Wind Broken Wings
19 Ventos Predecessores
Notas iniciais
A manhã estava como de costume nos campos gelados, o Sol tocava fracamente o solo, as espessas nuvens alvas pairavam no ar apenas para manter a predominância do branco na paisagem, completada pelas densas camadas de gelo acumuladas. Yasuo abriu a janela e se arrepiou com o vento frio que invadiu o quarto. Ao olhar para trás, sorriu ao ver Janna puxar o cobertor para mais perto de si. A maga dormia tranquilamente, até sentir cócegas em um de seus seios. Abriu lentamente os olhos e riu da cena que encontrou: Yahiko tentava desesperadamente mamar. Puxava o pijama da loira enquanto procurava o mamilo com a boquinha sedenta.
– Janna, eu vou tomar um banho e você se arruma quando terminar de alimentá-lo. Vamos começar o tour!
– Certo. — respondeu a garota.
Yasuo ligou o chuveiro e deixou a água quente relaxar seu corpo enquanto sua mente trabalhava. Pensou em visitar Udyr, ele havia ajudado quando precisou, mas isso ficaria para a visita à próxima cidade, onde o xamã residia. Depois que Yahiko nasceu, poucas vezes se pegava pensando em Riven e em seu filho que havia morrido. Apesar disso, a falta que faziam ainda lhe apertava o peito. Mesmo perdendo sua razão de viver, estava se esforçando para ser um bom pai, o mesmo que seria para seu filho com sua amada lutadora. Lavou o rosto para espantar tais pensamentos e terminou o banho.
Janna aguardava sua vez de usar o chuveiro, juntamente com o pequeno Yahiko. Rapidamente deu banho nele e o vestiu devidamente agasalhado para aproveitar o clima sem adoecer. Terminou de se arrumar e os três saíram para tomar café.
O passeio seguiu tranquilo e divertido. Janna nunca havia estado em Freljord, estava sendo mágico cada visita pelo continente gelado. Olhavam lojas, pontos turísticos, atrações de rua, tudo de divertido que encontravam pelo caminho. Não deixavam, também, de apreciar a culinária local. Até mesmo Yahiko provara os pratos típicos da região, fazia uma careta hilária para alguns, o que arrancava boas risadas do casal.
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Riven finalmente tinha chegado a tribo dos Avarosianos. Foi recepcionada pessoalmente por Ashe e Tryndamere. Apesar da insistência da arqueira para ficar em sua casa, a lutadora preferiu se instalar em uma pousada pelas redondezas, sentiria-se mais a vontade consigo mesma. Depois de encontrar o local em que dormiria, a noxiana seguiu o casal até sua sala de reuniões, onde tratariam dos motivos pelos quais ela estava ali.
– Pois bem. — Ashe tomou a palavra — Primeiramente, seja bem vinda, Riven — recebeu um aceno positivo da lutadora — Eu irei lhe passar os detalhes do porquê solicitamos ajuda. Não deve ser novidade para você que Lissandra deseja mergulhar toda Valoran numa era glacial — ela concordou e a arqueira prosseguiu — Depois de algumas investigações, descobrimos que a bruxa possui algum tipo de ligação com a Rosa Negra.
– Como sabe da existência da Rosa Negra? — Riven se espantou.
– Tivemos nossos meios de descobrir, mas não se preocupe, não é esse o ponto. Acreditamos que a Rosa Negra esteja fornecendo reforços para a bruxa gélida, por isso requisitamos auxílio de sua nação.
– Temos algumas fontes que afirmam ter visto LeBlanc e Lissandra conversando — Tryndamere complementava a fala de sua esposa — Caso a guerra se inicie, queríamos contar o apoio do seu exército para erradicar de uma vez por todas a existência de Lissandra. Propomos uma aliança entre os Avarosianos e Noxus. Caso aceite, receberemos seus conterrâneos com o devido respeito e cuidaremos de seus soldados como se fossem nossos.
– Bem — Riven apoiava seu queixo no polegar enquanto o alisava com o indicador — Eu preciso de uma noite para discutir isso com Swain. Gostaria que me dessem o tempo necessário para trazer sua resposta.
