Whole Lotta Love
36 Dor
Notas iniciais
Castle: Kate? Kate?
Kate abriu os olhos e encontrou Castle ajoelhado à sua frente.
Kate: Rick...
Castle: Calma, meu amor. Calma.
Gates ofereceu um copo de água com açúcar para a detetive. Seu olhar era solidário.
Kate: Obrigada – ela disse pegando o copo e bebendo devagar.
Gates: Kate, eu sei que é difícil, mas você precisa ficar calma. A divisão de sequestro já foi acionada. Você já conhece o procedimento, eles vão colocar escutas em seus telefones e esperar o contato.
Kate ouvia Gates sem encará-la, ainda segurando o copo de água, bebendo devagar. A capitã continuou falando.
Gates: Nós também pegaremos as câmeras da rua onde aconteceu, e se Alexis puder nos dar uma descrição também será de grande ajuda. Ela está vindo?
Castle: Quase chegando.
Gates: Quando ela nos disser exatamente o que aconteceu, nós podemos tentar traçar um perfil.
Castle: Eu pago qualquer quantia.
Gates: Eu sei, Castle. Mas nós não deixaremos impune quem quer que seja que tenha feito isso.
Castle: Eu também não quero isso, mas também não quero por em risco meus filhos.
Gates: Isso não vai acontecer. Seus filhos ficarão bem.
Enquanto os dois conversavam, Kate olhava fixamente para o copo de água, perdida num mundo paralelo onde só havia dor. Castle e Gates olharam para ela e trocaram um olhar de pena. Quase ao mesmo tempo, Alexis entrou na delegacia, e Castle foi até ela.
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Alexis chorava compulsivamente, e Castle tentava acalmá-la.
Castle: Não é sua culpa, meu amor.
Alexis: É sim, eles estavam comigo, eu devia protegê-los.
Ryan: Alexis, isso poderia ter acontecido com qualquer um.
Alexis: Mas foi comigo. Foi comigo...
Ela chorava e soluçava. Espo chegou com um copo de água para ela, que aos poucos foi recuperando o fôlego.
Ryan: Você tem que nos dizer de novo exatamente como foi.
Alexis: Eu parei o carro a um quarteirão do colégio. Peguei os dois, vínhamos pela calçada e quando eu fui abrir a porta para eles entrarem, um deles me encostou no carro com uma arma em minha cintura. – ela fez uma pausa, e Castle segurou sua mão mais forte – aí o outro colocou as crianças em um carro que estava bem ao lado. Ele... empurrou os dois com força. Eles choravam e chamavam meu nome – as lágrimas começaram a escorrer do rosto dela de novo – mas eu não conseguia me mexer, não conseguia.
Castle: Eu sei, minha querida.
Alexis: De repente ele me soltou e correu para o carro. Foi quando eu consegui ver mais ou menos o rosto deles.
Espo: Você acha que pode descrevê-los?
Alexis: Sim, acho que sim.
Alexis enxugou as lágrimas mais uma vez, e seus olhos encontraram os de Kate, que se aproximava. Alexis tinha os olhos vermelhos de tanto chorar. Kate estava séria, e ainda em estado de choque. Não havia lágrimas em seus olhos.
Alexis: Me perdoa, Kate. Eu não pude fazer nada. Me perdoa.
Kate: Não foi sua culpa.
Espo conduziu Alexis até uma pessoa que traçaria um rosto conforme suas descrições.
Kate: O que ela disse?
Castle não sabia se queria dizer. Ele queria poupá-la do sofrimento, mas não sabia o que seria pior: esconder como havia acontecido, ou contar e fazer Kate sofrer mais ainda.
Kate: Castle?
Castle: Eles eram dois. Um rendeu Alexis e o outro colocou os dois no carro.
Kate: Eles os machucaram?
Kate tentava encontrar forças para perguntar. Ela tinha medo do que iria ouvir.
Castle: Acho que não. Colocaram os dois no carro e saíram.
Castle achou melhor não contar os detalhes. Kate sentou-se ao lado dele, sentindo-o segurar em sua mão.
