Wildland: Return to Zero
26 Capítulo 25 - Percepção
VIGÉSSIMA SEGUNDA TENTATIVA
Comecei a perceber certos padrões naquelas repetições, tudo parecia mesmo sempre igual, com exceção de uma coisa que eu não tava nem dando atenção. Olhei pro negócio que tinha em meu pulso e vi que haviam uns símbolos a mais lá, além dos números também terem mudado.
[EXP: 12828 HP: 780 – MP: 850 – WALL – EAQ – SHOT — ? Ford – Level 15 – TANK / BERSERKER ?
Eu não entendia nada de inglês, nem sei o que significava aqueles números, mas tinha algo que fazia aquilo mudar, talvez o número de vezes que eu morri? Eu precisava testar. Na cela tentei fazer várias coisas pra ver se o HP mudava, me cortei intencionalmente, rolei, pulei, e notei que quando me cortei o meu HP diminuiu pra 770, e depois que fiz outras atividades físicas o MP diminuiu, então acho que o primeiro era em relação a minha condição física e o segundo devia ser a energia que tenho, se fosse isso, eu lembro que no começo tava bem baixo. Então quer dizer que a cada coisa que faço esses números mudam? No entanto o XP não havia mudado, acho que isso requer coisas mais intensas talvez. Eu não sabia o que aquelas palavras em inglês ou sei lá que idioma faziam, mas percebi que quando eu tocava em cima delas algumas coisas aconteciam. Quando toquei em Wall do nada apareceu uma parede transparente com os traços meio dourados na minha frente, eu toquei e realmente era como se estivesse tocando em tijolos, parecia cobrir uns 5 metros ao meu redor, o EAQ deu um pequeno tremor no chão, meio que eu podia controlar, os guardas ao sentirem isso ficaram assustados, ainda bem que não estavam perto da minha cela. O shot quando eu apertei não fez nada, apareceu um x na frente, acho que eu tinha que atender a algum requisito daquilo. O mais intrigante era aquele Tank e Berserker, não fazia ideia o que isso significava, mas eu tinha que escolher um deles, estavam com um sublinhado embaixo e vi que tinha uma interrogação na frente, eu não sabia o que apertar, aquilo podia ser um poder novo? Talvez com aquelas coisas eu seria capaz de sair daquele lugar, comecei a ficar animado de novo, eu poderia testar matando algum daqueles cretinos dos guardas, talvez eu podia matar todos com o terremoto? Não, era presunção demais supor isso, eu precisava liberar mais um, então eu escolhi o Tank meio que na sorte, seja o que Deus quiser, quando apertei senti uma aura quente em meu corpo, parece que fiquei mais pesado, também senti que minha pele ficou mais rígida, parecia que tinha uma camada de metal revestindo meu corpo, eu sei um soco na parede pra testar e fiz um buraco enorme, aquilo atraiu a atenção de um dos malditos guardas, ele entrou na cela sem pensar.
— O que pensa que tá fazendo? – Apesar daqueles putos falarem em inglês, eles não pareciam nada com americanos. Aquele mundo mais parecia um sonho. Será que eu tava e coma? Não tinha tempo pra pensar nessas merdas, eu fui pra cima do bastardo sem pensar e dei um soco em seu rosto, ele foi uns 2 metros pra trás e se chocou contra a cela, ele ficou bem desnorteado.
— Filho da puta do caralho! – Ele sacou sua espada e foi pra cima de mim, apertei rápido o ‘wall’ e o cara parou do nada e caiu no chão soltando sua espada, ele tinha batido a cabeça com tudo naquela parece invisível, eu resolvi pegar a espada que tinha caído e do nada vi que o X na frente do ‘shot’ havia desaparecido.
