Notas iniciais
Oi gente! Me desculpem pela demora, como já disse antes, fui viajar e voltei no dia 5. Pois então, quando voltei eu fui revisar o capítulo e percebi que não estava bom. Resultado: acabei apagando mais 2.000 palavras e escrevi quase tudo de novo. Como eu estou /meio/ atrasada, resolvi não fazer capítulo de Natal nem Ano Novo, porque seria meio... Estranho, já que as festas de fim de ano já passaram. Espero que gostem, não estava com muita criatividade pra fazer o capítulo, mas acho que ficou bom.

...

– Eu posso falar com a senhora?

Para Blaine, Carole era tão importante quanto sua própria mãe. Ela, além de ter praticamente adotado Kurt como seu próprio filho, fizera o mesmo com ele.

– Claro, Blaine – ela sorriu fraco, dando espaço para o moreno sentar ao seu lado. – Está tudo bem?

– Não... – Blaine sentou ao lado da sogra, que lançava um olhar preocupado ao menino. – Kurt e eu brigamos.

Carole engoliu seco. Kurt e Blaine raramente discutiam, então ela sabia que, quando acontecia, era algo sério. A mulher olhou para Blaine e percebeu que ele tinha lágrimas nos olhos. Pegou a mão dele, na tentativa de o confortar.

– O que aconteceu, querido?

Blaine explicou o que tinha acontecido, enquanto a mesma escutava atenciosamente.

– Entendi – concluiu. – Quer que eu fale com ele?

– Não, eu... Talvez seja melhor se casarmos agora, se é isso o que Kurtie quer.

– Mas é isso o que você quer?

– Eu não sei – sussurrou, encarando o chão. – Acho que estou apenas assustado, entende?

– Sabe, querido – levantou o rosto de Blaine, fazendo o mesmo olhar nos seus olhos. – Quando me casei com Burt, mesmo sendo meu segundo casamento, estava mais assustada do que nunca.

– E hoje vocês são felizes – Blaine concluiu, com um sorriso.

– Nunca fui tão feliz na minha vida. Ele me ama e eu o amo, não se precisa de mais nada quando se tem amor.

– É verdade, Carol. Eu fui muito idiota – lamentou-se. – Ele ficou lá, dizendo que me ama e eu fui estúpido o suficiente para dizer que não era verdade. Mesmo que eu não esteja pronto para isso, não deveria ter tratado ele assim...

Carole olhou para Blaine com dó dos seus meninos. Eles formavam o casal mais maduro que ela já tinha visto, pelo menos para a idade deles. Haviam enfrentado todos os problemas juntos e eram capazes de acalmar um ao outro, mesmo nos piores dias.

– Eu vou falar com ele – o moreno decidiu, levantando-se. – Obrigado pela ajuda, Carole!

– Mas eu nem... — a mulher deu de ombros. Blaine já tinha subido as escadas.

...

Blaine sorriu ao ver Kurt abraçado em seu travesseiro, enquanto dormia pacificamente. Deitou ao lado do castanho e envolveu o mesmo em seus braços.

– Kurtie? – chamou.

Kurt suspirou, espreguiçando-se.

– O que você quer, Blaine? – resmungou.

– Eu te amo, tudo bem? – declarou-se, sorrindo.

– Eu também te amo – Kurt sorriu ironicamente. – Ah, esqueci que você não acredita em mim.

Blaine revirou os olhos.

– Já faz um dia desde que discutimos e você ainda está bravo? – o moreno perguntou, indignado. – Vamos lá, Kurt, essa foi a discussão mais ridícula de todas.

– Sabe o que é ridículo? Uma pessoa que está prestes a se casar duvidar do noivo.

– Eu sei que isso foi ridículo, mas, por favor, me desculpe – Blaine pediu, fazendo beicinho.

– Não, Blaine, eu não vou-

– Você não acha que já está na hora de deixar seu orgulho de lado?

Kurt levantou da cama, indignado. Rapidamente Blaine fez o mesmo, ficando de frente para o outro e mantendo contato visual.

– Você não entende o quão chateado eu fiquei! Eu... Eu achei que voce quisesse o mesmo que eu, achei que você quisesse casar comigo, mas-

– Eu quero, Kurt! – Blaine exclamou. – Eu quero, mas não agora. Dói muito esperar?

Kurt estava segurando o choro, não queria chorar na frente de Blaine, pelo menos não naquele momento.

– Dói muito pelo menos tentar entender meu ponto de vista?

– Qual é seu ponto de vista?

Kurt cruzou os braços, girando os olhos.

– Você realmente não presta atenção no que eu falo – o castanho disse, balançando a cabeça negativamente.

– É que você... Merda, Kurt, você me deixa confuso!

– Eu te deixo confuso? – Kurt exclamou. – Eu?! Me poupe, Blaine! Você aceitou caso não lembre. Você disse “sim”, mas foge ao ouvir a palavra “casamento”.

– Eu não fugi, Kurt! Por que você tem que fazer disso um grande drama?

Kurt abriu a boca para falar, mas Blaine o cortou.

