Notas iniciais
Eu queria postar este capítulo para comemorar o ano novo, mas foi um pouco tarde. Enfim. Aproveitem.

Todos os examinados direcionaram olhares interrogativos em minha direção, esperando alguma explicação por minha parte, depois daquela afirmação. Eu, por vez, encostei-me à parede, com os braços cruzados e os olhos virados para o chão.

–Primeiro o sete, depois o três – Comentou um dos invasores, que aparentemente estava na sala anterior a nossa. Onde foi aplicado o teste escrito.

Caminhei calmamente em direção à porta, meus passos leves não emitiam nenhum som ao andar, minha respiração estava calma e lenta como de costume. Toquei naquele conhecido bolso escondido em minha jaqueta, estava vazio. Com certeza a história estava muito mal contada.

Segurei a maçaneta da porta que ligava a nossa sala com o local ocupado por nossos “invasores”, girei e a abri subitamente, dando de cara com um grupo de oito pessoas armadas até os dentes possuindo armas de fogo com munição suficiente para matar uma infantaria inteira. Uma delas, o homem mais alto, aproximou-se de mim, apoiando o cano de seu rifle no meu peito, a falar orgulhosamente:

–Não vai recuar? Garoto...

–Me chamar de garoto foi seu segundo erro – Falei em um tom perigosamente baixo

–Hah hah! E qual foi o primeiro?

–Seu primeiro erro foi se aproximar demais – Continuei seguindo o mesmo tom que usei anteriormente.

Antes de eu terminar a minha própria frase eu já havia começado uma série de movimentos rápidos: Primeiramente eu afastei, com a mão direita, o seu fuzil para outro lugar que não meu corpo, ao mesmo tempo em que desferia um feroz soco no centro de sua testa, quebrando seu crânio e provocando sua morte imediata. Logo após eu segurei o rifle em posição de disparo, enquanto enviava uma sequência quase imediata de sete tiros que acertaram no centro da cabeça dos outros sete intrusos, levando-os ao chão quase ao mesmo tempo.

Após a falsa matança, voltei meu olhar para dentro da sala novamente, a observar as expressões que variavam entre medo (de mim, no caso), admiração e ciúmes. Aproveitei o momento e comentei rapidamente:

–Não acha estranho o fato de termos de teste teórico apenas uma pergunta, e de teste prático, um exército?

Eles desviaram seus olhares interrogativos por um momento, voltando a me encarar em seguida, desta vez com uma expressão que indicava confusão.

–Isto não prova nada sobra nossa simulação – Exclamou Heyke-de-preto – Aonde quer chegar?

Suspirei decepcionado com o “grande intelecto” da equipe.

–Bem... Um teste teórico para a aeronáutica pretende verificar três aptidões básicas: Atenção, Raciocínio e Estratégia – Expliquei com uma profunda irritação – Mas o teste escrito só conseguiu descriminar a Atenção, com o código atrás da folha. Peculiarmente, o teste físico conseguiu verificar a estratégia, apesar de neste último nenhum aspecto físico tenha sido testado, pelo simples fato de ser uma simulação.

Levantei meu olhar para os meus ouvintes, esperando suas pequenas cabecinhas processarem tudo o que eu havia dito.

–Agora é só somar dois mais dois. Se você parar para pensar, já fomos observados quanto à Estratégia, e a Atenção. Qual sobra? Raciocínio! Este é o ultimo teste teórico, e estão testando o nosso raciocínio lógico – Afirmei com convicção enquanto brincava com o rifle em minhas mãos

–Mas como você sabe que isto é uma simulação? Afinal, todo este teste poderia ser feito de outra forma, fora do universo virtual – Insistiu Heyke-de-preto.

Fuzilei-o com o olhar, senti minha paciência se esvair do meu corpo. Mirei rapidamente o fuzil em direção o nosso rabugento instrutor, disparando um rápido tiro em seu coração, sendo seguido pelos gritos de surpresa provenientes da maioria dos participantes.

–3...2...1... – Contei o tempo faltante para o fim da simulação, afinal, eu havia matado quem estava no controle da mesma.

Tudo ficou preto dentro do capacete que eu estava usando.

=/-/=

Retirei todos os equipamentos de simulação que vestia, observando todos retirarem os seus, toquei no meu bolso secreto na jaqueta, senti o peso de minha fria arma. Neste momento eu soube que estava vivendo o real.

Olhei para os rostos dos presentes no momento, todos estavam pasmos com o acontecimento, inclusive e principalmente o meu instrutor ignorante.

–Foi simples deduzir que isto foi uma simples simulação – Expliquei assim que todos já tinham se livrado dos seus equipamentos – Foi só atentar-se aos detalhes. Eu tomei a liberdade de dobrar a ponta direita superior de minha prova escrita, mas naquele lugar, todas estavam perfeitamente lisas. Além da óbvia dica, no rifle dos invasores: Era um Colt AR-15 – Pausei meu pensamento na esperança de que alguém reconhecesse tal fuzil, sem sucesso – Esta arma de fogo não é usada há séculos.

Heyke olhou para o chão, considerando a ideia de o meu pensamento estar correto. Sempre estava. Uma fagulha de decepção brotou dos meus colegas, assim que, pouco a pouco, eles foram compreendendo a validade do que pensei. Alguns exibiam até inveja pelo que eu havia feito.

Olhei para o meu examinador, que se mostrava, também, impressionado, e chamei-o para outra sala, enquanto eu abria a porta em direção à mesma.

Caminhei silenciosamente, com passos lentos, espojei-me confortavelmente no grande sofá, provocando-o novamente. Chamei sua atenção estalando os dedos de forma desrespeitosa perguntando em seguida:

–Se eu parar o teste por aqui, em que patente eu ficaria?

–Você já conseguiu uma posição invejável, comparada aos seus colegas

–Já estou em uma posição maior que a sua? – Perguntei, indo direto ao assunto.

Ele me olhou com uma expressão que indicava nervosismo. Compreendeu o que eu realmente queria. Trocou o peso de um pé para o outro, e respondeu:

–Ainda não – Falou ele, sem muita disposição para discutir – Eu treinei por seis anos para alcançar a minha patente atual

Olhei em volta, como se estivesse descontraído, pousei meu olhar em seus olhos e afirmei:

–Então eu tenho mais algo para falar, a respeito do exame – Comentei, observando os efeitos de uma boa intimidação: Seu rosto empalideceu levemente, suas mãos ficaram um pouco húmidas, engoliu seco, suspirou. Pura psicologia – Algo em relação aos relógios nas salas.

Ele sentou ao mesmo sofá e se pôs em prontidão para escutar minhas palavras.


Notas finais
Muito obrigado pelo apoio!
O próximo vem em breve.