Wind Walker - O Mercenário Voador
18 D - Lembranças de infância - Família
Notas iniciais
Olhei para aquele pequeno ser humano deitado desajeitadamente na cama, tentando arrumar os pensamentos em sua cabeça antes de contar o ocorrido na noite anterior. Ela se mostrava relaxada e, de certa forma, alegre, mas alegre de um jeito estranho, como se estivesse sentindo cócegas emocionalmente. Ok, cócegas emocionais só podem significar uma coisa. Tomara que eu esteja errado.
-Bom – Começou ela, interrompendo meu pensamento – Eu estava saindo de um delicioso banho. Em nossa suíte – Ela deu ênfase na palavra “Nossa”, adivinhando as minhas momentâneas preocupações.
Não, não vou falar para vocês do momento Alyssia/Lúcio, seria uma invasão da privacidade deles, além disso, não me sinto confortável em narrar tal acontecimento. Apenas precisam saber que minha irmã me descreveu realmente tudo o que houve entre eles – Com certa empolgação, diga-se de passagem -, obviamente que ela não citou todos os detalhes, mas, mesmo assim, eu ouvi mais do que queria naquela hora.
- (...) E seguida ele me envolveu com os seus braços reconfortantes e dormiu – Completou, analisando a palavra “Dormiu” como se fosse estranha para ela – Ele dormiu! – Exclamou depois de uma pausa – Ele conseguiu dormir ao meu lado sem aquele maldito pesadelo
Ela olhou para mim com um olhar cauteloso como se acabasse de falar mais do que deveria. Que estranho. O que tem de mais em uma pessoa dormir? Afinal, ele não é feito de ferro, precisa descansar de alguma forma, não é?... Não é?
“Minha pequenina estava crescendo”, pensei orgulhosamente. Eu sei que “pequenina” parece um tanto fora de contexto, tendo em mente que ela é minha irmã mais velha, mas, de qualquer forma, ela sempre foi frágil fisicamente, ou apenas demonstrou isso. Não duvido que ela seja capaz de dar um bom soco, principalmente por ter ficado ao lado de “Meu herói” por muito tempo.
Sabe, estou começando a entender aquele menino. Sei que ele pode ser irritantemente bom em tudo – Tudo mesmo – mas compreendo o porquê de ele gostar de minha irmã. Aquela menininha é encantadoramente inocente, doce e bem-humorada, mas, consegue surpreender de formas incríveis. Devo admitir que estou muito orgulhoso dela.
-Não sei se gosto disto – Falei com um sorriso brincalhão no rosto – Tem alguma coisa assustadora dentro daquele menino. Além do fato de ser... Ele.
-Deixe de drama, já esqueceu a grande amizade que vocês tinham no passado?
-Não – Admiti com relutância – Desculpe. Ele é mais do que digno de ser seu... De ser seu. – Afirmei com a mesma relutância
Desculpe-me, não estou sendo sincero com vocês, meus leitores. Eu descrevo o Lúcio como uma pessoa ruim. Ele não é assim. Posso me lembrar do dia em que nós nos conhecemos, e, ele com onze anos me parecia mais frágil do que ameaçador. Na verdade eu posso, com quase certeza, dizer que ele é emocionalmente mais frágil do que qualquer pessoa, apesar de que, não importa o quanto você tente, ele nunca vai admitir isso. Talvez este seja um dos motivos principais para ele gostar de minha irmã, eu nunca vi uma pessoa tão forte por dentro quanto ela.
Se eu contar a história, talvez vocês entendam. Não se preocupem. Desta vez, ela é pequena.
=/-/=
Naquele dia eu estava ansioso para encontrar pela primeira vez a verdadeira minha família. Não entendeu? Bem, eu fui criado por meus tios até os dez anos, ok? Até esta idade, tudo o que eu fazia era viajar por todo o mundo. Minha tia adorava conhecer outras culturas, outras nações e outros costumes, e eu era obrigado a ir com ela. Em resumo era isso. Até que meus dois tios morreram, vitimas daqueles cães da resistência oriental. Nunca gostei muito de meu tio, tampouco de minha tia, mas sinto um peso no coração toda a vez que os imagino. Pouco tempo depois, descobriram onde a minha família estava localizada.
Ok. Já expliquei meu paradeiro até os dez anos. Nunca mais tocaremos neste assunto.
Muito bem, como eu ia dizendo, estava ansioso para conhecer a minha verdadeira família. Ao chegar ao aeroporto fiquei um pouco atordoado com a quantidade de pessoas, mas tudo o que queria era identifica-los logo.
Ali, no meio da multidão, uma linda garotinha saltou gritando o meu nome para todos os passageiros que desembarcavam, provavelmente procurando por mim. “Droga” sussurrei baixinho, antes de correr ao seu encontro. Se aquela menina estava procurando por mim, só poderia ser a irmã que disseram que eu tinha. Que desperdício, ela era realmente bonita.
-Olá, senhor – Cumprimentei meu pai, desajeitadamente – Oi, senhora – Cumprimentei minha mãe de forma igualmente desajeitada – Como vai, senhorita? – Finalizei cumprimentando a minha possível irmã.
Eles olharam para mim com sorrisos acolhedores estampados nos seus rostos. Até aquela garotinha sorriu. Qual era o nome dela? Tentei recordar em minha mente o que os advogados da família tinham falado a respeito. Alice? Alyssa?
-Oi, seu nome é Douglas né? – Perguntou a menina – O meu é Alyssia.
Ela continuou olhando para mim por um bom tempo. Seus olhos eram magicamente azuis, suas feições eram ingênuas e, por que não? Belas. De repente ela me envolveu com seus braços, fazendo com que eu me sufocasse em meio aos seus lindos cabelos ondulados. Seu perfume era notável, por sinal.
-Não há a necessidade de tal formalidade meu pequeno – Falou o homem que, naquele momento tornava-se obvio que era meu pai – Meu nome é Lewis, ou pode me chamar de pai – finalizou ele, sorridente.
-E meu nome é Lylian – Afirmou a mulher que era possivelmente a minha mãe – ou a sua mãe, se preferir.
Contemplei aquela linda equipe de pessoas que agora era a minha família. Todos eram extremamente agradáveis. Meu olhar voou do meu pai, passou pela minha mãe e pousou em minha irmã. Esta parecia estar ansiosa para me mostrar alguma coisa.
-Quantos anos você tem? – Perguntei com certa curiosidade. Ela não podia ser mais velha que eu, não, de forma alguma
-Tenho onze – Falou ela com a sua voz doce e suave – E você?
Nessa hora eu quase caí no chão por decepção.
-Tenho dez – Respondi com relutância
Ela sorriu com uma faísca de satisfação. Olhou para mim novamente, desta vez ela estava tão perto que, se não fosse minha irmã, desconfiaria que ela objetivava me beijar.
-Venha! – Convidou puxando-me pelo braço na direção da porta de saída – Quero lhe apresentar a alguém.
Naquela época eu nunca imaginaria que alguém estava nos seguindo desde a hora em que saímos do local
Notas finais
Ps.: Continuação no próximo capítulo
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