Who is the New Talent?
9 Primeira Audição
O dia da audição chegou e eu...não estava preparada para isso.
Tive pelo menos uma semana para resolver isso, mais precisamente até o próximo sábado e tudo o que fiz foi ficar parada no lugar.
E mesmo assim cá estou eu, de volta à GLT.
As regras estabelecidas foram a seguinte.
Eu tinha que chegar aqui pela tarde, mais ou menos por volta das 14h, foram divididos em dois períodos uma audição com um grupo pela manhã e outra pela tarde da qual eu estaria participando.
Pelo o que pude ver durante uma semana eles realizaram esse processo, pelo menos 40 jovens participavam desse processo diariamente, 20 pela manhã e mais outros 20 pela tarde, coincidentemente 20 eram o número de vagas disponíveis para essa audição, em uma conta rápida pelo menos 300 candidatos irão passar por isso, a disputa é realmente grande.
Como acabei demorando para me registrar acabei sendo colocada no penúltimo dia.
Talvez o período de tempo não seja levado em consideração, quem sabe...
Enfim, no informativo não havia uma conduta de vestimenta então acabei vindo do jeito mais padrão possível, como o clima estava fresco, nem muito quente muito menos frio, pude vir com uma blusa preta de manga longa, shorts que iam até o meu joelho e meia-calça, meu cabelo não estava dos melhores então vim com meu boné.
Nada tão chamativo o quanto, mas também um traje bem fechado.
Depois que confirmei minha presença com os documentos solicitados e o comprovante, fui registrada, eu seria a número 37, então minha audição seria por volta das 16h, apenas pelo número de candidatos eu pude deduzir o meu tempo de espera.
Mesmo assim exigiram a minha chegada tão cedo, que saco, terei que ficar um bom tempo esperando.
Ao menos eles fizeram questão de distribuir alguns lanches para aqueles que aguardavam.
Depois de toda burocracia era apenas questão de esperar ser chamada.
Todos ficaram em uma sala reservada e espaçosa, mas já podia ver alguns rostos peculiares.
Já haviam alguns grupos formados e outros lobos solitários, alguns ensaiando o canto e outros afiando as cordas de seus instrumentos e ensaiando com outros.
Claro que as duplas não iriam participar juntas, afinal é uma audição individual, mas é aquilo, companheirismo mesmo na competição.
Havia vindo para cá sozinha então não tive palavras de confiança da parte da Becca, mas não seriam necessárias já que não tenho expectativas.
Conforme aguardava os primeiros 10, mais precisamente alguns candidatos de 24 à 33 foram sendo chamados eu apenas aguardava a minha vez.
Não havia muito a ser feito nessa sala com exceção de ensaiar e os lanches, mas eles não eram dos melhores, quer dizer parece que estão aqui desde hoje, mas talvez no começo da tarde então apenas comi o que parecia ser um cupcake.
Alex seguia distraída aguardando sua vez para a audição, ela se sentou perto de uma fileira de cadeiras isolada observando os candidatos sendo chamados.
Então da porta externa uma figura conhecida acaba entrando, ela nem sequer percebeu a presença quando ela fez questão de se sentar algumas cadeiras de distância dela.
Espera...essa não é a tal da Park? Não pode ser... a audição dela também é hoje?
Como deduziu isso gênio, pelo fato dela estar aqui ou pelo crachá de identificação com o número 36 estampado?
Assim como eu ela não trouxe nenhum instrumento, será que ela irá cantar ou dançar?
Distraída enquanto encarava Madison a outra acaba se virando e ambas acabam se encarando por alguns segundos até que virassem seus olhares.
Naturalmente fui ignorada, não que eu fosse puxar algum assunto com ela, mas depois daquele dia talvez as coisas ficassem estranhas, não sei como definir esse sentimento, talvez vergonha alheia? Não sei a palavra certa para utilizar.
— Essa é sua...
— Hm?
— Com certeza, essa é sua primeira audição não é? — perguntou Madison -
— Hã?
— Não poderia dizer, afinal você me parece bem calma mesmo sendo sua primeira vez em algo do tipo.
Alex não entendeu o motivo dela estar puxando uma conversa com ela.
— Algum problema com isso?
— Nenhum, mas alguém com o talento como o seu...ao menos eu esperava que estivesse preparada para isso.
— E quem disse que eu não estou? — questionou Alex -
— Está bem distraída, como se estivesse entediada, mas não posso culpá-la, talvez eu sinta o mesmo nesse momento.
Seu tom era um pouco apático, como se estivesse falando comigo por obrigação, não sei dizer a razão mas essa é a sensação.
Talvez eu possa aproveitar o momento para tentar compreender como ela se sente depois de nosso embate, quero dizer, o que deveria ser sentido em um clima como esse?
— Olha, sobre o que aconteceu...
