Whole Lotta Love 2
23 Por um fio
Notas iniciais
No manhã seguinte...
Castle trocava as crianças rapidamente, enquanto Kate se arrumava no quarto do casal. Tudo estava corrido naquela manhã, pois a família havia perdido a hora.
Jo: Papai, faz uma trança no meu cabelo?
Castle: Não vai dar, princesa, estamos atrasados, eu ainda tenho que preparar o café.
Jo: Mas eu quero, papai!
Johanna sentou-se na cama emburrada, e Castle cedeu. Chamou a filha para si e tentou fazer uma trança, que ficou torta e estranha.
Castle: Eu não levo jeito para isso! – ele tentava amarrar um elástico na ponta quando Kate apareceu na porta.
Kate: Ahh não leva mesmo! – ela foi empurrando-o, sentando-se na cama, e com a filha em pé no meio de suas pernas, desmanchou o emaranhado que Castle havia feito e recomeçou a trançar os lindos cabelos da filha. – Já passou da hora de você aprender a fazer uma trança, Rick.
Castle: Eu deixo essa parte para você, amor.
Alexander entrou correndo no quarto com dois brinquedos na mão.
Alex: Papai, eu levo o Capitão América ou o Homem de Ferro?
Castle: Leva os dois!
Alex: Não pode, esqueceu? Só pode levar um brinquedo.
Jo: Sexta-feira é o dia mais legal da escola!
Castle: Eu também amo a sexta-feira, é o único dia em que vocês acordam sem resmungar. – Castle sorriu para Kate.
Kate: Pronto! – Kate soltou os cabelos da filha.
Jo: Viu papai, isso sim é uma trança!
Castle: Complicado demais.
Kate: Simples demais, são 3 mechas intercaladas.
Castle: Vamos, vamos, porque hoje a gente se atrasa!
Kate: Rapidinho, escolham um brinquedo e nos encontrem na cozinha, ok?
Kate e Castle saíram apressados para providenciar o café da manhã dos filhos.
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Jo: Para, Alex! Mamãe, olha o Alex!
Kate olhou para trás e viu Alex simulando jogar um boneco de Jo pela janela do carro.
Kate: Alexander!
Alex: Eu estava só brincando, mamãe.
Kate: Devolva a Uniqua para sua irmã.
Jo: Não é a Uniqua, mamãe, é a Tacha.
Castle riu de Kate.
Kate: Sério? – ela ainda olhava para trás. – Eu jurava que a amarela era a Uniqua.
Jo: A Uniqua é a rosa, mamãe.
Alex: Mamãe, já passou da hora de você aprender. – ele falou sério, e Kate virou-se para frente culpada.
Castle: Daqui uns dias ele termina com você também por não conhecer os Backyardigans – Castle tripudiou e levou um beliscão da esposa.
Alex: O Homem de Ferro atacou a Tacha BUM – Alexander jogou seu boneco contra o de Jo.
Jo: Para! Mamãe, olha o Alex me atacando!
Alex: Não sou eu, mamãe, é o Homem de Ferro. Eu não tenho culpa se ele é mais poderoso que a Tacha.
Jo: Você é um bobo chato e sem graça.
Alex: Você é que uma menina chorona.
Johanna ficou brava e mandou a Tacha em cima do Homem de Ferro.
Alex: Papai, ela vai quebrar meu Homem de Ferro!
Kate respirou fundo.
Castle: Se vocês continuarem discutindo eu vou tomar os dois brinquedos.
Jo: Você não pode, papai, hoje é o dia de levar um brinquedo na escola.
Castle: Ah eu posso sim, vocês que não se comportem!
Alex: O meu lado da festa vai ser muito mais bonito que o seu, você vai ver! – Alexander sussurrou para Johanna.
Jo: Não vai não, o meu terá brilho e as meninas vão pintar o cabelo! – Johanna tentou falar baixo, mas Kate virou-se para trás.
Kate: Nós ainda estamos vendo isso do spray de tinta.
Jo: Vai ser legal, mamãe!
Alex: As meninas vão ficar feias iguais as bonecas monstros – Alexander começou a rir.
Jo: Mamãe, olha o Alex!
Castle: Chegamos.
