Wind Broken Wings
10 Ventos Abissais
Notas iniciais
Todos se encontravam reunidos na copa para o café da manhã.
– MORGAAAAAAAANA! — gritou Akali
– Sim, senhora?
Riven simplesmente não acreditava no que via. Uma noxiana trabalhando livremente dentro da mansão da tríplice Kinkou.
– Morgana... — a lutadora chamou-a incrédula.
– RIVEN? VOCÊ AQUI? — correu para falar com ela mais de perto — Caramba! Quanto tempo faz que eu vi você! Você não pisa em Noxus faz mais de cinco anos. Ainda tem gente que gosta de você lá, sabia?
– Eu não podia estar menos interessada em Noxus do que agora, aquele lugar está cheio de ratos podres.
– Eu me cansei de lá por isso, saí e vim passar uns tempos em Ionia. Sorte minha que Akali e Shen aceitam estrangeiros inimigos em casa, hahaha
Yasuo não conseguiu conter a surpresa e o desânimo. Riven realmente era de uma nação inimiga. Levantou-se cabisbaixo da mesa.
– Riven, precisamos conversar. — sequer olhou para a garota e saiu andando
Riven deu uma rápida olhada para os outros presentes na mesa, Akali e Shen expressavam um pesar no olhar, Kennen deu um suspiro baixo. Riven se levantou e o seguiu.
– Eu sabia que ia ser assim, Yasuo nunca fora muito tolerante — Akali se levantou e seguiu a lutadora — Vou ver se consigo evitar problemas maiores.
– Akali, por favor, tome muito cuidado em Riven — Kennen olhava sério para a companheira de equipe — Ela está grávida, não pode passar por um trauma, Yasuo sequer pode pensar em tocar nela. Vigie e intrometa-se, caso seja preciso.
– Sim! — Akali dava pulinhos internos de alegria por saber da gravidez, mas estava apreensiva pelo momento delicado que se seguiria.
O casal se acomodou debaixo de uma árvore no jardim e o silêncio pairou por alguns instantes.
– Riven, eu sabia que esse dia chegaria, mas eu queria evitá-lo ao máximo. Eu temia descobrir que nascemos em nações inimigas, que seríamos obrigados a ser rivais pelas nossas origens.
– Yasuo, eu...
– Agora sei que você, infelizmente, é noxiana, então, Riven, você precisa saber sobre mim também. — Yasuo finalmente a encarava, seus olhos estava brilhando pelas lágrimas que começariam a se formar logo, logo — Eu sou daqui, Riven, eu nasci e me criei em Ionia.
Riven instintivamente levou suas mãos para o ventre enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
– Já que chegamos até aqui, vamos em frente com isso. — Yasuo se acomodou e começou a falar. — Eu tive meus dias de glória durante toda a minha juventude. De toda uma geração de espadachins de uma famosa academia, eu fui o único a dominar a técnica que possuo hoje. Meu irmão também tentou, mas ele não conseguiu. Com isso, eu era visto como prodígio e ele sempre era deixado em segundo plano pelos nossos pais e por toda Ionia. Eu nunca me conformei com isso, pois ele tinha um grande potencial para lutar e era bom nisso. Um belo dia, Noxus resolveu nos invadir. Pelo meu talento eu fui designado a proteger um Ancião, porém, abandonei meu posto achando que salvaria mais vidas se lutasse na frente de guerra. Quando eu retornei ao meu posto, o ancião estava morto. Eu me amaldiçoei por isso, me entreguei para ser morto porém, me acusaram do assassinato e eu não entendia o motivo. Me rebelei contra meu povo e fugi, sendo perseguido por todos, inclusive meu irmão. Quando ele me encontrou, honramos nosso código de espadachins e lutamos até que eu o venci. Em seu leito de morte, Yone me deu uma luz e eu pude entender porque me acusavam de matar o Ancião: ele fora assassinado por um usuário do vento. — nesse instante, Riven sentiu o mundo parar — Como eu era o único que dominava tal técnica, fui imediatamente acusado. Eu vaguei anos em busca do culpado, anos obcecado em restaurar minha honra, até que eu te encontrei, Riven, e você mudou minha vida.