— Se quer tentar relembrar aquele episódio apenas esqueça. — Madison apenas cortou Alex no mesmo instante -
— Hein?
— Eu não sou tão ingênua e cabeça quente quanto Emily, o que aconteceu já passou, não tenho desavenças com você muito menos pretendo criar algum laço.
— Tão carismática... — disse Alex em tom sarcástico -
Talvez fosse um erro insistir nessa conversa fria, mas ao menos ela pode ser direta em relação ao que sentiu, então não preciso me preocupar com o clima indiferente.
— Talvez isso não sirva para você.
— Olha só...Se vai continuar me farpando indiretamente porque não me esquecer? — disse Alex -
— Só estou dizendo porque é o que parece. Alguém como você que parece não se importar com isso, pegando a chance de algum potencial talento que realmente mereça essa vaga não deveria estar aqui.
— Hey relaxe, talvez seja você quem esteja levando isso a sério de mais, não é apenas uma audição?
— Pensar dessa maneira apenas comprova meu ponto de vista, talvez seja melhor nem sequer tentar.
Esse seu tom de voz por alguma razão me incomodava.
Está transparecendo ao máximo para não ser arrogante porém não está dando certo, quem ela pensa que é afinal?
— Número 36! Madison Park!
Uma das coordenadoras da audição chamou o nome de Madison que prontamente responde.
— Boa sorte, vai precisar.
Após uma última provocação ela deixa aquela sala deixando Alex aborrecida após encará-la com desprezo.
Mas que filha da...
Esse tipo de pessoa apenas faz o meu sangue ferver por alguma razão, agora estou curiosa a respeito da sua audição, para estar tão confiante deve apresentar algo tão surpreendente o quanto, uma pena que eles privaram a todos de assistirem, levaram o conceito de individualismo longe de mais.
Tenho que me acalmar se deixar ela entrar na minha mente posso acabar fazendo alguma besteira, ainda mais agora que serei a próxima...
[...]
— Número 37! Alex Rose!
Após alguns minutos a minha vez havia chegado, acabei seguindo a coordenadora até o salão principal do qual seria a audição.
Como havia feito o tour os corredores não me são estranhos além do mais já vim para cá antes então já sei o que me aguarda.
Depois que ela abriu a porta para mim tive que seguir solitária até o centro do palco.
De fato ainda haviam aqueles mesmos instrumentos mas fora do lugar, alguns poderiam ter sido usados pelos outros candidatos, mas haviam alguns a mais.
— Guitarras...baterias...baixos...flautas e até mesmo violinos? — disse ela ao ver os instrumentos -
— Boa tarde Senhorita Rose.
— Boa... — saudou ela brevemente -
Ao escutar uma voz rouca e feminina ela se vira observando três figuras e uma mais ao fundo com uma câmera em suas mãos.
Então essa é a comitiva da audição?
Aquela mulher de cabelo curto e ruivo, presumo que seja a diretora.
Ela parece ser um pouco mais velha que "ela" mas nem tanto.
Do seu lado aquele homem excêntrico chamado Sullivan e outra Professora? Talvez uma coordenadora para avaliar o desempenho alheio não sei dizer.
E não só isso mas aquele Nate Parker estava aqui também! Ele ficou responsável pelas filmagens de registro da audição? Pfft, boa sorte, deve ter sido um saco ficar vendo vários jovens se apresentarem todos os dias enquanto segurava uma câmera.
Ambos se encaram brevemente mas não demonstraram uma reação alarmante, apenas se cumprimentaram acenando à cabeça.
— Devo dizer que estou surpreso com sua presença aqui hoje, qual é por acaso te subornaram?
Sullivan a provocava com um olhar tendencioso, afinal ele era um dos poucos que sabia um dos possíveis motivos para a presença de Alex naquela audição.
— Stewart, por favor.
— Qual é Senhorita Person, foi apenas um gracejo da minha parte não se preocupe.
A diretora o colocou no seu lugar com um olhar sério, percebo que é uma mulher que não tolera brincadeiras passando um ar intimidador.
— Stewart pode ter pessoalmente falado com você, mas aqui não levaremos em conta favoritismos, mas sim o talento, comprometimento e empenho.
Apenas o talento é? Então de fato esse era o jogo por trás disso tudo, ao menos não utilizam privilégios para darem vantagens a outras pessoas.
Então é essa mulher que tem que ser impressionada.
— Já que faremos dessa maneira, então nos diga, "Senhorita Rose" o que tem para nos mostrar aqui hoje?
O que eu tenho? Bem, agora chegou o momento de ouro...
Posso seguir com uma ideia padrão ,uma performance musical com algum instrumento, mas...qual seria o mais adequado para isso?
Alex olhava para todos os instrumentos espalhados a sua volta, mas nenhum era de seu agrado.
