Why Can't We Be Friends?
1 I need a taxi
Eu preciso de um táxi.
Essa era a minha única certeza nesse momento. Eu realmente preciso de um táxi por mais que parte de mim não entenda ainda como funciona esse tipo de transporte. E essa falta de compreensão que aumenta a raiva que eu estou sentindo de Albus neste momento. Ele realmente precisava sumir no meio dessa multidão de pessoas sabendo que além de estarmos em um lugar onde eu não tinha permissão para estar, também não sabia exatamente como voltar para casa dele?
Suspirei pesadamente e arquei meu corpo para pegar o copo à minha frente. Ok, movimento um pouco mal calculado já que tudo a minha volta pareceu girar. Encostei minhas costas no sofá e fechei meus olhos enquanto jogava minha cabeça para trás. Eu só preciso de um táxi e não vomitar.
— Vai com calma, pequena doninha.
— Sério, Weasley? — perguntei ainda sentindo que as coisas à minha volta poderiam estar girando e, cansado demais para encarar Rose e seu comum sorriso sarcástico que parecia só dar as caras ao falar comigo.
— Se não aguenta, porque bebeu tanto? — a diversão tomava conta de sua voz e eu me concentrei em apenas manter meus pensamentos lineares.
— A sua noite está tão ruim que você precisa ficar aqui rindo de mim? — Tentei puxar o máximo de ar que meus pulmões aguentaram torcendo para que isso fizesse com que toda aquela sensação passasse, felizmente pareceu ajudar.
— Não — ela falou ainda em um tom divertido e senti algo gelado encostar em minha mão, abri os olhos e percebi o quanto ela estava próxima, com seus cabelos caindo quase sob o meu rosto, enquanto ela se curvava ainda em pé para falar comigo.
A cena seria mais bonita se o cheiro de morango dos cabelos dela não tivesse inundado o meu olfato fazendo o meu estômago embrulhar. Na verdade, era até agradável ter essa reação ao ter ela tão perto. Reparei então que o objeto frio que encostava em minha mão era uma garrafa de água que ela havia aberto e me entregava. Não me dei ao trabalho de agradecer, apenas virei em poucos goles percebendo que eu poderia facilmente ter saído do deserto tamanha era a minha sede. E ela voltou a rir, um riso divertido que era quase um milagre se tratando de Rose Weasley ao lado de alguém tão odioso quanto eu, Scorpius Malfoy era.
— Você ao menos viu para que lado Albus foi? — perguntou enquanto sentava em cima de uma perna ao meu lado no sofá. Acenei negativamente com a cabeça, recebendo um suspiro pesado dela — Ele é absurdo — comentou negando com a cabeça antes de retirar do decote de sua blusa um pequeno aparelho no qual ela passou a digitar apressadamente.
Sim, Rose tinha um aparelho trouxa de comunicação e por mais que eu normalmente ficasse fascinado com essa tal tecnologia, o meu corpo parecia ainda estar concentrado demais na forma como ela estava sentada, sobre uma de suas pernas fazendo com que a curta saia rosa ficasse mais justa em suas coxas e na forma como havia retirado com um pouco de esforço retirado o pequeno aparelho do decote da blusa brilhante que deixava mais do que eu estava acostumado a ver do seu busto à mostra.
Sacudi minha cabeça tentando me livrar daquela visão, sendo rapidamente assombrado pela visão do pai dela, que não escondeu o quanto não nutria nenhum tipo de afeição pela minha pessoa. Claro que eu nem precisava de fato pensar nele, ela por conta própria já fazia o trabalho de repelir qualquer proximidade que pudéssemos ter, mesmo eu sendo o melhor amigo do seu primo, que também era seu melhor amigo.
— Um absinto — sobressaltei ao ouvir sua voz falando em alto e bom tom, reparei então no barman ao seu lado e infelizmente, também na forma como o sorriso em seus lábios se demorou ao agradecer ele por atender ao seu pedido.
— Uma água — supliquei antes que o barman se afastasse e ele apenas concordou com um acenar de cabeça antes de voltar seu sorriso largo demais para Rose.
— Você está realmente tão mal assim? — ela perguntou voltando a sua atenção ao meu rosto.
— Não, apenas quero conseguir voltar para casa de Albus sem dar trabalho aos seus tios — respondi focando em manter meus olhos nos seus, vagando minimamente pelos adereços em seu pescoço e sem querer desviando para o seu decote.
