Will You Wait For Me?
19 London
– Bom dia – Kurt sussurrou no ouvido de Blaine, que abriu os olhos com um sorriso fraco. – Como está se sentindo?
– Bem, eu acho. – O moreno sentou na cama e coçou os olhos com a ponta dos dedos. – Poderia estar melhor.
Kurt encarou o noivo com preocupação. Blaine nem sempre falava que não estava bem e, quando falava, era porque tinha algo muito errado. Sabia que não era necessário se preocupar tanto, mas não conseguia deixar de sentir um frio na barriga sempre que Blaine aparentava não estar bem.
– Você trouxe remédio para dor de cabeça? – quis saber, massageando as têmporas de olhos fechados. Kurt se apressou em pegar uma cartela de comprimidos no bolso da mala e uma garrafa d’água. – Vou esperar um pouco para ver se isso passa e então poderemos sair, O.K.?
– Nós não precisamos sair se você estiver se sentindo mal, meu amor. – Ele alcançou o comprimido e em seguida a garrafa para Blaine, beijando sua testa. – Você sabe que eu não me importo.
– Eu sei, mas-
– Shh, apenas tente dormir mais um pouco.
...
Blaine acordou se sentindo muito melhor, duas horas depois. Kurt estava sentado na cama, o observando com um sorriso. Quando viu que Blaine havia percebido, seu rosto inteiro queimou. Ele já tinha percebido que Blaine também gostava de observá-lo enquanto dormia, mas ainda assim ficava envergonhado.
“Kurt finalmente havia caído no sono, depois de passar horas monitorando o namorado. Blaine insistiu que estava bem e que iria chama-lo se precisasse de algo, mas Kurt não parecia ouvir. Por fim, Blaine deu um longo beijo no namorado antes de assegurar que ficaria bem pela vigésima vez naquela noite e minutos depois ele já dormia pacificamente no seu lado da cama.
– Kurt? – sussurrou, sorrindo ao perceber que o namorado já estava em um sono profundo.
Suspirou, ignorando a forte dor abdominal que vinha o incomodando. Daqui alguns minutos o remédio vai fazer efeito, pensou. Apenas precisava pensar em algo que o distraísse até a dor passar.
Olhou envolta, mas nada era tão interessante e perfeito quanto o menino deitado ao seu lado. Encarou Kurt por alguns segundos antes de um sorriso surgir no seu rosto. Chegou mais perto do namorado, sentindo o cheiro levemente doce invadir suas narinas. Kurt sempre havia cheirado tão bem sem a ajuda de perfume algum, como que isso era possível?
Tocou as bochechas rosadas do menino com a ponta dos dedos, afastando-se rapidamente quando Kurt reagiu, torcendo o nariz. Segurou a risada e se aproximou do castanho novamente.
Blaine ainda ficava um tanto nervoso cada vez que Kurt se aproximava para beijá-lo, ou quando estavam se preparando para ir dormir. Juntos. Não entendia como que o sentimento dele por Kurt poderia ser tão grande, como eles poderiam se amar tanto.
Kurt virou todo o corpo para o outro lado, ficando de costas para Blaine. O moreno colocou o braço ao redor da cintura do namorado e se acomodou junto do mesmo.
– Eu te amo. – Ele sussurrou.
– Eu também – Kurt respondeu com a voz sonolenta, fazendo Blaine corar intensamente.”
Blaine beijou o noivo apaixonadamente, deixando um sorriso invadir seu rosto ao ouvi-lo gemer baixinho. Após se afastarem, Blaine depositou mais alguns beijos no pescoço de Kurt.
– No que estava pensando? – Quis saber o mais novo.
– Em nós.
– Você está preocupado comigo.
– Não estou.
– Assuma! – Blaine ameaçou fazer cócegas nas costelas de Kurt, que levantou as mãos em rendição, já rindo alto.
– Não, não, tudo bem, não! O.K., eu falo! Eu estava apenas pensando no quão maravilhoso você é e no quão sortudo eu sou-
– Kurt... – Blaine revirou os olhos. – Vamos lá. Pare de mentir.
Kurt sentou na cama com postura ereta, sorrindo fraco. Não era nada demais, eles já haviam conversado sobre isso...
– Eu acho que nós deveríamos planejar o casamento – Blaine abriu a boca para falar, porém Kurt levantou um dedo. – Sei o que você está pensando. Nós brigamos por causa disso e tudo mais, entendo o seu ponto de vista. Não precisamos ter pressa. Podemos levar quanto tempo você quiser.
– Eu mudei meu ponto de vista, tudo bem? Fui estúpido em pirar sobre aquilo, é só que tinha medo de não dar certo por ser consideravelmente cedo, mas... Durante o tempo que passamos em casas diferentes, eu só tive mais e mais certeza de que você é o amor da minha vida e, não importa em qual situação estivermos, estaremos sempre juntos.
Kurt sentiu uma lágrima escorrer por sua bochecha no momento em que Blaine terminou de falar. O moreno o encarou por alguns segundos antes de começar a rir alto e se aproximar, deitando a cabeça em seu colo.
– Não precisa chorar, tudo bem? – Blaine disse, acariciando a coxa do noivo suavemente.
