Why do you Refuse?

13 Chapter 13 - Extra – History Of Lonely Boy II


Notas iniciais
É... Três meses sem atualizar essa fanfic. Desculpe galera, eu ainda me pergunto se tenho mais algum acompanhante... Não foi 100% minha culpa, mas parte foi. Não tenho justificativas boas então... Deixarei para as notas finais. Desculpe também pelo conteúdo do capítulo, eu tinha iniciado um para a certa "continuação", mas não consegui finalizá-lo de modo algum, então resolvi fazer um extra. De qualquer modo, boa leitura, espero que possa satisfazê-los pelo menos um pouco. Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=0ok4ABj3Kk8

Why Do You Refuse?

Chapter 13 — Extra – History Of Lonely Boy II

Seus finos e ágeis dedos deslizavam sobre as teclas delicadas de seu piano, proporcionando uma melodia cheia de significados. Era uma música normal, bonita, calma e alegre, porém, sendo aquele garoto quem tocava, a melodia fora transformada. Notas que deram início a um desespero naufragado em tristeza. Era assim. O pequeno continha esse dom de transformar tudo em tristeza por causa do seu infeliz poder depressivo. Mesmo com um sentimento tão ruim cravado naqueles sons, este continuava sendo algo invejável; algo maravilhoso; algo emotivo; algo lindo. Fulminante.

Que belo talento encontrava-se ali, disposto a ser mostrado todos os dias naquele imenso e solitário quarto. Aquele cômodo era realmente enorme, contendo alguns raios de luz do sol entrando pela distância das tábuas velhas e empoeiradas enfileiradas. Mesmo não sendo seu padrão higiênico, nada poderia fazer, afinal, não possuía a coragem de ditar algo, a coragem de mudar algo, a coragem de ter as coisas como queria. Era covarde. Covarde e sem desejos.

Não era nada mais que...

Levi!!” sua mãe o gritou. “Tocando essa porcaria de novo?!” o ríspido tom agressivo era claramente ouvido.

Tudo que Levi fez foi arregalar os olhos, enroscar os dedos, tropeçar as notas, morder o lábio e tremer. Tremer friamente de medo, de pavor. Sua mãe o gritou, aliás, o descobriu. Havia confirmado que ela e o pai viajariam para uma cidade próxima e só voltariam bem tarde! Havia tomado tanto cuidado atoa!

Abra já esta porcaria agora!!” continuou os gritos, referindo-se à porta do cômodo. Batia euforicamente o pé. A porta estava trancada, mas não era esse o motivo de não tentar arrombar, e sim, porque o sótão era extremamente sujo.

“S-sim, senhorita Sophie!” falou o pequeno de volta, com suas perninhas bambas. Não ousou gritar como resposta, ou quem apanharia juntamente a si seria o seu adorável companheiro piano. Desceu do banco trêmulo, cambaleando, encolhido e em pânico. Ficou nas pontas dos pés para alcançar a “alta” maçaneta e destrancou usando a chave. Não demorou que a mulher abrisse a porta sem esperar tal ato do garoto, fazendo com que esta acertasse em cheio e machucasse o rosto do pequeno.

Imprestável!! Nem mesmo para sair de trás não consegue?!” tudo que Levi fez foi levantar-se ignorando a latejante dor causada pela pancada e caminhar de cabeça baixa até ficar em frente à mulher que notou todo o corpinho delicado do garoto trêmulo. Porém apenas ignorou. “Escute aqui, moleque, da próxima vez que eu ouvir essa baixaria que você tanto toca, eu quebrarei seus dentes em uma só porrada, ouviu bem?!

“S-sim, senhorita Sophie!” respondeu automaticamente Levi, tremendo e tentando imaginar o que seria ‘porrada’, mas percebendo que o pensamento lógico de ‘quebrar os dentes’ não seria uma coisa muito boa, julgou que ‘porrada’ não seria também.

Moleque, tem uma amiga minha que vem aqui interessada em saber quem é você, então você vai descer bonitinho e limpinho, se comportar bem e fingir ser um filho perfeito, ouviu bem?!” a mulher ditou com as mãos à cintura, vendo o filho assentir nervoso. “Ótimo. Vá logo tomar um banho, sua besta quadrada!

“Sim, senhorita Sophie!” respondeu Levi rumando ao banheiro às pressas forçando-se a não tropeçar em seus próprios pezinhos pequenos e desajeitados.

