Whole Lotta Love
19 Escola
Notas iniciais
“Papaaaaaaii”
Castle havia saído um minuto da sala e já ouvia Johanna chamando por ele. As crianças haviam falado “mamãe” primeiro, mas agora, se ganhasse 1 dólar por cada “papai” que ouvisse, já teria comprado umas 10 casas nos Hamptons.
Castle: Que foi princesa?
Johanna: O Alex jogou o Fluffy lá em cima – ela falou chorosa, apontando para o alto da estante.
Fluffy era um urso que Johanna não largava um só minuto.
Castle: Alexander, por que você fez isso? – ele falou bravo.
Alexander: Porque ela chutou meu caminhão – ele apontou para o caminhão, que estava do outro lado da sala.
Castle olhou para a filha, que o encarou emburrada, com os braços cruzados. Johanna tinha seus olhos azuis, mas o olhar bravo de Det. Beckett. Não era nem de Kate, era o olhar da detetive mesmo.
Castle: Por que você fez isso, Jo?
Johanna: Porque ele falou que o Fluffy é feio – ela fez um bico.
Castle: O Fluffy não é feio – Castle disse olhando para o filho.
Alexander: É sim.
Johanna: Não é não!
Alexander: É sim.
Johanna: Não é não!
Johanna abriu o choro. Castle pegou o urso e entregou a filha.
Castle: Toma, meu amor, não precisa chorar. Ele é lindo.
Johanna: Obrigada, papai.
Castle: Por que você implica com o urso dela? – ele pegou Alexander.
Alexander: O Capitão América é bem maior e mais legal.
Castle: Concordo – ele falou baixo – mas meninas têm gosto diferente.
Alexander: Elas têm brinquedos estranhos. Olha aquela boneca que feia.
Castle: Tudo bem você achar a boneca feia, filhão, só não irrita sua irmã com isso, ta?
Alexander: Ta.
Kate: Oi meus amores – ela disse abrindo a porta.
“Mamãe!” – os dois correram em sua direção.
Kate abraçou as crianças, que já tinham pouco mais de dois anos, e olhou a quantidade de brinquedos espalhada pela sala. Os dois se soltaram dela e correram de volta para seus interesses.
Kate: Oi amor – ela beijou Castle.
Castle: Se você chegasse 5 minutos antes teria presenciado a Terceira Guerra Mundial.
Kate: Eles estão te enlouquecendo? – ela perguntou apreensiva.
Castle: Claro que não, amor.
Alexander: Papaaaaaaaaaaaaaii.
Castle respirou fundo.
Kate: Amanhã, Rick.
Castle: Amanhã o que?
Kate: Vamos ver uma escola amanhã.
Castle: Obrigado. – ele fez uma cara divertida, e Kate o abraçou. Castle era o pai perfeito, amava as crianças e se dedicava muito a elas. Mas já estava na hora dele retornar suas atividades, e também dos gêmeos conviverem com outras crianças.
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Uma semana depois...
Kate: Rick, para de me olhar assim, você está me deixando aflita!
Castle: Mais aflita, você quer dizer.
Os dois se encararam.
Kate: Você acha que eles estão bem?
Castle: Será que devemos ligar?
Ryan: Claro que não – Ryan se intrometeu.
Kate: Ryan, como foi o primeiro dia de Sarah na escola?
Ryan: Chorou o tempo todo.
Kate e Castle se olharam.
Ryan: Mas a professora disse que é normal, a criança precisa de um tempo para se adaptar. Podem ficar tranquilos, se for algo que eles não consigam controlar, vão ligar para vocês.
Kate e Castle tentaram não falar mais sobre o assunto, mas ambos estavam preocupados. O máximo de crianças que os gêmeos conviviam era Sarah Grace e Juan Carlos, o filho de Lanie e Espo, que tinha completado 1 ano.
No fim do dia...
Os dois chegaram na escola e foram recepcionados pela diretora, sendo levados à sala dela.
Diretora: Apreensivos, não?
Kate: Sim.
Diretora: É normal, todos ficam.
Castle: E então, como eles ficaram?
Diretora: Alexander se saiu um pouco melhor, ele é mais expansivo, interagiu mais com outras crianças. Johanna chorou um pouco quando o irmão a deixou para brincar com outros meninos. As meninas da sala tentaram brincar com ela, mas ela recuou um pouco. Cedeu apenas no fim do dia.
Kate sentia o coração apertado.
Diretora: Mas eu quero ressaltar que isso é absolutamente normal. Gêmeos têm mesmo uma ligação forte. Os dois se saíram muito bem, em muitos casos as crianças não passam o período, e eles conseguiram.
Castle: Que bom – ele disse aliviado, e segurou a mão de Kate.
Kate: É, Sra. Sullivan, nós queremos ressaltar que as crianças devem ser entregues só a mim, meu esposo, Martha e Alexis, que são a avó deles e a irmã mais velha.
Castle: Nós fizemos uma ficha delas com os dados e uma foto.
Diretora: Sim, sim, eu me lembro. Vocês podem ficar seguros quanto a isso, nosso colégio tem um rigoroso sistema. Ninguém entra sem ser anunciado, e as crianças só são entregues mesmo ao responsável.
Kate: Nós agradecemos.
Diretora: E então, vamos buscá-los?
Kate abriu um sorriso. Os dois se levantaram e seguiram com a diretora por um corredor, que dava em uma sala toda colorida, ainda com algumas crianças entretidas com brinquedos. Parte dos alunos já havia ido embora.