Riven permaneceu calada, chorava descontroladamente. O tempo todo, a pessoa que ele procurava era ela, que havia desgraçado sua vida, o havia feito matar seu irmão, o fez ser odiando por toda sua nação, era tudo culpa dela. Seu coração estava destroçado, não sabia o que dizer, o que fazer. O que Yasuo faria se soubesse? O pânico lhe consumira, o nervosismo estava destroçando sua mente, a lutadora levantara rapidamente, queria fugir dali e fora acometida por uma brusca queda de pressão que a fez desmaiar.
– Riven! — Akali saiu em disparada em direção à lutadora. — Me dá ela aqui, vá buscar um balde de água com gelo e um pano, rápido. Mande Kennen vir aqui.
Yasuo seguiu rapidamente as ordens. Akali afrouxou as roupas da espadachim e colocou o pano gelado em sua testa enquanto Kennen mantinhas as pernas dela elevadas. Pouco mais de um minuto depois, Riven despertou.
– Riven, que susto! — Yasuo a abraçava — Não me deixe, nunca!
– Yasuo... — a lembrança do que acabara de ouvir ainda martelava em sua mente.
– Vamos pro hospital, preciso examiná-la. — Kennen deu a ordem e os quatro seguiram rapidamente.
Após Akali ministrar um soro com cloreto de sódio para aliviar a baixa pressão, a ninja pediu para ficar a sós com Riven. Kennen se limitou a ir na sala de espera tranquilizar Yasuo.
– Riven, eu não sei o que ele te disse, mas você precisa ser forte. Você tem de viver por dois agora. Eu tenho uma grande dificuldade para engravidar, eu realmente quero muito ter um filho, mas no momento eu não consigo, então, por favor, cuide de você e cuide dessa vida que você carrega dentro de si. Não o perca, Riven.
– Akali... Yasuo não vai mais querer à mim ou ao bebê...
– Como você pode falar algo assim, Riven! Ele te ama, ele arriscou a própria vida pisando nessa cidade novamente, apenas para que você desfrutasse do festival.
– Akali... Você conhece o passado dele, não conhece?
– Sim, foi isso que ele te contou?
– Foi... A pessoa que desgraçou a vida dele... Fui eu. — as lágrimas tornaram a escorrer.
– O Ancião... Foi... Foi você? — agora a ninja entendia o sofrimento da amiga.
– Sim. Se ele descobrir, ele seria capaz de me entregar para as autoridades ionianas?
– Eu... Não sei, Riven...
– Akali, eu não quero perder a chance de criar meu filho. Me tira daqui, eu mantenho contato e venho sempre que precisar de exames e no parto. Por favor, eu não posso ser julgada e executada sem dar luz ao meu bebê. Ele não merece pagar pelo meu erro.
– Está bem... — Akali via a apreensão transparecer o corpo da lutadora. — Vamos, por aqui.
Depois de guiá-la para a saída dos fundos do hospital, Akali enrolou mais um pouco dentro da sala e se retirou, afirmou para Kennen que ela estava dormindo. Yasuo pediu para vê-la.
– Sinto muito, Yasuo — "acho que ela já chegou aos portões da cidade" — Ela precisa muito descansar, sugiro que vá pra casa e aguarde por notícias lá.
O espadachim se sentia mais leve, não guardava mais nenhum segredo dela, sentia que agora sim, poderia ser feliz plenamente. Duas horas se passaram desde que Akali o dispensara. Yasuo começou a estranhar, se foi apenas um desmaio, duas horas sem poder vê-la já era exagero. Resolveu tirar satisfação com Akali.