Tomou um banho rápido, porém bem dado, lavando tudo o necessário e ainda mais, em uma água morna, levemente puxada ao mais quente. Saiu do banho enrolado na toalha traçando o corredor e rumando ao seu quarto, o mais distanciado dos outros. Assim que chegou, fechou a porta, vestiu sua roupa íntima bem confortável e foi procurar uma roupa exemplar, que lhe desse a imagem que sua mãe queria: perfeita.

Achou o terninho que o vovô o deu. Levantou as sobrancelhas em agrado, visualizando aquele terno azul-marinho bem escuro com um cravat branco em acompanhamento. Gostava bastante de cravats brancos. Seu vovô adorava usar. Achava tão bonito que quis usar também. Assim que se vestiu direitinho, passou de leve o perfume que tinha e visualizou-se ao espelho após subir em um banquinho. É... Estava “perfeito”, poderia dizer.

Assim que desceu do banco em um pulo, sua mãe adentrou o quarto o olhando seco. “Levi. Que porcaria é essa que está usando?” Cabum!! Foi como uma bomba atômica aos pensamentos do pequeno. Este não falou nada de primeira, apenas olhou extremamente atormentado ao nada, raciocinando as palavras grossas da mãe.

“Sophie não gostou...?” perguntou baixinho, em um múrmuro, olhando sua roupa uma nova vez, conferindo de novo todos os meros detalhes que para si estavam ótimos.

Primeiro, moleque: eu já disse que essa idéia de cravats é horrível, uma besteira só! Olha só! Que fora de moda e nojento! Tira essa porcaria!!” e assim com o mandato, Levi retirou o cravat desapontado, com um pouco de esforço. Tinha demorado tanto para acertar o jeito de ajeitá-lo... “Segundo, seu pirralho estúpido: ‘Sophie’?! Quem disse que você tem essa afinidade toda?! Seu idiota, não confunda as coisas! Pra você, ‘senhorita’ é obrigatoriamente adicionado à frente do meu nome!!

“Desculpe, senhorita Sophie!” ditou Levi novamente, cabisbaixo, enquanto a mulher procurava no armário deste algo para colocar no lugar de seu cravat.

Aqui, coloque isso.” jogou uma gravata borboleta preta ao garoto, que ainda permanecia cabisbaixo.

“Mas senhorita Sophie, essa gravata me aperta...” respondeu baixinho, com certo medo de não fazer o desejo da mulher.

Deixa de ser mimado, Levi. Veste logo essa merda e vamos descer. Algumas horas apertado não faz diferença.” Respondeu a mulher já saindo do quarto. “Mais uma coisa. Na próxima vez que usar esse perfume, não use tanto. Isso enjoa! É nojento!

“Certo... Senhorita Sophie...”

●ω●

O elástico da gravata de Levi o apertava. E muito. Estava doloroso e insuportável. O pequeno jurava que começaria a cortar sua fina e pálida pele, mesmo assim, não podia mexer nela, se não mostraria à visita que estava desconfortável a si e isso não passaria em branco por Sophie.

“Querido.” Referiu a bela dama de cabelos castanhos soltos em um sorriso cordial ao pequeno. “Sua gravatinha não está o machucando? Parece estar muito justa!” exclamou.

Levi sentiu as orelhas salpicarem. Era vergonhoso ser chamado de ‘querido’ e ouvir essa voz toda carinhosa a si, mas não podia negar que era gostoso. Porém isso, com certeza, não era de seu cotidiano.

“Não está.” respondeu por si Sophie, não querendo ter a imagem de 'mãe má'. “Levi está bem nela ela, não precisa perder seu tempo com isso.”

Levi uma nova vez ficou cabisbaixo, olhando o chão e tentando notar alguma coisa ali que diminuísse o vazio que sentia no coração sempre que era ignorado por sua mãe. Mas o que poderia fazer?! Virar-se contra aquela mulher monstruosamente superior e dizê-la como deveria agir?! Dizê-la, com todas as palavras, que era fruto de si, ou seja, que deveria ser tratado com mais respeito?!

Oh, não. Não mesmo. Conferindo o gene daquela mulher, fazer tais coisas seriam como... Ser jogado em um vulcão fervente, poderoso e monstruoso; como dizia em seus livros. Então, seguindo seus próprios conselhos, permaneceu ali, olhando ao chão e procurando algo para entretê-lo e esquecer o quanto aquele elástico queria afinar o seu pescoço à espessura de um palito de dentes.

Respirou fundo algumas vezes quando sentiu o ar ser falto. Olhou para cima disfarçadamente, tentando não chamar atenção da convidada de sua mãe, e respirou fundo, bem, bem fundo. Não funcionou. Fechou os olhos e repetiu o processo mais uma vez, mais fundo e mais lento. Droga. Sentia-se tonto. Apertou os olhos e voltou o rosto para baixo.

