Notas iniciais
Olá novamente! Espero que goste!
Perguntas nas notas finais. Estejam a vontade para perguntar qualquer coisa aos personagens principais

O Lugar era grande. Assim que saímos da sala de recepção pude ver de que tamanho era o famoso campo de treinamento ao ar livre do Colégio Militar. A porta atrás de mim estava se fechando, alguns dos meus colegas já caminhavam seguindo o reto caminho de areia que ficava entre duas das quatro divisões do local. Já havia lido em algum lugar que a divisão em quatro do grande terreno favorecia até quatro sessões simultâneas de treinamento em larga escala.

Sei que pode estar sendo difícil para vocês imaginarem como o lugar era realmente, pense assim: Grandes paredes altas demarcavam o imenso terreno retangular de todo o colégio, a sua única entrada divulgada era a sala de recepção, que, quando comparada ao espaço como um todo, não passava de uma construção também em forma de retângulo, que servia para ligar a parte interna ao exterior. Além desta estrutura temos outra, bem maior, em formato de “U” invertido. Suas bordas, ao invés de arredondadas, tinham ângulos retos e foi construída para comportar o refeitório, dormitórios e o elevador que possibilitava a locomoção entre os andares mais abaixo. O grande espaço livre ficava no centro deste “U” invertido, este era dividido por uma grade metálica alta, totalizando quatro espaços com diferentes terrenos: O campo 1 era revestido apenas com grama alta. O campo 2 era composto por uma mistura de areia e lama dependendo de onde você estava. O campo 3 era feito de um terreno rochoso cheio de irregularidades. E, por fim, o campo 4 tinha um piso em peça única, totalmente liso. Em ocasiões em que se fazia necessário o uso de tais espaços, o pedido era mandado para a administração, onde era lido e possivelmente considerado num prazo de dois dias. Caso fosse aceito, a pessoa que executou o pedido recebia o horário em que o local ficaria vago e a permissão para usá-lo.

Parecia que, no nosso caso, teríamos de nos contentar com o espaço um, revestido com vegetação alta. Assim que o meu instrutor se aproximou da grade de entrada a mesma automaticamente se abriu, revelando, além do próprio campo, grandes caixas de madeira, peças de possíveis máquinas de batalha, agora inutilizadas, e outras estruturas grandes o suficiente para esconder uma pessoa em pé, caso esta se posicionasse atrás. Dois pequenos pavilhões se encontravam dos lados opostos daquele campo retangular, encostados nas duas menores linhas paralelas, assim como traves em um capo de futebol. Os dois apenas poderiam ser diferenciados por sua cor característica predominante: Um era azul e o outro, vermelho.

-Suas equipes já foram divididas de acordo com a modalidade da profissão que pretendem seguir – Exclamou o examinador enquanto se virava em direção a turma que, à essa hora, já estava completamente dentro do lugar – Lembrando que o teste vale para as pessoas que querem ingressar como profissionais nas áreas: Exército, Marinha, Aeronáutica e Primeiros Socorros, sendo também examinadas as pessoas que pretendem participar do projeto “Soldado Virtual”

-Muito bem – Continuou ele depois de uma pequena pausa – Senhor Ánolum, Senhor Foner, Senhor Erugan, Senhor Nawray, Senhorita Takameno e Senhorita Guenny. As pessoas cujo nome foi pronunciado devem se dirigir ao pavilhão vermelho. O resto deve ir para o pavilhão de cor azul.

Olhei em volta por um curto momento, dirigindo-me em seguida para o local designado. A grama roçava delicadamente em meus joelhos, o sol estava radiante e o céu completamente sem nuvens, um dia lindo, digamos assim. Avistei ainda ao longe que o pavilhão de cor vermelha a nós não passava de uma barraca erguida sobre quatro vigas de sustentação, uma mesa em sua frente e alguns assentos.