– Claro — Ashe sorriu esperançosa — Fique à vontade para discutir nossa proposta. Aguardamos seu retorno.
– Muito obrigada pela recepção.
– Eu te acompanho até a saída — Tryndamere estendeu a mão, indicando a passagem.
– Obrigada.
Os dois caminhavam pelos corredores da mansão, o lutador resolveu puxar assunto.
– Faz tempo que não nos vemos, em, Riven?
– Sim, desde aquele festival lunar.
– Você mudou bastante daquela época pra cá.
– Sim — Riven sorriu — Descobri que há mais na vida do que apenas guerra.
– Isso é ótimo! Bem, Riven, vamos beber juntos outra vez quando isso acabar.
– Claro. — a lutadora acenou do portão — Até mais.
Enquanto caminhava para a hospedaria, Riven pensava na proposta de Ashe. Se perguntava porque Swain havia mandado ela resolver isso, sendo um assunto de tamanha importância, algo que apenas o regente de Noxus poderia decidir. Algo não estava certo. Resolveu ligar primeiro para Darius, para depois contatar Swain.
Depois de explicar toda a situação para Darius, ele deu seu apoio como general de Noxus ao pedido de Ashe, dizendo que trataria da proposta pessoalmente com Swain e ligaria para ela no dia seguinte informando a decisão dele. Riven sentiu-se mais aliviada por não ter que lidar com o mago sozinha. Como sua parte estava feita, decidiu descansar pelo resto da tarde e desfrutar um pouquinho de Freljord depois.
A lutadora despertou com o cair da noite, tomou um banho, vestiu-se adequadamente para o frio que fazia e saiu. Enquanto caminhava pelas ruas, percebia que não era a toa que a tribo de Ashe era considerada a maior de Freljord. Além da densa população, o vilarejo era rico em comércios dos mais variados tipos. Riven aproveitou para matar a saudade das comidas regionais.
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Yasuo, Janna e Yahiko estavam sentados de frente para a lareira, se aquecendo.
– Janna, amanhã cedo iremos para a tribo dos Avarosianos. Você vai adorar, lá é um lugar lindo!
– Aposto que sim. — Janna percebeu que Yahiko estava dormindo e o colocou na cama. — Yasuo...
– Sim?
– Muito obrigada por tudo.
– Hã?
– Você sabe... Por Yahiko... Ele nem é seu filho, mas você cuida dele como se fosse...
– Ora essa, Janna, posso não ter gerado ele, mas é meu filho sim.
– Obrigada...
– Eu que agradeço por estar sempre ao meu lado e ter me dado esse presente maravilhoso que é esse menino.
Os dois continuaram jogando conversa fora até caírem no sono. Era incrível como se davam bem sendo apenas amigos. Yasuo não correspondia aos sentimentos de Janna, por isso, procurava ao máximo não brincar com eles, sempre a respeitou devidamente. Sentia muita falta de Riven, mas nunca deixou que isso abalasse a maga, sabia do ódio da garota pela noxiana, ela fazia questão de deixá-lo bem claro.
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O dia amanheceu frio como de costume, a ventania gélida fazia Riven relutar em se levantar, o calor aconchegante de sua cama a mantinha refém em sua cama, e ela não queria lutar nem um pouco or sua liberdade. Após soltar algumas reclamações para o ambiente, a lutadora se levantou e correu para o chuveiro, queria sentir mais um pouco o calor delicioso consumir seu corpo e acalentá-lo. Depois de se vestir adequadamente para a baixa temperatura, desceu para tomar seu desjejum na copa da hospedaria. A variedade de frutas na mesa, seguida de um leque de diversos queijos fazia o estômago dela roncar. A lutadora se serviu e comeu um pouco de tudo, afinal, algumas daquelas comidas só podiam ser degustadas em Freljord.
