Whole Lotta Love 2
26 Acorda, mamãe!
Notas iniciais
Alex: Nós vamos ver a mamãe?
Alexander e Johanna pularam de alegria com o “sim” de Castle. Ele não escondia a felicidade de poder fazer isso pelos filhos.
Jo: Eu vou colocar aquele vestido que ela gosta!
Alex: Nós podemos levar o Tiger!
Castle: Não filho, o Tiger não.
Martha: Richard, vem cá – Martha puxou o filho – Como é que você conseguiu isso?
Castle: Eu meio que subornei a enfermeira-chefe da UTI.
Martha: Richard!
Castle: Que foi? Você não está vendo a alegria deles?
Martha: Richard, presta atenção. Se existem regras é para elas serem cumpridas. Se crianças não podem entrar na UTI deve haver um motivo, e você está arriscando levando os dois lá.
Castle: Mãe, eu preciso fazer isso por eles! E serão só 20 minutos.
Martha fez uma cara de quem não gostava da ideia.
Castle: Se você não me ajudar eu vou sozinho com eles, mas eu não vou deixar meus filhos mais um dia sem verem a mãe.
Martha: E como você vai explicar que Kate não acorda?
Castle: Eu ainda não pensei bem nesse detalhe...
Martha: Pois devia! Eles são espertos, Richard. Logo vão perceber que algo está errado.
Castle: Nem que eu tenha que falar a verdade. Hoje eles verão a mãe! – Castle fez uma pausa – Você vai me ajudar?
Martha: E alguma vez eu te disse “não”?
Castle: Obrigado, mãe! Olha, vai funcionar assim, você e meu pai esperam no estacionamento. Eu entro com os dois 5 minutos depois do início do horário de visitas, quando todo mundo já tiver entrado. Eles ficam 20 minutos lá dentro, e saímos 5 minutos antes do horário de visitas acabar. Não é perfeito?
Martha: É arriscado, isso sim.
Castle: Vai dar tudo certo, mãe. Eu sinto que vai!
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Jo: Papaaaai!
Castle corria de um lado para o outro, se dividindo entre tarefas como dar banho nas crianças, trocá-las, preparar algo para elas comerem e controlar a ansiedade delas.
Castle: Fala, princesa.
Jo: Faz uma trança no meu cabelo?
Castle: Filhota, você sabe que o papai não é bom nisso.
Jo: Por favor, papai! A mamãe gosta do meu cabelo assim!
Castle: Está bem, vai.
Castle se esforçou ao máximo para tentar fazer uma trança bonita. Estava longe de ser perfeita, mas também não ficou das piores.
Alexander entrou no quarto com uma sacolinha cheia de papéis.
Castle: O que é isso?
Alex: São os desenhos que fizemos para quando a mamãe voltasse.
Castle: Filho, nós não podemos levar tanta coisa assim, vai ser uma visita rapidinha, lembra?
Alex: Mas papai, nós temos que mostrar para ela!
Castle: Quanto a isso... – Castle procurou as palavras – Bem, provavelmente a mamãe estará dormindo quando vocês estiverem lá.
Alex: Por que?
Castle: Porque ela tomou muito remédio e precisa descansar.
Jo: A gente dá um jeito de acordar ela, papai.
Castle olhou para os filhos, empolgados e fazendo mil planos, e duvidou se tinha sido uma boa ideia.
Martha: Todos prontos? – Martha voltou à casa dos Castle com Jack.
Castle: Sim, todos prontos.
Jo: Não! Eu preciso pegar minha bolsa.
Castle: Meu amor, seria melhor se não levássemos tanta coisa.
Jo: Mas eu preciso, papai! Minhas coisas estão nela.
Martha: Deixa ela, Richard.
Castle: Tudo bem, pega a bolsa então!
Johanna abriu o armário e pegou a bolsa das princesas.
Castle: Pronto?
Jo: Pronto!
Alex: Nós vamos ver a mamãe! Nós vamos ver a mamãe!