— Agora acho que vai. – Apertei o Shot e aquela espada curta afiada havia ficado resplandecente, eu não pensei duas vezes e enfiei no tronco do cretino, parecia como espetar uma agulha em uma esponja, a lâmina atravessou o seu peito e arrancou parte do seu coração que ficou preso como se fosse um pedaço de carne pra assar, ele morreu na hora, e isso que eu nem sabia onde o coração ficava, se fosse pra dizer aquilo parecia sorte de principiante, talvez eu tivesse jeito com espadas.
— O que é isso? – Outro guarda parou na frente da cela observado boquiaberto a cena, eu tirei a lâmina do corpo do presunto enquanto ela ainda brilhava na cor dourada e movi a espada na direção do outro merda, ele teve parte do seu corpo cortado das costelas pra baixo abrindo um buraco que deixou escorrer suas tripas até que ele caísse no chão se debatendo enquanto morria.
— Um fugitivo! – Os outros dois guardas correram do fundo até a frente com fúria em seus olhos, eu vi que o brilho da espada tinha sumido, vi que o botão do Shot não estava mais brilhando também, tinha uma barra que parecia precisar carregar pra eu usar, apertei dessa vez o EAQ e os dois trouxas caíram no chão, um deles bateu a cabeça fazendo seu capacete sujo rolar pelo corredor, os outros presos se mantinham calados, robôs de merda. Eu não podia parar agora, fui com tudo pra cima dos dois, eu iria testar um chute, eu parecia estar mesmo mais forte, o que tava caído serviu como uma boa bola, eu mandei uma bica direto na cabeça que se partiu ao meio, ele nem teve tempo de gritar, o outro se apoiava na parede e jogava sua espada contra mim, apertei o wall na hora, a espada parou no ar e voltou na direção do mesmo quase o acertando.
— Que desgraça é essa? – Ele gritou atônito, eu consegui usar o botão do shot de novo e quando vi a espada brilhando movi meu braço com mais força possível e do nada o corpo do velhote tinha sido dividido na metade, sua cintura se separou do seu tronco e as partes caíram no chão enquanto eu via o sangue jorrar por todos os lados, ele também tinha morrido na hora, era uma cena grotesca mas nada que eu já não estivesse acostumado. Eu tinha matado todos os guardas ali, agora talvez eu pudesse fugir? Não, tinha mais uns que ficavam na arena, eles logo estariam lá, mas se fossem vermes do nível desses eu matava fácil.
— Vou fazer um favor e soltar vocês malditos robôs, se quiserem podem sair, mas lá atrás tem uns bichos bem famintos. – Passei cela por cela libertando todas aquelas pessoas, uns saíram mas outros ficaram com medo e parados no mesmo lugar, se tivesse mais gente seria difícil os outros guardas saberem quem fez isso, se bem que eu já tava bem sujo de sangue, porra, eu não tinha mesmo cuidado.
— Vamos lutar! – Um dos robôs falou gritando, ele queria fazer o que? Não vi nenhum deles com uma pulseira igual a minha, acho que eram apenas robôs mesmo. Eles saíram na arena, foram 6 no total, mas os dois primeiros, ao entrarem, tiveram suas cabeças decepadas no mesmo instante, os outros quatro recuaram mas em sua frente estava um homem com a porra de um smoking, sapatos que pareciam bem caros e uma espada bem fina que parecia um alfinete. Que bizarro.
— Socorro! – Um dos robôs gritou, mas segundos depois sua cabeça saiu rolando pelo chão da arena. O homem fazia isso sem sair do lugar, os três restantes voltaram pro corredor mas atrás deles surgiu a porra do leão com asas e com uma patada já deitou dois, o que sobreviveu pegou sua espada e tentou lutar, mas com um bocado ele comeu até os joelhos do homem, deixando apenas seus pés e calcanhares que caíram no chão fazendo uma poça de sangue.
