Wind Walker - O Mercenário Voador
21 A - Paixão
Notas iniciais
Um grande amigo meu me deu uma ideia interessante. Ele sugeriu que os leitores mandassem perguntas aos meus personagens, para que os mesmos possam "Respondê-las"
Nas notas finais estão as perguntas feitas por ele e um outro amigo.
Acordei preguiçosamente ouvindo batidas na porta. Quem será que poderia estar requisitando minha ajuda a esta hora da manhã? Abri os olhos e notei, com uma frustração muito grande, que Luke já havia ido embora. Por um pequeno segundo, recordei o que havia acontecido antes de ceder ao sono: Aquelas mãos carinhosas e delicadas entre os fios dos meus cabelos, aquele abraço quente e acolhedor, aquela sensação reconfortante de segurança, aquelas lindas palavras que declaravam sentimentos que achei que nunca seriam discutidos e aqueles doces lábios que atestavam a verdade em sua fala. Como eu queria que você estivesse aqui comigo, amado Lúcio.
Com um pouco de esforço, consegui sentar naquele confortável colchão, notando não pela primeira vez, que a camisa de meu companheiro tinha um cheiro muito bom. Ou será era a sensação de estar mais próxima dele? Não sei, mas eu sentia vontade de me encolher dentro daquela roupa e ficar deitada por todo o dia, esperando a sua chegada. Sentia a mesma sensação de oito anos atrás, quando voltei para casa depois de conhecê-lo, mas, desta vez era mais intensa e queimava por dentro do meu corpo, impedindo-me de esquecer seu rosto, suas palavras e seu nome.
Pus-me de pé, pronta para caminhar até a porta. Será que era ele? Será que ele ainda não tinha ido? Tudo o que eu queria era um “bom dia” vindo dele. Isto me faria feliz.
Escaneei rapidamente o quarto à procura de algo que Luke possa ter deixado. Se o conheço bem, ele deixaria algum bilhete para mim se resolvesse ir embora. Confirmando as minhas suposições, bem acima da mesa, havia um pedaço de papel e um objeto metálico ao lado. Iria pegá-los, mas priorizei abrir a porta.
-Bom dia, sua chata – Saudou o meu irmão – Então você ficou por aqui, ao invés de dormir na cama totalmente sua?
Eu estava um pouco decepcionada com o fato de ter sido o Douglas que havia batido na porta, quebrando qualquer esperança por minha parte em relação ao fato de Luke ainda estar neste local, mas eu não pude conter o rubor constrangido que agora com certeza ressaltava sobre minha face ao notar a mensagem que ele tinha me mandado nas entrelinhas de sua fala. Estaria meu irmão ressentido com o fato de eu ter ido dormir com o meu amigo? Afinal de contas, havia avisado a ele previamente para deitar na cama, sem se preocupar com o local que eu fosse dormir. Sim, eu sei que isso não justificava mentir para o Lúcio dizendo que o nosso outro companheiro estava ocupando totalmente o espaço da cama, mas não me culpe, foi a única justificativa que eu achei para responder a pergunta: “Alyss?! Você deveria estar dormindo” que ele havia feito para mim com aqueles lindos olhos. Não consegui evitar, a mentira simplesmente saiu de minha boca.
Sentei na cama enquanto arrumava a camisa que estava saindo um pouco do lugar, refletindo aquele fato novamente. Esta foi a primeira vez que eu menti para o Luke, mesmo sendo totalmente supérfluo, ainda foi uma mentira. Aquilo estava me matando. Que tipo de garota eu era?
-Éhh... – Comecei, enquanto prometia mentalmente a mim mesma que contaria a verdade para meu amado amigo, assim que o visse novamente – Foi, foi isso mesmo
Levantei da cama, em busca do bilhete que meu amigo havia me deixado. Eu tinha que ver o que estava escrito, tinha que sentir seu carinho novamente.