Riven corria o mais rápido que podia, já estava alcançando o vilarejo onde conheceu Kiara. Mais 15 minutos de corrida e havia alcançado a entrada. Pra sua sorte, encontrou uma caravana que estava indo em direção ao centro de Valoran, passaria pela cabana em que morava com Yasuo, pegaria sua espada e suas coisas restantes e seguiria vagando como sempre fizera. Após conseguir carona, sentou-se da forma mais cômoda que podia e ficou pensando no que seria de sua vida dali pra frente. Pensar em Yasuo era doloroso, pensar em toda a vida que planejara na noite anterior ao lado do homem que tanto amava e apenas lamentar por tudo ter ido ralo abaixo. Riven estava decidida a se enconder até que seu filho pudesse se virar sozinho, depois, ela se entregaria para a morte nas mãos do grande amor de sua vida por vontade própria, para que ele não guardasse mágoas e pudesse viver em paz.
Enquanto isso, em Ionia, o clima não ia nada bem.
– COMO ASSIM ELA FUGIU, AKALI? — Yasuo não podia acreditar no que acabara de ouvir — POR QUE ELA FUGIU DE MIM? POR QUE VOCÊ PERMITIU?
– Yasuo, ela simplesmente sumiu! Controle-se, você está dentro de um hospital, não grite!
Yasuo não conseguia entender o motivo de Riven ter desaparecido repentinamente. Por mais que seus passados estivesses conectados da pior forma possível, o lutador estava disposto a passar por cima de tudo. Não se importava de ser um foragido para sempre, desde que pudesse estar ao lado dela e do filho deles. Queria protegê-los de qualquer mal que os ameaçasse. Antes de partir em busca dela, pediu para que Shen o avisasse caso ela voltasse para Ionia, ele prometeu que entraria em contato assim que soubesse notícias dela.
Com a promessa de Shen como única esperança que tinha de encontrá-la, Yasuo partiu para procurar por si só sua amada. Seria uma longa jornada, pois cada minuto sem ela ao seu lado, transformava sua vida num enorme vazio.
Yasuo correu por todo o dia, exaustivas 9 horas quase sem descanso, a noite começava a cair resolveu parar no vilarejo em que estava e tentar colher alguma informação.
Para Riven, uma pequena pausa de 5 minutos no caminho para trocarem os cavalos e seguiu viagem. Já se encontrava relativamente próxima à cabana. A caravana decidiu por avançar um pouco mais durante a noite, parando na próxima vila. Depois de mais três horas de viagem, Riven estava perto o bastante para seguir andando e pegar seus pertences. Agradeceu ao condutor, deu-lhe algumas moedas de ouro que tinha e partiu para a casa para recuperar sua espada.
Ao adentrá-la, um sentimento doloroso a consumiu. Só de pensar que nunca mais estaria ali um aperto enorme sufocava seu peito. Enquanto procurava o que era seu por dentro, as lembranças das noites que viveu ali a torturavam. Riven chorava, chorava pelo que havia perdido, pelo que acabara de perder, por privar seu filho de ter a presença do pai, por nunca mais poder ter Yasuo ao seu lado. Acabou encontrando uma de suas tirinhas de couro que usava para prender o cabelo, resolveu levá-la consigo, ao menos uma lembrança teria.
Depois de pegar tudo que queria, Riven seguiu adiante, sem destino, apenas com seu filho no ventre e a tristeza em seu coração.
Yasuo corria, tão rápido que parecia voar baixo. Ignorava o cansaço de seu corpo, o desespero superava tudo que sentia agora. O lutador não conseguia sequer imaginar um motivo plausível para o sumiço repentino de sua amada. A vida deles estava ótima, tudo corria maravilhosamente bem. A notícia da gravidez foi a melhor já ouvira em toda sua vida. Porém, sua determinação não fraquejaria sequer um segundo: "Eu já perdi meu lar, meu irmão, não deixarei o mesmo acontecer com você, Riven, nem com nosso filho!".
Um pouco distante dali, Akali se encontrava sentada próxima ao jardim, acariciando os cabelos do seu tão amado ninja deitado em seu colo.
– Shen, se um dia eu sumisse da sua vida pelo bem da Lina, você me perdoaria?
– Tá falando da Riven?
– Sim... Ela me disse que queria viver até criar seu filho... Acha que Yasuo teria coragem de matá-la?
– Não, por pior que seja o que ela tiver feito, eu realmente duvido que ele faria isso.
– Acho que sim...
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