Quando apareceram na porta, a professora chamou Alexander e Johanna, que estavam também brincando. Assim que viram os pais, as crianças correram até eles, cada um abraçando um, e depois trocando.
A diretora sorriu e saiu, deixando os quatro ali.
Johanna: Nós vamos pra casa, mamãe? – havia euforia na voz da menina.
Kate: Sim, meu amor, nós vamos.
Castle: Vocês gostaram de passar o dia aqui?
Alexander: Sim, tem outros meninos, nós brincamos de monstros, papai.
Castle: É mesmo?
Johanna: Eu não gostei – a menina emburrou.
Kate: Por que, princesa?
Johanna: Não tem o papai.
Castle: Vem cá meu amor – Castle abraçou a filha – lembra que nós combinamos que vocês ficariam aqui só um tempo por dia?
Ela fez que sim.
Castle: Então. Nesse tempo vocês vão fazer amiguinhos, aprender coisas novas...
Alexander: Desenhar.
Castle: Isso, desenhar. Mas será só um tempinho por dia, bem pequeninho – ele mostrou com os dedos – depois eu e a mamãe buscamos vocês de volta e vamos para nossa casa.
Kate: Tudo bem?
Johanna não respondeu, só se soltou dos braços do pai e escalou o colo da mãe. Os quatro foram pra casa.
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À noite...
Kate: Ela não gostou, Rick...
Castle: Amor, foi só o primeiro dia. Ela vai se acostumar.
Kate olhou para os filhos, que assistiam um dvd de músicas infantis, bem ensonados. Quando foram pegá-los, Johanna grudou no pai, e Alexander disse à mãe que queria dormir com eles. O casal assentiu, e as crianças ficaram entre os dois na cama. Era tudo muito novo, novas experiências estavam surgindo, e eles precisavam saber que os pais estariam ali por eles, sempre.
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Kate: Ele fez o que?
Castle: Empurrou um garoto da sala.
Kate: Por que?
Castle: Ele não quis falar para a professora, e ela sugeriu que perguntássemos.
Kate: Ok.
Castle chamou Alexander, enquanto Alexis entretinha Johanna no quarto.
Kate: Alex, vem cá.
Os dois sentaram-se no sofá e o menino ficou em frente a eles.
Kate: Você empurrou um coleguinha na escola hoje?
Ele fez que sim.
Kate: Por que você fez isso?
Alexander: Porque ele falou que a Jo era namorada dele.
Castle: O que??
Castle se levantou exaltado, e o menino se assustou.
Castle: Quem é esse garoto?
Kate: Castle!
Castle: Você ouviu isso?
Kate: Ouvi, e senta aqui, Rick – ela o puxou – Filho, você não pode empurrar outra criança.
Alexander: O papai falou que eu tenho que proteger a Jo.
Castle: E tem mesmo. Estou muito orgulhoso de você, filho.
Kate: Castle, para! Alex, proteger sua irmã não quer dizer que você tenha que bater em alguém.
Castle: Às vezes isso será necessário...
Kate o repreendeu com o olhar. O garoto estava confuso.
Kate: Você tem que cuidar dela, mas não brigar com outros garotos, tudo bem? O que ele disse não é verdade.
Alexander: Eu não quero que a Jo namore.
Castle: Nem eu.
Kate não sabia com quem lidava primeiro, com o filho, que só tinha 3 anos, ou com o marido, que não tinha muito mais que isso também.
Kate: Ela não vai namorar. Vocês são crianças, ele disse isso porque a achou bonita. Ela não é linda?
Alexander: É, mas eu não quero que ele ache ela linda.
Castle sorriu. Aquele garoto era mesmo filho dele!
Kate: Aposto que você também acha algumas garotas bonitas... – Kate disse com jeitinho.
Alexander: A Julia e a Melissa são lindas.
Kate: Então meu amor, sua irmã também é linda.
Alexander fez uma cara sem entender muito bem. Johanna não era uma garota normal, ela era sua irmã.
Kate: Mas ela não tem um namorado. Vocês são crianças, são todos amiguinhos. E não podem brigar, ok?
Ele fez que sim. Kate deu um beijo no filho, e ele voltou para o quarto com Johanna e Alexis. Castle sorriu ao vê-lo andando pelo corredor, mas quando se virou, encontrou os olhos de uma Kate enfurecida.
Kate: O que foi isso, Castle?
Castle: Kate, ele está protegendo a irmã!
Kate: Castle, eles são crianças! Crianças! É um absurdo isso! E outra coisa, eu não quero os dois brigando na escola, e você pare de estimular isso.
Castle: Eu não estimulei isso.
Kate: “Estou muito orgulhoso de você, filho”.
Castle: Eu disse isso porque gostei do fato dele tentar protegê-la.
Kate: É, mas ele fez isso da forma errada.
Kate saiu brava, o deixando sozinho na sala.
Mais tarde, quando passava pelo corredor, viu Castle conversando com Alexander no quarto.
Castle: Filho, você não pode brigar na escola, eu e a mamãe não queremos isso.
Alexander: Mesmo se falarem que a Jo é bonita?
Castle: Mesmo.
Alexander: Eu não vou deixar ela namorar.
Castle: Nem eu. Mas nós vamos fazer isso de outra forma, ok?
Os dois bateram as mãos, combinando. Quando olharam para a porta, encontraram uma Kate sorrindo. Ela sabia que Johanna ia sofrer nas mãos dos dois, e tentaria impedir isso, mas no fundo, no fundo, estava muito orgulhosa de seu homenzinho ter puxado tanto ao pai. Alexander havia herdado todo o instinto protetor de Castle.
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