Wicked Game
15 Spin off, Capítulo 4 - Lines and Faults
Notas iniciais

[Thayla]
Just keep following
The heartlines on your hand
'Cause I am
Desde o acidente no shopping, a vida de Claire mudara de maneira considerável. A jovem conversava pouco com os pais e alguns familiares que tinham aparecido para visitá-la, passando boa parte do tempo trancada em seu quarto conversando com Thayla por Facebook, Skype e também pelo celular. As postagens do Trislovers.com estavam sendo feitas por Thayla, e os vlogs também.
Claire admirava a coragem da amiga de aparecer, mas não tinha a mesma, limitando-se a participar somente por chamada de áudio do Skype. Suas saídas ocasionais foram cortadas completamente devido aos constantes ataques de pânico da garota ao tentar sair.
Seu pai, Michael, parecia transtornado e vez ou outra ela o ouvia discutindo com sua mãe a respeito do ataque. Ele estava com ódio da garota que a filha tanto defendia e tinha sido surrada por conta dela.
— Claire, você precisa aparecer uma vez no vlog, menina... Mostre a essas vadias que você tem culhões! — Sugeriu Thayla.
— Eu não consigo, Thay...
— É por causa da cicatriz? Olha, o Harry Potter também tinha uma, sabe? E perto dessa que você arranjou!
Claire riu baixo. — Não é por causa da cicatriz...
— Então é por quê?
Claire umedecera os lábios.
— Estou com medo. As pessoas não sabem mais como defender seus ídolos sem partir pra agressão, as pessoas se esqueceram como se conversa... Eu tô com medo, Thay.
— Eu também estou, Claire, mas... Não podemos deixar que esse medo nos domine, ok? Somos mais fortes que isso. E eu não posso ficar no Trislovers sem você... Vamos marcar um dia, eu vou até sua casa pra gente gravar um Vlog... O que acha?
A ruiva suspirou baixo, colocando os braços ao redor dos joelhos.
— Okay...
— Okay? — Thayla riu.
— Okay.
*** ***
Como combinado, no fim do dia Thayla estava se arrumando para sair de casa quando ouviu a campainha. Vestiu uma camisa comprida de Richard e foi descalça até a porta, quase caindo para trás quando viu quem era.
— Thayla! — Tris riu levemente ao vê-la, abraçando-a de maneira cuidadosa.
Thay entrara em estado catatônico. Tris... Tris e Tobias... Meu Deus...
— Ah... Entrem, por favor.
Thayla tentou se recompor, mas ver Tobias ali parado lhe atrapalhara ainda mais, especialmente quando ele olhou ao redor, lambeu os lábios e fez Tris entrar.
— Que... O que vocês estão... Fazendo aqui?
— Eu vim ver você... E a Claire também.
Tris comentara, repuxando os lábios e Thay notara a culpa em seus olhos.
— Eu sinto muito pelo que houve com vocês, pelo ataque... Onde ela está?
Tris parecia tensa e envergonhada.
— Ela está bem agora, não se preocupe. — Thayla respondeu simplesmente. Tris sorriu minimamente.
— Tris, você não quer se sentar. Está em pé há muito tempo.
Tobias pergunta discretamente apoiando as mãos nas cintura de Tris, foi a primeira vez que ele falou desde que chegaram. Thay sentiu-se uma idiota por não ter pedindo para sentarem-se antes, "quanta educação!" pensou consigo. Mas se desculpou por isso, a beleza de Tobias estava deixando-a perturbada e aquelas mãos enormes... Foco Thayla!
— Eu gostaria muito.
Tris sorriu fracamente enquanto Tobias permanecia de pé ao seu lado, sério e tenso.
—Sente-se aqui, Tris.
Thayla sorriu levemente enquanto retirava as almofadas de uma poltrona.
— Eu vou trocar de roupa, fiquem à vontade.
Tris assentiu e acomodou-se melhor na poltrona. Tobias sussurrou-lhe algo que Thayla não pôde ouvir, mas Tris acenou negativamente com a cabeça e sussurrou um "Eu estou bem" que Thayla compreendeu antes de chegar ao fim das escadas.
Thayla se trocou em cinco minutos, passando o pente pelo topo da cabeça apenas para domar aqueles fios mínimos fora do lugar, voltando apressada até a sala. Ainda custava acreditar que Tris e Tobias estavam em sua sala.
— Vamos indo?
— Vamos.
