Notas iniciais
acalmem-se

Blaine olhou para Kurt, a ira crescendo em seus olhos. A única coisa em que ele podia fazer naquele momento era pensar nas más lembranças.

– Meu pai?

– Sim, Blaine. Seu pai. – O castanho se levantou e começou a dobrar algumas roupas que estavam em cima da cama. — Não me culpe, Blaine! Ele é o seu pai, querendo ou não!

– Como você falou com ele? – Sussurrou.

– Eu liguei para ele. Não é muito genioso ter o número de alguém que você odeia em seu celular.

– Vá se ferrar, Kurt.

O menino suspira e balança a cabeça negativamente.

– Eu estou apenas cuidando de você. – Ele se sentou ao lado de Blaine.

– Está me cuidando tão bem que vai trazer a pessoa que mais odeio para me ver! Ótimo!

– Cale a boca, Blaine! Eu cuido de você desde que descobrimos essa doença idiota, e o mínimo que você podia fazer era agradecer, porque eu não sou obrigado a cuidar de você! Eu faço isso-

– Porque você tem pena de mim! – Exclamou Blaine, e Kurt se levantou.

– Droga, não! Porque eu te amo, tudo bem?

– Tudo ótimo.

Blaine tentou se levantar, mas cambaleou para trás, então Kurt se moveu rapidamente e segurou o namorado.

– Merda... Minha pressão... Baixou... – Blaine fechou os olhos.

– Está tudo bem. Sente-se.

Os dois sentaram-se na cama novamente, e depois de alguns momentos, Blaine resolveu quebrar o silêncio.

– Eu sinto muito. – Murmurou.

– Tá legal. Eu te desculpo, mas ainda assim você tem que ser legal com seu pai.

– Mas Kurt...

– Não. – O castanho beijou Blaine. – Eu te amo.

...

Ambos os garotos já haviam tomado banho e se arrumado quando a campainha tocou. Kurt tinha pedido para Carole e Burt saírem de casa enquanto o pai de Blaine estivesse por lá, e o casal atendeu o pedido do garoto.

Blaine se levantou com a ajuda de Kurt, e lentamente caminharam até a porta e a abriram.

– Olá. – Disse Robert, tirando seus óculos de sol.

– Oi. – Kurt estendeu a mão, que foi apertada pelo homem. – Prazer em conhecê-lo.

– Igualmente. Olá, Blaine.

O homem estendeu a mão para o filho apertar, mas o mesmo não fez. Kurt pôde perceber que Blaine estava com lágrimas acumuladas nos olhos, então apenas o puxou para dentro de casa, e convidou o mais velho a entrar.

Os três se sentaram no sofá, e o silêncio se estabeleceu. Blaine apenas olhava para o chão, e Kurt apertava a mão do namorado, enquanto Robert olhava para os dois com um pequeno sorriso no rosto.

– Posso dizer que estou muito surpreso. – Robert disse, sorrindo. — Blaine era apenas um moleque quando eu o vi pela última vez.

– Quando você me abandonou. – Corrigiu. – Eu ainda me lembro.

– Blaine, por favor. – Kurt acariciou a coxa do namorado. – Está tudo bem.

– Não está. – O mais velho disse, cabisbaixo. – Eu não valorizei a família que tinha, e hoje me arrependo completamente.

– Se você realmente se importasse, teria me procurado, assim como procurou Cooper. Oh, me esqueci que “sou diferente”. – Fez aspas no ar. – Claro, pai! Como posso ser tão idiota? Eu sou gay.

Blaine cuspiu as palavras para o pai, fazendo o mesmo se envergonhar.

– Não é isso, filho. Eu juro. Cooper que veio atrás de mim, e... Eu apenas não tive notícias de você. Achei que estivesse bem.

– Eu só queria me sentir amado pelo meu pai pelo menos uma vez na vida, assim como todos os outros garotos da escola. Mas quer saber? Burt é um ótimo pai.

– Burt é meu pai. – Kurt explicou em voz baixa.

– Blaine, filho, eu sinto muito. Pelo amor de Deus, me perdoe. Eu sei que você precisou de mim alguns meses atrás, mas-

– Eu sempre precisei de você! – Blaine gritou, fazendo os dois outros se assustarem. – Eu sempre precisei, e você não estava lá!

– Estou aqui agora, filho.

– Agora que eu estou morrendo você aparece. Legal, vamos fazer um piquenique no parque e aproveitar nossos últimos dias como pai e filho. – Falou ironicamente.