Castle observou os filhos saírem na frente com Martha. Eles estavam tão lindos... era uma pena que Kate não pudesse vê-los.
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Serena: Nós vamos em silêncio, ok crianças?
Alexander e Johanna fizeram que sim. Deram dois passos e...
Jo: Não me empurra, Alex!
Alex: Eu não te empurrei!
Jo: Você bateu em minha bolsa.
Serena: Shii!
Castle: Nós temos que ir em silêncio, lembram?
Os gêmeos fizeram que sim e se comportaram. Castle lançou um olhar de agradecimento para Serena antes de abrir a porta e entrar com os filhos no quarto de Kate.
Os olhos as crianças percorreram o quarto rapidamente, e pararam na maca, onde a mãe estava deitada. Castle colocou cada um sentado de um lado, próximo ao rosto de Kate.
Jo: Oi mamãe!
Alex: Oi mamãezinha linda! – Alexander grudou seu rosto ao rosto da mãe – Nós estamos com saudade de você.
Jo: É mamãe, quando você vai voltar para casa?
Alex: Se você voltar eu prometo nunca mais puxar o cabelo da Jo.
Jo: E eu prometo comer brócolis todos os dias.
Os olhos de Castle encheram-se de lágrimas.
Alex: Olha, nós trouxemos nosso desenhos para você ver – Alex tirou os desenhos da sacola – Não estão lindos?
Jo: Ela não consegue ver Alex, ela está dormindo.
Alex: Mamãe, acorda! – Alexander passava as mãos no rosto da mãe, e chacoalhava sua mão – Acorda para ver nossos desenhos.
Jo: É mamãe, acorda! Nós temos que te contar como foi nosso dia!
Alex: Nós não fomos na escola essa semana, não teve aula, não é papai?
Castle fez que sim, ocultando a verdade mais uma vez pelo bem de suas crianças.
Jo: Mas nós fizemos atividades, não é Alex?
Alex: É, nós escrevemos, pintamos, desenhamos nossa família. Acorda para ver, mamãe!
Jo: Ela não vai acordar, não é papai? – Johanna encarou o pai, que tentou esconder o choro.
Castle: Não meu amor, agora não.
Johanna abriu a bolsa e tirou umas coisas de maquiagem.
Castle: O que você está fazendo, princesa?
Jo: Eu vou maquiar a mamãe, assim quando ela acordar ela estará bem linda!
Alexander pegou uma escova de cabelo que caiu da bolsa e começou a pentear Kate, enquanto Johanna passava uma sombra rosa claro na mãe.
Castle: Crianças, eu não sei se isso é uma boa ideia.
Jo: Claro que é uma boa ideia, papai! Ela vai ficar linda!
Alex: A mamãe já é linda... – Alexander encostou seu rosto ao da mãe de novo.
Jo: É, ela já é linda, mas vai ficar mais linda com esse brilho – Johanna passou um brilho labial na mãe – Pronto!
Castle: Ela ficou linda, meu amor.
Jo: Agora é o perfume...
Castle: Não! Jo, a mamãe não pode...
Tarde demais. Johanna já havia espirrado seu perfume das princesas no pescoço de Kate.
Jo: Linda e perfumada!
Alex: Agora só falta você acordar.
Jo: Acorda, mamãe... Nós te amamos muito!
Alex: Um tantão assim! – Alexander abriu os braços o máximo que pôde.
Silêncio.
Jo: Você precisa acordar, mamãe. Nossa festa de aniversário está chegando.
Alex: E a gente quer você lá, você tem que estar lá!
Silêncio.
Alex: Papai, por que a mãe não quer acordar?
Castle: Ela quer, meus amores, ela quer muito. Só que... ela não consegue – Castle se aproximou dos filhos – A mamãe está assim há alguns dias, e... eu não sei quando ela vai acordar.
Jo: Eu queria tanto que ela visse a gente...
Alex: E os desenhos que nós fizemos...
Castle: Eu também queria, eu queria muito!