Uma pessoa alta, sorridente e confiante nos aguardava em pé, preparando-se para falar. Assim que todos os selecionados para o pavilhão entraram e se acomodaram nas cadeiras e bancos que lá estavam, o homem de aspecto jovem nos dirigiu a palavra:

-Já estão familiarizados com as regras do jogo de Paintball? – Ele trocou o peso do corpo de uma perna para a outra, demonstrando um pouco de constrangimento quando todos nós ficamos calados – Creio que não – Respondeu à nossa silenciosa negação – Mas não faz mal, é relativamente simples aprender a jogar, e, segundo o meu relógio, temos bastante tempo para isto.

Ele olhou discretamente para o relógio, verificando a hora certa. Sei o que podem estar pensando: “Lúcio, por que ele olhou no relógio se é perfeitamente simples saber a hora exata através de conexão com a internet?” Boa pergunta. Resposta: O uso da conexão com a internet, pelo microchip, é completamente bloqueada para qualquer pessoa, dentro da Base-Colégio Militar. As duas únicas formas de obter acesso à mesma é através de: Aparelhos específicos, com tal função, ou, por meio de uma senha fornecida por seus superiores, ao conseguir uma patente de nível superior.

-Resumindo – Falou ele novamente, interrompendo a conversa entre Heyke e Kira – Daqui a trinta minutos vocês serão soltos neste campo, segurando um marcador, uma proteção básica e uma máscara – Continuou – O objetivo do jogo é atingir os seus oponentes sem ser atingido, assim como numa guerra real. Como o próprio nome diz: Paintball é um esporte em que se usam bolinhas de tinta para marcar o adversário como uma pessoa atingida, portanto é fácil deduzir o que um marcador faz, no entanto, explicarei mesmo assim: O marcador – Citou, enquanto apontava diretamente para a pequena pistola que estava segurando – É uma arma de ar comprimido que é carregada com bolinhas feitas de uma fina camada de borracha e totalmente recheadas com tinta de cor variada.

Enquanto falava ele pegou uma das bolinhas que estavam estáticas em cima da mesa, apontando para a mesma diversas vezes enquanto explicava a sua composição, deixando claro também a sua consistência e a flexibilidade.

Eu já sabia há muito tempo todas as regras de tal jogo. O tempo de minha vida que foi investido em estudos e preparações para me tornar um militar me fizeram pesquisar, dentre várias coisas, todos os tipos de esportes e competições que poderiam de alguma forma, ter uma relação com a própria situação de guerra.

Nosso novo instrutor carregou um marcador com muitas bolinhas que, anteriormente estavam dentro de um cilindro de plástico, e atirou em uma das vigas que suportavam o peso de todo o pavilhão vermelho. A bolinha seguiu uma trajetória reta e explodiu quando entrou em contato com a madeira, deixando aparente a grande força e a precisão duvidosa de tal arma de ar.

-Como podem ver – Sinalizou – A força do tiro é suficiente para deixar um hematoma um tanto desconfortável. Portanto, é obrigatório que todos usem uma proteção parecida com esta – Sorriu sarcasticamente enquanto segurava um tipo de colete que cobriria, quando vestido, desde os ombros até metade das coxas – Ela vai impedir que sejam atingidos em áreas que se mostram um pouco mais que “Desconfortáveis” quando em contato com o projétil em tal velocidade.

Kira e a “Senhorita Guenny” assentiram atenciosamente para a última afirmação do homem, ficando quietas em seguida. O instrutor sentou em sua cadeira, sinalizando que havia acabado a explicação, no entanto várias dúvidas ainda pairavam nas nossas mentes. “Ele espera que façamos perguntas” Pensei enquanto olhava em volta procurando algum sinal que indicasse que alguém iria perguntar alguma coisa

-Creio que faltam muitas coisas a serem explicadas – Afirmei firmemente, voltando a me encostar em uma viga de sustentação.

-Sim, Senhor... Erugan, correto? Sim, faltaram muitas coisas a serem explicadas... – Eu fechei os olhos por um momento. Ele começara uma grande palestra sobre a trajetória da bola quando lançada, a força que um marcador pode exercer, a resistência do colete de proteção, falou um pouco sobre a máscara... Mas, sinceramente. Nada daquilo me interessava muito. Então simplesmente deixei de prestar a atenção, notando apenas o tempo que passava cada vez mais lentamente. A única coisa que poderia me interessar foi falada pouco tempo antes do prazo para o início do jogo-teste: “(...)Cada um está passando por este teste para poder ingressar como um profissional em alguma área militar. Será útil saberem que vocês serão examinados apenas pelas aptidões necessárias para a sua área. (...), uma pessoa que pretende ingressar na aeronáutica será avaliada por sua mira, calma e reflexos(...)”