— Tenha dó, Malfoy! — ela exclamou rindo alto e antes que eu percebesse seu dedo indicador tocou meu queixo o impulsionando para cima — Pare de olhar para os meus seios e fique tranquilo, você sabe que meus tios te amam e provavelmente iriam cuidar da sua ressaca antes de você voltar para casa dos seus pais — completou divertida e eu quase não acreditei que aquela fosse realmente Rose Weasley.
— Ok, você também já não passou dos limites? — perguntei endireitando meu corpo para que sentasse de frente para ela — Está sendo simpática e rindo comigo, isso provavelmente deve ser um estágio da bebedeira.
— Eu não estou rindo com você — ela falou rindo ainda mais — Estou rindo de você e do quão bêbado você deve estar para não parar de me olhar como se quisesse me beijar — completou arqueando as sobrancelhas. Fechei meus olhos enquanto negava com a cabeça e voltava a minha posição normal.
Ela não estava de todo errada, eu realmente queria beijar ela desde os meus doze anos? É, provavelmente. Mas essa era uma informação que Albus havia me jurado que ela não tinha e nunca teria. Rose Weasley era simplesmente a única paixão inalcançável que eu poderia ter. E eu nem ao menos sabia o porquê de nós não podermos pelo menos ser amigos.
Voltei minha atenção quando nossas bebidas chegaram, enquanto eu já começava a beber minha garrafa de água, acompanhei então enquanto o barman do sorriso largo demais colocava o pequeno copo na mão de Rose e passava a acender o mesmo para em sequência tampar com a mão. Nós não estávamos em um bar trouxa? Reparando a interrogação que provavelmente se formava em meu rosto, Rose voltou ao seu novo hábito da noite, rir da minha cara. E quando o barman devolveu o copo a sua mão a mesma virou o líquido de uma só vez.
— Não é mágica — comentou aproximando seu rosto do meu ainda com os olhos fechados após virar a bebida — Mas é tão divertido como se fosse — riu novamente e eu realmente já começava a me preocupar com esse riso recorrente. Ele sem dúvidas aumentava a minha vontade de simplesmente beijar ela enquanto seus olhos ainda fechados se afastaram levemente de mim, levando com esse movimento o cheiro de morango de volta a mim. Dei mais um gole em minha água buscando silenciar esses pensamentos.
— Você vai ficar sentado aí a noite toda mesmo?
— Até Albus voltar? Provavelmente — assumi finalizando com mais aquela garrafa de água e percebendo que talvez eu falhasse — Ok, preciso ir ao banheiro — eu assumi e ela pareceu entender que aquilo era um pedido já que prontamente se levantou e passou a minha frente me guiando.
Quando chegamos perto da multidão que nos distanciava do destino que eu tanto almejava a essa altura, Rose segurou minha mão e a grudou em suas costas, perto demais de sua bunda, enquanto continuava à minha frente me guiando. Eu já conseguia ver a descrição luminosa do banheiro quando sem que eu percebesse Rose parou de andar e isso fez com que meu corpo encontrasse com o dela, e instintivamente minha mão livre foi até sua cintura. Eu queria ter pedido desculpa, mas no momento quando ela se virou, com o sorriso zombeteiro da noite, de frente pra mim, infelizmente o meu eu de doze anos assumiu o controle do meu corpo.
A puxei para mais perto com a minha mão que estava em sua cintura e soltei a outra que estava presa pela dela, provavelmente pelo choque do momento, Rose apenas aceitou a minha aproximação e quando meu rosto estava perto o suficiente do dela senti a razão voltar ao meu corpo e aparentemente fugir do dela já que a mesma usou sua mão recém liberta da minha para puxar minha nuca trazendo meus lábios de encontro ao seu.
O beijo tinha um gosto doce, provavelmente por culpa daquela bebida azul que ela havia tomado, e diferente dessa doçura em seus lábios, as mãos de Rose pareceram bem empenhadas em manter o meu rosto bem próximo ao seu enquanto aprofundava mais o beijo e também bagunçava mais o meu cabelo. Aproveitei minha mão em sua cintura e aproximei ainda mais o seu corpo do meu enquanto minha outra mão caminhava pelas suas costas tentando alcançar sua nuca.
