Whole Lotta Love
45 Eles são só crianças...
Notas iniciais
Alguns dias depois...
Alexander: Papai, sabe aquele nosso jogo dos ninjas? Nenhum dos meus amigos tem ainda.
Castle: É que é lançamento, filho.
Kate: É, e seu pai tem um cadastro na loja para receber qualquer novidade – ela revirou os olhos.
Johanna: O jogo da Disney é muito mais bonito, tem a Branca de Neve.
Alexander: Não é não, é chato, como tudo de menina.
Johanna: Mamãaaaaae, olha o Alex falando mal do nosso jogo!
Kate: Não liga não, princesa, nosso jogo é lindo!
Kate abriu os braços para Johanna, que veio em sua direção. Kate deu um beijo na filha e aproveitou para prender seus cabelos.
Kate: Acho que precisamos cortas essas pontinhas...
Johanna: Você vai tirar meus cachinhos? – ela fez um bico e Kate sorriu.
Kate: Não, meu amor, é só a pontinha. É para ele continuar crescendo lindo!
Kate passou as mãos no cabelo de Johanna, que era de um castanho cor de mel, começava liso e fazia uns cachos nas pontas.
Johanna: Mamãe, eu quero ser linda igual você.
Kate: Você já é, minha princesa. Você é muito mais linda do que eu.
Johanna depositou beijos em Kate. A menina estava numa fase de se inspirar na mãe. Se a mãe prendesse o cabelo, ela prendia também. Fez Kate passar nela um esmalte que estava em suas mãos. Às vezes usava seus sapatos e desfilava pela casa. Mas o que ela mais gostava mesmo era a maquiagem. Mexia com frequência e acabou quebrando algumas coisas, o que Kate não se importou.
Enquanto isso, Alexander se importava em ganhar do pai em todos os jogos do Xbox.
Alexander: Eu ganhei de novo!
Castle caiu no chão derrotado, e Alex riu.
Alexander: Você viu, mamãe? Eu sou o melhor ninja de todos!
Kate: É meu amor, estou vendo! O papai já era nas suas mãos!
Kate sabia que Castle deixava o filho ganhar, e isso a deixava mais feliz ainda. Castle sabia como agradar uma criança.
Castle: Filho, eu tive uma ideia! Por que a gente não chama seus amigos da escola para passar a tarde de sábado aqui? Nós podemos mostrar a eles o jogo novo e fazer um campeonato, o que acha?
Alexander: Você é o melhor papai do mundo!! – Alex caiu sobre Castle, e os dois riram. Kate achou a cena linda, mas não sabia dizer qual dos dois era mais criança.
Alex ficou todo empolgado, fazendo mil planos de como seria a tarde com os amigos. Kate e Castle se divertiam em ouvir. Alex planejou que teria pipoca, doces e refrigerante. Bem no momento de sua animação, Alexis entrou em casa, e ele correu até ela para contar tudo.
Enquanto isso, Castle olhou para Johanna no colo de Kate. Não era à toa que ele tinha muito ciúme da filha. Ela era Kate escritinha, com a única exceção dos olhos azuis dele. Ele sorriu para as duas, mas Johanna o encarou emburrada.
Castle: Que foi minha princesa?
Johanna: Eu estou de mal de você.
Castle: Por que?
Johanna: Porque você só quer brincar com o Alex.
Castle: Ah isso não é verdade... – Castle foi até elas e se ajoelhou no tapete – eu brinco com você também. Nós não brincamos de castelo das princesas ontem?
Ela fez que sim ainda brava.
Castle: E nós não jogamos o jogo da Branca de Neve anteontem?
Johanna: O Alex desligou o videogame bem no meio do jogo.
Castle: É, isso foi um acidente de percurso.
Johanna: Você vai fazer uma festa só com o Alex...
Kate e Castle trocaram um olhar, entendendo a razão do ciúme.
Castle: Olha, o que você acha da gente chamar suas amiguinhas um outro dia também? Nós podemos fazer a festa das princesas!
Johanna abriu um sorriso imediato.
Johanna: Só meninas?
Castle: Só meninas!
Johanna: Então você não vai poder ficar... – ela concluiu – Ta bom papai, pode ir lá com o Alex, a mamãe fica comigo.
Castle: Isso, vai me esnobando, sua mini Kate Beckett.
Ele se levantou ofendido, e Kate riu. A personalidade daquelas crianças era algo a ser estudado.
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No sábado...