“Levi,” chamou a mãe dele. “pegue aquela coleção de livros do seu avô. Hanji, a filha de Sthepanni, interessará por eles.”

“Sim... Senhorita Sophi...” sua voz saíra incrivelmente rouca e falha. Assim que se esforçou para levantar-se do sofá e levar os pezinhos ao chão, sentiu aquela tontura de sempre, muito, muito forte. Teria de ignorar. Não poderia fazer sua mãe passar tal vergonha. Levantou-se lentamente, mal percebendo o olhar raivoso da mãe e o preocupado da visita, e voltou os passos até a imensa escada de sua casa. A tonteira que mal tinha passado voltou mais forte, levando o garoto à total dor. Abaixou-se e levou as mãos à cabeça, apertando-a tão forte a ponto de pensar que a esmagaria, isso, se a dor da tonteira não a partisse antes.

Lembrou-se de sua mãe que ficaria totalmente enraivecida por seu tal ato e engoliu os grunhidos que insistiam a sair de sua boca. Cerrou os dentes, assim como fez com os olhos e franziu as finas sobrancelhas, mostrando o quanto seu corpo permanecia possesso à dor. A tonteira atacou suas pernas bambas, fazendo-o cair e sentir falta do ar, levando ao ponto de querer arrancar a gravata apertada.

Sentiu um brusco movimento da visita em direção a si, percebendo que esta já estava ao seu lado, tentando dá-lo apoio no que fazia. Retirou às pressas a gravata e pegou o menino no colo, virando-o à mãe que apenas franziu as sobrancelhas com tal ato.

“O que foi?” indagou esta, não entendendo o porquê de sua amiga virar o moleque em sua direção.

“Como assim 'O que foi'?!” a perplexidade era nítida às palavras da visita. “É o seu filho, Sophie!!”

“Eu sei.” continuou na mesma. “Largue-o ai e deixe-o virar sozinho. Não é como se alguém fosse o ajudar toda hora que tenha essas crises.”

“Sophie!!” repreendeu a morena deixando seus óculos caírem ao perceber as tensas tosses que se fizeram presentes do pequeno. “Ajude o seu filho!! E se ele morrer?!”

“Se ele morrer, cara Sthefanni,” referiu-se à visita. “ele morreu. Simples.” explicou como se fosse só mais uma coisa no mundo. E de fato, era. “Larga essa coisa de lado e volte aqui. Até parece que-”

“Você merece ser denunciada, Sophie!! Levi tem apenas quatro anos!! Isso é digno de prisão! Você é um ser monstruoso! Você é-” sua crise de raiva fora interrompida pelo garoto que, dessa vez, jogava para fora de sua boca parte de seu suco gástrico que fora impulsionado por suas náuseas. “Levi!!” e não parou por ai. Assim que o garoto parou o vômito, seguiu-se uma nova vez, sujando novamente todo aquele piso que permanecia, até então, limpo.

Tsc. Moleque inútil.

●ω●

Abriu os olhinhos de vagar, recebendo a forte luz solar diretamente a eles, fechou-os então franzindo as sobrancelhas. O que tinha acontecido? Parecia estar em um quarto, deitado, usando algo desconfortável que julgou ser um terno. Porque estava o usando? Abriu novamente os olhos, cerrando-os até acostumar com a luz. Observou o quarto. Era grande, branco e solitário. Onde estava? Não se lembrava deste quarto. Levantou-se de vagar e assim que desceu da cama, subiu em um banquinho para ver a paisagem fora da janela. Um jardim grande e bem arrumado. Olhou a porta do quarto e caminhou até esta. Ficou nas pontas dos pés para alcançar a maçaneta e, assim que a rodou, foi aberta e batida em seu pequeno rosto, machucando-o.

De novo? É imprestável mesmo!” Levi, caído ao chão, olhou aquela mulher aparentemente superior a si parada na porta, olhando-o como se fosse um pedaço de nada.

Cerrou os olhos, receoso. Isso tudo estava estranho. “Quem... É você?” indagou o menor a olhando curioso. Não estava reconhecendo nada, nem mesmo lembrava-se de seu próprio nome.

Como assim, ‘Quem sou eu’?” estalou a língua e logo bufou. “Garoto inútil. Imprestável. Vou te fazer lembrar-se de coisas que nunca mais vai esquecer. Senta ai na cama! Agora!!

O pequeno sentiu uma eletricidade estrondosa percorrer sobre sua espinha. Reconheceu esta sensação. Era aquele pavor que era provocado diariamente, mas que até agora não fora possível de se acostumar. Com o choque de pânico, correu e sentou-se na cama como foi mandado. Tinha sua cabeça cabisbaixa, mas seu olhar, medroso, estava grudado àquela mulher que pousava em sua frente, encarando-o enraivada.