Kate: Graças a Deus!
Kate desceu do carro com as crianças. Elas se despediram do pai e foram levadas até o portão da escola pela mãe. Kate então se agachou e trouxe os dois para perto de si.
Kate: Meus amores, vocês gostam de mim?
Jo: Mamãe, nós te amamos!
Alex: Te amamos muito mesmo, mamãe!
Kate: Então vocês prometem que não vão brigar mais? Nem dizer que o outro é chato, nem implicar com os brinquedos um do outro?
Jo: Mas mamãe...
Kate: Jo?
Jo: Eu prometo, mamãe.
Alex: Eu também prometo.
Kate: Vocês são irmãos e não podem brigar assim, têm que se proteger, lembram?
As crianças fizeram que sim.
Kate: E as duas decorações ficarão lindas, eu prometo!
Jo: Eu sei mamãe – Johanna grudou no pescoço da mãe.
Alex: Você vai gostar da minha parte dos Transformers, mamãe?
Kate: Claro que vou, meu filhote! – Kate abraçou Alex também – Eu vou amar as duas festas, assim como eu amo vocês dois!
Jo: Então nós podemos ter spray de pintar o cabelo?
Kate: Isso nós ainda vamos ver, princesa. Agora vocês têm que ir...
Kate se levantou e observou as crianças entrarem na escola. Esperou que elas chegassem até o fim do grande corredor.
Castle: Sermão a essa hora?
Kate: Rick! Você desceu.
Castle: Você demorou. Estavam discutindo a relação?
Kate: Amor, eu não gosto que eles briguem.
Castle: Kate, essas implicâncias são normais. Olha lá, já estão se amando de novo.
Castle apontou para os dois, que andavam lado a lado. Quando chegaram ao fim do corredor, olharam para trás e deram tchau para os pais. Kate sorriu, e ficou olhando fixamente para a cena.
Castle: Babe, vamos? – Castle a trouxe de volta a si – O que foi?
Kate: De repente me deu uma sensação ruim.
Castle: Você não está passando bem?
Kate: Não é isso, foi só um aperto no peito ao ver os dois indo.
Castle deu um sorriso e pegou na mão dela.
Castle: Pensei que você já tivesse se acostumado.
Kate: Eu me acostumei, é que... me deu um medo de não vê-los mais.
Castle: Amor, são só algumas horinhas. Daqui a pouco eles estão nos enlouquecendo de novo.
Kate: É... besteira minha.
Kate deu uma última olhada para a escola e foi em direção ao carro com o celular na mão.
Castle: O que você tanto procura aí?
Kate: Os Backyardigans. Quero saber exatamente quem é quem.
Castle: Uniqua, Pablo, Tacha, Austin e Tyrone.
Kate: Os nomes eu sei, eu quero saber quem é quem.
Castle: Pablo é o pinguim azul, Tacha a hipopótama amarela, Austin o canguru roxo, Tyrone o alce laranjado e Uniqua é aquela coisa rosa indefinida. – Castle falou com naturalidade, e ganhou um olhar bravo de Kate.
Kate: Por que você sempre sabe tudo?
Castle: Porque eu fico assistindo enquanto você prende assassinos.
Castle esperou uma resposta de Kate, mas ela não tirava os olhos do celular.
Castle: Babe, eu estava brincando quando disse que Alex terminaria com você.
Kate: Eu não quero que eles pensem que eu não me importo, Rick.
Castle ia justificar mas o telefone de Kate tocou. Era Espo com um endereço e um homicídio a ser resolvido.
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Espo: Vocês chegaram rápido.
Castle: Estávamos perto.
Kate: O que sabemos?
Os três andavam em direção à casa.
Espo: O irmão da vítima que os encontrou quando chegou agora cedo. Ele mora há duas quadras, disse que caminhava até aqui e ele e o irmão iam juntos para o trabalho. Ali está ele, o nome é Jeremy Hopins.
Os três se aproximaram do homem, que respondia à Ryan algumas questões.
Kate: Bom dia sr. Hopins. Eu sinto muito pela sua perda.
Jeremy: Obrigado.
Kate: O senhor tem alguma ideia de quem possa ter feito isso?