Os colegas de Alex começaram a chegar, e Kate se apressou em sair com Jo. As duas resolveram tirar a tarde para elas, com direito a salão de beleza e passeio no shopping.
Enquanto isso, na casa da família Castle...
Alex convidou todos os meninos da turma, e eles eram em 10. Castle estava adorando aquilo. O universo feminino que sempre o cercara havia dado lugar a um grupo divertido de homens. Quer dizer, mais ou menos...
“Tiooo” – alguém gritou e Castle correu – Isso é uma espada?
Castle: Ai meu Deus, solta isso!
Castle trancou a coleção de espadas no quarto. Seus filhos sabiam que não podiam mexer naquilo, e como a casa não era tão frequentada por crianças, ele nem havia pensado nos cuidados que deveria tomar. Imediatamente lembrou-se da arma de Kate, e conferiu se ela estava em local seguro.
Castle: Vamos começar o campeonato!
Castle dividiu as equipes, e começou a anotar os nomes em uma folha.
Castle: Você é?
“Joey”. “Louis”. “Richard”.
Castle: Lindo nome, Richard.
“Paul”. “Henry”.
Castle levantou os olhos e encarou a criança à sua frente.
Castle: Você disse Henry?
Henry: É, é o meu nome.
Castle fez sua melhor cara de mal, e o garoto se afastou um pouco.
Alex: Vamos, papai. Vamos começar!
Castle puxou o filho para um canto.
Castle: Você convidou o namorado da sua irmã?
Alex: Eles não são namorados, papai. Ele só gosta dela.
Castle: É uma linha muito tênue.
Alex não entendeu o que o pai quis dizer, mas concluiu.
Alex: Papai, nós somos crianças.
Castle ficou se perguntando como seu filho de 6 anos conseguia ser mais maduro do que ele.
Castle: Vamos, vamos começar o campeonato.
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Mais tarde, na praça de alimentação do shopping...
Johanna: Você sabia que esse é meu sorvete preferido?
Kate: Sim, eu sabia – Kate sorriu. Ela estava adorando aquele dia com a filha.
Johanna: O que você acha que eles estão fazendo?
Kate: Os meninos?
Johanna: É.
Kate: Ah, eu acho que eles estão jogando. E bagunçando a casa.
Johanna: O Henry está lá.
Johanna falou com naturalidade, enquanto mexia no sorvete. Kate olhou interessada para a filha.
Kate: Você gosta mesmo dele, não é?
Johanna: Ele disse que meus olhos são lindos.
Kate: É, isso tem mesmo o poder de mexer com uma mulher.
Johanna: E ele me dá uma bala todo dia no recreio.
Kate: Ah, que fofo. E o que mais?
Johanna: Só isso. – ela voltou para o sorvete e Kate sorriu. As crianças tinham uma inocência admirável.
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Na casa da família Castle, na hora do lanche...
Castle: E então Henry, o que você quer ser quando crescer?
Todos os garotos pararam de comer e olharam para Castle.
Castle: É, eu quero dizer... eu quero saber de todos vocês.
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, numa barulheira só.
Henry: Eu quero ser fazendeiro.
Castle: Fazendeiro? Interessante...
Henry: O senhor acha mesmo?
Castle: Não, eu odeio fazenda. Mas se você gosta, não é?
Henry: Eu gosto dos cavalos. Eu tenho um cavalo, senhor Castle.
Castle: É mesmo?
Henry: Ele chama Pônei.
Castle: Espera... pônei não é o filho do cavalo?
Henry: Não senhor Castle, Pônei é o meu cavalo. Só que ele é pequeno.
Castle ficou se perguntando como sua filha, a mais inteligente da sala, conseguia gostar de um garoto tão bobo.
Castle: Sei... você gosta de ler?
Henry: Eu ainda não sei ler.
Castle: Ah é verdade...
Henry: Mas eu sei as letras.
Castle: Já é um começo! E qual é o seu livro de histórias preferido?
Henry: Eu não gosto de livros.
Castle sentiu uma pontada no coração.
Henry: Eu gosto mesmo é de cavalos.
Castle: É, eu já entendi.
Alex: Vamos voltar a jogar!! – Alex saiu correndo e todos o seguiram.
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Johanna: Eu posso mesmo escolher o que eu quiser?
Kate: Sim minha princesa, eu vou te dar o presente que você quiser!
Johanna sorriu e pegou na mão da mãe, já sabendo para onde ir.
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Um pouco mais tarde...
