

–Também porque eu prefiro te ver, completamente, vestida – Parei de tentar controlar o rubro que agora transparecia totalmente sobre meu rosto.

–Por que você prefere me ver assim? – Perguntou ela.

–Porque... Bem... Eu... Meio que... Tenho... – Sussurrei hesitante.

–O que? — Interrogou novamente, chegando mais perto.

–Eu tenho ciúmes das pessoas que olham para você – Falei em um ritmo um pouco acelerado.

Neste instante meu rosto ficou extremamente vermelho, virei minha cabeça na esperança de que ela não me visse daquele jeito. Mas o que aconteceu a seguir foi mais surpreendente do que eu poderia imaginar.

Ela me deu um sorriso alegre e constrangido, me abraçou e sussurrou:

–Para que sentir ciúmes? Eu serei sempre sua – Finalizou ela, aproveitando-se do duplo sentido desta frase.

Apos uns três minutos envolto neste momento de carinho, ela olhou em meus olhos e me deu um beijo que acertou um pouco mais próximo de minha boca que o previsto...

–Vamos escolher sua roupa – Falei ainda corado – Estamos atrasados.

Passei os próximos dez minutos me perdendo entre vestidos, saias, blusas, shorts e variadas peças do armário feminino que não precisam ser citadas neste momento, resistindo à tentação de admirar a beleza da menina ao meu lado. Tentei prestar a atenção às roupas: como combinavam entre si, como ficariam quando vestidas e, o mais importante: Se Alyssia iria gostar.

–E esta aqui? – Perguntei – Esta calça combina com a blusa.

–Estou em dúvida, vou de calça ou de saia?

–Com esta blusa? – Perguntei — Deixe-me ver

Coloquei a blusa sobre o corpo de minha amiga, e alternei entre a calça e a saia, comparando-as. Olhei rapidamente para o rosto de minha amiga, tentando entender o que ela estava pensando acerca das roupas.

–Eu achei melhor a calça – Afirmei tentando parecer confiante.

–Eu também! – Respondeu ela.

Após tal decisão, Alyssia caminhou alguns passos em direção à sua cama e separou o conjunto escolhido em cima da mesma, enquanto livrava-se de sua blusa e seu short.

Desviei o olhar, como de costume. Tal acontecimento é muito comum, não pretendo violar a privacidade de minha amiga. Apesar de estar no mesmo quarto que ela, me sentia a vontade. Embora possa soar um pouco bizarro para quem descobre de repente.

–Douglas deve estar babando no meu presente de aniversário... – Comentei.

–Ele vai acabar fugindo em cima dele – Brincou ao terminar de vestir a sua calça jeans azul.

–Luke, você pode me ajudar? – Pediu ela – Esta blusa é difícil de vestir.

Aproximei-me de Alyss.

Ela tinha dificuldades em ajeitar corretamente a camisa sobre seu corpo, de fato as longas e apertadas mangas não favoreciam a facilidade no ato de vestir-se.

Retirei a blusa meio vestida do corpo dela e posicionei as mangas de forma que ficasse mais fácil para colocar, passei seus braços primeiro e logo após passei a camisa pela sua cabeça da forma mais delicada possível, soltando os fios de cabelo que ficaram presos. Arrumei a blusa corretamente, observei-a e falei:

–Linda como sempre, Linda como nunca – Sorri instintivamente, escondendo tal sorriso logo após.

–Você acha? – O seu rosto estava ganhando uma tonalidade avermelhada, novamente.

–Tenho certeza – Respondi permitindo-me um pequeno sorriso

Seu rosto tomou uma tonalidade mais forte de vermelho, olhou para baixo na tentativa de esconder sua expressão um tanto constrangida.

–Vamos – Segurei sua mão – Estamos realmente atrasados – Abri a porta de seu quarto e conduzi-a até as escadas.

–Ah! – Falei – Eu já ia esquecendo – Procurei nos bolsos da minha jaqueta a caixinha preta que eu havia pegado em casa:

–Fiz isto para comemorar a sua entrada na equipe de primeiros socorros – Ofereci a ela a caixa – Eu sei que você ainda não fez o teste, mas, com este presente, com certeza você vai passar – Finalizei com outro sorriso discreto.

Ela segurou a caixa, olhou nos meus olhos com um sorriso que misturava constrangimento e agradecimento, se rosto ficava cada vez mais parecido com um pimentão. Abriu a caixa, e olhou atentamente para o objeto, sem acreditar no que estava vendo. Eu retirei a frágil corrente do interior da caixa e ajudei Alyss a coloca-la.

Pessoalmente, esta corrente foi um dos meus melhores trabalhos, cada pequeno elo era cuidadosamente padronizado totalizando 507, feitos de um cristal transparente, um tanto difícil de conseguir. O pingente era feito do mesmo material e tinha a forma de uma cruz, e, em seu centro uma pequena esmeralda repousava calmamente.

–O símbolo da cura, agora te pertence – Falei enquanto olhava em seus olhos.

Ela encontrava meu olhar com um ar de desespero, como se estivesse pronta para ter uma parada cardíaca.

–Eu... – Hesitou ela, diante do presente.

Passei rapidamente meu braço esquerdo por suas costas e segurei firme, por precaução.
Senti seu coração batendo forte e rápido demais.

–Seu chato – Disse ela enquanto me abraçava – Você sempre consegue me deixar sem folego... É aquele mesmo tipo de cristal? Como conseguiu outro? – Perguntou ela

–Sou capaz de tudo para te ver feliz – Sussurrei em seu ouvido.

Dei um sorriso e, segurando sua mão direita, caminhamos juntos para fora de casa.


Notas finais
Algo a melhorar?
Com certeza, sim...
O que pode ficar melhor?