Abri os olhos com o soar da campainha que indicava que o jogo teria início em cinco minutos. Nosso instrutor se levantou novamente e começou a distribuir coletes de proteção de cor vermelha, marcadores totalmente carregados e máscaras também desta cor. Perto da saída o homem também sinalizou que havia uma caixa do lado de fora, próximo do nosso pavilhão, que estava cheia de cilindros plásticos, estes por sua vez se encontravam lotados de bolinhas de tinta. Ele explicou que no nosso colete havia três bolsos especiais, feitos para guardar tais potes de armazenamento. Fiquei observando os meus colegas assaltarem a caixa, levando a capacidade máxima de bolinhas que seus coletes permitiam, a Guenny tentou até levar um quarto carregador, mas não encontrou espaço suficiente. Assim que aquela multidão já havia pegado o suficiente para satisfazer a sua “Fome” eu me aproximei do local e peguei três cilindros: Um deles eu conservei fechado, guardando-o imediatamente em meu primeiro bolso, e os outros dois eu esvaziei completamente, a despejar sua carga de bolinhas novamente na caixa.

Testei o sistema de propulsão em minhas duas próteses mecânicas ao mesmo tempo em que guardava os outros dois cilindros vazios. Para conseguir a pontuação máxima eu preciso vencer o jogo o mais rápido possível, com menor uso de balas, e eu pretendia fazer isto.

A contagem regressiva ressoava por todo o campo. Nosso time já estava posicionado “Estrategicamente” atrás das barreiras maiores, aguardando a campainha que iniciaria a primeira cessão, de três, do jogo. “3... 2... 1...” Anunciou o nosso primeiro instrutor num megafone.

O grande apito ressoou nos ouvidos dos presentes. Uma onda de satisfação correu por meu corpo assim que passou pela cabeça que meu treinamento estaria sendo posto a prova exatamente naquele momento. Notei que, em cima da grama alta, tudo fazia ruídos, dificultando a localização de inimigos através de seus passos, mas este não era o meu único recurso. Decidi naquele momento, por em prática um pouco das minhas habilidades cuidadosamente desenvolvidas.

Já fazia algum tempo que não tentava utilizar uma função das minhas pernas artificiais, no entanto eu tinha certeza de que a faria com perfeição. “1% era o suficiente para a altura que eu desejava” Pensei.

Neste momento decidi usar um dos meus truques preferidos. Dentro das minhas pernas havia não só o necessário para amortecer e para andar normalmente, em cada uma eu havia instalado um compressor de ar, um pequeno reservatório e uma saída através do calcanhar que se abria e fechava de acordo com a minha vontade. Todos os calçados que eu tinha possuíam também uma saída que se abria à medida que fosse ordenado. Portanto era possível que eu usasse tal pressão para diversas coisas.

Liberei 1% da força total, atirando-me a uma altura de dez metros do chão. O pulo não era muito alto, mas eu pude sentir o vento colidindo contra a minha cabeça.

Confesso que achei que seria mais difícil de encontrar os meus inimigos, entretanto, assim que eu me encontrava em uma altura elevada eu pude vê-los claramente. Saquei a pequena arma e atirei a conhecida sucessão de tiros quase imediata, acertando-os quase perfeitamente no mesmo lugar: O centro da cabeça. Tempo decorrido: 2 segundos

“Fim de Jogo” Sussurrei para mim mesmo enquanto aterrissava no chão macio. Quase todos estavam olhando para mim, desde os maus colegas até meus dois instrutores. Certo que eu havia prejudicado a pontuação do time todo, pois nenhum realizou ou acertou nenhum disparo, mas eu me sentia satisfeito com minha pontaria: Só não fui mais rápido por que a baixa precisão da arma me forçava a demorar mais um pouco

“Segunda rodada” Anunciou o meu instrutor “Agora”

O próximo jogo começou imediatamente depois do primeiro. Comecei a considerar a possibilidade de repetir a estratégia, mas acho que eles querem saber se é só isto o que sei fazer. Neste caso, tenho outros planos.