– Você sabe que eu amo você, mas preciso fazer algo que não quero para provar?

Kurt deixou algumas lágrimas escaparem, mas as secou rapidamente, com a esperança de que Blaine não tivesse percebido.

– Então você não quer? – perguntou em voz baixa.

– Não agora – Blaine concluiu. – Talvez em alguns anos?

Anos?! Blaine estava maluco, só podia ser. Kurt já tinha tudo planejado, seria o casamento que sempre quis. Desde pequeno, sempre sonhara em casar com o amor de sua vida e realmente achou que seu sonho estava se tornando realidade.

– Blaine, por favor – Kurt implorava. – Não faça isso comigo, por favor...

Blaine sabia que o outro estava prestes a chorar. Seus lábios tremiam, sua testa estava franzida e os olhos quase fechados. Ele estava tão certo, Kurt logo caiu no choro.

– Você acha que seria certo casarmos contra a minha vontade e depois de alguns anos eu estragar tudo?

– Não, não é verdade – Kurt negou, em prantos. – Nós teríamos uma família perfeita, Blaine, eu... Eu tenho certeza que você não desistiria, eu confio em você! Por que você estragaria tudo?

– Por que eu não quero casar agora! Quantas vezes vou ter que dizer para que você entenda? Eu não estou pronto! – Blaine gritou a última frase, fazendo o choro do castanho aumentar.

– M-Mas até planejarmos tudo... – Kurt respirou fundo, tentando controlar os soluços. – Até planejarmos você já vai estar pronto, não vai?

– Kurt, me escuta – Blaine revirou os olhos diante de tanta teimosia. – Você está me pressionando e isso não é nem um pouco legal. Pare, ok?

Carole ouvia alguns gritos de seu quarto, porém achou que era melhor ficar ali e deixar os dois se resolverem sozinhos.

Talvez eles não fossem tão maduros.

– Com licença, Blaine – Kurt pegou seu casaco, saindo da casa em seguida.

...

Se passaram uma, duas, três horas e Kurt ainda não estava em casa. Todos já haviam jantado e estavam prontos para dormir, mas Blaine continuava sentado no sofá, quieto.

Não era como se Blaine não estivesse acostumado com aquilo. Quando algo acontecia, Kurt geralmente ia para o cemitério visitar o túmulo de sua mãe ou até para a casa de algum amigo próximo sem avisar ninguém, mas aquele dia era diferente. Estava tarde e frio, eles recém haviam tido uma discussão idiota e Blaine estava agoniado, contando os minutos para ver Kurt novamente e se desculpar.

Blaine levou um grande susto quando a porta foi aberta violentamente e Kurt entrou, resmungando palavras que o mais novo não conseguira identificar.

Burt e Carole rapidamente apareceram e cercaram Kurt, o enchendo de perguntas.

– Por Deus, parem – o castanho pediu. – Eu não sou mais um bebê.

– Você sabe que horas são, Kurt?! – Burt praticamente gritou, fazendo o filho se encolher. – Está tarde e nós estávamos ficando preocupados! Olhe para Blaine – o homem apontou para o genro, que apenas observava tudo com olhos arregalados. – O garoto está sentado ali desde que você saiu!

– Oh, Blaine. Me desculpe se você me tirou do sério e eu precisei sair de perto de você pelo fato de eu não aguentar mais.

– Onde você estava? – Carole perguntou antes mesmo de Blaine responder.

– Na igreja – Kurt disse e todos se encararam. – O que foi? Parem de se olhar como se fosse algo anormal.

– Mas isso é anormal – Burt disse. – Desde quando você vai à igreja?

– Isso não interessa. Eu quero dormir, me deixem em paz – o castanho girou os olhos. – Vê se não demora para ir dormir, Blaine.

– Tudo bem – Blaine murmurou, já levantando-se do sofá. – Estou indo.

– Ótimo – Kurt disse enquanto subia as escadas.

Blaine colocou-se em pé e recebeu um sorriso do sogro.

– Vai ficar tudo bem – assegurou, completando em seguida: – Kurt sempre foi assim, desde pequeno. Se está preocupado com algo, vai descontar sua frustração em alguém.

– Obrigado, Burt – agradeceu ao mais velho com um abraço. – Eu vou falar com ele sobre o que conversamos agora.

– Sim, faça isso. Boa noite, Blaine.

– Boa noite.

Blaine subiu as escadas com mais facilidade, mas ainda mais devagar e cuidadosamente que o normal. Quando chegou no quarto, Kurt já estava de pijama, seus olhos estavam vermelhos como se ele já houvesse chorado e ainda estivesse prestes a desabar.

– Kurt?

Silêncio.

– Kurt, precisamos conversar – Blaine chegou perto do castanho, colocou a mão no seu ombro e o guiou para a cama.

Os dois sentaram, um de frente para o outro. Blaine segurou as mãos de Kurt e ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas se olhando. Então o moreno decidiu ir direto ao ponto.

“Vamos lá, não seja covarde. Vai ser melhor assim.”