Riven decidiu dar um passeio enquanto a tarde não chegava, pois Darius ligaria apenas pela tarde. Decidiu visitar as lojinhas dos artesãos, queria levar uma lembrancinha para cada um. Se encantou ao ver um poro de pelúcia, Sayurin iria enlouquecer com aquela fofura! Não pensou duas vezes e comprou. Procurou algo para Yone, e viu um amuleto roxo hexagonal com um leão dourado no centro. A Quintessência era um lindo chaveiro, resolveu levá-lo para seu pequeno, ele iria adorar a história por trás daquele enfeite. Darius iria amar a miniatura que ela encontrou do Cutelo Negro, era a cara dele. Por fim, pensou em algo para Darven, agradá-lo seria o mais difícil. Andou por algumas horas mas não encontrou nada que o lembrava. Suspirou e desistiu, seguiu para encontrar um restaurante para almoçar. Optou por um prato típico da região e o saboreou com muito gosto, voltando para o hotel em seguida, para aguardar o contato de Darius.
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Janna olhava ao redor para ver se nada estava ficando na caravana. Poucas horas de viagem foram o bastante para chegar até a Tribo dos Avarosianos, liderada pela famosa arqueira do gelo, Ashe. Os olhos de Yahiko brilhavam ao ver vários monumentos esculpidos em gelo espalhados pelo vilarejo, cara um mais lindo que o outro. Aquilo parecia mágico para o pequenino, gigantes pessoas de gelo. Yasuo suspirava em nostalgia, havia passado por ali para encontrar Udyr. Era incrível como, mesmo depois de quatro anos, todos os seus pensamentos remetiam à Riven. Deu um leve sorriso de canto, desapontado consigo mesmo. Tentava ao máximo fazer sua vida seguir em frente, mas parecia que o tempo havia parado para si quando a noxiana desapareceu. Até mesmo o casamento dela lhe parecia uma grande peça, de muito mau gosto, pregada por sua memória, como um pesadelo.
– Vamos encontrar alguma hospedaria e descansar um pouco. — anunciou Yasuo, atraindo a atenção de Janna — Daqui a pouco iremos almoçar.
– Certo — replicou Janna, sorrindo.
Rapidamente acharam uma aconchegante pousada, não era a mais chique do lugar, mas dava pro gasto. Fizeram o check-in e logo seguiram para o quarto para um cochilo. Yasuo se esparramou na cama e não tardou para que pegasse no sono. Janna decidiu dar um banho em Yahiko, ele devia estar precisando se libertar um pouco do amontoado de casacos que o sufocava. O garotinho adorava água, custava a sair quando estava na banheirinha.
– Ai, Yahiko, você está molhando a mamãe todinha! — o pequenino sorria sem parar enquanto batia com as mãos espalmadas na água — Você não tem jeito, né, meu amor.
Após secar e vestir Yahiko, Janna o colocou no bercinho e se deitou ao lado de Yasuo, que já roncava alto. Riu um pouco da cena e lentamente pegou no sono enquanto ria mentalmente do modo que o espadachim dormia. Até nas mais ínfimas e estranhas coisas, ele era perfeito aos olhos dela, sabia que jamais deixaria de amá-lo. Por toda eternidade, seu coração seria dele e de mais ninguém.
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Riven caminhava relaxada e tranquila para o palácio de Ashe, boas notícias tinham vindo de Noxus, Swain ajudaria os Avarosianos e lidar com LeBlanc e ofereriam apoio militar caso uma guerra se iniciasse. Chegou aos portões e foi prontamente recebida por um dos serviçais do local. A arqueira já a aguardava por ela na sala de reuniões, um pouco aflita.
– Bom, eu trago boas notícias. — Riven anuciou sorrindo enquanto dava um gole no chá que acabra de ser servido — Swain disse que proveria apoio militar caso alguma rebelião e que ele lidará pessoalmente com LeBlanc.
– Ah, que ótimo, Riven. — Ashe uniu as mãos em sinal de agradecimento e suspirou sorrindo — Muito obrigada por ter se dado ao trabalho de vir e de negociar, os Avarosianos terão uma dívida eterna com Noxus.
– Não é pra tanto, Ashe, se LeBlanc está envolvida, nós temos de nos responsabilizar também.
– Ashe tem razão, Riven, teremos uma eterna gratidão para com sua nação.
– Bom, temos algo a mais a tratar?
– Podemos te explicar as táticas de abordagem de Lissandra e um pouco sobre seus poderes.
