Wildland: Return to Zero

21 Capítulo 20 - Provação Final


Eu andei para longe, apenas andei, continuei caminhando por um campo aberto estranho e sem vegetação enquanto ouvia uivos e sons de criaturas, só esperava por algo me matar logo, eu orava para Deus, queria piedade apenas na minha morte, aquela cobra devia estar por aí ainda, eu rezava várias ave marias e olhava apenas para a lua, seguindo seu brilho sem enxergar nada em minha frente, foi quando tropecei e, ao perceber, eu havia desmaiado de exaustão.

— Finalmente acordou, acho que se passaram umas 7 horas, estava bem exausta, por sorte sou um dos únicos curandeiros aqui, digo, só tem eu mesmo kekekeke. – Eu acordei assustada e dei um salto, caí em um chão com grama coberta de orvalho, na minha frente estava uma criatura igual o Lou, mas bem menor e com rugas e olhos murchos, ele tinha uma tûnica azul e vários colares em seu pescoço.

— Onde eu to? – Olhei rapidamente para os lados e vi que aquela era uma aldeia, parecia uma tribo indígena mas com objetos bem grandes, vasos, cestas, bastões, mesas, várias fogueiras apagadas e casinhas que pareciam ocas.

— Lou deve ter te contado não? Vi pela pedra... Ele fez um bom trabalho, né? – Aquela devia ser a tribo que o Lou falou. Como cheguei até lá? Ele me trouxe até aqui. Apesar da aparência igual a do Lou, aquele ser parecia falar bem melhor que ele e ter muito mais compostura e inteligência, respirei fundo enquanto tomava água que ele me deu em uma cuia.

— Você é da tribo do Lou? Ele... – Eu me lembrei do que havia feito. Comecei a chorar e segurar minhas pernas, eu não podia encarar ninguém.

— Levante seu rosto, se você está viva é porque Lou cumpriu a missão, não tem que se culpar.

— Eu... Eu...

— Você o matou, eu sei, eu senti tudo, foi aquela cobra. Não se preocupe com isso jovem, você está segura agora, o mais importante, não tem muito tempo sobrando, você precisa pegar suprimentos e ir em direção à montanha.

— O quê? Mas por quê? Onde estão os outros da tribo? – Olhei mais atentamente ao redor e não havia ninguém por lá. Aquela criatura era a única, não tinha som de mais nada, será que era apenas o Lou e ele.

— Não restou ninguém, todos se sacrificaram, e por um só motivo.

— Qual motivo? Qual seu nome?

— Sou Eliaquim, e você é a Elizabeth, pelo que vejo.

— Como sabe meu nome?

— Porque era assim que era pra acontecer. – Aquela criatura não tinha a intenção de me contar nada, mas eu precisava saber, precisava saber sobre aquele mundo, Deus, me ilumine!

— O que é esse mundo? Como vim parar aqui?

— Eu não sei bem como veio parar, ou o que você fazia antes, mas agora que está aqui você tem que viver, viver para nos libertar. – Eliaquim se virou de costas e começou a caminhar.

— Elizabeth, sei que vai ser um pedido repentino e você pode me odiar, mas poderia tirar sua blusa e virar de costas? – O que ele estava me pedindo? Ele não parecia querer abusar de mim, confiava nele, de alguma forma. Por Lou... Eu fiz o que ele pediu, me virei de costas e eu apenas ouvi a voz de Eliaquim ficar aguda.

— Então é isso. Hahaha. Jovem, pode se vestir. Viva, não importa como, Nosso Deus estará com você. – Ao me vestir e me virar, me deparei com Eliaquim jogado no chão. Ele estava morto. O que havia acontecido? Por quê? Por quê DEUS?

Comecei a fingir que tudo estava bem. Eu vi todos os sacrifícios que foram feitos... apenas por minha causa? Por que eu era tão importante? Comecei a rir e pensar que aquilo era mesmo um sonho. Por mais que eu clamasse para Deus, ele poderia me atender em um sonho? Eu continuei vagando pela floresta enquanto via a cidade de Lou pegando fogo, a fumaça subia até o céu e aos poucos vi algumas cinzas caindo. Eu tinha colocado fogo em tudo e caminhado para longe.

