Notas iniciais
Boa Leitura.

Bati na porta e esperei. Quem abriu a porta foi o pai dela.

– Vejamos... quem é você mocinha? — Ele disse com um ar de desconfiado pra mim.

– Er... — não pude evitar ficar nervosa — Meu nome é Demi e eu tenho um encontro com a sua filha.

– Hm. — Agora pude ver uma mulher que parecia ser a mãe da Miley, se aproximando.

– Querido? Quem é? — Ela indagou. — Ah! É o encontro da Miley, pode entrar querida.

– Obrigada. — Entrei timidamente, tentando não olhar pro pai dela que me encarava.

– Então, o que você faz da vida? — Ele me perguntou e eu virei pra ele.

– Eu estudo.

– E como você vai sustentar a minha filha?

– Billy! Cala a boca, elas tem 17 anos. — A mãe de Miley me poupou da pergunta. — Ah! Aí vem ela. — Olhei pra escada e Miley descia, absolutamente linda, com um vestido preto e simples, nada muito exagerado, e usava seus cabelos soltos e naturais. Ela sorriu ao me ver na porta.

– Vamos? — Perguntei quando ela se aproximou estendendo minha mão para ela segurar.

– Vamos! — Ela segurou a minha mão e andamos até o meu carro. Abri a porta pra ela. Ela agradeceu e eu entrei no carro.

Fomos até um restaurante italiano próximo a praia. Eu tinha reservado a melhor mesa da casa para nós duas, era num lugar fechado, que ninguém poderia nos incomodar. Entramos e eu, sem esquecer do cavalheirismo, puxei a cadeira dela. Já sentados, chamamos o garçom.

– Eu vou querer um Capeletti de carne com molho de tomate. — Ela pediu fazendo força para entender a palavra "Capeletti". — Demi? — Ela perguntou pra mim.

– São dois Capelettis então. — Respondi para o garçom

Enquanto a comida não chegava, ficamos conversando sobre assuntos variados e beliscando palitinhos de queijo da cesta de pães. A luz no ambiente era fraca e mandei colocar flores e velas na mesa, o que realçava a beleza dela. Contei piadas só pra ouvir a risada rouca e rápida dela. Era bem engraçada, mas me arrepiava toda.

Nós comemos devagar, entre conversas e mais piadas. Quando terminamos, dois homens com vestes italianas se aproximavam da mesa. O mais alto estava de mãos vazias e o outro, baixinho, carregava uma espécie de acordeão. Miley ficou olhando, meio espantada, meio risonha. O baixinho começou a tocar o acordeão e o alto começou a cantar uma música meio ópera-romântica. Eu me sentia numa cena da Dama e o Vagabundo. Miley ria demais. Mas depois que eles foram embora, ela ficou quieta.

– Miley, o que houve? Você não gostou? — Perguntei curiosa.

– Não, quer dizer, é claro. É que ninguém nunca fez isso pra mim. — Ela falou ainda séria. Eu apenas a observava. — Isso foi incrível Demi. De verdade. Tudo isso, esse jantar, essa mordomia. Obrigada, Demi. — Agora ela transparecia um sorriso. — Agora vem comigo! — Ela me puxou pela mão e começou a correr até a porta da frente. Nós estavamos saindo sem pagar. Paramos no outro lado da rua, logo na entrada do píer, na praia. Um garçom saiu correndo pela porta para correr atrás da gente. Eu não vi, pois estava com a cabeça baixa, ofegante. — CORRE! — Ela gritou e saiu correndo sem mim.

– Ahn? — Balbuciei, olhando pra frente. O garçom tinha me achado. Então, comecei a correr como diabo fugindo da cruz. Acho que nunca corri tanto na minha vida. Olhei pra trás e percebi que ele tinha desistido.

– Ok — Disse ofegante quando alcancei ela umas 2 quadras depois, ainda em frente a praia. — Me explica de novo, porque fizemos isso?

– Demi, você não acha que esse encontro teria sido completamente chato, se tívessemos pago a conta e saído normalmente? — Miley disse rindo e mexendo no cabelo bagunçado.

– É, pensando por esse lado. — Concordei

– É que, sei lá, adoro romantismo e tal, mas eu gosto mais ainda quando acompanhado de uma aventura.

– Você é louca. — Brinquei. Ela riu instantaneamente. — Aonde vamos?

