Notas iniciais
Corrigi este conto em alguns aspectos, mas preocupei-me em manter a estrutura, o vocabulário e o tema de acordo com o que escrevi na época.
Espero que esta história corresponda às suas expectativas.

Continuando a nossa historia:

=/-/=

Não se passaram nem cinco minutos da hora em que saímos do aeroporto quando uma grande nuvem chuvosa se estendeu sobre nossas cabeças, deixando-nos completamente molhados. Arriscamos correr um pouco, mas a visibilidade estava diminuindo.

Alguns passos depois, eu comecei a ver o vulto de uma grande casa, cujas luzes estavam completamente acesas, e em sua porta frontal uma pessoa chamava-nos para dentro.

–Será que devemos aceitar o convite? – Perguntou meu pai

A última coisa que queríamos era incomodar outras pessoas, mas, pelo visto, não tínhamos escolha. Caminhamos rapidamente para a pessoa que segurava uma lanterna e um grande guarda-chuva

–Olá vizinhos – Falou a voz de um homem – A chuva está um pouco pesada, Aceitam o nosso convite para entrar?

Meu pai estendeu a mão e disse:

–Lewis Herukin Hewton, obrigado pelo convite – Com um tom amistoso e sorridente.

Nós entramos na grande casa. Sua decoração era contemporânea, As paredes da sala de estar eram pintadas de branco, havia uma grande mesa baixa, e ao seu redor um grande sofá no qual fomos convidados a sentar.

–Muito bem, senhor Lewis – Falou a voz masculina novamente – Sou Arion Erugan Landon, muito prazer – Completou sua fala no mesmo tom amistoso – E esta é minha mulher Evalyn Landon – Falou ele enquanto segurava uma das mãos da bela mulher.

Ambos eram altos e sorridentes.

–Como se chama esta linda menininha? – Perguntou-me Evalyn

–Sou chamada como Alyssia Hewton – Falei

–Quantos anos você tem Alyssia? – Perguntou ela novamente

–Fiz oito hoje – Confessei com um sorriso

–Parabéns, pequena – Falou desta vez Arion, com um olhar sorridente.

–Nunca vi vocês por aqui, chegaram recentemente? – Perguntou ele novamente.

–Chegamos semana passada – Respondeu meu pai

–Sejam bem vindos então, à nossa vizinhança — Falou Evalyn.

Passaram-se alguns minutos de conversa entre meu pai e nossos novos amigos, eu não liguei muito, estava mais concentrada em observar a casa por completo: A sala era ampla o suficiente para caber dois sofás, uma grande televisão e duas mesas. Sobrando ainda muito espaço.

–Parece que Alyssia quer explorar um pouco – Falou Arion dirigindo-se a mim – O que acha? Se quiser, fique a vontade.

Esta foi a única coisa de que eu precisava, ao ouvir a permissão saí olhando tudo em todos os lugares.

Passei pela sala de jantar, onde uma grande mesa feita de vidro ocupava um grande espaço. Passei pela cozinha, um cheiro gostoso de chocolate quente subia no ar. Subi as escadas e olhei em volta, uma porta estava fechada, além disso, existiam dois grandes quartos, um com uma cama de casal, e outro com uma cama de solteiro. “Quem mais mora aqui?” pensei comigo mesma.

De repente ouvi um grande barulho vindo da porta fechada, algo como uma explosão, mas, um pouco diferente. Minha curiosidade me levou até a porta, segurei a maçaneta e a abri.

A sala era grande. Paredes pintadas de azul escuro, não havia mobílias, com exceção de uma coisa. Olhei um pouco mais atentamente através da porta entreaberta, ao que me parecia era uma réplica da cabine de um caça moderno. Abri um pouco mais a porta e notei que um garoto estava deitado sobre a parte plana frontal da cabine. ”Nove anos? Talvez dez...” pensei novamente, comigo mesma.

Naquele momento, tentei abrir um pouco mais a porta para poder ver mais detalhes da própria sala, mas, desastrada como sou, ao invés de abrir a porta um pouco mais, tudo o que consegui foi me desequilibrar e cair para frente.

Eu havia aberto totalmente a porta naquele momento, estava pronta para me esbarrar no chão, mas antes que meu corpo tocasse o solo, uma mão me segurou pela cintura.

–Oi – Falou o garoto, um pouco mais alto que eu, enquanto me colocava de pé novamente – Aconteceu algo de errado?

