Wicked
8 Popular
— Por Merlin, Rose! Acho que foi a festa mais animada que já fui em anos – suspirou Dominique, enquanto se jogava, sorridente, em sua cama.
Não era tarde, e todas as outras colegas de dormitório das duas garotas ainda estavam no Três Vassouras. Dominique e Rose resolveram voltar, pois já estavam bastante suadas e cansadas do tanto que haviam dançado. Ambas chegaram a invadir o espaço da banda e cantar junto com o vocalista, um caos! Mas havia valido à pena, já que nunca haviam se divertido tanto.
— Eu não tenho muito com o que comparar, mas, se você diz, eu acredito – respondeu Rose, imitando o movimento de sua parceira e jogando-se de costas sobre o colchão logo em seguida.
— Nunca foi a uma festa antes? – sentou-se repentinamente, com seus olhos esbugalhados de surpresa.
— Funeral conta? – brincou macabramente a ruiva, enquanto puxava o cobertor de cores vermelho e dourado para cima de si.
— Não acredito que foi sua primeira festa e nem me disse antes! – repreendeu Dominique e saltou de sua cama logo em seguida, sentando-se na de Rose, buscando um contato mais próximo.
— Não é como se eu tivesse tido a chance… Tentei coisa mais simples hoje, como agradecer o que você fez pelo Hugo, e você fugiu – a Granger-Weasley retrucou, enquanto dava um espaço maior para Domi se acomodar sob as suas cobertas.
Rose parecia envergonhada e levemente desconfortável com a presença da Weasley na mesma cama que ela, enquanto Dominique apenas aproveitava para analisar as feições da ruiva mais de perto.
Chegou à conclusão de que, se não fosse tão descuidada, seria até bonita.
A Granger-Weasley tinha os mesmos olhos claros que os seus, provavelmente herdados de seu pai, e o seu nariz, que a irritava tanto, apesar de redondo e salpicado de sardas, era harmônico com seu rosto. Os fios ruivos e encaracolados que lhe escapavam pela longa trança faziam com que Dominique refletisse por que ela nunca soltava seus cabelos.
A bruxa também era alta, ultrapassando Dominique alguns bons centímetros, e, talvez, se melhorasse sua postura, parecesse ter um corpo mais bem distribuído. Quem sabe até bonito.
— Por que nunca solta o seu cabelo? – perguntou, verbalizando os seus pensamentos.
— Eu não sei como cuidar dele, não sei controlá-lo e muito menos deixá-lo bonito – admitiu Rose, pegando sua longa trança e colocando-a sobre o ombro, enquanto sentava-se para encarar Dominique.
— Então por que não corta? – sugeriu, como se desapegar do cabelo fosse algo muito simples.
Talvez realmente fosse para Dominique, já que Rose acreditava que ela ficaria muito bem com qualquer corte.
— Meu cabelo tem a mesma textura que o de minha mãe. É uma das poucas características físicas em mim que me lembram ela. Não teria coragem de me desfazer do meu cabelo assim, tão fácil – admitiu.
Uma ideia pareceu passar pela mente de Domi, que migrou sua expressão de curiosidade para felicidade abruptamente, quase saltando para cima de Rose.
— Já sei! Eu vou fazer de você meu novo projeto, o que acha? – perguntou Dominique, com um olhar pidão.
— Como assim o seu novo projeto?
— Eu vou te fazer popular, é claro! – exclamou, agitando a cama de Rose com seus pulos animados.
Dominique era vaidosa, sem sombra de dúvidas, e gostava de ajudar suas amigas a se arrumarem também. E Rose seria como um desafio para ela. Seria um baita projeto, pois não a aconselharia somente em como se cuidar ou em como se vestir, mas sim em como se portaria também, afinal, a Granger-Weasley nem sempre era a mais simpática com seus colegas.
— Você não precisa fazer isso, Domi – Rose a assegurou, corando levemente ao pensar na possibilidade de sua prima a arrumando e a apresentando aos seus amigos.
— Eu sei! E é por isso que todos me acham tão legal – riu a loira, não dando outra chance de Rose negar a sua proposta.
Com um salto, mudou o seu lugar para trás da Granger-Weasley e pôs-se a desfazer aquela velha trança cafona que a garota sempre usava. Assim que acabou, parou por alguns segundos e ficou encarando aquela enorme juba ruiva. Decidiu ensinar a Rose o feitiço que usava para arrumar os seus próprios cachos, sem saber se funcionaria, já que os cabelos loiros de Dominique estavam longe de serem armados e cacheados como os da colega.
Para a surpresa de Domi, o feitiço funcionou melhor que o esperado. Não tirou a identidade do cabelo de Rose, apenas serviu para definir melhor os seus cachos e diminuir um pouco de seu volume. Orgulhosa com o seu trabalho, saiu da cama de sua mais nova amiga e foi procurar em seus pertences por algum acessório que fosse servir em Rose.
