Will You Wait For Me?
20 Capítulo 20
...
— Blaine, calma, nós estamos chegando ao banheiro!
Kurt afastava as pessoas com os braços enquanto guiava um Blaine enjoado até o banheiro do aeroporto.
Eles haviam aproveitado a viagem por mais dois dias quando Blaine piorou; tinha constantes dores de cabeça, no rosto e maxilar, e não conseguia dormir por causa disso.
Consequentemente, compraram passagens de última hora para voltar a Ohio. Kurt avisou Burt e pediu para que ele avisasse Robert, mas não disse o motivo de estarem voltando para que ninguém ficasse preocupado.
Na verdade, ele estava preocupado, porém fez questão de se controlar para que Blaine não ficasse assustado e para conseguir cuidar dele com calma, caso algo mais sério acontecesse.
Assim que abriu a tampa do vaso sanitário, Blaine já estava ajoelhado colocando tudo o que conseguia para fora. Kurt já sabia como lidar com aquela situação que era comum durante as sessões de quimioterapia. Ficou ali do lado, sem falar nada, apenas tocando nas costas do moreno e esperando que aquilo passasse.
Quando se afastou da privada, Blaine não parecia estar fraco ou doente, mas sim a beira das lágrimas. Kurt o ajudou a levantar, o levou para fora da cabine e lavou seu rosto com cuidado.
— Como está se sentindo? – perguntou em voz baixa, secando o rosto do noivo carinhosamente. – Meu pai e Robert estão esperando lá fora. Você quer que eu chame algum deles?
– Eu estou melhor, apenas fiquei enjoado por causa da turbulência e... Eu não sei, estava com muita dor de cabeça – Blaine suspirou. – Eu estou com medo, Kurt. Muito medo.
O homem deixou seus olhos azuis pousarem sobre Blaine por alguns segundos antes de puxá-lo para um abraço. Ele estava com uma expressão assustada e aquilo matava Kurt por dentro.
Alguns minutos depois, eles saíram do banheiro e voltaram para o saguão, onde Burt e Robert os esperavam com as bagagens que Kurt havia deixado antes de levar Blaine ao banheiro. Ambos encaravam os filhos com certa preocupação no rosto e Kurt não sabia como iria explicar tudo sem deixar o noivo ainda mais assustado.
— O que aconteceu? – Robert foi o primeiro a perguntar, se aproximando do filho. – Vocês saíram do nada e nós ficamos muito preocupados. Blaine, você está bem? O que-
— Eu estou bem, pai – Blaine interrompeu o mais velho, que abraçou o filho.
Kurt deu um beijo na bochecha de Burt, com um sorriso forçado e um olhar que o pai decifrou e na hora soube que algo estava errado.
Os quatro foram para casa em silêncio, Burt e Robert nos bancos frente e Blaine deitado no colo de Kurt no banco de trás. Quando chegaram à casa dos Hudmel, Kurt ofereceu ajuda para Blaine diversas vezes, portanto o moreno apenas recusava e dizia que estava bem, de cara fechada.
— Eu vou levar Robert para casa e depois eu arrumo as malas, podem deixar comigo – Burt avisou de dentro do carro, acenando para os garotos.
— Certo – Kurt murmurou, dando a mão para Blaine antes de entrarem na casa. – Amor, eu-
— Vou subir e tomar banho. Não, não estou com fome. Quando Carole chegar do trabalho diga a ela que estou apenas com dor de cabeça e fui dormir.
Quando ele já estava subindo as escadas, Kurt foi atrás dele e o segurou pelo pulso.
— Eu te amo, Blaine.
Blaine suspirou, aparentemente cansado e um talvez culpado por ter respondido daquela forma, sendo que Kurt estava sendo muito gentil. Beijou o topo da cabeça do noivo, inalando o cheiro doce que vinha do cabelo castanho.
— Eu te amo mais.
— Você sabe que não – Kurt respondeu em voz baixa e, ainda segurando o pulso do moreno, o guiou até o quarto.
Com certeza Blaine já havia ficado pior, já havia sentido dores que o fazia gritar e espernear, já havia sentido um medo muito maior, mas achava que todas essas sensações ruins tinham terminado e isso era o pior. Apenas pensar em passar por tudo aquilo de novo o dava ânsias de vômito, era difícil acreditar que tinha superado todas as expectativas e do nada estava se sentindo mal. Sabia que não era algo grave, mas todo o drama dos anos anteriores começara com uma pequena dor que todos os médicos acreditavam ser na coluna.
Enquanto Kurt o despia atenciosamente – o causando arrepios cada vez que seus dedos delicados tocavam sua pele –, ele segurava as lágrimas. Não queria chorar na frente do noivo, não por ter vergonha, mas por não querer causar a impressão errada. Não queria ser novamente a vítima da história.
— Você pode chorar, Blaine – Kurt sussurrou, selando seus lábios com os de Blaine em um beijo rápido, porém carinhoso. – Você vai ficar bem, todo mundo fica assim às vezes. Chorar não significa que você está se entregando, O.K.? Chore quando achar necessário desabafar, eu não me importo. – disse ele, ainda em voz baixa. – Eu vou estar aqui para enxugar suas lágrimas sempre que precisar e você sabe disso.
— Kurt... – Blaine murmurou, engasgado com o choro. – Você não precisa fazer nada disso por mim... – O garoto fungou, finalmente deixando as lágrimas caírem.
— Eu posso não precisar, mas eu quero. Eu amo você e farei tudo que for possível para te deixar bem. – concluiu, deixando uma pequena risada escapar. Ao perceber o olhar curioso de Blaine sobre si, explicou: – Eu estava me lembrando de quando nós começamos a namorar, ainda em Dalton, e eu comi algo que não deveria...
Blaine deixou um sorriso tomar conta de seu rosto ao lembrar-se daquela noite.
— Eu levei minhas coisas para o seu quarto e passei a noite lá.
— Cuidando de mim – Kurt sorriu. – Eu tenho certeza que esse mal-estar não é nada sério. Prometo que você vai ficar bem.
...
No momento em que Blaine caiu no sono, Kurt rapidamente livrou-se do fino lençol que cobria seu corpo e moveu-se para a sala de estar, onde ligou para o médico e marcou uma consulta para o dia seguinte.
Suspirou, aliviado, com a certeza de que iria ficar tudo bem. Eles iriam ao médico, Blaine ia se sentir melhor e logo o casamento começaria a ser planejado.
Sentou-se ao lado do noivo – que gemia e se mexia, claramente em um sono não muito profundo – e puxou o notebook para seu colo.
Abriu alguns sites que estavam salvos como “favoritos” e sorriu para a tela.
Afinal, alguém deveria começar a planejar aquele casamento.
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