Wildland: Return to Zero
32 Capítulo 32 - Jiao
Por mais que eu caminhasse por aquela estrada íngreme e desértica, tudo ali distante me parecia nada familiar. Eu morava há dez anos nas províncias de Kamali, mas não sabia realmente onde estava. O suor caia por minha testa, devia ser aproximadamente quatro horas da tarde, o calor já dificultava minha caminhada, fui treinada para aguentar qualquer tipo de clima ou situação, depois que me deram o nome e as características do alvo, eu certamente acharia, até agora não houve uma só vez que não consegui encontrar e eliminar alguém, eu não entendi muito bem o motivo do porque o clã estar interessado em uma criança de 17 anos, me disseram que ele era um dos que passaram pelo portal, mas eu não acreditava em tais palavras, sei que eles tinham algum motivo obscuro por trás daquilo, mas como sempre eu ainda não tinha a confiança necessária do meu chefe pra saber os segredos da cúpula.
— Se eu ao menos me lembrasse quem sou e de onde vim... – Sim, eu havia me esquecido de quase tudo desde que cheguei naquele lugar em 10 anos. Eu apenas me lembro do tempo que morei aqui, já tentei vários métodos mas nada me fez recordar de nada, talvez fosse alguma punição que recebi de minha vida anterior, eu havia abandonado as esperanças de algum dia conseguir ter respostas pra isso, apenas precisava me preocupar com o dia de hoje e cumprir minha missão.
10 ANOS ATRÁS
Eu estava parada enquanto a chuva caía. Não haviam mais chances de sobrevivência, eu era a única que estava viva diante daqueles demônios que deixavam o sangue dos humanos que eles comeram escorrer por suas bocas, eles pareciam zombar de mim, já se passaram 3 minutos e não se aproximaram, eu fiquei abaixada chorando segurando minhas pernas, eles andavam ao redor enquanto acabavam de comer todos os pedaços dos restos que sobraram por ali, eu via pedaços de carne espalhados por todo canto, algumas aves vinham comer o que ficou nas ossadas, mas por que eles não me atacavam? Queriam apenas me deixar com medo e me fazer sofrer psicologicamente? Eu não aguentava aquela sensação de incerteza e inquietude, preferiria ser devorada logo do que ter a mínima esperança de sobreviver, mas haviam mais de 20 ou 30 demônios espalhados por todos os arredores daquele campo. Tudo que meu grupo queria era colher algumas maçãs, demoramos mais de dois dias para achar alguma plantação, uma criança até morreu de fome, quando vimos aquela imagem de várias macieiras com frutos brilhantes nossos olhos se encheram, mas quem imaginaria que aquilo era uma armadilha daquelas criaturas? Eles haviam feito isso com vários outros viajantes, vi uma pilha de ossos em um canto, não éramos os primeiros e nem seriamos os últimos. Se passaram mais cinco minutos e as criaturas continuavam a andar ao meu redor, tinha ficado mais calma, parei de chorar por um instante mas o medo permanecia.
— “Eu devia ir pra cima? Eu não teria chance, mas é melhor do que morrer sem fazer nada. Desde que eu cheguei aqui há três meses eu só consegui sentir medo e fazer o que podia pra sobreviver. Passei uma semana presa em uma montanha lutando contra aves com rosto de mulher bem sádicas, fui ferida gravemente e ajudada por um grupo de caminhantes que estavam buscando o Realm World, eu não entendia muito bem o que era isso mas eles disseram que era o objetivo de 20 anos do seu clã. Eles estavam em uma busca intensa, trilhando um caminho agonizante por todo esse tempo, depois que fui ajudada por eles comecei a almejar por isso também, eles me explicaram que o Realm World era o lugar onde eles poderiam ser livres da maldição que foi jogada há 100 anos em seu povo, onde todos de sua tribo nasciam com a expectativa de vida curta, geralmente, vivendo até os 30. Eu notei que só tinham jovens por lá, percebi que essa história podia ser real. No tempo que passei com essas pessoas eu senti que eles tinham uma causa muito nobre, no começo apenas queria sobreviver, mas agora, estava disposta a ir fundo e ajuda-los a encontrar essa terra...até aquele momento. Pelos sinais que havíamos recebido do céu, o Realm World estava perto, mais uns 50 quilômetros e chegaríamos se não tivéssemos ficado com fome, se não tivéssemos descido até aquelas macieiras... e o pior de tudo, eu quem avistei aquilo, fui eu que pediu para irmos até lá. Eu matei todos eles, matei as pessoas que me ajudaram e agora era a única sobrevivente? Que merda era aquilo? Não era tudo muito injusto? Só eu merecia morrer! Apenas eu!
— Ei seus desgraçados! – Eu me levantei e encarei aqueles demônios. – Me matem! Eu que caí nessa armadilha! Por que não querem me matar? – Eles ficaram me observando mas, depois de alguns segundos, parecia que nem me viam mais. Eu ajoelhei e olhei para o céu que não tinha nenhuma estrela.
— Quem... sou eu? – Naquele momento eu vi sangue escorrer do meu lado direito, olhei para frente e vi uma daquelas bestas com sua cabeça arrancada, ela caiu no chão e começou a rolar enquanto o sangue se misturava com a água da chuva. Gelado. Eu vi luzes vindo da parte de cima, de onde descemos para aquela emboscada, eu me levantei, minhas pernas estavam bambas, a visão começou a ficar mais embaçada, ouvia gritos agudos, vários demônios correndo, um deles foi cortado ao meio, flechas eram disparadas e caíam por toda parte, mas não me atingiam. Caminhei até uma daquelas pessoas que segurava um arco dourado em suas mãos, ele tinha um pequeno chapéu em sua cabeça que parecia ser de pelos de algum animal, eu tentava me segurar em pé, quando fiquei sem visão e ia de cara no chão, um homem de uns dois metros trajando um uniforme verde e vermelho com dois arcos em suas costas me segurou, eu olhei para seu rosto que emitia uma aura de pureza, ele tinha olhos azuis e um olhar penetrante e intenso, e mesmo assim eu conseguia dizer mesmo de longe que ele era um guerreiro nato.
— Você pode descansar agora, jovem. – O guerreiro disse para mim enquanto continuava a focar nas bestas. Aos poucos todas elas foram sendo eliminadas de forma rápida, uma por uma, elas que dizimaram todo meu grupo foram destroçadas com facilidade por aqueles guerreiros. O mundo que eu conhecia era mesmo limitado.
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