Wind
6 Desmaio
Notas iniciais
Acordei, a noite foi estressante. Ver minha melhor amiga me abandonar e dar atenção para uma desconhecida foi muito desconfortável. Nem me lembro como dormi, mas só sei que hoje acordei bem, mesmo com os ciúmes me dominando. Olhava para o teto, eram 10:00 e todos do chalé ainda estavam dormindo, me perguntei se tinha acontecido uma festa ou algo assim. Resolvi levantar, coloquei o mesmo cropped e o mesmo short que usei ontem, mas fiquei descalça. Ao sair pela porta, vi Percy e seu amigo sátiro, conversando e rindo. Havia outras pessoas lá, mas Percy era o interessante, eu queria falar com ele, mais ninguém. Fui até ele, sorri, e falei:
– Bom dia!
– Bom dia, novata. — respondeu o filho de Poseidon.
– E aí, como vai?
– Muito bem, e você?
– Estou ótima.
– Que clima! — interrompeu o amigo, fiquei constrangida — Percy, a menina acabou de chegar e você já começou com a "amizade", é?
O sátiro me olhava, parecia me analisar. Não senti nenhum olhar de reprovação, ufa. Mas era incômodo.
– Grover, pare de ser idiota! — Percy quebrou o silêncio.
– Nem sabe brincar, chato.
Percy me abraçou, retribuí o abraço. Não consegui conter meu sorriso e abri um bem largo, que se estendia de "orelha à orelha".
– Desculpe, Grover é meio estúpido, às vezes. — falou o menino.
– Sem problemas, ele parece ser legal. — respondi.
– E EU SOU! — exclamou Grover.
Todos rimos, e eu me retirei. Fui até a mesa e pedi uma maçã, que logo apareceu em meu prato, a parti ao meio e fui até a fogueira.
– Poseidon, seu filho é legal. — falei.
Voltei à mesa, alguns filhos de Hermes saíram do chalé e também foram comer. Esther não me procurou novamente, ela estava muito ocupada rindo com a nova amiguinha. Eu mal conseguia acreditar que ela estava fazendo isso comigo, depois de ver o quanto fiquei emocionada ao vê-la, depois de engasgar um "Eu te amo" por causa das lágrimas. Estou começando a acreditar que as pessoas não mudam mesmo. Levantei da mesa, resolvi dar uma volta pelo acampamento sozinha. Eu amo o acampamento, e cada passo que dava por lá era como um abraço, tudo me encantava: o aroma dos morangos, os chalés convidativos, as plantas. Ouvi a voz de Quíron:
– Olá! Eu e Dionísio precisamos algumas perguntas básicas a você, venha.
– Ah, oi. Tudo bem!
Fomos à "sala" deles, Sr D. me esperava. Ele me fitava e tive a mesma sensação que tive quando Grover me analisava, só que bem pior.
– Então, Ariana, diga-me, no que está pensando?
– No acampamento, no meu pai.
– Ah sim. Gostou daqui?
– Amei, é muito convidativo. O ar é mais puro, sabe? Eu estava acostumada com a poluição.
– Hum, sei. O que mais te encantou?
– O vento.
– Vento?
– Sim, como eu disse, o ar daqui é puro. O vento é mais refrescante e traz o aroma de morangos.
– Você é sábia, Ariana. Gosta de viajar?
– É o que mais gosto de fazer.
– Interessante, muito interessante... Bem, pode ir.
Saí, fiquei sozinha por uns cinco minutos, olhando o céu, parada. De repente, Est esbarrou em mim (propositalmente) e disse:
– Ei! Nem fala comigo!
– Ah, eu? Sério? Eu estava sozinha o tempo todo, mas você estava com a sua amiga. Sua amiguinha. Eu não tinha ninguém, você estava ótima, você podia ter me procurado.
– Como assim? Eu não podia deixar Clarisse sozinha, você podia ter me procurado!
