Wild
1 Selvagens Perdidos

Os pinheiros entremeavam o céu de tão altos e o cascalho se quebrava sob meus pés descalços. A Floresta Negra era uma das mais secas e quebradiças que eu já encontrei, um belo exemplo de falha de recursos e do quanto ela era propriedade das criaturas da noite.
E era tudo sobre isso, afinal. Nunca pode ser minha enquanto eles estivessem ali. Acromântulas e unicórnios e selvagens perdidos que escapavam toda noite. Eles se reúnem em cima das colinas, pés de gente enterrados em grama cinzenta e prontos para partir mesmo em meio à nevasca, com suas roupas de gente sob a brisa gélida e os olhos cegos por estupidez.
Eles não me conheceriam enquanto eu não me fizesse presente. Como animais, eles eram bruxos remarcáveis, que ignoravam todo mundo entre ás árvores e só tinham olhos para uma delas, a mais alta de todas.
Apoiei o rosto em uma mão, tamborilando o canto dos olhos. Eles não causavam problemas (muitos), eles não sabiam quem eu era (muito), e quando eles desaparecessem entre galhos grossos e espaços pequenos como sempre faziam seria bem mais fácil dar o bote (nem tanto).
Talvez eu pudesse me livrar dos selvagens depois, (quem sabe).
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