— Eu também preciso ir ao banheiro — ela falou abruptamente, voltando a rir e soltando seus dedos do meu cabelo — Tipo, agora! — exclamou e ainda sem saber bem o que fazer afastei nossos corpos. Seus olhos verdes analisaram meu rosto enquanto seus lábios se torceram em um bico para depois voltarem a ser o sorriso usual daquela noite. Antes de voltarmos a andar ela selou nossos lábios e segurou novamente minha mão em suas costas, dessa vez um pouco mais próximo a sua bunda, fazendo com que um sorriso idiota brincasse em meus lábios.
Nos afastamos sem cerimônias ao chegar aos banheiros. E quando eu voltei ao local onde ela havia me deixado fui recebido por um abraço. Abraço esse que sem dúvidas não era dela, mas sim de um Albus mais embriagado do que eu imaginava estar preparado para aguentar.
— Você me achou! — ele exclamou sorrindo e apertando ainda mais seus braços em volta do meu corpo — Eu achei que você nunca iria me achar! — sua voz apesar de animada saiu abafada enquanto ele afundava o rosto em minhas costas — Você é tão cheiroso Scorp…
— Sério, Albus? — Rose tirou as palavras da minha boca e assim que a avistei, parada abaixo do letreiro que dizia beba os seus medos em roxo, eu me questionei seriamente como ela conseguia ficar mais bonita a cada minuto.
— Rose! — meu embriagado melhor amigo resolveu correr com seus braços abertos até sua prima — Vocês dois são incríveis — ele pausou fazendo um sinal de atenção com a mão — Incríveis não, — aproveitou a nova pausa para me puxar pela mão — Vocês são maravilhosos e eu amo vocês! — e assim ele nos amassou em um desastroso abraço.
— Eu que te amo — Rose enquanto tentava tirar seu corpo daquele aperto — E vou te amar mais ainda quando você estiver sentado e tomando água — completou empurrando o meu peito para que eu também saísse do aperto.
— Como você consegue gostar dela? — Albus perguntou virando para mim e nesse momento todo o álcool se esvaiu do meu corpo e eu senti as palavras fugirem da minha boca enquanto tentava falar qualquer coisa que fosse — Ela é tão mandona — o meu ex melhor amigo seguiu falando enquanto suspirava pesadamente e se virava para Rose — Mandona e mentirosa porque eu sei que você não me ama você só ama o…
Antes que a desastrosa frase terminasse e sem dúvidas castigasse o restante do meu coração, que havia sobrevivido ao choque da primeira frase de Albus, Rose o alcançou e tapou sua boca enquanto simultaneamente beijava sua bochecha. Decidi aproveitar a deixa e tomar a frente dos dois, puxando Albus pela mão enquanto começava a caminhar por entre as pessoas que dançavam animadamente à nossa frente.
Albus insistia em levantar minha mão que segurava em uma tentativa desajeitada de dançar ao som da música que tomava conta do ambiente e isso fazia com que eu quase esquecesse do que ele havia falado a poucos minutos arrancando pequenos risos de mim.
— Cadê a Rose? — ele perguntou quando já estávamos quase chegando ao sofá que antes eu protagonizava meu momento de embriaguez, e que me lembrava que eu talvez devesse ter pego um táxi naquela hora.
Varri meus olhos pelo local encontrando Rose embalada ao som da música com a cabeça levemente inclinada para cima enquanto sorria abertamente.
— Você ainda tá muito na dela — Albus comentou rindo ao meu lado, provavelmente pela forma abobalhada que eu olhava para ela.
— Você tem noção do que você falou agora pouco? — perguntei sério encarando o rosto risonho do meu talvez ainda melhor amigo.
— Que você tá muito na dela? — sua expressão declarava a confusão em sua mente e me dei por vencido aceitando que a nossa briga teria que ficar para outro momento — Sério, você parece aquele garoto que ficava suspirando enquanto desenhava ela nos pergaminhos — ele riu e eu me vi obrigado a acompanhar por mais vergonhoso que fosse. Talvez eu ainda fosse apaixonado por ela a ponto de voltar a desenhar seu rosto nos meus pergaminhos de anotações.
— Você é um péssimo amigo, Albus — declarei segurando seus ombros enquanto o sentava no sofá.
— Rose o Scorp está falando que eu sou péssimo amigo! — ele exclamou chorão e senti a mão, possivelmente da ruiva, alcançar minhas costas enquanto sua risada soava perto demais do meu ouvido.
— E desde quando o que o Scorpius fala vale de alguma coisa? — ela perguntou divertida enquanto entregava uma garrafa de água para o primo, que agora era quem protagoniza a mesma cena que eu há alguns minutos, porém ele tinha de brinde eu também arqueado sobre o seu corpo.