Esperei uns dez segundos para que meus inimigos pudessem se arrumar mais adequadamente, então eu saltei e, permanecendo sobre a caixa que me escondia anteriormente, pude ver todos os meus alvos. Consequentemente, eles me viram.

Seis marcadores miraram no seu novo a aparentemente mais fácil alvo: Um garoto suicida em cima da barreira de proteção, ou seja, eu. Comecei a ouvir os disparos vindo em minha direção, exatamente como planejei.

No começo eu só desviava. Não imagina o quão fácil é desviar destes projéteis. Meus movimentos saíam com certa fluência. Eu podia ver as bolinhas em câmera lenta se aproximando do meu corpo quase como se estivessem pairando no ar. Tudo o que eu fazia era sair da frente. Mas aí eu decidir elevar um pouco mais o nível: Eu sabia que, apesar de estarem aparentando mover-se devagar, qualquer contato direto com o meu corpo provocaria uma explosão e me eliminaria do jogo, mas eu deveria ser capaz de pegá-las sem estourar, e foi isso que fiz.

Era necessário que eu as desacelerasse antes de parar, segurando com a minha mão e acompanhando o seu movimento, mas, fora isso, era extremamente fácil. Tão fácil que chegou uma hora que todos ficaram totalmente sem tiros. O jogo havia acabado, eu havia vencido novamente. Desta vez, sem nenhum disparo.

O nosso instrutor iria começar a terceira rodada, no entanto, eu fui convidado para uma conversa com o homem de aspecto jovial que nos havia explicado as regras do jogo, assim que eu voltei ao chão.

Ele havia se aproximado por trás de mim. “Erugan. Me acompanhe” Falou ele, enquanto rumava a saída do campo.

Notas finais
1ª - Pergunta de Luana Nascimento
"Douglas, você me pareceu ser sarcasticamente interessante! Se eu fosse da história, ficaria com você. =D Ah, e não dá para você ser mais gentil com o Luke? Às vezes você é bem irritante com ele. Beijinhos."
D - O que eu posso dizer? Obrigado?
Gentil com o Lúcio? Apesar de todas as nossas discussões, somos amigos. Na verdade, acho que a graça de nossa amizade é a nossa rivalidade.
2ª - Pergunta de Luana Nascimento
"Lúcio, uma linda mocinha me contou que você planeja sua vingança. Eu recomendo que você use aqueles efeitos de Jogos Mortais. Garanto que seu lado sanguinário ficaria super satisfeito com isso! Ah, e eu se fosse você me casava antes de fazer sua vingancinha, all right? Beijos."
L - Nem suspeito sobre quem pode ser esta "Linda mocinha"...
Lado sanguinário? Acho que você sabe muito sobre minha vida... De qualquer forma, considerarei sua sugestão.
Casamento? Bem, eu já estava pensando nisso. Tenho uma pequena surpresa...
3ª - Pergunta de Luana Nascimento
"Alyssia, dê um jeitinho de convencer Luke a se casar com você, ok? E os beijos que eu mandei para ele NÃO foram na boca, pode ficar tranquila."
A - Pode deixar, vou falar com ele! E não se preocupe, nem chegou a passar pela minha cabeça o possível destino dos seus "Beijos" Hah hah.
4ª - Pergunta de Snarkii
"Lúcio, você tem 2 minutos para decidir, matar seu amigo ou matar sua esposa. Uma das alternativas tem que ser feita. Se não o fizer, os dois morrem. O que você decide? É necessário escolher um dos dois, não há trapaças. Seja inteligente.
L - Simples. Note que eu (Ainda) não tenho uma esposa, logo eu opto por matá-la, e não mato ninguém. Apesar disto, sei o que você quis dizer: Escolher entre Alyssia e Douglas certo? Bem, eu com certeza hesitaria em responder, mas, pensando muito, acho que escolheria deixar a minha namorada viva, e conviver com o fardo de ter matado o meu amigo.