Jeremy: Não, eu... eu não consigo pensar em ninguém. Isso tudo é tão horrível.
Kate: Os vizinhos viram ou ouviram algo?
Kate observava a sala, onde os dois corpos jaziam no chão.
Espo: Aparentemente não, ninguém ligou ou reclamou de nada. Estamos esperando dar 7h para bater de porta em porta.
Kate: Certo.
Liza: Oh meu Deus! Suzy!
Kate voltou o olhar para a porta, onde havia uma mulher com expressão apavorada.
Kate: A senhora é?
Liza: Liza Sperks, eu sou vizinha de Suzy. Meu Deus, quem fez uma coisa dessas?
Kate: É o que estamos tentando descobrir. A senhora viu ou ouviu alguma coisa?
Liza: Não, eu trabalho no aeroporto no período noturno, estou chegando agora. Pobre Suzy e Robert... – a mulher enxugou as lágrimas – por favor, me diga que o bebê está bem.
Kate: Bebê? – Kate olhou para Ryan e Espo, mas eles também estavam surpresos.
Liza: Eles têm um bebê com menos de um ano, Steve.
Kate olhou para Jeremy, que logo falou.
Jeremy: Meu Deus, o bebê! Eu fiquei tão chocado com tudo isso que esqueci do pequeno Steve.
Kate e Castle correram pelo corredor e pararam na porta do quarto todo decorado em verde claro. Pela primeira vez em anos de profissão, Kate hesitou. Respirou fundo e olhou para Castle. Ele então entrou e avistou o pequeno dormindo no berço.
Castle: Ele está aqui! E está bem.
Kate caminhou até o berço e pegou o bebê em seu colo, com um sorriso de alívio. Jeremy chegou logo atrás.
Jeremy: Ele está bem, não está? – esticou os braços e pegou o sobrinho do colo de Kate, que não gostou.
Kate: Sim, ele está.
Jeremy: Graças a Deus. Por um momento pensei que o pior tivesse acontecido. Pelo menos você se salvou, meu pequeno. Eu vou cuidar de você agora.
O bebê dormia tranquilamente no colo do tio. Ryan apareceu chamando Kate, e eles voltaram para a cena do crime.
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Depois de saírem do necrotério, onde Lanie havia informado que a causa da morte eram facadas desferidas no peito, Kate, Castle e os detetives voltaram à delegacia, onde ficaram horas checando álibis e encarando o quadro com a foto dos dois. As investigações não levavam a nada. O casal não tinha inimigos, eram queridos no trabalho, onde viviam uma situação estável. Sabiam que não tinha sido um assalto, pois nada havia sido levado. Tudo dava voltas e voltava à situação inicial.
Num certo momento...
Castle fazia uma teoria mirabolante, e Ryan concordava, quando Espo sentou-se perto de Kate.
Espo: Nós precisamos resolver esse, Beckett. Aquele bebê merece saber um dia por que seus pais foram mortos.
Kate: Eu não consigo parar de pensar nele, Espo. Tão pequeno, tão frágil... E sozinho no mundo. Espera... – Kate se levantou – O bebê...
Castle e Ryan pararam de falar e olharam para ela.
Kate: Se vocês chegassem na casa de alguém conhecido que soubessem ter um bebê, e vissem os pais mortos, qual seria a primeira reação?
Ryan: Checar o bebê.
Kate: Exatamente! Checar o bebê. No entanto, Jeremy Hopins não havia procurado pelo bebê até a vizinha Liza aparecer.
Espo: Talvez ele estivesse em choque...
Kate: Ou talvez ele soubesse que o bebê estava bem.
Castle: Porque foi ele quem matou os pais, e poupou a vida da criança.
Kate: Espo, quem teria a guarda legal da criança nesse caso?
Espo: Os Hopins não tinham mais os pais, nem irmãos... o único parente é Jeremy, irmão da vítima.
Ryan: Beckett, você acha mesmo que esse cara faria isso com o único irmão?
Castle: As pessoas fazem cada coisa por dinheiro...
Espo: Faz todo o sentido: ele mata o irmão e a cunhada, fica com a guarda legal da criança e com toda a herança.
Castle: Os Hopins eram tão bons assim de dinheiro?