Tris sorriu e se levantou. Agora Thayla entendia toda aquela história sobre a superproteção de Tobias. No momento em que Tris se ergueu, ele estava ali, junto dela. Lhe estendendo uma mão e apoiando a outra em suas costas. Thay sorriu meio boba.
"Não é hora de gritar é cannon, chupem essa manga... Não é mesmo.", pensou Thay brevemente, esperando que o casal saísse para que ela pudesse apagar a luz e trancar a porta de casa.
Eles foram no carro de Tobias. Thayla foi colocada na frente com Tobias porquê Tris tivera um pequeno surto com o cinto de segurança. Thay teve que reunir todas as suas forças para não rir do bico emburrado da atriz no banco de trás, era quase infantil, resmungando que odiava cintos de segurança e que iria incendiar a Mercedes de Tobias. Ele riu suavemente, seu primeiro riso e Thayla segurou-se para não mostrar sua histeria diante daquele sorriso discreto e lindo.
Apesar de seu embaraço inicial, Thayla conseguiu guia-lo sem problemas até a casa de Claire. Sentia-se meio nervosa porque aquele momento seria uma história para contar aos netos, pensou divertida.
Deixaram o carro juntos, com Tobias dando a volta para abrir a porta para uma Tris já bem mais tranquila, ajudando-a a descer.
Thay riu minimamente, indo na frente para tocar a campainha, sentindo que Tobias e Tris a acompanharam assim que o rapaz trancou o veículo.
Demorou um pouco, mas logo a porta fora aberta e a pequena Amy olhou-os entre confusa e maravilhada.
— Oi Amy, a sua irmã está aí? — Thay sorriu de leve.
— T-tá... Claaaaaire! A Thay tá aqui... E aquele moço bonito do computador também!
Tris soltou um risinho pelo nariz e olhou para Tobias. Ele estava vermelho, o que a fez rir abertamente desta vez.
— Moço bonito e tímido.
Comentou para ninguém específico.
Quem apareceu inicialmente foi a mãe de Claire, uma mulher mais velha, de cabelos ruivos e curtinhos.
— Thayla... — Ela franziu as sobrancelhas e olhara o casal.
— Essa não é...
— A Tris, sim, senhora White. — Thay sorriu meio embaraçada.
— E esse é o Tobias, o... Namorado dela. A senhora White ficou parada por alguns momentos. O casal cumprimentou a senhora com um aceno discreto.
— Entendo... Ahm... Eu vou chamar a Claire, esperem aqui.
Thay esperou quase impaciente por três minutos. Tris recostara-se a bancada da varanda e Tobias, como um lobo, colocou-se junto dela. Ela suspirou. Estava cansada e os pés doíam. Mas tudo isso foi esquecido quando Claire surgiu a porta, ofegante e ruborizada e abriu um sorriso quase maior que rosto.
— Uau. É verdade. Meu Deus.
Claire suspirou e Thayla deixou escapar um gritinho histérico.
— Nem parece verdade, não é?!
Thayla comentou com a amiga.
— Não mesmo... Ahm... Tris, Tobias, vocês não querem sentar? — Claire perguntou ao casal.
O casal assentira, e como sempre, Tobias ajudara Tris a se sentar, ocupando o espaço vazio ao lado dela.
— Vocês querem beber alguma coisa? Água, suco, refrigerante... — A ruiva perguntou.
— Uma água por favor.
Tris pediu. Tobias agradeceu, mas não pediu nada.
Thayla ficou sentada na poltrona marrom escura, sorrindo quando a irmãzinha de Claire voltara para espionar.
— Olha ali. Estamos sendo espionados.
Tris percebeu a aproximação de Amy e avisou Tobias da presença da garotinha. Amy corou tanto quando Tobias olhara para ela que Tris rira em resposta, vendo-a se esconder atrás da irmã mais velha quando a mesma voltara com o copo de água.
— Essa é a Amy... Irmãzinha da Claire.
Thayla informou e Tris sorriu para a menina.
— Olá, Amy. Venha aqui...
Tris chamou e a garotinha encolheu-se mais atrás da irmã. Tris sorriu, mas logo lembrou-se do que a trouxera ali.
— Claire, eu gostaria de...
Tris suspirou por um segundo e Tobias segurou sua mão com firmeza, incentivando-a continuar. Mas antes que pudesse voltar a falar, Tris foi interrompida pela voz grave do pai de Claire.
— Então você é a causa da minha filha quase ter sido morta por um bando de criminosas fanáticas?