Olhei nos olhos dele pela primeira vez, eles eram negros como a noite mais escura.

–T... Tudo bem – Gaguejei com o susto

Sua face exibia um claro ar de preocupação, suas mãos delicadas ainda seguravam-me de leve pelas costas, provavelmente por precaução.

–Qual seu nome? – Perguntou ele

–Alyssia Hewton – Falei – E o seu?

–Lúcio, Lúcio Erugan Landon – Falou ele com um sorriso encantador – Alyssia... Que nome lindo — Comentou ele sorridente

Eu apenas sorri, constrangida com o fato de não estar no lugar que eu devia, e encantada com o jeito confiante e corajoso do garoto.

–Eu já estou indo embora – Falei rapidamente – Não quero incomodar

Virei-me e comecei a andar, mas antes que eu conseguisse dar outro passo ele me segurou pela mão falando:

–Espere Alyssia, não quer me ajudar? — Falou ele com um olhar amistoso – Preciso de um copiloto.

Virei-me para ele novamente e disse:

–Você me ensina?

Ele me conduziu ao interior da “aeronave” e pediu para que me posicionasse no banco esquerdo.

–Este simulador é usado em treinamentos militares avançados – Explicou ele – É o mais fiel à realidade – Continuou – Eu gosto de jogar na dificuldade máxima. Venha, vou começar uma nova partida.

–Como você conseguiu um simulador desse porte? – Perguntei

–Meu pai já foi piloto, ele construiu isto para mim, quando tinha quatro anos.

Ele selecionou no joystick um novo jogo, em seguida apareceu uma caixa de seleção com quatro opções:

"Deus da guerra — Fácil

Fantasioso — Médio

Condições favoráveis — Difícil

Realista — Realista"

Ele selecionou a dificuldade máxima, realista, e perguntou-me se queria escolher a aeronave

–Qual é o melhor tipo para você? – Perguntei

–Eu completei o jogo com todos os caças, bombardeiros e cargueiros – Falou ele – Eu me viro com qualquer um – Ele sorriu confiante.

Apontei para o ultimo da lista e perguntei:

–Podemos ir com este?

Ele selecionou o modelo que pedi imediatamente. Fiquei olhando para as telas que exibiam o jogo, cada detalhe do interior da aeronave me fascinava, outra coisa fascinante era a habilidade do garoto, Lúcio, ao jogar: Seus olhos ficavam centrados nas três telas de comando, eventualmente me dando instruções simples para manter-me centrada.

A cada minuto que passava, eu ficava mais envolvida no jogo.

–Fábrica reconhecida – Falei – Bomba número quatro pronta – Olhei para o menino, e ele me lançou um olhar de aprovação seguido de um sorriso

Eu não tinha certeza se ficar anunciando o progresso dos radares do caça, bem como seu armamento, ajudava de alguma forma, mas, este era o único jeito de me sentir realmente útil, tendo em mente que meu novo colega de voo fazia todo o trabalho, com extrema precisão e rapidez.

Suspirei olhando para o garoto. Não pude deixar de notar, nós estávamos realmente falando com os olhos. Os seus olhares eram suficientemente expressivos para que eu compreendesse qualquer coisa dita por ele.

Já chegando ao fim do jogo, faltava apenas um caça inimigo sobrevoando nossa base militar.

–Treze misseis teleguiados prontos para disparo – Anunciei

Sentia o fim próximo, minha mente estava ansiosa.

Lúcio mirou cuidadosamente no caça restante, travou a mira, e lançou. Senti meu coração parar de bater por um segundo, fiquei observando o míssil chegar perto do alvo, destruindo-o em seguida.

Ao ver a frase: Missão Completa, na tela do jogo, nós dois pulamos dos acentos, comemorando. Na empolgação do momento, nos abraçamos, festejando a vitória. Olhei para o rosto dele, e, ao perceber que estávamos um nos braços do outro, me separei bruscamente.

–Parece que parou de chover – Disse ele com uma expressão que indicava vergonha — Quero te mostrar alguns projetos que fiz, vem comigo?

–Vou sim, Luke — Falei com um sorriso.

–Luke? – Perguntou ele, um tanto surpreso.

–Você é meu amigo agora, tenho que achar uma forma carinhosa de te chamar – Afirmei – Não gostou?

–Gostei muito – Falou ele descendo as escadas.


Notas finais
Algo a melhorar?
Com certeza, sim...
O que pode ficar melhor?