Vamos ver se você se lembra das coisas.” O garotinho observou o lento e delicado movimento da mulher de retirar seus próprios sapatos de salto de seu pé. Um deixou ao chão e outro deixou na mão. “Saiba que, se você correr, se defender ou revidar, as coisas serão piores.” Um movimento brusco foi presenciado e, após arregalar os olhos, presenciou a impulsão de um sapato rasgando sua bochecha. Foi um movimento forte o suficiente para machucá-lo e voltar o rosto à cama, já que havia caído.

Estava assustado de mais para entender as coisas. Aquela mulher havia o agredido com um salto, aliás, em seu rosto. Olhou para baixo, aos lençóis brancos. O que era esse líquido vermelho escuro? Esse vermelho escarlate que passava a manchar mais e mais aquele branco que parecia estar sempre limpo. Lambeu os lábios percebendo um líquido viscoso de gosto metálico saindo sobre estes. Cerrou os dentes ao receber a dor que se fez presente à bochecha, ao local onde fora agredido.

Passou a língua sobre os dentes inferiores do lado direito. Estavam mais cobertos do líquido viscoso do que os outros. Assim que subiu o músculo bucal à bochecha agredida, gemeu de dor, percebendo que esta estava inchada.

Sente-se de novo, Levi.” arregalou os olhos. É mesmo... Seu nome era Levi. Este cômodo era seu quarto e... Sua mãe estava o mandando sentar. Assim que obedeceu, a mulher encostou o sapato ao queixo do garoto, levantando o olhar deste até si. “Você sabia que, por sua culpa, eu quase fui denunciada?” indagou com sua voz ríspida e seca, arrancando calafrios do garoto. “Sabe o que é ‘ser denunciada’?” o garoto gesticulou um ‘não’ com a cabeça. “É perder todo o encanto que levou anos para construir.” explicou ela franzindo as sobrancelhas. “E você, moleque, não vai tirar o meu.

Um novo movimento brusco foi presenciado. Dessa vez, a mulher não acertou o rosto do pequeno, e sim o braço destro, deixando este roxo e o garotinho ainda mais assustado. Não podia reagir de qualquer forma que poderia ser pior. Só de pensar no pior, Levi já se sentia desesperado, ainda mais.

Engoliu seco fechando os olhos. Estava ardendo, não quanto sua bochecha, mas estava. Um calafrio percorreu de seus pés até sua cabeça, trazendo-lhe uma onda de pânico enquanto se perguntava o que teria em seguida. Mas logo teve sua resposta:

Abrindo o guarda roupa do quarto e pegando um cinto antigo que tinha posto ali, Sophie caminhou até seu filho mostrando-o o quanto aquilo poderia ser um motivo para desesperar-se. Esticou a palma destra e a bateu com o cinto, fazendo alguns estrondos. Quando acabou, mostrou a mão avermelhada ao garoto que a olhou ainda mais assustado. “Vê isso, Levi?” sorriu ironicamente.“Vou fazer pior com você, seu besta!

E foi nesse momento que a violência virou o cotidiano do garoto. Sua vida passou a ser apanhar da mãe sem tem um concreto motivo, uma razão verdadeira. Além dos tapas, socos, chutes, qualquer tipo de agressão física, a mulher lhe dirigia também palavras ousadas, agressões verbais. E convivendo isso diariamente fez com que a graciosidade que restava ao olhar do garoto sumisse, assim como a vontade de continuar presente de alma, permanecendo então, somente o corpo, deixando sua alma “vaga” por ai, levando os sentimentos bons que restavam; deixando o desespero, o medo e o pânico para quando agredido e a tristeza, a dor e a solidão para quando estiver com o piano.

Apesar de tudo, Levi continuava o covarde de sempre, ‘O Pedaço de Nada’. Continuava silenciado, sem atos, continuava ali, sem vida, com um olhar vago. E os desejos?

Continuava sem nenhum.

Notas finais
Bom... Minhas justificativas são apenas o bloqueio, inúmeras fanfic's e falta de tempo. Apesar disso eu receberia comentários das pessoas que ainda sobraram por aqui? Agradeço imensamente quem fizer sua parte, fixarei mais minha visão para essa fic. Realmente, galera. Desculpe. Tentarei continuar o capítulo de "continuação" mesmo, se não conseguir, partirei para outro extra, seja fragmentos de memória de Levi, Eren, ou recompensas de recomendações. Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.