– Blaine, acalme-se... Você deveria escutar seu pai. – Kurt se ajoelhou na frente do namorado, e este apenas ficou calado.

O castanho voltou ao seu lugar e assentiu para o sogro, que se aproximou de Blaine.

– Filho. – Sussurrou. – Eu sinto muito. E... Também quero pedir desculpas ao Kurt, eu fui um tanto rude com ele no telefone. Eu apenas... Não sei o que estava acontecendo comigo. Não parecia acreditar. – Kurt sorriu, e o homem continuou: — Blaine, por favor... Eu te peço desculpas do fundo do meu coração. Eu sei que fiz algo muito cruel com você, mas eu sou seu pai, e eu te amo.

Assim que Blaine ouviu as últimas palavras que o homem dissera, ele apenas desabou no colo do pai e começou a chorar. Robert apenas colocou os braços ao redor do filho e o abraçou fortemente.

...

– Tchau, pai. – Blaine levantou-se para abraçar o homem em despedida. – Me liga quando puder.

– Claro. – O homem sorriu, e abraçou Kurt. – Até a próxima. E obrigado por cuidar dele.

Kurt sorriu e acompanhou o homem até a porta de entrada, e assistiu quando ele deu partida ao carro. O garoto fechou a porta e voltou para a sala, se deparando com um Blaine cansado.

– Está cansado, pequeno? – Se sentou ao lado do namorado.

– Estou um pouquinho.

– Que tal assistir um filme até meus pais voltarem?

– Boa ideia. – Blaine sorriu e Kurt colocou “Frozen” para rodar.

Ambos se ajeitaram no sofá, com Blaine deitado sob o peito de Kurt. Não tinha passado nem meia hora de filme quando o castanho percebeu que o mais novo estava dormindo.

Ele sorriu e então resolveu fechar os olhos e relaxar um pouco. Um pouco não, já fazia dias que ele não dormia de preocupação. Mas agora ele já estava mais aliviado, não sabia porque, apenas tinha a sensação de que tudo daria certo.

...

Por fim, os dois dormiram por horas, até Finn chegar junto de Rachel. Kurt acordou-se com Finn cutucando – machucando – seu braço.

– Hey, maninho. Onde está nossos pais?

– Uhm... Eles saíram. – Disse ainda sonolento.

– Tá legal, eu vou lá para o quarto com a Rach. – Kurt olhou para trás e viu a morena sorridente.

– Oi, Kurt. – Sussurrou, e o castanho apenas acenou para a garota.

– Tudo bem. Mas não é minha culpa se ela engravidar. Eu estou dormindo.

– Ok. – Finn soltou uma gargalhada e logo o casal já estava no quarto.

Kurt caiu no sono novamente.

...

O dia seguinte estava ensolarado, mesmo com o frio úmido e congelante. Kurt acordou-se antes de Blaine, e comemorou ao ver que não estava chovendo. Iria estragar todos os seus planos se estivesse.

– Blaine? – Kurt beijou o namorado, fazendo o mesmo acordar com um sorriso no rosto.

– Como eu vim parar aqui no quarto? – Disse, bocejando em seguida.

– Eu te trouxe quando meus pais chegaram, você não lembra?

– Não. – Blaine parecia confuso, o que fez Kurt rir.

– Vamos levantar, temos um longo dia pela frente.

– Mas não temos consulta hoje.

O castanho revirou os olhos e se sentou na cama.

– Nós temos que sair de casa de vez em quando, sabe? – Disse ironicamente.

– Woah, tudo bem. Eu sinto muito.

– Eu não estou bravo. – Kurt deu um sorriso.

Os dois se arrumaram – mesmo contra a vontade de Blaine, que detestava acordar cedo – e foram tomar café. Ninguém estava acordado ainda, então Kurt apenas fez algumas panquecas e eles comeram rapidamente, para não se atrasarem.

– Onde nós vamos? – Blaine perguntou, se levantando da mesa. – Você sabe que não posso caminhar muito, certo? Não quero estragar nada, apenas estou-

– Eu sei, já tenho tudo planejado. – Eles se beijaram mais uma vez antes de partirem.

Kurt estava nervoso, e isso estava deixando o outro ainda mais confuso. O castanho dirigia com um pouco de pressa, e dava para perceber. Blaine colocou a mão na coxa do namorado, que hesitou um pouco.

– Está tudo bem? – Perguntou, enquanto alisava a perna do outro com a mão.

– Tudo ótimo. Apenas estou com medo de que não dê certo.

– O que você acha que não vai dar certo?

Kurt sorriu, porém não respondeu. O resto do caminho foi em silêncio.