Wind Walker - O Mercenário Voador

8 Prólogo - Rosa dos Ventos


Notas iniciais
Peço perdão pelo atraso. Eu viajei para o interior com o objetivo de passar o natal. Por tal motivo não pude postar.

Mas, antes que algo acontecesse, ouvi pesados passos caminhando em nossa direção

–Deixe de assanhamento para cima da minha irmã – Comentou Douglas, assim que viu a cena.

Ele caminhava mancando com a camisa branca totalmente suja.Sentou-se ao lado de Alyss, apanhando a linda e frágil rosa que estava repousada na mesa. Ele aparentava estar com um mau humor incomum.

Corei um pouco, mas consegui, como sempre, me conter com perfeição. Diferentemente de minha amiga, cujo rosto estava dramaticamente rubro, totalmente atordoada tentando esconder sua vergonha deixando os cabelos caídos sobre sua face. Estava linda.

–Estou morrendo de fome – Afirmou ele, quase gritando, enquanto brincava com a pequena flor – Não conseguirei esperar até a comida esperar.

–Douglas! – Exclamou Alyssia quando percebeu que aquela pequena e bela planta estava sendo esmagada pelos dentes do irmão faminto.

Ao contrário do que eu pensei, o jantar foi calmo e divertido, conseguimos discutir alguns assuntos importantes. Alguns sobre o teste de amanhã, outros não.

Douglas continuava insistindo em seu mau-humor irritante, mas eu o ignorava da melhor forma que podia.

Ao sair do restaurante, fomos andando até a praça, lugar sereno e livre de interrupções indesejadas. Agora íamos definitivamente estudar

–Onde exatamente pretendemos parar? – Perguntou meu amigo irritante enquanto andavana praça cheia de clareiras reservadas – Eu já estou totalmente perdido

Andei um pouco mais, até uma pequenaárea cercada de árvores grandes.

–Por mim, aqui está bom – Falei um pouco autoritário demais.

Douglas despencou no chão, sentando de pernas cruzadas encostado em uma árvore, soltando um longo bocejo.

Esperei Alyssia sentar-se, antes que eu começasse a falar.

–Como você acha que vai passar no teste para marinha, Douglas? – Perguntei com um olhar sarcástico –Você nunca estudou para isso, além do mais, não tem nenhum treinamento pratico para tal função.

–Não é preciso de nenhum treinamento prévio para a prova – Falou ele com desdém – Você é a única pessoa que conseguiu completar o simulador, na dificuldade máxima, sem estar alistado – Continuou com a crítica – Você também é a única pessoa que pretende alistar-se profissionalmente, antes de completar o curso preparatório, ou seja: O único anormal aqui é você, Luke...

Ele falou esta última palavra com um ar sarcástico sorridente.

Olhei para o céu, enquanto tentava controlar minha raiva.

“O castigo divino cairá do céu sobre os injustos” repeti em minha cabeça.

–Se não vamos estudar, vamos fazer o que? – Perguntei

–Dormir me parece umaboa opção – Comentou meu amigo – Podemos arranjar alguma pousada por aqui mesmo, o que acham?

–Gastar mais dinheiro? – protestei.

–Não é tão caro assim – Falou ele – Como você acha que poderíamos chegar à escola preparatória antes das seis da manhã?

–Eu chegaria – Argumentei

–É, esqueci – Disse meu amigo sarcasticamente – Você também é a única pessoa que, em pleno século vinte e dois, se acostumou a ter três horas por dia de descanso.

–Se vocês quiserem, por mim tudo bem –Falei revirando os olhos – Mas,por que você esperou a gente chegar aqui para dizer isso?

Ele deitou na grama macia, revirou os olhos e disse:

–Quem sabe?... Quem sabe... – Com um ar sonolento no rosto, pirraçando-me até o ultimo segundo.

Olhei para ele com uma expressão pouco agradável.

–Lembram-se daquela pousada? –Perguntou Alyss, antes que algo pior acontecesse–A qual ficamos no dia em que Douglas voltou de viagem? – Continuou enquanto observava o céu, com o rosto sereno e um olhar cansado –Qual era o nome?

–Rosa dos Ventos – Lembrei, enquanto olhava para seu rosto.

–Por que não escolhemos essa? – Questionou ela, encontrando meu olhar a lhe observar.

Desviei minha cabeça para o outro lado tentando evitar aqueles olhos claros e profundos. Eu não gosto de ficar hipnotizado por este olhar, me sinto bobo e infantil, mas, às vezes, a tentação é grande.

Havíamos decidido. Fomos caminhando devagar para o estacionamento. Ajudei Alyssia a sentar na motocicleta de flutuação e fomos a caminho de nosso descanso, a pequena pousada Rosa dos Ventos.

Minha bela amiga estava bocejando quando chegarmos ao nosso destino. Seu rosto estava refletindo claramente a quantidade de sono que sentia.

Ajudei-a a sair do veículo, segurando-a pela cintura, por precaução.

–Olá – Falei, novamente sem muita empolgação, dirigindo-me a recepcionista – Existem duas suítes vagas? – Perguntei enquanto segurava Alyss

–Com certeza. Deseja ficar por quanto tempo? – Perguntou a funcionária

–Só vamos passar uma noite – Falei com minha carranca habitual no rosto

Ela se virou, pegou dois carões-chave, um papel e uma caneta.

–Assine aqui, senhor – Falou ela, apontando para a linha abaixo do pequeno texto.

Li rapidamente o documento, assinei, e recebi os dois cartões.

Comecei a caminhar em direção aos quartos, 701 e 702, olhando para as pequenas identificações nas portas. Sendo seguido por Douglas.

–Aqui – Pensei alto, olhando para as duas suítes, uma exatamente do lado da outra.

–Douglas – falei novamente – você leva Alyss para cama por mim?

Entreguei-a aos braços de Douglas, que se encarregou de entrar no quarto 701.

–Se precisarem de alguma coisa, tenho sempre uma mala reserva na moto – Falei para ele –Boa noite.

–Bons sonhos para você também – retribuiu com um sorriso infantil

Entrei no quarto e fechei a porta.

Era simples, mas, aconchegante. A temperatura se mantinha em 23 graus, tornando o lugar mais agradável. Existia uma cama grande no centro do quarto, impecavelmente forrada e limpa, uma televisão estava fixa na parede em frente à cama, uma mesa estava encostada na parede, abaixo da televisão. O banheiro estava localizado numa outra parte do aposento.

Aproveitei para tomar um banho rápido, só para relaxar o corpo, tentando colocar os pensamentos em ordem.

Eu precisaria acordar mais ou menos quatro e meia da madrugada para dar tempo de me vestir apropriadamente para o grande dia.

Treinei os últimos oito anos para poder ingressar nas forças aéreas, eu precisava começar a lutar contra a resistência oriental, para vingar a morte de minha querida mãe.

Ao terminar o banho vesti minha calça novamente, deixando a jaqueta e a camisa em cima da mesa.

Deitei na grande cama tentando descansar de alguma forma quando ouvi três batidas na madeira.

Já passava das duas da manhã, quem poderia ser?

Notas finais
Se oportuno for, postem sugestões para o que poderia acontecer nos capítulos seguintes.
P.s.: Aposto que não desconfiavam do fato de Douglas ser irmão de Alyssia.