— Eu amo vocês dois, sabe? — ele falou já fechando os olhos e repousando a cabeça no encosto do sofá enquanto bebia calmamente a água em sua mão — Mas vocês deveriam estar se beijando…
Aproveitei a deixa para me afastar dos dois enquanto um riso nervoso escapava dos meus lábios, quando voltei a olhar para Rose ela maneou a cabeça negativamente enquanto deslizava uma de suas mãos de forma carinhosa pelo rosto do meu melhor amigo.
— E você deveria ficar quietinho e tomar toda essa água.
Quando Albus concordou com um acenar de sua cabeça e seguiu bebendo a água em sua mão, Rose endireitou o seu corpo passando então a me encarar enquanto tentava sem muito sucesso reprimir um sorriso.
— Você — começou apontando para mim enquanto se aproximava — O meu tio sem dúvidas cuidaria se encontrasse bêbado — seu dedo encostou em meu peito — Mas aquele ali — passou então a apontar para o primo — Sem dúvidas vai ter sorte se ouvir apenas um sermão — completou divertida ainda olhando para ele.
— Seu tio não seria tão drástico com Albus — respondi desejando poder deslizar minha mão apenas pela cintura dela mais uma vez e aproximar ainda mais nossos corpos.
— Ah — ela começou divertida enquanto endireitou sua postura ficando com sua atenção em mim — Tio Harry é muito bom em demonstrar desaprovação — completou arqueando uma das sobrancelhas — Tão bom quanto meu pai quando o assunto é o jovem Malfoy — um sorriso malicioso brincou em seus lábios.
— E é por isso que nós não somos amigos? — perguntei e sem que eu ao menos pudesse controlar minha mão atendeu ao meu desejo deslizando pela cintura de Rose.
— Não — seus dedos brincaram pela gola da minha camisa — Nós não podemos ser amigos por outros motivos — completou me puxando para ficar a poucos milímetros do seu rosto.
Senti seu hálito quente alcançar minha boca enquanto um sorriso dançava em meus lábios. Eu nunca quis mesmo ser amigo dela.
Selei nossos lábios e senti seus dedos deslizarem da gola da minha camisa para o meu pescoço, enquanto o beijo voltava ao ponto onde havia parado há alguns minutos. Mas antes que eu pudesse aproveitar verdadeiramente o momento ela se afastou declarando que amava aquela música e me puxando pela mão para adentrar a multidão que custosamente havíamos atravessado duas vezes na noite de hoje.
— Porque não podemos ser amigos, sério? — perguntei divertido enquanto ela mexia o seu corpo ao ritmo da música.
— Pode chamar de sua música, doninha — comentou rindo enquanto voltava a segurar a gola da minha camisa.
— Nossa já que é você quem deveria me responder — comentei aproximando nossos corpos e um sorriso malicioso brotou em seus lábios enquanto ela deslizava com sua mão livre a minha de sua cintura para sua bunda.
— Você não quer ser meu amigo — falou calmamente com a boca próxima ao meu ouvido.
— E quem bebeu os meus medos sem dúvidas foi o seu primo — comentei rindo enquanto a puxava para mais perto do meu corpo.
— O seu medo era Albus me falar sobre o tombo que você tem por mim? — Ela afastou seu rosto do meu sem descolar nossos corpos e me encarou com diversão.
— Ele já tinha falado isso antes, não é? — perguntei derrotado e recebi como resposta um aceno de sim com a cabeça de Rose — Eu espero que seu tio seja muito cruel com ele — confessei sério ganhando uma gargalhada alta dela.
— Você é mal, Malfoy — seu rosto voltou a se aproximar do meu e aproveitei para encerrar aquela divertida, ao mesmo tempo que vergonhosa, conversa voltando a beijar os lábios que pareciam implorar pelos meus.
Nossas bocas pareciam igualmente sedentas para consumir uma a outra enquanto minhas mãos não pareciam querer desgrudar um segundo que fosse do seu corpo. Eu queria poder decorar cada curva daquele corpo antes que a sobriedade a atingisse e ela resolvesse apenas voltar a me ignorar como sempre fez. Felizmente não eram apenas as minhas mãos animadas com os caminhos que poderiam traçar, já que Rose intercalava entre o meu cabelo, ombros e peito enquanto me beijava.
