Wildfire
6 Capítulo VI - SPENCER
Notas iniciais
Fim de semana. Finalmente Spencer poderia fazer o que mais gostava sem ser incomodada por ninguém: ler, comer e dormir.
A morena foi acordada por um feixe de luz solar que escapava por uma fresta da cortina em sua janela. Ela virou-se para o outro lado para poder bloquear o sol em seu rosto e cobriu a cabeça com o edredom. Só o que queria era poder dormir até um pouco mais tarde, o que não era tão difícil, levando em questão de que a casa estava completamente silenciosa.
Nenhum sinal de Aliona fofocando com suas amigas tão arrogantes quanto a mesma no telefone, ou de Kendall e Genevieve conversando, portanto a mais nova deduziu que ambos estavam dormindo.
Tinham se passado quatro dias desde o ocorrido com Genevieve no banheiro, no início da semana. Nesses quatro dias, Spencer se aproximou mais de Leo e Hazel, até começara a conversar com Piper! Era um grande avanço para uma pessoa que se auto-intitulava "anti-social". Mas bem no fundo, ela sabia muito bem que não era assim. Algo dentro do coração da garota, como uma faísca do seu passado feliz se acendia, lhe dizendo para não se afastar das pessoas e sim, aproximá-las.
Seus irmãos também estavam mais próximos dela, Genevieve deixara de ser uma pessoa insuportável para tornar-se alguém muito sociável. Spencer amava isso. Ela também notara que Kendall andava mais alegrinho, mas não teve coragem de perguntar-lhe o motivo, apesar disso, ela podia suspeitar. Era muito bom ter sua família unida novamente.
Ao seu lado, o celular da garota começou a tocar. Ela resmungou baixinho e ignorou o toque, que parou alguns segundos depois. Poucos minutos de sossego se passaram, até alguém abriu as cortinas do quarto abruptamente e o clarão da manhã o invadiu, batendo bem em Spencer. Ela se assustou um pouco, pois não ouvira ninguém entrar.
–BOM DIA, GATOSA! LEVANTA PORQUÊ O SOL TÁ BRILHANDO, OS PÁSSAROS ESTÃO CANTANDO E EU CHEGUEI! — será possível que nem dormir Leo deixava ela fazer? Spencer sentou-se na cama, irritada e jogou um travesseiro nele. Leo invadira sua privacidade. — Ei, sem agressão física!
–Quem te deixou entrar na minha casa? — ela levantou-se, foi direto para o banheiro, bateu a porta com força e fez sua higiene matinal.
–Sua irmã. Muito gata e simpática ela. — Leo riu do outro lado da porta. A morena revirou os olhos, prendeu os cabelos num coque frouxo e saiu do banheiro. Os olhos do garoto pararam nela e ele mordeu o lábio inferior. — Olha, se você quiser esses baby doll's sempre, não tem problema, tá?
Spencer bufou, empurrou o rapaz e sentou-se novamente na cama. Era muito cedo para dar ouvido as besteiras de Leo.
–Poderia se retirar do meu quarto pra eu me trocar, fazendo favor? — perguntou a garota, um tanto impaciente. Aquilo só fez ele achar a situação mais divertida.
–Hm, deixa eu pensar. — ele colocou a mão no queixo, fez um biquinho e fingiu pensar por uns instantes. Spencer nunca iria admitir, mas aquela carinha de Leo fez ele parecer a coisa mais fofa do mundo. — Não, você está muito bem assim. — riu ele. — Ah, eu ia esquecendo. Te trouxe café. O rapaz pegou um copo da Starbucks em cima da cômoda da morena e entregou a ela.
–Obrigado, seu tarado. — disse ela, dando um risinho e bebendo um gole do café ainda quente.
–Não sou tarado, moça, sou apenas homem. Mas lhe garanto que não penso besteira na maior parte do tempo. — Leo riu e sentou-se ao lado de Spencer na cama.
–Tá bom, vou fingir que acredito. — ela revirou os olhos, bebendo o café.
–Mas é sério!
–Praticamente acabou de dizer que deseja meu corpo nu! -Eu não disse nada disso. — explicou-se Leo, rindo, fingindo estar ofendido.
–Eu só disse que não me importaria de ver você vestida mais vezes com esse baby doll. Ela levantou-se e colocou novamente o copo de café em cima da cômoda ao terminar a bebida.
–É quase dizer que não tem Jesus no coração, mas isso não é irrelevante. — falou Spencer, sentando-se novamente na cama.
–Hm. — Leo deitou-se e colocou as mãos atrás da cabeça. Minutos de silêncio se passaram e durante eles, a garota ficou observando o colega. Ela tinha que admitir que apesar de magricela, ele era bem atraente. A camiseta que ele usava definia seus musculos e ela sempre tivera um pequeno fetiche por caras que usavam alargador. Leo a irritava as vezes, mas ela não podia negar que ele também quase sempre conseguia fazê-la rir.
Aquele silêncio começava a deixar o ambiente tenso, até que finalmente Leo o quebrou.
–Por que veio morar aqui? — perguntou ele. Ela mordeu o lábio, relutante a falar. O assunto a incomodava um pouco.
–Meus pais morreram num acidente de carro e Aliona era a nossa única parente viva. Ai viemos pra cá. — suspirou a morena.
–Sinto muito.
–Não tem problema. Leo olhou para Spencer e pegou uma de suas mãos. Uma espécie de formigamento subiu pelo braço da menina e ela olhou para sua mão com a dele. Se encaixavam perfeitamente uma na outra.
–Eu sei como é isso. Eu também perdi minha mãe, mas com certeza deve ter sido mais difícil para você. — ele acariciou a mão da garota com o polegar e suspirou.
–Sinto muito também. Obrigado por se importar. — ela deu um leve sorriso. Ele sorriu de volta.
–Não por isso.
Eles ficaram de mãos dadas por um tempo, aproveitando o momento. Spencer não sabia o porquê, mas ela não desejava se afastar de Leo. Ele lhe passava uma sensação boa, fazendo-a esquecer sobre o que estavam conversando.
O garoto se aproximou da morena, tirando alguns fios de cabelo soltos da frente do rosto dela com a mão livre. Se aproximou mais, o suficiente para Spencer sentir sua respiração se fundir com a de Leo, que roçou os lábios nos dela. O hálito dele tinha cheiro de menta. Aquilo foi o suficiente para que ela perdesse os sentidos e o beijasse, soltando sua mão da dele e entrelaçando seus dedos em seu cabelo encaracolado.
Leo retribuiu ao beijo na mesma intensidade, colocando uma de suas mãos na cintura e outra nas costas da garota, acariciando. Uma chama se acendeu no interior de Spencer, consumindo-a por inteiro, fazendo-a querer mais e mais Leo. Ela intensificou ainda mais o beijo, puxando o garoto para mais perto de si, deitou-se na cama com ele por cima.
Spencer também afetara ele da mesma forma. As mãos do rapaz desceram para as coxas da morena, apertando as mesmas.
Naquele momento, não existia mais nada para ambos. Apenas os dois. O pequeno ponto na cabeça de Spencer que dizia que ela precisava de Leo, a dominou.
Não tinha mais como parar. Naquela manhã, Spencer e Leo se fundiram em um só, como eles desejavam.
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