– Ah, Clarisse. Tudo bem, boa tarde. Vou lá.
– Passar bem.
– Passar bem.
Fui ao chalé, deitei na minha cama e fiquei olhando para o teto. Só conseguia sentir raiva de Esther, raiva. Por que ela tem que ser tão idiota, às vezes? Esther sempre foi fascinante para mim, mas, de vez em quando, me fazia querer furar os olhos. Minha raiva é grande, mas não tanto quanto meu amor. Esther é demasiadamente importante na minha vida, e eu tentei lembrar disso. Lembrei, respirei, cochilei. Meu cochilo durou trinta minutos, acordei, penteei o cabelo e saí do chalé. Vi Esther e Percy conversando, a amizade deles ainda era algo intrigante para mim. Muito estranho. Acabei passando por eles, e Percy me chamou:
– Oi! Todo mundo está comentando que você dorme muito, sabia? Me falaram que ontem você tirou um cochilo e só acordou hoje.
– Ela não muda, nunca. — comentou Esther.
– Não mesmo. — retruquei.
Percy ficou constrangido, eu percebi que ele tentava disfarçar. Só tentava, pois conseguir mesmo, não conseguiu.
– Aconteceu algo? — o filho de Poseidon estava vermelho.
– Não, imagina! — Esther ironizou.
Eu encarei os dois por cinco minutos, e acabei falando:
– Vocês estão juntos?
– O QUE? NÃO! VOCÊ ESTÁ MALUCA? — Esther arregalou os olhos.
– Ah, é que vocês são tão próximos. Desculpe, eu devo estar maluca mesmo.
– Insuportável. Desculpada.
– Não tenho mais paciência com você.
– Muito menos eu, com você.
– Tchau.
– Tchau.
– GENTE, PAREM! PAZ E AMOR, TÁ? SORRISOS, CORAÇÕES! — Percy pulava e falava ao mesmo tempo, como uma garotinha de seis anos brincando com suas bonecas, tentando juntá-las depois de uma briga criada por ela mesma.
– Percy, não precisa disso tudo, tá bem? Estamos ótimas assim. — respondi.
– Não. — falou Esther, tão baixo que quase tive que me aproximar para ouvir.
Esther me deu um forte abraço, foi o mais sincero de toda a nossa amizade. Eu não esperava por isso, mesmo. Mas gostei, mais que tudo.
– Desculpe. – Est sussurrou.
– Tudo bem.
Chegou a hora da janta, o tempo passou incrivelmente rápido, ou melhor, assustadoramente. Fui até a mesa com Percy e Est, eu pedi um bolo de laranja e minha oferenda foi para Afrodite, sei lá, me deu vontade. Enquanto comíamos, ouvi a voz de Quíron:
– Ariana, venha comigo.
Fomos à mesma sala de antes, Sr D me esperava, fiquei com medo, admito.
– Já sabemos qual é seu pai. – disse D.
– Sério? Como descobriram? – me perdi no meio das dúvidas, bem rápido.
– As respostas nos levaram à conclusão, e ele nos procurou.
– Quem é?
– Hermes.
– Hes, Hermes. Eu sou filha de Hermes.
– Isso mesmo.
– E por que ele deixou minha mãe? Por que?
– Ele é um deus, Ariana. Não podia ficar com ela para sempre.
– Até parece que tem tantas preocupações.
– E tem! Não ouse negar.
– Preciso ir.
Eu não pensava que ficaria com tanta raiva, ninguém pensava. Saí da sala em passos lentos e firmes, séria e com lágrimas rolando por meu rosto. Mas em silêncio.
– ARIANA! O QUE HOUVE? – veio Esther, gritando e correndo.
– Sou filha de Hermes. – respondi.
– Que bom! Por que as lágrimas? Chorou de felicidade?
– Eu...
Não consegui terminar a frase, só senti uma forte tontura e desmaiei na grama.
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