— É injusto você ser tão ruim em quadribol sendo tão gostoso — ela comentou enquanto traçava um caminho de beijos e mordidas pelo meu pescoço e apesar do tesão isso me fez rir.
— Então você estava me vendo jogar, Rose? — perguntei divertido enquanto ela fazia o caminho de volta do meu pescoço até a minha bochecha.
— Estava vendo o meu primo — ela riu ao morder minha bochecha e voltou aos meus lábios.
— Felizmente você é tão gostosa quanto boa apanhadora — comentei com meus lábios colados no dela enquanto apertava sua bunda aproveitando para colocar o seu corpo ainda mais no meu — E sim, eu estava te vendo jogar — ela riu antes de voltar a atacar meus lábios e meu cabelo com a mesma intensidade.
— Nós realmente não podemos ser amigos — ela comentou quando a música já beirava chegar ao fim e eu ri, por mais que pensar nessa frase não fosse algo que me divertisse.
Nós realmente não poderíamos ser pelo menos amigos depois disso?
Eu me sentia estranhamente sóbrio desde o momento no qual Albus declarou a plenos pulmões a minha paixão adolescente por Rose, mas eu sabia que o mesmo não acontecia com ela já que ela continuava a me beijar com uma urgência quase sobre humana enquanto comentava coisas como eu ser gostoso. Mas eu realmente gostaria que após a sobriedade voltar ao corpo dela ela ao menos me visse como um potencial amigo. Amizade com benefício? De preferência.
Mas ela provavelmente só voltaria a ser a Rose Weasley que por influência do primo convivia comigo em seu grupo de amigos em Hogwarts e ocasionalmente encontrava em uma das saídas pelo mundo trouxa que seu primo tanto gostava de ter.
— Precisamos ver o meu primo — sua voz saiu um pouco desanimada enquanto pausava o beijo.
— Precisamos? — perguntei mantendo meu aperto em suas costas — Ele não é exatamente a minha pessoa preferida no momento… — comentei fazendo ela rir e voltar a protagonizar o sorriso malicioso que já estava caminhando para se tornar o meu preferido.
— E quem é a sua pessoa preferida no momento, Scorp? — o tom malicioso alcançou sua voz de forma quase exagerada ao falar o meu apelido que eu não lembrava de um dia antes ter ouvido ela falar.
— Rose Weasley você definitivamente fala demais — exasperei antes de voltar a beijar ela que soltou um riso abafado pelo beijo.
— Sério, vamos ver logo o Albus! — suas mãos afastaram meu corpo do seu e com a derrota estampada em meu rosto acompanhei seus passos, dessa vez com minha mão deslizando do seu aperto, que tentava manter em suas costas, por sua bunda e que consequentemente me fazia receber olhares divertidamente maliciosos dela.
— Eu quero um táxi — Albus protagonizou a minha frase assim que nos aproximamos.
— Você está melhor? — Perguntei parando a sua frente enquanto Rose sentava um pouco afastada do primo no sofá.
— Não — falou voltando a cabeça para o encosto do sofá — Eu quero ir embora — meu melhor amigo choramingou enquanto fechava novamente os olhos. Sentei do seu lado para examinar melhor a situação.
— Você sabe que se chegar assim na sua casa seu pai não será nada legal com você pelas próximas semanas, certo? — Rose se inclinou sobre mim enquanto falava com o primo e para isso, apoiou uma de suas mãos em minha coxa. Eu realmente precisava ir embora com Albus?
— Nada pode ser pior do que o gosto que eu estou sentido na minha boca — foi impossível não rir com a careta que Albus protagonizava. Mas o meu riso não durou muito já que a mão que antes estava na minha coxa começou a traçar um caminho muito sinuoso em direção a minha virilha.
Encarei Rose de canto de olho e vi o sorriso malicioso dela ganhar vida, depositei minha mão em seu joelho e fui repreendido pelo seu olhar, mas ela ainda sim continuou deslizando delicadamente sua mão entre a minha coxa e virilha. Sério? — Perguntei silenciosamente apenas movendo meus lábios e a resposta dela veio com uma rápida mordida em meu pescoço.
Eu realmente não queria ser amigo de Rose Weasley. Eu definitivamente não conseguiria ser amigo dela, não depois de tudo o que passou pela minha cabeça com essa mordida. Inclinei meu corpo para a frente, apoiando meus cotovelos em meus joelhos enquanto Rose parecia entender isso como um passe livre para me torturar já que ela aproveitou a posição para intensificar as carícias e voltou a mordiscar meu pescoço.