— Pai, por favor... Tris veio ver como eu estou. — A garota comentou, repuxando os lábios.
Tris engoliu a seco.
— E vim... Para me desculpar por tudo que causei, senhor...
— Não quero suas desculpas. Quero que vá embora da minha casa. E você, Claire. Quero que se esqueça desta sua vidinha de fã. Isso acaba hoje.
— O quê? Não! Você não vai expulsar ninguém daqui. — A garota disse indignada, recebendo um olhar de censura da mãe.
— Eu sinto muito senhor. Sinto mesmo. Não queria que ninguém se machucasse por minha causa.
Tris falou com a voz pesada, quase chorando. Tobias ao seu lado parecia um fio esticado de tão tenso.
— Guarde seu teatro para quem acredita nele, senhorita.
As últimas palavras do homem foram como um choque em Tobias.
— Perdoe-me senhor White, mas não permitirei que a trate dessa forma...
— Ah não? Então que tal sair da minha casa? — O homem dissera seco.
Claire torcera os lábios. — Se eles forem, eu também vou.
— Não! Nós vamos embora, Claire. Você fica.
Tris levantou-se bruscamente, fazendo uma careta rápida e apoiando as mãos nas costas. Tobias a amparou depressa.
— Senhor White. Em quatro meses eu serei mãe de uma menina, uma menina que, como a sua filha, foi concebida e gerada por pais que a amam e que estão tentando protegê-la do mal do mundo. E eu, entendo seu ponto. Hoje eu sei que por um filho você esquece escrúpulos, dor, moral, tudo. Até a gentileza. Eu entendo seu ódio por mim. Mas por favor, não faça isso com sua filha. Sei que o senhor está verdadeiramente furioso, eu também estaria. Mas ela precisa saber que o pai a ama. Eu vim aqui me desculpar, mesmo esperando não ser desculpada. Sinto muito, estou de saída.
O pai de Claire pareceu ponderar as palavras da atriz e por um segundo deu a entender que iria responder, mas o homem já calvo e com uma barriga saliente apenas subiu as escadas e desapareceu nos corredores acima.
Claire engoliu a vontade de chorar, indo até Tris antes que ela fosse embora, abraçando-a com um pouco de força.
— Me desculpe por isso... Tris... — Pediu sentida.
─ Não tem nada que se desculpar. Você está bem é o que importa...
Tris sorriu em meio ao choro e apertou mais a garota.
─ Você é nosso anjo protetor... Vocês.
Tris olhou para Thayla que correspondeu com um sorriso largo, os olhos rasos d'água.
─ E nós estamos realmente agradecidos pelo carinho, mas por favor. Não se arrisquem mais. Sim?
Claire e Thay afirmaram que sim com um aceno de cabeça.
─ Nós te amamos.
Disseram juntas e Tris as abraçou.
─ Amamos você também, mocinha...
Thayla dirigiu-se ao ventre de Tris, fazendo todos na sala rirem, até Tobias.
─ Nós também te amamos. E Tobias...
Tris parou um segundo e se aproximou das garotas.
─ Mas ele não vai admitir isso. Ele é britânico.
Tobias riu pelo nariz, decidindo dar um abraço meio tímido nas duas garotas que ajudavam tanto Tris.
— Qual das duas me deu o esporro por telefone?
— Eu. — Claire riu de leve.
─ Obrigado. Você não imagina o quanto me ajudou. O resultado foi extremamente gratificante para mim.
Tris corou entregando que havia algo implícito ali.
Claire riu também.
— De nada. — Ela sorriu de leve, trocando um olhar rápido com Thayla.
Tris e Tobias foram embora logo depois de saberem mais sobre o estado de Claire. Tris pareceu mais aliviada ao saber que tudo estava bem. Abraçou as meninas mais algumas vezes e partiu, tendo uma nova briga com o cinto da Mercedes, o que fez Claire gargalhar sonoramente.
— Eles estão completamente apaixonados. — Thayla afirmou meio sonhadora enquanto o carro desaparecia numa curva.
— É. Eles só precisam descobrir isso. — Claire estava séria, pensativa.
— Nos vemos mais tarde? — perguntou à Thayla. Thay acenou afirmativamente e abraçou a amiga. Sabia que ela precisava de um tempo sozinha.
Heartlines (Florence & The Machine)
Apenas continue seguindo
As linhas do coração na sua mão
Porque eu estou
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