– Tá quente. Você não acha? — Ela disse se abanando, enquanto descia as escadas de acesso a praia.

– Er... claro. — Concordei nervosa. Ao chegar na areia, Miley voltou a correr, agora em direção ao mar. — Miley, o que você tá fazendo? Miley?

– Relaxa, bobinha! — Ela gritou, agora dentro do mar. — A água tá ótima. — Resolvi me arriscar e corri até a água. Já do lado dela, com a água até o peito, perguntei.

– Todos os seus encontros são assim?

– Só os especiais.

– E quais são especiais? — Perguntei curiosa.

– Os que são com caras ou garotas especiais. — Ela disse rindo.

– Eu sou uma garota especial?

– Talvez. — Ela disse com um ar misterioso, segurou a minha mão e me puxou para a areia. Quando chegamos na areia, pensei que ela fosse soltar a minha mão, mas não. Ela continuou segurando, bem forte, como se confiasse em mim. Ficamos andando de mãos dadas, conversando, rindo. Quando chegamos debaixo do píer, paramos. Fiquei de frente pra ela, contemplando os lindos olhos dela. Estava tocando Better Together, do Jack Johnson, em algum lugar do píer. A música não estava muito alta, não pra gente, mas dava pra ouvir sem prestar muita atenção. Segurei as mãos dela e aproximei minha cabeça para beijá-la. Fiquei parada a 2 centímetros da boca dela, esperando a reação dela. Se ela ficasse parada, eu podia beijá-la, se não, continuaríamos andando. Ela ficou imóvel. Me aproximei e beijei seus doces lábios com muita vontade. Ela entrelaçou seus braços no meu pescoço e eu segurei na cintura dela. Aos poucos, permiti que as nossas línguas se tocassem num beijo bem lento e suave. Mantive o ritmo e ela apoiou sua mão na minha cabeça, mexendo devagar no meu cabelo, me fazendo ficar toda arrepiada. Uma das minhas mãos estava na cintura dela e a outra nas costas dela, acariciando levemente.

Não percebemos quando a música acabou e continuamos nos beijando. Provavelmente teríamos continuado por muito tempo se gotas fortes de água bem gelada não tivessem caído sob nós. Nos afastamos assustadas e depois começamos a rir. Segurei a mão dela e voltamos a andar.

– Eu nunca ia imaginar que você beija tão mal. — Ela brincou.

– Peraí, preciso ir pra casa, escovar os dentes. — Brinquei de volta.

– Engraçadinha. — Ela riu

– Engraçadinha. — Eu disse.

Continuamos conversando, andando, contando piadas e rindo bastante. Depois, subimos para a rua e fomos ao píer. Comprei dois sorvetes e dei um pra ela.

– Baunilha, meu favorito! — Ela falou com cara de gulosa. Depois que ela pegou o sorvete, não resisti e dei um empurrãozinho leve no sorvete, sujando a pontinha do nariz dela. — Golpe baixo. — Ela disse sorridente.

– Calma, eu limpo. — Dei um beijo leve no nariz dela. Quando parei, ela empurrou o sorvete, sujando metade da minha boca. Ela me deu um selinho prolongado.

Ficamos tomando sorvete, apoiadas na grade e conversando sobre o futuro. Miley me confessou que ela queria ser fotógrafa, já tinha comprado uma câmera profissional e treinava bastante pra ser uma fotógrafa de sucesso e eu falei pra ela sobre o meu sonho de ser uma escritora de sucesso. Andamos mais um pouco pelo Píer e fomos embora. Parei o carro em frente a casa dela e saí para acompanha-la até a porta. Paramos uma de frente pra outra em frente a porta.

– Então... tchau. — Ela disse tímida, dando um sorrisinho simpático. Ela se virou e encostou na maçaneta.

– Espera! — Falei rapidamente. Ela voltou-se para mim. — Então... eu te ligo?

– Claro. — Ela concordou sussurrando. Me aproximei dela e a beijei suavemente. Fomos interrompidas pela porta abrindo. Paramos o beijo e olhamos para o lado. O pai dela estava parado na porta. Ele deu uma tossidinha e Miley entrou em casa. Ele fechou a porta na minha cara e eu nem liguei, eu beijei a filha dele mesmo... HAHA!

Entrei no meu carro e fui para minha casa.