A maioria dos garotos já tinham ido embora, ficando apenas 3 esperando que seus pais viessem buscá-los. Henry era um deles. Todos estavam na sala com alguns brinquedos de Alex esparramados pelo chão, quando Castle sugeriu que Henry fosse com ele buscar mais um brinquedo.
Henry: Eu posso pegar o Homem Aranha?
Castle: Pode.
O garoto já ia saindo do quarto de brinquedos.
Castle: É... Henry, espere um minuto. Eu quero te perguntar uma coisa.
Henry: O que foi, senhor Castle?
Castle: Você gosta da Jo?
Henry ficou um pouco envergonhado.
Castle: Eu... só quero saber porque você gosta dela.
Henry: Porque ela é linda. Ela tem os olhos mais lindos do mundo.
Castle: É, ela tem mesmo – Castle se orgulhou da filha ter herdado seus olhos.
Henry: E ela é inteligente.
Castle: Mas você sabe que vocês são só crianças, não sabe?
Henry: Aham.
Castle: E criança não namora...
Henry: Mas todo mundo da sala namora.
Castle: E o que os namorados fazem?
Henry: Desenham juntos, brincam no recreio. Eu também sempre dou uma bala para a Jo – ele sorriu orgulhoso.
Castle: Vamos, vamos voltar para a sala – Castle sorriu um pouco aliviado.
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Kate: Chegamos!
Kate abriu a porta com um sorriso, que se desfez imediatamente. Johanna e Alexander correram se abraçar.
Castle: Amor, não se preocupa que a faxineira limpa tudo depois.
Kate: Só segunda-feira, você quer dizer.
Alex: Mamãe, você está brava pela bagunça?
Kate abriu um sorriso.
Kate: Não, meu amor. Você se divertiu?
Alex: Muito, mamãe! Meu time ganhou, sabia?
Kate: É mesmo? Que orgulho!
Castle: Mas o mais importante...
Alex: É que todos se divertiram – ele completou.
Castle: Isso. Não importa quem ganhou ou perdeu.
Kate: O papai tem razão, o importante é se divertir. Vocês fizeram um lanche?
Alex: Sim, mamãe, e estava uma delícia.
Castle: É... amor... eu sugiro que você não se aproxime da cozinha por hora.
Kate lançou um olhar para Castle. Ela tinha certeza que ele perderia o controle com tanta criança. Alex puxou a mãe pela mão e a fez sentar no sofá, sentando-se no colo dela e contando tudo: os amigos que vieram, quem jogou com quem, quais foram os jogos, e a brincadeira final com seus super heróis. Kate se divertiu em ver o filho tão feliz. Realmente a ideia de Castle tinha sido fantástica.
Castle: E você minha princesa, o que fez hoje com a mamãe?
Johanna estava no colo do pai, abraçada a seu pescoço.
Johanna: Desculpa papai, mas é assunto de mulheres.
Johanna lançou um olhar para a mãe, que piscou para ela.
Castle: Desde quando você esconde as coisas de mim? – Castle fez um bico.
Johanna: Ta bom papai, eu vou te mostrar o presente que ganhei da mamãe.
Johanna se levantou e voltou com uma sacola. Tirou de dentro uma caixa rosa, e abriu toda sorridente.
Johanna: Não é linda?
Castle lançou um olhar para Kate.
Castle: Você deu pra ela uma maleta de maquiagem?
Kate: É maquiagem infantil, Rick.
Castle: Ela só tem 6 anos!
Johanna: Olha papai, é das princesas. Tem um brilho sabor de morango, você quer ver?
Castle: Quero... – ele disse conformado.
Johanna fez o pai sentir o cheiro de morango do brilho. Depois passou e ficou toda toda.
Castle: Você não vai usar isso na escola, viu?
Johanna: Só quando tiver uma festa, igual a mamãe.
Kate: Nós já conversamos sobre isso.
Castle respirou um pouco mais aliviado. Se Henry já gostava de Johanna normal, imagina toda produzida.
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Castle: Assunto de mulheres?
As crianças já dormiam e o casal se preparava para se deitar também.
Kate: É meu amor, assunto de mulheres.
Castle: Muito engraçadinhas vocês duas.
Kate: Deixa de ser bobo, amor, nós só fizemos compras e fomos ao salão.
Castle: Humpf.
Kate: E você, como se comportou diante do pretendente da sua filha?
Castle encarou Kate, que tinha um olhar provocativo.
Castle: Muito bem.
Kate: É mesmo? E aquele ciúme todo?