As crianças olhavam fixamente para a mãe, e Castle sentia que seu coração não ia aguentar.
Alex: Tudo bem, mamãe, já que você não pode ver, eu vou te falar o que nós desenhamos – Alexander pegou um dos desenhos – Aqui nós estamos na praia. Eu e a Jo estamos fazendo um castelo de areia, você está vendo? – Alexander colocava o desenho defronte à Kate, como se ela pudesse ver.
Jo: E você e o papai estão sentados aqui olhando a gente e sorrindo, porque vocês gostaram do nosso castelo.
Alex: Nós somos uma família feliz, não somos?
Castle sentiu seu peito sufocar.
Castle: Eu... já volto – foi o que conseguiu dizer, antes de sair e fechar a porta. Encostou-se no corredor do hospital, tentando segurar o choro, mas sentindo umas lágrimas escorrerem. Serena o avistou do final do corredor, e veio até ele.
Serena: O que houve?
Castle: Eu não consigo...
Serena: Castle...
Castle: Eu não consigo ver aquilo. Nós éramos tão felizes.
Serena: Vocês ainda são, ainda serão muito felizes. Você não acredita nisso?
Castle: Eu não sei...
Serena: Ei, você não pode desistir! Aquelas duas crianças precisam da sua esperança.
Castle: Minha esperança está sendo destruída pelo medo de perdê-la. Eu não consigo viver sem ela... eu não quero viver sem ela!
Serena: Castle, acalme-se. Fique aqui, eu vou buscar um copo de água com açúcar.
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Enquanto isso, no quarto...
Alex: E aqui nós desenhamos todos os Backyardigans, está vendo, mamãe?
Jo: Eu fiz a Tacha e a Uniqua.
Alex: Eu fiz o Tyrone e o Pablo.
Jo: E o papai desenhou o Austin, mas ficou meio estranho, não ficou?
Alex: O papai não desenha muito bem, mas não conta para ele, ta mamãe?
Jo: E aqui nós escrevemos “NÓS TE AMAMOS, MAMÃE”.
Alex: Nós que escrevemos, mamãe, porque nós sabemos escrever.
Jo: E nós te amamos de verdade.
Alex: “Nós somos seus amiguinhos, os Backyardigans...” – Alexander começou a cantar e passou a mão nos cabelos da mãe.
Jo: “Juntos nós somos os Backyardigans...” – Johanna emendou a música, e deitou-se do lado da mãe. Alexander fez o mesmo.
De repente, o silêncio no quarto foi quebrado.
Kate: Pablo, Tacha, Uniqua, Tyrone e Austin...
Kate abriu os olhos lentamente. Johanna e Alexander levantaram e encararam a mãe.
Jo: Você acordou, mamãe!
Alex: E você sabe os Backyardigans!
Kate: Claro que eu sei! Pablo é o pinguim azul, Tacha a hipopótama amarela, Austin o canguru – Kate pareceu pensar – roxo, isso, roxo, Tyrone é o alce laranjado e Uniqua... Uniqua é a rosinha com manchinhas, eu não sei bem o que ela é.
Jo: Isso, mamãe! A Uniqua é uma formiga.
Alex: Ela não é uma formiga, ela é um ácaro.
Jo: O que é um ácaro?
Alex: É um bichinho pequeno.
Kate riu dos filhos e respirou fundo. Correu os olhos ao redor e percebeu que estava numa maca.
Kate: O que vocês estão fazendo aqui no hospital?
Alex: Nós viemos te visitar, mamãe!
Jo: Você estava muito dodói esses dias.
Um filme se passou pela cabeça de Kate: o caso do bebê, ela, Castle, Espo e Ryan entrando na casa, o tio ameaçando matar a criança, ela se arriscando e sentindo a faca entrar em seu corpo. Ela nos braços de Castle...
Kate: Onde está o papai?
Jo: Ele deu uma saidinha.
Kate esforçou-se e sentou-se na maca. Passou a mão por seu peito, onde sentiu uma leve dor.