– Ah, será de grande ajuda! — Riven se levantou e se posicionou ao lado de Ashe enquanto ela esplanava na mesa um documento com alguns detalhes sobre a rainha gélida.
Os três trocaram informações sobre Lissandra e LeBlanc durante algumas horas, algumas que até eram segredos de estado de suas respectivas nações. Depois de findado o encontro, Riven caminhava de volta para a hospedaria quando um tumulto lhe chamou a atenção, algumas ruas mais a frente. Uma garotinha corria e gritava por socorro.
– O que houve? — Riven perguntou para a pequena.
– Uma bruxa! Ela pegou minha mãe!
– Bruxa? Onde?
– Lá — apontou a pequena — Uma bruxa de gelo!
Por sorte ou azar, Riven estava munida de sua espada e rapidamente correu até o local para averiguar. Seus olhos vermelhos se arregalaram ao avistar sua silhueta, era a primeira vez que via aquela criatura diante de si, e podia afirmar, com certeza, que era uma mulher sórdida e maligna. Seu sorriso exalava perversidade e sua voz soava como um sussurro mórbido perdido há séculos pelas eras que se sucederam até os dias de hoje.
– Lis...san...dra...
Sem pensar direito, Riven partiu pra cima de Lissandra quando a viu congelar instantaneamente uma mulher enquanto sorria, em divertimento, para a criancinha ao lado a mãe recém-morta. Ela gargalhou alto e depois se aproximou da pequena garotinha, puxando seu pequenino queixo, com o indicador, para mais perto de si.
– Carne congela tão facilmente, não é mesmo? — a pequena lutava para conter as lágrimas e encarar Lissandra — Criança tola! Você não pode deter uma avalanche...
A maga gargalhou novamente e se preparava para dar à criança o mesmo destino da mãe quando fora interrompida por uma desconhecida. Levou o primeiro golpe em cheio, pois fora pega completamente de surpresa. Conseguiu defender os seguintes com um pouco de dificuldade, usando seu Caminho Glacial para se afastar em seguida. Ficou confusa ao notar que não conhecia quem a atacava.
Riven continuou avançando para cima da bruxa gélida golpeando-a sem intervalos. A maga revidava no mesmo nível, abrindo dezenas de cortes na lutadora com seus estilhaços de gelo. A lutadora se assustou ao ver Lissandra ser atordoada repentinamente por uma enorme flecha de gelo, e rapidamente notou sua origem: Ashe. A arqueira começou a fornecer suporte de longe com incontáveis flechas congeladas chovendo freneticamente sobre a maga. Tryndamere corria em direção ao alvo, porém, ela antecipou seus movimentos e encantou o chão ao seu redor, dando um grito que impactou o gelo no chão e prendeu o lutador por alguns segundos, aproveitando a deixa e a distração da exilada e lançou-a fortemente contra uma parede, que desmoronou, e ela continuou voando por mais alguns metros dentro do estabelecimento, destruindo as mesas e cadeiras que estavam no caminho, até bater com as costas contra o balcão. A colisão lhe tomara o ar e a garota cuspiu um pouco de sangue. Equilibrou a espada no chão e se apoiou nela para levantar.
Lissandra usou seu Caminho Glacial para se teleportar para perto de Riven e acabar com ela de uma vez antes de lidar com Ashe e Tryndamere. O sorriso macabro da maga apenas confirmou o que a lutadora já esperava: ela tinha uma carta na manga! Apesar de lhe consumir bastante energia e só poder ser conjurado uma vez em três horas, a bruxa não pensou duas vezes em usá-lo para se livrar de sua oponente.
– TÚMULO CONGELADO!
Em questão de segundos, Riven estava completamente presa em um pilar de gelo que cobria todo seu corpo e englobava, também, sua espada. Uma montanha de gelo espinhoso redecorou o restaurante, e a estátua da lutadora era o novo centro das atenções. Depois de dois minutos e prisão se desfez e a exilada tombou, desmaiada.
– Hmpf, foi fácil. — Lissandra gargalhou e apontou para fora — Sua vez, avarosiana idiota!