Kate: E se forem eles?
Castle não podia negar que já tinha pensado nisso, mas tentava fugir desse pensamento com todas as suas forças. Imaginar que o senador ou 3xk pudessem ter feito aquilo por vingança era devastador demais.
Castle: Não pense nisso, meu amor.
Kate: Mas e se for? E se algum daqueles monstros pegou nossos bebês?
Castle viu as lágrimas escorrerem devagar dos olhos de Kate, e a abraçou. Ele sentia olhares de todos os lados da delegacia. Todos presenciavam o sofrimento dos dois, e sofriam junto com eles.
Castle: Não vai ser – ele beijou sua cabeça, que estava recostava em seu ombro – não vai ser. Logo vão entrar em contato, pedir um dinheiro que nós vamos pagar e teremos os dois de volta.
Kate: Eu não quero viver sem eles, Rick. Eu não consigo...
Castle: Você não vai, meu amor. Nós não vamos. Eu te prometo.
Kate ficou assim, abraçada a Castle por mais um tempo, até a equipe de sequestros chegar. Os dois se levantaram então para que todos os procedimentos fossem tomados. As imagens das câmeras haviam chegado, e embora não fossem nítidas, Kate e Castle não reconheceram nenhum deles como alguém que já tinham visto ou prendido. Mas isso não descartava a possibilidade de algum deles ser 3xk com uma nova feição, ou que ambos trabalhassem a mando de Bracken.
Espo, Ryan e Gates discutiam questões práticas, Alexis estava sentada num canto e Castle telefonava para seu pai. Kate estava no meio de tudo isso, mas sua mente só pensava em seus filhos, como eles estariam, se haviam sido machucados, o medo que deveriam estar sentindo. A sua impotência diante de tudo isso a angustiava, e fazia sentir raiva de si mesma.
Castle: Meus pais já estão em casa.
Gates: Certo, a equipe vai instalar as escutas lá agora.
Castle: Alexis, acho melhor você ir pra lá com eles.
Alexis: Eu queria poder fazer alguma coisa...
Gates: Ninguém pode agora. Só esperar.
Alexis obedeceu ao pai e foi junto com a equipe especializada em sequestros.
Gates, Espo, Ryan e Castle pararam e olharam para Kate. Ela estava sentada em sua mesa, olhando a foto dos dois.
Gates: Deus, que dor essa mulher está sentindo! Você precisa ser forte, Castle. Ela precisa de você.
Castle: Eu não sei o que fazer... o que eu posso dizer? – ele estava perdido também.
Gates: Só não a deixe desmoronar.
Eles se aproximaram dela.
Gates: Kate, é melhor você ir para casa.
Kate: Não, eu não quero. Eu quero fazer algo, eu preciso fazer algo. – ela se levantou rapidamente.
Espo: Kate, não há nada que se fazer.
Kate: Tem que haver! – ela gritou desesperada e todos a olharam. – tem que haver...
Kate segurou as lágrimas. Castle se aproximou e segurou suas mãos.
Castle: Amor, vamos para casa.
Kate: Não...
Gates: Kate, você sabe que nesses casos nós não podemos fazer nada antes de um primeiro contato.
Kate: Eu sei, capitã. Eu sei de tudo. Só que eu nunca havia sentido isso. Eu nunca tinha vivido isso. E dói demais...
Gates: Kate, todos nós aqui temos filhos. Nós não vivemos essa dor, mas conseguimos entender. Nós estamos aqui por você e por eles. Não vamos deixar nada acontecer com suas crianças. Mas você precisa ser forte. Precisa estar forte quando nós pudermos agir.
Kate assimilou as palavras de sua capitã e fez que sim. Ela tinha razão, afinal. Não havia nada a se fazer agora.
Castle: Vamos?
Kate fez que sim, ainda meio inconformada.
Espo: Castle, qualquer novidade você nos contate imediatamente.
Castle: Pode deixar.
Kate: Espo, por favor, não diga nada a Lanie.
Espo: Kate...
Kate: Não. Espo, ela está no final da gravidez, eu não quero que nada a abale agora. Por favor, me prometa?