— Caralho, acho que esse aí não vai dar não. – O leão me viu e deu um salto na minha direção, ativei o wall e ele parou, mas parece que eu tava sendo movido pra trás. – Então esse maldito é forte assim? E eu queria lutar com ele sem usar nada aqui da pulseira. – Percebi o nível de força daquelas criaturas, o homem atrás de mim se aproximou sorrindo e ao tocar a besta, ela parou de se mover e ficou sentada como um gatinho obediente, eu apontei minha espada pra ele e apertando o shot desferi um golpe virando meu braço, mas aquilo em nada afetou tanto o homem com smoking como o leão demônio.
— Ora ora, o que temos aqui. Você deu as caras, eu achando que era burro pra perceber em umas 40 rodadas pelo menos. – O homem tinha cabelos grisalhos e finos penteados pra trás, seu rosto era de alguém de uns 40 e pouco, mas ele era muito mais bonito que eu, aquilo me dava raiva, ele tinha estilo e era bem polido, um típico granfininho.
— Não quero papo, o que porra é isso aqui? Quem é você?
— Uma pessoa que não quer papo me faria duas perguntas?
— Realmente, me expressei mal. Então, onde é que eu to?
— E isso importa?
— E o que importa então?
— Você cumprir os desafios.
— Você diz lutar com essas coisas na arena? Acha mesmo que por criar um murinho conseguirá parar esses mobs?
— Mobs?
— Hm, de fato, você é ignorante, perdoe por esperar alguma coisa.
— Tá brincando comigo cretino? – Eu pensei em ativar o Shot no filho da mãe, mas com certeza ele teria como me derrotar. No nível que eu tava não tinha chance de fazer nada contra ele, talvez eu devesse subir mais os status da pulseira, mas como eu podia morrer e voltar, acho que não custava tenta agora pra medir a força do canalha.
— Não sou de fazer brinca- — Antes do rapaz continuar eu apertei o shot enquanto movia a espada para vários lados, ele nem se mexeu e repeliu os ataques que voaram contra as paredes daquele corredor, um deles pegou em um robô daqueles que estavam parados na cela e cortou o desgraçado no meio jogando sangue por toda parede.
— Então você é o bom da boca né. – Eu ativei a skill da parede e saí correndo, eu não tinha chance mesmo, mas podia fugir, quero ver se esse rapaz é capaz de matar os bichos lá do fundo. Consegui chegar na parte de trás e sem nem piscar pulei pra fora, já tinha uns dois daqueles demônios esperando, eu consegui ativar a parede pra bloquear um e corri fugindo do outro, olhei bem rápido pra trás e quando percebi o cara já estava em cima do muro sorrindo. Voltei a olhar pra frente e ele apareceu diante dos meus olhos me dando um soco no estômago, caí de joelhos enquanto uma daquelas bestas veio pra cima da gente, mas o granfininho com um golpe com suas mãos abertas cortou a cabeça do bicho partindo em dois, o outro que se aproximava começou a rosnar mas ficou com medo. O que diabos era aquele cara?
— Não tem pra onde fugir. Fique mais forte Ford, é seu objetivo aqui. – Meu objetivo, que porra ele tá dizendo? Ele queria isso de mim? Mas então eu tinha mesmo que passar por aquelas mortes? Isso só pode ser piada. – Eu avancei naquele bastardo pra acertar as contas com ele no soco, ele desviava como se eu fosse uma criança, comecei a ficar sem fôlego e desisti. Via que nenhuma fera se aproximava da gente por conta daquele cara, ele devia ser mesmo muito forte.
— Então me mata logo porra, se não posso com você...
— Não vai tentar lutar mais? Sabia decisão, mas, ao menos tente enfrentar um desses monstros aí. – O rapaz deu um salto e voltou para cima da plataforma do coliseu, naquele instante um dos monstros veio pra cima de mim com saliva escorrendo por suas bocas enormes. Ativei a barreira e caí no chão com o impacto que ele deu no muro, eu ativei o EAQ mas parecia nem afetar as criaturas.
— É, vou ter que tentar mais umas vezes. – Desisti de vez e deixei a criatura na minha frente rasgar meu peito com sua pata com unhas afiadas.
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