— Sério — Albus voltou a falar fazendo com que nós dois sobressaltassemos — Rose você está bem para ir embora sozinha? — ele perguntou olhando para a prima como se eu não estivesse ali entre os dois.
— Maravilhosamente bem — ela respondeu com firmeza enquanto apertava minha coxa bem próximo a minha virilha.
— Vamos então, Scorp? — Albus voltou sua atenção para mim.
— Você não vem, Rose? — perguntei encarando a ruiva ao meu lado que voltava a sorrir maliciosamente encostada no sofá, ciente de que meu corpo protegia o seu rosto do seu primo. Arqueei uma sobrancelha enquanto o sorriso em seus lábios aumentava e sua mão voltava a caminhar pela minha virilha.
— Pode ser — respondeu simplesmente se levantando como se nada tivesse acontecido. Suspirei pesadamente e levantei colocando rapidamente uma das minhas mãos em meu bolso.
Pegamos nossos casacos e enquanto esperávamos o segurança nos liberar, senti as mãos de Rose entrelaçadas nas minhas na escuridão e me puxarem para o lado oposto do seu primo. Que pela falta de iluminação do espaço enquanto a porta estava fechada provavelmente só daria falta da gente quando já estivesse na rua.
— Droga, Rose — murmurei entre o beijo — Você é bonita demais para eu te beijar aqui — completei percorrendo com minhas mãos a lateral do seu corpo demorando na curva de seus seios, que felizmente a blusa justa delineava tão bem.
Ela apenas riu e em sequência arfou baixinho quando uma de minhas mãos alcançou seu seio e a sua mão por sua vez buscava alcançar novamente a minha virilha. Mas antes que aquilo ficasse completamente fora de controle, um dos seguranças autoritariamente nos convidou a sair dali.
— O que aconteceu? — Albus perguntou assim que nos viu e eu sinceramente havia esquecido do meu amigo, o que era quase um crime dado o estado lastimável que ele se encontrava.
— O segurança se atrapalhou — Rose falou prontamente ainda com uma de suas mãos entrelaçada na minha de forma discreta quase que camuflada pelo seu corpo a frente do meu e claro, pelo largo sobretudo aberto que ela usava.
— Você vai para casa ou vai com a gente? — meu amigo perguntou enquanto falava com um homem que estava na porta e pelo pouco que eu entendia era o responsável por conseguir o tal táxi.
— Para a minha — Rose respondeu e logo voltou a me olhar com um sorriso triste no rosto — Almoço amanhã com a nova namorada do Hugo — completou em alto tom para que Albus ouvisse já que seu rosto seguia me encarando. Eu poderia simplesmente beijar ela na frente de Albus, não?
Assim que Albus voltou a caminhar em nossa direção Rose soltou minha mão mas manteve seu corpo próximo ao meu um pouco a frente, sendo assim possível que eu mantivesse minha mão alisando sua bunda enquanto ela comentava sobre amenidades com Albus que constantemente fechava os olhos como se buscasse sobriedade nesse ato.
Quando o táxi chegou, meu amigo não demorou em se despedir da sua prima e já foi sentando no banco de trás do carro deixando a porta aberta para que eu entrasse.
— Ainda não podemos ser amigos? — perguntei segurando a porta enquanto Rose continuava parada na calçada. Um sorriso divertido tomou conta dos seus lábios enquanto ela se aproximava da porta que agora separava nossos corpos.
— Eu não quero ser só sua amiga, Malfoy — assim que meu nome saiu, melodicamente dos seus lábios, ela selou os seus no meu e com um risinho divertido me empurrou para dentro do carro fechando em sequência a porta.
Antes que eu pudesse responder o táxi começou a corrida me permitindo apenas encarar a ruiva que agora caminhava para o seu táxi. Encostei completamente no banco sorrindo ainda sem reação ou ciência se a última frase dela havia sido real e só então percebi que meu querido melhor amigo dormia pesadamente ao meu lado.
Felizmente antes que eu suspeitasse do meu grau de alcoolismo naquela noite e da minha capacidade de fantasiar de olhos abertos, uma Rose Weasley apareceu na casa do seu tio após o almoço daquele domingo com uma desculpa qualquer de ver como o primo estava e aproveitou para confirmar a veracidade dos fatos da última noite voltando a me deixar sem ar pelos corredores da casa dos Potters.
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