Espo: Tudo bem, eu prometo.
Kate e Castle se despediram e saíram.
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Assim que entraram em casa, Martha correu em direção aos dois, com lágrimas nos olhos. Ela abraçou Kate primeiro.
Kate: Martha...
Martha: Eu sei... eu sei...
Kate respirou devagar. Jack também abraçou os dois.
Castle foi até o quarto com Kate, para que ela tomasse um banho, depois voltou sozinho para a sala.
Jack: Nós vamos pegar esses caras, Richard.
Castle: Eu só quero meus filhos de volta.
Martha: Toma, dê isso a ela.
Castle: O que é isso?
Martha: Um calmante.
Castle: Kate jamais vai querer tomar um calmante.
Martha: Eu sei, mas ela precisa, Richard. Ela precisa criar forças.
Castle: Não há como criar forças numa situação dessas.
Martha: Há sim, e você é um exemplo. Eu sei que você está sofrendo tanto quanto ela, mas tem se mantido forte porque ela precisa de você.
Castle: Eu não posso deixá-la desmoronar.
Martha: Exatamente. Vá, vá cuidar dela. Eu e seu pai ficaremos aqui.
Castle olhou para o pai, que assentiu. Ele foi então até o quarto. Quando chegou, Kate havia acabado de sair do banho.
Castle: Eu trouxe algo para você.
Kate: O que é isso?
Castle: Um calmante.
Kate: Não vou tomar.
Ela passou por ele e foi até o closet. Castle deixou o remédio e um copo de água em cima do criado mudo.
Castle: Kate, você precisa descansar.
Kate: Você quer me apagar para que? Para me esconder o que está acontecendo?
Castle: Eu não vou te esconder nada, eu só quero que você se acalme.
Kate: Eu não vou me acalmar, Rick. Meus filhos estão por aí, sabe Deus onde e com quem, com frio, sozinhos...
Kate passou por ele.
Castle: Kate!
Ele a seguiu, mas ela se fechou no quarto das crianças.
Castle tentou encontrar algo que pudesse fazer, mas não havia o quê. Voltou ao quarto e tomou um banho, pensando nas crianças e no sofrimento de Kate. Quando saiu, foi pacientemente até o quarto das crianças e abriu a porta devagar. Encontrou Kate sentada num canto, chorando compulsivamente.
Ele se ajoelhou em frente a ela, passando a mão em seus cabelos, com os olhos cheios de lágrimas também. Os dois ficaram assim por um tempo, até que Kate parou de soluçar e levantou os olhos para ele.
Castle: Eu sei... eu sei o que você está sentindo.
Kate: Eu nunca senti tanta dor. Nunca.
Castle: Vai passar, meu amor.
Kate: Como é que você sabe?
Castle: Porque nós já vivemos muitas coisas difíceis, e sempre passou.
Kate: Eles são nossos filhos, Rick... nada é tão ruim quanto perdê-los.
Castle: Nós não vamos perdê-los, meu amor. Logo eles estarão aqui de novo, em nossos braços.
Kate: Eu tenho medo...
Castle: Eu sei. Eu também tive quando aconteceu com Alexis, lembra? E você lembra o que me dizia? Que eu tinha que acreditar que daria tudo certo. Eu nunca deixei de acreditar, e agora nós também não podemos deixar.
Kate: Eles têm só 6 anos, Rick...
Castle: Sim, mas sabe o que eles têm também?
Kate o encarou, esperando a resposta.
Castle: O nosso DNA. E sabe o que isso significa? Que eles são mais fortes do que a gente pensa.
Kate: São?
Castle: São.
Os dois se olharam por um minuto.
Castle: Vem... – ele esticou a mão, e ela se levantou com ele. Os dois foram em direção ao quarto. Kate se sentou na cama e pegou o remédio que Castle havia deixado em cima do criado mudo, tomou e se deitou, sendo abraçada por ele. Kate rapidamente pegou no sono, com o urso Fluffy de Johanna e o Capitão América de Alexander em seus braços.
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