Assim que olhei para os dois pertences que ele tinha deixado, tive de conter um suspiro de surpresa. Ali em cima daquela mesa estava uma das armas que ele havia me mostrado na noite anterior. Por que ele havia deixado isto para mim? Peguei o bilhete ao seu lado e o abri com curiosidade. O bilhete em si era só um manual se instruções, mas era possível notar que foi escrito somente para mim por tratar-se ao leitor sempre como “Alyss”, no entanto o que mais me chamou a atenção foram as palavras escritas no canto daquele pedaço de papel: “Confio em você, meu anjo”. Não consegui conter a onda de felicidade que correu por dentro do meu corpo, aquela simples frase conseguiria me deixar feliz desta forma por uns dois dias.
Deve ser isso o que chamam de “estar apaixonado”, sentir-se feliz com uma mínima palavra, não conseguir retirar o nome daquela pessoa da cabeça, desejar com todas as forças passar mais um tempinho com ela. Deve ser, mas, quando me dei conta, eu estava abraçando o pedaço de papel contra o peito, de uma forma tão carinhosa que nunca imaginei ser capaz. Para meu total constrangimento, meu querido irmãozinho resolveu cortar o meu clima romântico com um manual de instruções naquele exato momento:
-Tá legal – Começou ele, olhando de uma forma ligeiramente incrédula para mim – Me explica agora o que aconteceu. Eu estou preocupado! – Seu tom de voz me surpreendeu muito naquele momento, estava rico de um sentimento que ele raramente admite sentir por mim: Preocupação.
Talvez tenha sido este o motivo que me fez sentir uma predisposição incomum para narrar os acontecimentos passados os quais ele se referia. Nunca gostei de narrar a minha vida, mas, naquela hora, aquele olhar me possibilitou sentar na cama e abrir meus sentimentos para meu único familiar presente:
-Tá bom – Falei enquanto sentava confortavelmente na cama, preparando-me para abrir meu coração.
-Bom – Comecei logo após terminar de organizar os meus pensamentos – Eu estava saindo de um delicioso banho. Em nossa suíte – Dei ênfase na palavra “Nossa” para evitar ambiguidades constrangedoras – As únicas coisas que faltavam ser vestidas eram um short jeans e uma camisa rosa sem mangas, mas eu estava começando a pensar que tais roupas seriam um pouco desconfortáveis. Abri a mala e tentei arranjar algo mais confortável, no entanto, tudo o que estava lá dentro era: Outra camisa minha, mais desconfortável que a primeira, uma calça e duas camisas do Lúcio. Peguei uma camisa branca de mangas compridas dele e a vesti. “Ela me servia de vestido completo”, pensei enquanto guardava o resto das roupas novamente dentro da mala.
-Logo em seguida – Continuei – Ao sair do banheiro, passei pelo quarto escuro olhando para você que, naquela hora, estava dormindo como um bebê. Saí do nosso aposento, a caminhar em direção ao quarto de nosso amigo. Bati na porta e, quase imediatamente, ele a abriu exclamando em seguida: “Alyss? Você deveria estar dormindo”
Notas finais
"Alyss, se o Lúcio consegue causar medo nos outros apenas usando o olhar, porque ele não te afeta?"
A - Primeiramente, deixe-me esclarecer uma coisa: Meu nome é Alyssia, ok? Voltando ao assunto principal: Quem lhe disse que eu não sou afetada por seu olhar? A técnica de intimidação feita por ele consiste em olhar no fundo dos olhos da vítima. No meu caso, isto funciona mais para me "tirar o ar" do qualquer outra coisa, pelo simples fato de conhecê-lo a muito tempo.
2ª - Pergunta de Snarkii:
"Douglas, como você consegue aturar o convencido do Lúcio?"
D - Sinceramente? Não sei. Ele sempre parece estar pensativo de uma forma sombria, quase nunca fala com ninguém com exceção de seus dois maiores amigos, sempre está seguro sobre tudo o que faz e é irritantemente bom em tudo. Mas eu não o odeio porque sinto que ainda há muito a descobrir a seu respeito.
3ª - Pergunta de Snarkii:
"Alyss, como você consegue aturar o convencido do Lúcio? (Sem ofensas)"
A - Meu nome não é Alyss! Que pergunta é esta? O WindRose deixou você perguntar isto? Bem, Snarkii, saiba apenas que eu gosto muito de ficar ao lado dele. Na verdade, eu amo ficar ao lado dele. Somente isso.
(Fiquem a vontade para mandar perguntas para os personagens principais)
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