— Tudo aquilo foi feito para nos salvar... Salvação...? – Olhei para frente e vi uma criatura com dois chifres enormes pontiagudos e vários dentes em sua boca que parecia um bico de tucano, ela tinha olhos que pareciam bolas de gude pretas, seus braços eram finos como minhocas e seu corpo parecia palha, naquela altura nada me surpreendia, não sei se iria resistir mais, estava cansada.

A criatura se aproximou lentamente, como se quisesse me analisar, quando ela parou novamente e começou a falar, percebi que não era um simples monstro irracional.

— Você é uma delas, não é?

— E se eu for?

— Permita-me te guiar.

— “Guiar? Pra onde ele me levaria? Apesar dele não mexer a boca consigo ouvir sua voz, será um poder dessa pulseira também?” – E por que eu deveria ir com você?

— Sei que está confusa e chateada pelo que aconteceu lá atrás, mas logo sua mente ficará fresca. Se vier, saberá tudo que te trouxe até aqui e o porquê. – O monstro ficou parado me encarando enquanto parecia sorrir, eu comecei a suar frio, não tinha medo, mas ansiedade tomava conta do meu corpo.

— Quem é você?

— Sou o número 6, Valefar.

— Você é um demônio certo? Um dos demônios de ‘Salomão’?

— Não achei que a senhorita fosse reconhecer.

— Estudei muito essas coisas, mas, por quê acha que eu te seguiria?

— Você não quer a verdade?

— E se eu disser que não?

— Então a senhorita irá sofrer muito.

— Talvez eu até mereça.

— Quem te disse?

— Eu fiz muita coisa!

— Você não teve escolha.

— Quem disse isso?

— Deus.

— “O quê? O que ele estava falando? Claro que Deus não iria ficar bem com todos os meus pecados. E eu, que sou uma pessoa que teve que sacrificar vários outros para sobreviver...” – O que você sabe sobre Deus?

— Ele nos colocou aqui.

— Como é?

— Me siga. – O monstro se virou de costas para mim, mas no momento em que pensei em chama-lo novamente, sua cabeça saiu rolando a alguns metros dali, sangue roxo saía das artérias grossas do pescoço decepado da criatura, seu corpo caiu no chão e ficou estirado, olhei para frente e vi uma figura usando uma capa azul escura segurando uma adaga coberta com sangue.

— Você queria segui-lo, não é?

— Talvez, mas sei que ele iria me matar. – Quem havia falado comigo era uma garota, apesar dela ter a voz meio grossa, ainda mais quando se aproximou e pude ver seus cabelos longos.

— Eu não acho que seria bem assim. Você é inglesa? Alemã? – “Ela não era daqui? Será que era uma pessoa do meu mundo? Aquelas palavras me trouxeram esperança novamente, mas isso até eu ver a criatura se levantando, os braços da mesma se esticaram e perfuraram a barriga da garota que foi jogada pra trás.

— Espera!

— Se afaste. Ela é perigosa, não esperava menos de uma assassina level 40. Fique onde está princesa, você logo voltará para o seu lugar. – O demônio partiu para cima da garota com cabelo loiro caída sobre o chão de folhagens secas daquelas árvores que nunca havia visto na vida. Olhei para a pulseira em meu pulso e, em seguida, olhei para a marca em cima do demônio mostrando seu level.

— Level... 100? – Uma mensagem apareceu na minha frente em uma tela azul flutuando como se fosse algum tipo de holograma. “Nova Missão de Emergência “Proteja o Selo” Objetivo: Matar o Demônio Valefar – Recompensa: 100.000XP, um bracelete do caos, um cajado de safira, duas poções de força, um pergaminho de Lazzca. – Tempo: 10 minutos. – Punição ao falhar: Morte