Castle: Deu uma trégua.
Kate: Nossa! Eu posso saber da onde veio toda essa evolução espiritual?
Castle: Eu percebi que ele não representa uma ameaça.
Kate: É mesmo? E como você chegou a essa conclusão?
Castle: Ele não tem nada a ver com a nossa Jo.
Kate: Continue.
Castle: Kate, o garoto gosta de fazenda!
Kate: E daí?
Castle: E daí que Jo é princesa demais para gostar de fazenda.
Kate: Isso é só especulação. Você está baseando seu julgamento nisso? – Kate estava achando divertido.
Castle: Não, tem muito mais. Ele não gosta de livros.
Kate o olhou séria, e Castle sorriu.
Kate: Mas... Jo pode gostar dele mesmo assim...
Castle: Não, ela não pode. E sabe por que? Porque ela é a mais inteligente da sala.
Kate: Como se a gente escolhesse de quem gosta...
Castle: É impressão minha ou você é “Team JoHenry”?
Kate: Eu sou “Team te provocar”.
Kate riu e o puxou para a cama, sentando-se no colo dele.
Kate: Eles são só crianças, Rick...
Castle: É, eu sei.
Kate: É tão fácil gostar de alguém quando se é criança. Depois a gente começa a criar tantos critérios...
Castle: Sorte minha que você não foi muito criteriosa...
Kate: Você tem noção de quantas mulheres queriam estar no meu lugar agora? Com o homem bonitão, famoso e rico? – ela contou no dedo.
Castle: Você nunca deu a mínima para o meu dinheiro – ele abaixou um dos dedos dela – Odeia se expor – ele abaixou outro dedo – E nem me acha tão bonitão assim, senão teria caído nos meus braços muito tempo antes.
Kate: Isso eu vou ter que discordar. Eu não caí nos seus braços porque não faço o tipo fácil, mas seu sempre te achei bonitão – ela o beijou.
Castle: Você quer mesmo saber a verdade? Eu descobri que ainda é cedo para me preocupar com Jo. Preciso poupar energia.
Kate: Poupar energia?
Castle: Se com 6 anos ela já atrai olhares, imagina quando entrar na adolescência. Preciso me preparar para o ataque anti-namorados nessa fase.
Kate: Quando eu acho que a gente chega num nível de seriedade, você me vem com uma dessas.
Castle: Mas é verdade! Ou você quer que sua filha namore com qualquer garoto?
Kate: Claro que não. Eu vou puxar a ficha de cada um que ameaçar chegar perto dela. E o mesmo com as garotas que rondarem meu filho.
Castle: E depois eu que sou o ciumento aqui.
Kate: Isso não é ciúme, é precaução.
Castle: É ciúme disfarçado de precaução.
Kate: Não é não.
Castle: Vejamos: por mais que eu não goste da ideia desse Henry cobiçar Jo, eu não interferi na “relação” dos dois. Já você...
Kate: O que eu fiz?
Castle: Kate, você fez Alex terminar com Julia porque você não foi com a cara da mãe dela.
Kate: Claro que eu não fui com a cara, ela estava dando em cima do meu marido!
Castle: E o que a menina tinha a ver com isso?
Kate: Tudo bem, talvez eu tenha sido um pouco injusta. E daí? Eu só quero o melhor pro meu filho.
Castle: Porque você também é ciumenta.
Ele a encarou esperando que ela admitisse.
Kate: Está bem Rick, eu sou ciumenta. Eles são meus, sabia? Meus! Ninguém vai roubá-los de mim!
Castle: Amor, calma. Eles são só crianças.
Kate: Umas crianças muito lindas.
Castle: Sim. Eu ainda me divirto com a história das duas garotas chorando pra ver quem namorava o Alex.
Kate: Mulheres, tontas desde cedo.
Castle: Meu filho é um garanhão.
Kate: Seu filho teve que ir para a diretoria se explicar depois dessa.
Castle: Eu não tenho culpa que ele herdou meu charme! Fazer o que se as mulheres caem aos nossos pés?
Kate: “Nossos” pés? – ela o encarou brava.
Castle: No meu caso isso é passado.
Kate: Você que não se quiete, Richard Castle.
Castle: Você sabe qual o jeito perfeito de me aquietar? – ele passou as mãos na coxa dela e ela sorriu.
Kate: Sim, meu bonitão, eu sei... — ela disse já se deitando sobre ele. Se alguém no mundo sabia domar Castle, esse alguém era Kate.
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