– Eu só achei muito lindo o que você disse, não me culpe! Você me conhece, sabe que eu sou sensível – Kurt secou as lágrimas antes de levar uma de suas mãos para o cabelo rebelde de Blaine.
Eles ficaram ali por alguns minutos, apenas aproveitando a companhia um do outro, em silêncio. Blaine ainda fazia carinho na perna do amado, às vezes depositando alguns beijos ali, enquanto Kurt massageava seu cabelo.
– Nós poderíamos ficar o dia inteiro assim e eu não me importaria – Blaine sussurrou, de olhos fechados.
Kurt sorriu, beijando a testa de Blaine antes de cuidadosamente tirar a cabeça dele do seu colo e sair da cama. O outro resmungou em protesto, fazendo careta.
– Deixa de ser preguiçoso, babe. Você já viu que horas são? Nós precisamos almoçar.
Kurt separou as peças de roupa que usaria naquele dia e algumas para Blaine, que ainda estava atirado na cama, resmungando. Colocou a roupa do moreno em cima da cama e começou a se vestir ali mesmo.
– Por mais que você tenha um ótimo gosto com suas roupas... – Kurt parou de abotoar a calça para prestar atenção no que Blaine falaria. – Eu prefiro que você não use nenhuma.
Kurt riu, revirando os olhos. Blaine conseguia ser um idiota às vezes... E esse era um dos motivos pelo qual ele o amava tanto.
– Por mais que eu seja confiante o suficiente para sair nu na rua, está muito frio.
– E eu prefiro que a visão que tive ontem à noite seja algo exclusivo – Blaine piscou para Kurt, que corou ao lembrar-se dos acontecimentos da noite anterior.
O castanho terminou de se vestir, enquanto Blaine ainda estava deitado na cama, o observando. Corou ao perceber o olhar pervertido do noivo sobre si e jogou nele as roupas que haviam sido postas na cama delicadamente.
– Se vista, preguiçoso!
Blaine saiu da cama resmungando e, lentamente, colocou a roupa que Kurt tinha separado.
...
Quando o casal saiu do hotel, já era uma hora da tarde. Almoçaram em um restaurante próximo dali antes de saírem a caminhar pela cidade inteira. Passaram por lojas, monumentos, igrejas, parques... Pegaram alguns ônibus e, no fim da tarde, a única vontade dos dois era voltar para o hotel e dormir por umas boas horas.
– Isso foi tão divertido! – Kurt exclamou baixinho ao sentar junto de Blaine no táxi, após colocar todas as sacolas com compras no porta-malas do veículo.
– Acho que nunca caminhei tanto na minha vida – Blaine disse com uma risada, deitando a cabeça no ombro de Kurt. – Apesar de estar cansado, esse dia foi ótimo.
Um grande sorriso invadiu o rosto do castanho, que finalmente poderia dizer que era feliz. Cumprimentou o motorista e o deu o endereço do hotel antes de segurar em suas mãos a mão de Blaine e fechar os olhos, descansando.
Minutos depois sentiu o carro parar e acordou Blaine, que murmurou algo em protesto. Tirou a carteira do bolso e pagou o motorista que os ajudou a tirar as compras do porta-malas e as levar até a porta do hotel.
– Você está bem? – Kurt perguntou quando Blaine se escorou na parede do elevador.
– Apenas cansado.
– Nós vamos descansar agora, apenas me ajude com as sacolas, tudo bem? – pediu, travando a porta do elevador com a perna enquanto Blaine saía todo atrapalhado em direção à porta do quarto.
Assim que entraram no aposento, Blaine largou as compras de qualquer jeito e se jogou na cama, fazendo Kurt revirar os olhos. O castanho arrumou suas sacolas e as que Blaine havia derrubado antes de se juntar ao outro.
– Você precisa comer antes de dormir ou sua dor de cabeça pode voltar – sussurrou, alisando o cabelo de Blaine com os dedos.
– Peça algo, Kurt – Blaine respondeu sonolentamente. – Eu já vou acordar...
Dito isso, Blaine fechou os olhos e em poucos minutos já dormia pacificamente.
...
Quando o serviço de quarto chegou, Kurt tentou acordar Blaine de todas as maneiras possíveis; o cutucou, chacoalhou, gritou pelo seu nome, deu alguns tapas e até alguns beijos pelo corpo do moreno, mas recebia apenas algumas resmungadas como resposta.
– Blaine, amor, você vai passar mal. – Ele agora acariciava o cabelo livre de gel do garoto. – Vamos lá, você come um pouco e já pode voltar a dormir.
– Amor, será que você poderia... Ali, no guarda-roupa... Eu acho que vou vomitar, tudo bem? – Blaine murmurou sonolentamente, fazendo Kurt rir alto.
– Você não vai vomitar. Apenas precisa acordar de verdade.
Silêncio.
Por Deus, Kurt não sabia como que Pam havia lidado com o filho durante a adolescência.
Segundos depois, Blaine sentou rapidamente na cama, com os olhos claramente pesados de sono.
– Tudo bem, estou acordado.
– Blaine, amor – Kurt depositou um beijo na bochecha do outro. – Você não faz ideia do quão estranho e adorável você é.
...
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