Quando voltou para perto da ruiva, tinha em suas mãos um espelho e um diadema de veludo escuro, que não se tinha certeza se era azul ou preto. Entregou nas mãos de Rose o espelho, e logo em seguida encaixou o acessório em sua cabeça, retirando alguns cachos teimosos de seu rosto, dando assim um maior destaque aos seus olhos claros e bochechas sardentas e avermelhadas.
— Viu só? Não ficou ruim. Agora sim você parece uma pessoa normal, e não um bicho. Está até bonita – assegurou Dominique, enquanto olhava esperançosa para Rose, aguardando por um comentário positivo.
Olhando-se no espelho, com seus cabelos arrumados, Rose enfim reconheceu aquela mesma textura que sua mãe usava e que ela sempre via nas fotos antigas de Hermione. A garota não tinha consciência de que era tão parecida com sua mãe, principalmente em suas feições, talvez fosse até por isso que seu pai não gostasse tanto dela.
O nariz redondo, bochechas saltadas e dentes grandes eram idênticos aos de sua mãe, e Rose não tinha certeza se gostava tanto de sua aparência. Estava distraída, olhando a si mesma no espelho, quando Dominique alcançou-lhe o rosto, puxou-o com uma mão, e com a outra passou-lhe um batom nos lábios.
A sensação era esquisita, parecia grudento, como se tivesse acabado de comer um sapo de chocolate inteiro. Mas provavelmente só estava estranhando por não estar acostumada. Quando voltou o seu olhar para o espelho, gostou ainda mais do que viu. O batom era praticamente incolor, somente lhe dava um brilho rosado, sendo bastante natural.
Era diferente do usual, e Rose sentiu-se bonita, talvez por estar usando coisas de Dominique, e assim, se aproximando um pouco de sua aparência impecável.
— Eu gostei! Muito obrigada, Dominique – disse Rose, enquanto devolvia o espelho de mão da Weasley.
— É claro que gostou! Você está linda Rose, e nem precisou de tanto esforço. Agora só precisamos dar um jeito nessas suas sobrancelhas.
Rose relutou um pouco quando notou Dominique se aproximando com um par de pinças e tesoura, mas a loira era bastante convincente quando queria e não demorou muito para se colocar em cima da Granger-Weasley, penteando e aparando os seus pelos.
— Sabe, Rose, agora que somos amigas, acho que deveríamos conhecer mais uma sobre a outra, me conte algo que ninguém sabe sobre você – pediu, enquanto se concentrava na sobrancelha esquerda da colega.
— Não tenho segredos, não consigo imaginar nada que possa lhe dizer, sinto muito...
— Duvido! Se o problema é que você não confia em mim ainda, tudo bem, eu começo – disse Dominique, passando para a outra sobrancelha – Eu e Scorpius vamos nos casar.
— Como assim? Você não acha que está muito nova para pensar em casamento? Temos quinze anos, Domi. Como pôde aceitar o pedido dele? – Rose afastou a Weasley e sua tesoura, para encará-la com repreensão.
— Pedido? Ah, não, Rose, ele não sabe ainda – assegurou, arrancando um riso da ruiva – Agora é sua vez, me diga algo sobre você!
Dominique, então, sentou-se sobre seus calcanhares, finalmente acabando o seu trabalho no rosto de sua prima, aguardando por uma boa fofoca.
— Bem, meu pai me odeia – falou rapidamente, na esperança de que Domi não entendesse direito e deixasse toda aquela história de lado.
— Pera, quê? – perguntou, tendo ouvido muito bem o que Rose havia dito, e esperando por uma explicação – Tenho certeza de que as coisas não são bem assim.
— As coisas são exatamente assim. Dominique. Meu pai me odeia.
— Como pode um pai odiar a própria filha? Ainda mais sendo um Weasley. Explica! – pediu, sentando-se direito sobre o colchão e puxando o cobertor de Rose para cima de si, como uma criança que esperava os pais contarem uma história antes de dormir.
— Depois de um ano de nascida, eu já demonstrava magia e era muito descontrolada, o que assustava meu pai. Quando minha mãe descobriu que estava grávida pela segunda vez, meu pai temeu que meu irmão nasceria como eu, então conseguiu algumas poções que serviam para controle de magia para minha mãe. O consumo das poções junto do estresse do trabalho do ministério fizeram com que meu irmão nascesse prematuro e com algumas complicações, e também fez com que minha mãe não sobrevivesse ao parto – explicou Rose, cabisbaixa. Era evidente que contar toda aquela história ainda a incomodava – Então, resumidamente, eu sou a culpada pela morte de minha mãe e pela deficiência de Hugo… Por isso meu pai me odeia, e com razão.
— Sinto muito por isso, Rose... – Dominique pronunciou, com pesar, e Rose reconheceu em seus olhos honestidade, junto de um sentimento que não recebia com frequência, e talvez até desconhecesse: compaixão.
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