Wind

1 Capítulo 0 - Prólogo


Notas iniciais
Bem, essa é a primeira história que eu escrevo em bastante tempo e como já disse nas notas iniciais estou gostando bastante de escrever. Eu espero que vocês gostem tanto quanto eu. Boa leitura ^^

A parada de ônibus rural ficava no meio de lugar nenhum,dividindo espaço com a vegetação rasteira que marcava o início da mata fechada de um verde vibrante. O sol forte castigava sua pele, o som das cigarras o assustava e a mala era pesada de mais para alguém tão pequeno carregar, contudo, o garoto de cabelos castanhos possuía um ar de orgulho e dignidade incomum para crianças de sua idade. Sua etiqueta de identificação foi tudo o que o motorista do carro escuro olhou ao parar e abrir a porta puxando a mala com facilidade para dentro.

— Entra garoto, não tenho tempo a perder com você — ordenou mal humorado passando os dedos gordurosos pelo cabelo grisalho. O motorista parecia tão cansado quanto ele, as grandes bolsas escuras sob os olhos eram a prova de que a guerra havia cobrado seu preço pra ele tanto quanto pra qualquer um que habitasse aquela nação.

O carro cheirava mal e os bancos eram grudentos, mas o garoto estava agradecido pelo silêncio do homem de presença opressora. O silêncio era de certa forma uma benção, graças a ele, Caleb podia se imaginar em outro lugar, na casa da avó ou na mansão dos pais que ficava perto do velho lago, onde ele e os primos brincavam quando o sol estava forte e o calor muito intenso para que ficassem dentro de casa. Mas seu devaneio não durou muito mais que meia hora. Avançaram por alguns minutos por uma estrada rural, adentrando cada vez mais em uma área isolada, uma mistura de campos de trigo e vegetação densa que faziam o garoto se perguntar se era realmente possível alguém morar ali, até chegarem um uma grande casa de campo longe de tudo. O veículo parou abruptamente e o garoto foi jogado com sua mala para fora, caindo de joelhos na terra dura em frente ao velho orfanato. Ele se machucou e foi coberto de poeira quando o homem antipático dirigiu a toda velocidade para longe do lugar de atmosfera estranha. Ele queria ter sido levado também, não precisava ser pra casa, bastava ser longe daquele lugar e de sua aparência ameaçadora.

Nesse momento ele ouviu aquela risada, aquela que seria por muitos anos o seu som favorito e que soava como a canção tocada pelos sinos de vento ao balançarem na brisa suave de verão. Viu os pés da criança primeiro, sujos e descalços com unhas sujas que precisavam ser cortadas, e lentamente seu olhar subiu tentando ver, mesmo que de relance, o rosto daquela pessoa, passando por canelas finas e joelhos muito ossudos. Mas o sol machucava seus olhos e ele não pôde ver nada, apenas ouvir.

—Estávamos esperando por você — disse a outra criança com um sorriso em sua voz.


Caleb acordou suando frio. Fora um sonho e nada mais era o que ele dizia para si mesmo enquanto agarrava o cobertor com força. No entanto, a mesma cena se repetia tantas vezes que ele começava a acreditar que era verdade... se fosse, aquela criança estaria em perigo.

Notas finais
O que acharam do capítulo? Deixem um comentário e façam uma autora feliz :D