Wildheart
2 Skyfall
Notas iniciais
Capitulo 1 – Skyfall
“Let the sky fall”
Antes
A vida de Annabeth Chase era nada menos do que perfeita. Não no sentido de ter tudo o que queria ou por ter uma vida “dos sonhos”, mas porque a vida de Annabeth era perfeitamente organizada, limpa e dentro dos planos.
Tudo na sua vida parecia se encaixar. Seus cabelos loiros, sempre arrumados e presos, encontravam-se em perfeita harmonia com seus olhos cinzentos, assim como seu comportamento encaixava-se perfeitamente com a sua aparência. Tudo era exato e perfeito: suas notas (sempre excepcionais), sua casa no sul do Queens, seu quarto, perfeitamente simétrico e pintado inteiramente de branco; seus planos para o futuro. Tudo. Nada lhe fugia os planos. E ela era plenamente satisfeita com isso.
Era com isso em mente que Annabeth se arrumava naquela costumeira manhã de sexta-feira. Ela conferia sua agenda do celular, vendo o seu planejamento diário. Tudo era como o de costume, tirando, apenas, a festa de sua melhor amiga, Thalia Grace.
Se era para encontrar algo que não se encaixava na vida da Chase, esse algo só podia ser Thalia Grace. As duas meninas haviam se conhecido numa tarde de verão em um piquenique no Central Park, quando a loira tinha 6 anos, e a morena, 9. Na época, ambas ainda eram muito doces, muito inocentes, muito parecidas.
Mas os anos vieram e as atingiram como uma onda numa rocha em um dia de tempestade. Annabeth seguira sua vida como o planejado: organizada, inteligente, centrada, correta. Thalia, porem, desviara-se de seu caminho e se tornara todo o oposto: era o que Annabeth considerava rebelde, desorganizada e punk. Mesmo assim, a afeição de ambas não acabou. E a loira não conseguia imaginar sua vida perfeita, sem as imperfeições da punk.
De qualquer forma, a festa não alterava a sua programação, tendo em vista que ela já tinha tudo pronto para a mesma. Seu vestido azul escuro, aquele que a amiga gostava mais, estava passado e pendurado na porta de seu armário, logo acima de seus sapatos.
A menina logo desviou sua atenção dos pensamentos da festa para a sua rotinal matinal, então terminou o seu rabo de cavalo e desceu para a cozinha para tomar seu café da manhã.
–x-
A Goode High School não era, nem perto, o colégio que se encaixava com a vida de Annabeth, mas atendia suas demandas básicas. A loira, como sempre, chegou na escola exatamente 7:30, meia hora antes do inicio das aulas.
Ela pegou o material no armário e dirigiu-se para a sua sala de matemática. Sentou-se na primeira cadeira ao lado da parede e tirou o seu livro de arquitetura da mochila para ler. Não tardou muito e suas amigas, Piper e Hazel, chegaram e as três começaram a conversar. A aula começou normalmente, como o esperado. Tudo estava bem, até a chegada dele.
Se Thalia era uma pequena imperfeição, Percy Jackson era um completo erro. Com seus cabelos negros, sempre bagunçados, e seus olhos verdes sarcásticos, o rapaz era tudo contra o que Annabeth acreditava. E não havia ninguém que ela odiasse mais.
Percy era um garoto desleixado, descomprometido e problemático. Pouquíssimas eram as aulas que ele frequentava, e quando frequentava, chegava atrasado e dormia a aula inteira. Boatos corriam pela escola inteira que o moreno fazia parte de alguma gangue suspeita do Bronx e que usava todo tipo de droga para se entreter. E a cada novo boato que surgia, o nojo de Annabeth por Perseu só aumentava.
O garoto foi empurrado para dentro da sala por uma moça da secretaria, revirando os olhos de tédio. E o ódio de que ela sentia por ele ferveu em suas veias com a força que ela sempre sentia ao vê-lo fazer isso. Ele se arrastou lentamente até a mesa mais próxima e sentou-se de qualquer forma. O olhar de desprezo que a loira o mandou devia estar tão forte que ele virou-se para a garota. E sorriu marotamente para ela. E Annabeth nunca quis tanto esganá-lo.
Percy Jackson tinha pleno conhecimento do nojo da loira por si. E desde que descobrira isso, passara a implicar com ela. Sempre que a via, sorria daquela forma. Ás vezes, fazia comentários maliciosos direcionados a Chase. Não importava como, o moreno nunca perdia uma oportunidade de zombar dela.
A garota bufou, desviou o olhar e passou a ansiar para o próximo tempo.
–x-
Quando o relógio bateu 8 horas da noite, Annabeth se olhou no espelho pela ultima vez antes de sair de casa. A festa seria algum tipo de comemoração de Thalia por seus pais não estarem em casa no fim de semana. Com medo de se destacar muito entre os amigos da faculdade de Thalia da faculdade de artes de Juliard, a loira decidiu usar apenas o vestido azul, sem acessórios ou qualquer coisa que chamasse muita atenção.
Annabeth pegou o carro e, em 20 minutos, estacionava na rua da amiga. O som de “Kill the DJ”, do Green Day, ecoava pelo local, apesar da menina morar no décimo andar do prédio. A loira pensou na barulheira que estaria no apartamento da amiga e suspirou, decidindo seguir o seu caminho de qualquer forma.
A festa de Thalia estava lotada. Estavam presentes as meninas da irmandade de Thalia (conhecidas como “Caçadoras de Artemis), seu irmão Jason, já estava se agarrando com Piper, alguns meninos que a loira desconhecida e seu pequeno grupo de amigos. Podia haver mais gente, mas ela não teve tempo de terminar de observar, pois uma morena punk apareceu e a abraçou.