A maga se teleportou para fora do local e seguiu, sedenta, para atacar Ashe. A arqueira se esquivava como podia das pequenas lanças de gelo enquanto respondia à altura com suas flechas. Tryndamere tentava acompanhar os movimentos da bruxa, mas sua mobilidade era muito efetiva contra o peso da espada do bárbaro, que se movia lentamente. A árdua batalha perdurou até avarosiana dar um passo em falso e cair no chão. Imediatamente, Lissandra aproveitou a brecha e foi para cima de Ashe, prendendo-a contra o chão e fincando um estilhaço de gelo em sua perna, certando seu tendão. O urro de dor da garota trouxe a fúria de seu marido à tona. Cego de ódio, o rei bárbaro não tinha mais problemas com o peso e deu início a uma sequência de golpes ininterruptos que fizeram Lissandra recuar alguns metros enquanto se defendia. Quando Trynda ia dar seu último golpe, a Flecha de Cristal Encantada de Ashe atingiu a maga em cheio, e o bárbaro conseguiu acertar com precisão o abdômen da garota gélida. Estava pronto para dar o último golpe, porém, uma garota franzia com o cabelo azul escuro e uma vestimenta um tanto inadequada para o clima surgiu e, tão rapidamente como, desapareceu levando a bruxa consigo.
Tryndamere correu para perto de Ashe, e seu estado não era nada bom. O sangramento estava intenso, smado ao esforço para usar sua ultimate duas vezes em um intervalo tão curto estava piorando muito sua situação. Os aldeões correram para auxiliá-la, e rapidamente já estava sendo encaminhada para o curandeiro da tribo. Agora era a vez de lidar com Riven.
A garota ainda estava desmaiada no mesmo local, rodeada de curiosos. Certamente, ninguém esperava que uma mulher entrasse voando restaurante à dentro no meio do almoço, ainda mais pela parede. De fato, o impacto que ela sofrera fora muito forte. Como se tudo isso já não fosse estranho o suficiente, acontecer no meio de um passeio que deveria significar descanso, era ainda mais surpreendente. Devido aos dons curativos de sua Monção, Janna se aproximou da vítima para checar seu estado. Um misto de ódio e desejo de vingança lhe ferveu o sangue quando a reconheceu da foto. Limitou-se a pegar uma bandeja do balcão a bater no peitoral de Riven, a fim de acordá-la para uma conversinha. A lutadora despertou no primeiro baque e olhou assustada pra garota que a batia, sem entender o motivo.
– Levante-se, verme ordinária.
Riven continuou sem compreender absolutamente nada do que estava acontecendo. Após levar outra bandejada, desta vez na cabeça. As pessoas que as rodeavam voltavam a se afastar, assustadas. O sangue começou a escorrer da testa da lutadora pela pancada. Rapidamente pegou sua espada e tentou se levantar. A tontura lhe abateu e ela desabou, sendo amparada pelo homem ao seu lado.
– Moça, você tá... Riven? — Yasuo não conseguia acreditar que era justamente ela caída em seus braços mais uma vez — Janna, o que diabos tu fez? Tu tá loca?
– Essa desgraçada... Por causa dela... É tudo culpa dela... — Janna cerrava os dentes, tentando segurar o ódio. Yahiko permanecia sentado na cadeirinha alta olhando assustado para a cena, prestes a começar a chorar — Ela te causou todo aquele sofrimento, Yasuo, e você ainda ajuda ela? Por que ainda se preocupa com essa peste peçonhenta?
– Janna, modere suas palavras, estamos em um local público.
– POR CAUSA DESSA MESQUINHA MISERÁVEL VOCÊ NÃO ME AMA.
– Já chega! — Yasuo apenas a olhou e ela se calou.
O lutador a pegou no colo e levou para a hospedaria em que estava e a levou até seu quarto. Pegou o kit de primeiro socorros que Janna levava na bagagem e começou a tratar dos seus ferimentos. Riven sequer estava em condições de se preocupar onde estava ou com quem estava. Ela podia jurar que estava sendo carregada para o palácio por Tryndamere, então, nem se deu ao trabalho de importar-se, apenas fechou os olhos e esperou para apagar novamente. O lutador riu de canto ao se lembrar das outras vezes que fizera o mesmo procedimento e recebeu apenas patadas e reclamações como retribuição. Era nostálgico.