Jo: Olha mamãe, eu te maquiei! – Johanna pegou um espelho para Kate se ver.
Kate: Obrigada, minha princesa! Eu estou linda! – ela abriu um grande sorriso para a filha.
Alex: Está mesmo! – Alexander abraçou forte a mãe. Jo fez o mesmo do outro lado.
Kate: Ah meus amores, que bom que vocês estão aqui! Jo, você colocou o vestido que eu amo!
Jo: Sim, mamãe! – Johanna sorriu orgulhosa.
Kate: E meu mocinho todo lindo com essa camisa xadrez!
Alex: Nós nos arrumamos para você, mamãe!
Kate: Vocês são uns amores... os meus amores!
Kate beijou os filhos várias vezes.
Alex: Mamãe, você quer ver nossos desenhos?
Kate: Claro!
Alexander pegou todos os desenhos de novo e colocou no colo da mãe. Eles foram vendo juntos e explicando um por um.
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Enquanto isso, no corredor...
Serena: Está melhor?
Castle: Sim – Castle deu um último gole no copo.
Serena: Eu sei que é uma situação difícil, Castle, mas você tem que ser forte, eles precisam de você.
Castle: Meu Deus, as crianças! O horário de visitas já acabou! E agora?
Serena: Não tem problema, eu dou um jeito de tirá-los daqui. Mas você precisa se recuperar primeiro.
Castle: O que mais dói é pensar no quanto estávamos felizes... Daqui uns dias é aniversário deles, 7 anos... nós estamos planejando a festa há meses. Eu ainda não consigo acreditar que ela não estará...
A porta do quarto se abriu e Alexander andou em direção ao pai.
Alex: Papai, a mamãe está perguntando por que você não voltou para o quarto ainda.
Castle olhou desolado para Serena, e se abaixou para falar com Alex.
Castle: Filho, a mamãe não está conversando... talvez você tenha tido a impressão de que ela falou isso, ou talvez a Jo que falou...
Alex: Não, papai, foi a mamãe mesmo. Ela disse também que é muita irresponsabilidade sua deixar duas crianças sozinhas num quarto de hospital.
Castle: É a cara dela dizer isso... – Castle suspirou, e fez uma pausa, pensativo – É a cara dela dizer isso! – ele lançou um olhar para Serena, e se levantou num pulo. Correu para o quarto, sendo seguido pela enfermeira e por Alex.
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Assim que abriu a porta, Castle parou em choque. A cena que se via era Kate sentada na maca mexendo nos cabelos da filha, que estava sentada entre suas pernas.
Kate: Eu preciso te ensinar de uma vez por todas a fazer uma trança, babe – Kate sorriu para Castle.
Castle: Kate... – as outras palavras sumiram de sua boca.
Serena passou por ele correndo, puxando o estetoscópio. Alexander correu para a escadinha e subiu na maca de novo.
Serena: Você tem que sair com as crianças, Castle – a mulher falava apressadamente, enquanto se colocava entre Johanna e Kate, e ouvia o coração desta.
Kate: O que está acontecendo?
Serena: Eu preciso chamar os médicos e minha equipe – ela voltou-se para Kate – Você está sentindo algo?
Kate: Eu... não, eu – Kate sentiu a luz do aparelho da enfermeira entrar em seus olhos. – Eu estou bem. Não estou?
Serena: Precisamos fazer alguns exames – ela fitou o homem parado perto à porta – Castle, rápido!
O grito de Serena despertou Castle, que ainda não conseguia acreditar. Ele enfim se aproximou, tirando as crianças de cima da maca.
Alex: Nós queremos ficar!
Kate: Eu quero que eles fiquem! – os olhos de Kate encontraram os de Castle e ele sorriu, deslizando seus dedos pela mão dela.
Castle: Você voltou, meu amor... você voltou para mim!
Kate: Rick... – Kate sentiu a mão de Castle se soltando da dela, e em segundos seus três amores deixaram a sala.
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