Thalia mantia seus cabelos negros espetados e seus olhos azuis elétricos bem marcados pelo lápis de olho preto, com um “x” desenhado perto do olho esquerdo. Sua jaqueta preta fazia barulho quando se mexia, graças as correntes penduradas nela, e Annabeth acreditava que o atrito entre a corrente pendurada na calça jeans escura e a perna da morena causaria machucados.
Nada mudara na amiga desde que a vira pela última vez, e Annabeth não sabia se gostava ou não disso. Desde que a transição da morena para essa fase punk, quando tinha 13 anos, a loira ansiava para que a amiga voltasse a ser o que era antes. Não que ela desgostasse da Thalia punk, mas ela não conseguia entender o estilo, os hábitos e os amigos da morena.
As amigas da Grace da irmandade eram, em sua maioria, contra os homens, sendo femistas, do fim do estupro e da legalização do aborto. Isso, para a loira, não era um problema. A questão da implicância começava no vandalismo de muros da cidade, no consumo de maconha e de álcool excessivamente, nos boicotes de diversas lojas grandes como a Macy’s, além do estranho número de orgias lésbicas que Thalia lhe falava.
Thalia sorriu para ela e a cumprimentou, a ausência do cheiro de álcool a tranquilizou quando a morena falou. Elas conversaram de banalidades e a dona da casa a guiou até onde os amigos em comum de ambas se encontravam. No caminho, algumas Caçadoras cumprimentaram a loira, mas a maioria a olhava desconfiada, julgando-a. Mas Annabeth as ignorou.
Sentados em um sofá próximo a varanda, estavam sentados o pequeno grupo de amigos em comum de Annabeth e Thalia. Leo Valdez, melhor amigo de Jason (irmão de Thalia), sorriu para ela daquele jeito de “sei algo que você não sabe”, erguendo uma sobrancelha, acentuando sua semelhança com um elfo. Nico di Angelo, o calado primo de Thalia, acenou para a loira com a cabeça, voltando, logo depois, a emergir em seus pensamentos. Hazel Levesque, meio-irmã de Nico, e Frank Zhang levantaram para abraça-la. Jason e Piper estavam tão ocupados se agarrando que nem notaram sua chegada.
O grupo conversava efusivamente, trocando novidades e contando histórias. Até mesmo Nico se entreterá com a conversa e Jason e Piper até largaram-se um pouco um do outro, chegando até a começar a conversar. Eles riam e implicavam um com os outros, como devia ser.
Até que, de repente, Nico paralisou e seus olhos focaram na porta. Andando em sua direção vinha, ninguém mais, ninguém menos, do que Percy Jackson, com uma jaqueta jeans, calças rasgadas no joelho e o cabelo bagunçado. Antes que ele pudesse falar algo, Annabeth se levantou e avançou com raiva em direção ao rapaz.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou a loira.
– Ora, eu não posso vir na festa da minha querida prima? – ele disse apontando para Thalia, que concordou com os ombros.
Annabeth olhou enfurecida para ambos e a sua amiga suspirou, revirando os olhos.
– Deixe de drama, Annabeth! Ele é meu primo. Chega de implicância, vocês dois.
E de repente, a festa que estava indo super bem para a loira, perdeu toda a graça. Por mais que ainda conversasse e risse, a presença de Percy Jackson lhe enfurecia tanto que nada parecia ter o mesmo brilho.
Em uma oposição a ela, seus amigos pareciam não ter nada contra o rapaz, pelo contrario, eles pareciam até gostar dele, rindo de suas piadas e o incentivando a falar mais. Enquanto isso, ela não conseguia olhar para ele sem que o ódio percorresse as suas veias, e, aparentemente, seus amigos notaram isso...
...E propositalmente deixaram os dois juntos sozinhos. Rapidamente, o rapaz percebeu, lançando-lhe aquele sorriso de sempre.
– Chase, Chase... Finalmente eles nos deixaram sozinhos! – disse ele, sentando-se ao lado dela e passando o braço pelos ombros da garota.
– Me larga, Perseu! – ela disse, tentando se afastar dele para levantar, mas o rapaz fora mais rápido e a puxara pela cintura, fazendo-a cair no colo dele. Percy sorriu de forma cafajeste e acariciou sua cintura.
– Olha, se você não fosse tão chata, até que você é gostosa. Se bem que, com a minha boca na sua, você, com certeza, não deve ser tão irritante. – Percy disse maliciosamente.
Se olhar matasse, o que Annabeth lançou para ele era um tiro na cabeça.
Eu não sou uma piranha qualquer, como as garotas que você dorme, para que me trate assim. – ela conseguiu se erguer – O dia em que eu cogitar a perspectiva de te beijar, o céu vai cair. Você é a criatura mais acéfala, desgostosa, nojenta e machista que eu já tive o desprazer de conhecer.
Ao contrário da reação que ela esperava, Percy Jackson sorriu para ela, como se tudo aquilo não passasse de um desafio. O rapaz levantou-se e se aproximou da loira, fazendo com ela ficasse encurralada entre ele e a parede, surpreendendo-a. A boca de Percy seguiu para o pescoço da loira, fazendo uma trilha até os lábios da garota, mordendo-os de leve e se afastando logo depois, migrando para a orelha da menina.
– Bem, loira, se isso é um desafio, é bom você saber que eu sempre venço. – ele disse, se afastando e indo embora logo após, deixando para trás uma Annabeth corada e ofegante.
E apesar de todos os seus erros, Annabeth tinha que admitir que Percy Jackson era extremamente sexy. E de repente, o seu céu começou a cair.
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