Espo: Suzy recebeu uma grande herança da mãe, falecida há dois meses.
Os quatro se olharam mais uma vez, pensativos.
Espo: Como nós vamos provar isso se o álibi dele confere?
Ryan: Arrancando uma confissão.
Kate: Liguem para a assistência social, digam para trazerem o bebê aqui. Nós entramos em contato com Jeremy e... que foi? – Kate encarou Espo e Ryan, que o olhavam esperando uma brecha para falar.
Ryan: O bebê... ficou com ele.
Kate: O que?
Espo: Ele dispensou a assistência, e a família sempre tem prioridade, você sabe.
Kate não falou mais nada. Passou a mão em sua arma e saiu andando rapidamente, sendo seguida pelos três rapazes.
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Os quatro chegaram no endereço fornecido por Hopins como sua casa. Bateram na porta, e como não foram atendidos, decidiram entrar. Assim que abriram a porta, os quatro presenciaram Hopins tentando esconder a arma do crime.
Kate: Jeremy Hopins, você está preso pelo assassinato de Suzy e Robert Hopins.
Jeremy, que segurava o bebê no colo, apontou a faca para ele. Kate sentiu-se gelar, e os rapazes, que estavam parados atrás, dela, tentaram intervir.
Espo: Você não quer fazer isso, Jeremy.
Jeremy: Ah, eu quero sim. Eu quero muito. Essa criança idiota não para de chorar.
O bebê esperneava no colo do tio. Kate deu um passo e Jeremy aproximou mais ainda a faca da criança.
Jeremy: Fica paradinha aí, policial.
Kate: Jeremy, me dá essa criança. Eu posso conseguir um bom acordo para você.
Jeremy: Você acha que eu sou idiota?
Castle: Se você matar essa criança na nossa frente, estará comprovando isso.
Jeremy ia se afastando para trás, próximo à sacada do apartamento, que ficava no primeiro andar.
Kate: Me dá essa criança, Jeremy, você sabe que isso só vai piorar para você – Kate deu mais um passo.
Jeremy: Eu mandei você ficar parada aí!
Jeremy ficava cada vez mais nervoso, e passava a faca próximo ao rosto do bebê. Kate lançou um olhar para Espo e Ryan, como se dissesse que faria uma manobra perigosa. Espo fez que não, mas ela decidiu que arriscaria mesmo assim. Deu mais um passo à frente, e Jeremy mais um passo para trás. Kate já estava próxima dele, e ele quase na sacada do apartamento.
Kate: Você não quer matar essa criança, Jeremy. Você precisa dela para a herança, não foi por isso que matou os pais dela?
Jeremy: Na verdade eu não preciso. Somos os únicos da família agora, não é bebê? Sem ele, serei apenas eu – ele lançou um olhar de vitória para Kate e passou a faca pelo rosto do bebê. Kate então não esperou: num gesto rápido conseguiu arrancar o bebê dos braços dele. Hopins, porém, foi mais rápido ainda. No desespero da situação, preso entre Kate e Espo, que havia se aproximado com a arma na mão, desferiu um golpe na cabeça do detetive, que desequilibrou-se, e cravou a faca no peito de Kate, pulando pela sacada em seguida.
Castle: Kate!
Castle a segurou, enquanto ela caía em seus braços. Ryan pegou o bebê, ligando rapidamente para uma ambulância, enquanto Espo correu atrás de Hopins.
Kate: Rick... – Kate tentou falar, enquanto perdia o ar.
Castle: Kate, olhe para mim, babe, respira.
Kate: Eu... não... consigo...
Castle: Babe, fiquei comigo. Fique comigo, babe – os olhos de Castle se encheram de lágrimas.
Kate: Rick... eu não posso... – Kate tentava falar, mas o ar se esvaía de seu pulmão perfurado.
Castle: Você pode sim, você vai, olhe para mim.
Kate: Babe, cuida deles... cuida deles para mim.
Castle: Nós vamos cuidar deles juntos, meu amor, nós dois.
Castle ouviu o barulho da ambulância chegando.
Kate: Diga que eu os amo... eu te amo, babe, eu...
Kate fechou os olhos e repousou a cabeça nos braços de Castle.
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