Janna preferiu ficar pela cidade, estava fervendo de ódio. Decidiu deixar Yahiko com o pai, tinha medo de descontar nele ou acabar deixando-o em algum lugar, então, assim que o deixou no berço, saiu correndo para o centro do vilarejo, procurando algum divertimento para esquecer o que sua mente insistia em querer lhe provar como verdade. Nem queria imaginar o que estaria acontecendo naquele quarto.
Yasuo terminou de efetuar os curativos e recebeu um ronco como agradecimento. Riu um pouco e avisou para a recepcionista que, em algumas horas, precisaria de serviço de quarto. Enquanto não tinha mais o que fazer, ficou brincando com Yahiko enquanto o pequeno não pegava no sono. O lutador sempre mostrava pequeninos redemoinhos de vento em seus dedos, que deixavam o garotinho alucinado, querendo tocá-los e tê-los em seus próprios dedinhos. Ele sempre ficava fixado quando o pai lhe mostrava técnicas de vento, como se apenas aquilo o importasse no momento. Após piscar algumas vezes, Yahiko se pronunciou.
– Papai!
– Que foi, meu campeão?
– Comida!
– Ah, está com fome? — Yasuo o colocou no berço e procurou nas coisas de Janna o necessário para preparar a mamadeira de Yahiko.
Enquanto aguardava água quente chegar da cozinha da pousada, procurava o leite em pó na bolsa. Um pequeno papel rasgado e brilhoso lhe chamou a atenção. Ao puxá-lo, não pode conter a surpresa ao perceber que era uma fotografia. Nela, estava Riven e uma garotinha, cujo rosto estava partido ao meio pelo rasgo. Era incrível como elas se pareciam, como se fossem cópia uma da outra. Yasuo sorriu de leve, adquirindo um semblante entristecido logo em seguida, afinal, ela só podia ser filha de Darius... Se permitiu apreciar a beleza da pequena por alguns minutos e logo a água havia chegado. Preparou a mamadeira e o pegou no colo para amamentar. Balançava suavemente de um lado para outro, embalando-o num cantarolar delicado.
Riven sentia todo seu corpo destruído, parecia que tinha lutado três guerras em um único dia. Abriu os olhos lentamente enquanto se adequava a luminosidade, tateando a cama na fútil tentativa de descobrir onde estava. Ouviu um som calmo e um timbre familiar, apesar de quase esquecido. Virou-se devagar, com medo de descobrir algo que não queria, ver quem não devia, mas era inevitável. Não sabia se ficava feliz ou triste, se corria ou se ficava, se o encarava ou se dava as costas e corria. Era uma decísão difícil, mas era a que mudaria sua vida, querendo ou não. Um choque lhe correu o corpo ao ver que Yasuo embalava um bebê, sorrindo inocentemente para ele enquanto o observava cair no sono. Com certeza era a última coisa que esperava ver na vida.
Ao notar que Yahiko caíra no sono, Yasuo o colocou cuidadosamente no berço e o cobriu. Sorriu para ele e se virou para ver se Riven já tinha acordado. Ficou um pouoc desconcertado ao ver que ela o encarava.
– Ah, você já acordou. A quanto tempo estava olhando?
– Uns.. Dois minutos... — respondeu baixinho, até mesmo sua voz estava pasma com a cena.
– Bem — Yasuo coçou a cabeça, envergonhado — Está se sentindo bem?
– Totalmente quebrada.
– Era de se esperar, você apareceu demolindo a parede do restaurante. Aliás, por que isso aconteceu?
– Eu estava... Resolvendo uns problemas diplomáticos.
– É verdade, se me lembro bem, sua melhor diplomacia eram os punhos. — Yasuo apoiou o queixo no indicador e fingiu estar pensativo.
– Então... — Riven se sentou a fez uma careta ao sentir a cabeça latejar — Como eu vi parar aqui?
– Você desmaiou em cima de mim.
– Eu? Tá brincando.
– Parece que não mudou nada nesses quatro anos — Yasuo se aproximava lentamente a cada provocação -Me dá trabalho igual antigamente.
– E você continua o mesmo idiota — cruzou os braços e virou o rosto.
– Ahahahaha, você não muda mesmo, Riven. — se sentou na cama, de frente para ela, se aproximando ainda mais — Então... Será que você também implica assim com seu marido? Ou é um jeitinho especial que só mostra pra mim?
– Escuta aqui seu convenc.... — ao virar o rosto, Riven notou que estavam a poucos centímetro um do outro.
– Seu hálito continua quente e suave... — Yasuo abaixou o rosto minimamente e deu um selinho bem de leve no queixo dela, retomando o contato visual em seguida. — Seus arrepios também são os mesmos...
– Então... — ela empurrou ele pra longe — Como vai seu...Er... Como eu chamo seu relacionamento com aquela doida que me deu uma bandejada na cara?
– Ah, a Janna — riu um pouco ao modo dela se referir — Ela é minha amiga, estou ajudando-a a criar aquele pequeno rapaz ali. Aliás — olhou com certo pesar para a lutadora — Parabéns pela sua filha, é linda.
– C-C-Como você sa...be?
– Isso — Yasuo puxou a foto do balcão — Mesmo que esteja rasgada, dá pra ver que ela é sua cara.
Riven olhava atônita a foto.
– Mas... Essa foto era da Kat... AI, MEU DEUS, KATARINA! — olhou atentamente e viu que Yone não estava mais na foto — RASGOU A FOTO DOS MEUS AMORES NA CARA DURA, EU TE MATO, RAPARIGA!
– Então... Eu agradeceria se não falasse daquele... ser... que carrega a outra aliança na minha presença.
– Mas eu não tava faland.... o do Darius... — estava temerosa, mas terminou a frase.
– Que seja. Pelo que me parece, você foi bem sucedida em reconstruir sua vida.
– Eu digo o mesmo — olhou com um pouco de desdém para o berço — Parece ser um "papai coruja".
– É um garoto esperto, eu o amo muito, não é meu de sangue, mas é meu filho.
– Hã?
– Janna encheu a cara uma bela noite e acabou na cama com um mercenário. Ele sumiu e ela teve que arcar sozinha com as consequências.
– Nossa... — sorriu, pensando como isso se parecia com ela e Darius.
Os dois ainda estavam um pouco tensos, mas já conversavam com mais tranquilamente. Até davam algumas risadas juntos. Yasuo sempre tentava puxar assunto sobre a pequena da foto.
– Sayu é uma figura, não interessa com quem esteja falando, essa pessoa se apaixona por ela em poucas palavras. Ela é tão calma e gentil... Não tem nada a ver comigo. — sorriu e, acidentalmente, deixou as palavras que não devia escaparem. — Ela é super racional e cuidadosa, é a sua cara e... — "Acho que falei merda..."– Digo, você tem um pouco disso de pensar bem antes de agir e tal...
– Eu entendi, Riven, relaxa — "Entendi nada, que que essa guria tem a ver comigo? O pai dela é o outro lá..." — Enfim, o nome dela é Sayu?
– Sayurin.
– Pequeno lírio, em?
– É. — sorriu ao lembrar do sorriso angelical da pequena — Meu bem mais precioso...
Janna já estava de saco cheio de tanto andar e resolveu voltar. Ora, era seu quarto, seu marido (N.A. = Só você pensa assim, querida), suas férias! Ia chutar Riven de lá e retomar sua viagem da parte em que almoçavam tranquilamente na tribo de Ashe. Abriu bruscamente a porta e viu Yasuo e Riven conversando como se nada tivesse acontecido.
– Fora daqui, mal comida.
– Janna?
– Yasuo, tira essa piranha daqui, por favor.
– Tá falando de mim, magrela oxigenada?
– Você disse o quê? — Janna estendeu a mão e seu cajado flutuou até ela. — Ventania Uiv...
– Ah, cala essa boca — Riven puxou a espada e rapidamente a encantou — Lâmina do Vento!
Apenas cinco segundos foram o suficiente para algumas paredes serem destruídas e Janna ser arremessada para o meio da rua com o impacto do golpe. Yasuo não conseguia acreditar no que seus olhos acabaram de testemunhar. Jamais imaginou que a lutadora possuísse tal técnica, muito menos que ela fosse baseada em vento.
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