Em um momento de devaneio ela começa a olhar em sua volta, percebendo o local em que se encontrava, ela olhou brevemente para Nate que estava mais ao canto preparando sua filmagem perto do que parecia ser o carrinho de transporte do zelador.
Talvez...seja isso!
Se aproximando da bateria ela pega as duas baquetas e as coloca no chão.
— Esperem um pouco.
Descendo do palco ela se aproxima de Nate, então sem mais nem menos ela pega dois baldes de limpeza vazios ao seu lado.
— Vou precisar disso...
— O que está fazendo..? — sussurrou Nate -
— Não faço ideia... — respondeu ela -
Retornando ao palco ela coloca os dois baldes um a frente do outro e se senta naquele que estava mais atrás com as baquetas em mãos.
— Poderia saber o motivo disso tudo? — perguntou a Diretora -
— Honestamente, nem eu sei explicar mas...não sei bem como dizer, levar a sério, seguir descontraída...tanto faz, além do mais acho que já viram mais do mesmo e se apenas o talento em si é levado em conta, porque não uma demonstração direta?
A mulher não compreendia a ação da garota, diferente do homem que estava sentado ao seu lado, tal excentricidade era algo esperado por ele, mas uma atitude assim em uma audição como aquela, era a primeira vez em alguns anos que ele havia visto algo parecido.
Talvez eu estivesse pensando de mais, para começo de conversa eu nem sequer me importava com isso e acabou fazendo a minha mente.
Com o tempo comecei a levar a sério ainda mais com as palavras daquela Madison em minha cabeça, me perturbando ainda mais.
Mas vamos ver se isso via me levar em algum lugar... Encontrar uma ideia e deixar rolar...
Que ridículo...
Ela começou utilizando as baquetas para dar algumas batidas soltas no balde, escutando o som que fazia quando a madeira entrava em contato com o plástico.
Quando compreendeu ela começou sua performance, com alguns truques com as baquetas as jogando para o alto e pegando com maestria.
Após sua exibição ela começa com outras batidas criando um ritmo constante.
Ocasionalmente com seus pés ela levantava o balde deixando o som mais grave.
Nada mal...
Percebendo o tom harmônico ela começa com batidas mais rápidas, como se estivesse tocando uma bateria completa.
Nem parecia mais que estava em uma audição importante, ela se divertia com o som que estava fazendo, utilizando apenas alguns itens aleatórios a sua volta para fazer música.
Sullivan cruzava os seus braços analisando o comportamento da garota enquanto a outra professora fazia as anotações.
A diretora permanecia séria como se estivesse fazendo um julgamento sincero, Nate por sua vez seguiu filmando com uma certa emoção em seu olhar, o ritmo para o rapaz era contagiante.
Com um único balde e duas baquetas ela conseguia criar vários ritmos a sua vontade, de fato um comportamento peculiar.
Finalizando sua performance ela batia de forma acelerada dando um encerramento mais lento em suas últimas batidas.
Clap Clap
Inesperadamente Nate aplaudiu a garota, mas logo se recompôs quando os mais velhos olharam para ela.
Bem, foi isso...
Era a primeira vez que havia tentado algo fora da curva dessa maneira, aquela mulher fez mesmo a minha cabeça...
Independente do resultado, tanto faz, ao menos consegui concluir essa pendência.
— Bem isso foi...surpreendente, acha que isso pode ser aceito Senhora diretora? — perguntou Sullivan em tom descontraído -
— Foi de fato uma demonstração bem peculiar...Apesar de não ter utilizado sequer um instrumento ou feito alguma performance do gênero, pelas regras iremos aceitar sua apresentação. — respondeu relutante -
— Ouviu isso garota, você tem um quase sim, deveria se orgulhar. — Sullivan não conteve sua animação -
— Apenas fique atenta que em breve divulgaremos os resultados, até lá lhe desejamos boa sorte.
Agora é só esperar o não...ainda assim se me permite um comentário...não foi tão ruim quanto eu esperava, um balde e duas baquetas...fala sério.
— Posso ficar com isso? — perguntou ela erguendo o balde -
[...]
Aquele dia foi um completo fiasco, mas não posso reclamar.
E a lição que tirei disso tudo? Me importar de mais com as coisas acaba me dando dores de cabeça.
Me importar com a audição, me importar com os comentários alheios de garotas esnobes, me importar em...pensar? A lista não é tão grande assim mas a ideia é basicamente a mesma.
De certa forma eu ainda tinha apenas mais uma semana para curtir antes de retornar ao cenário estudantil.
Me sentei a mesa para jantar naquela noite para contar as novidades para Becca que havia retornado para casa.
—Hmm...então no final das contas você acabou dando uma de Lena não é? — disse a mulher em tom provocativo -
— Dando uma de Lena? — questionou Alex -
— Isso, fazer primeiro e se questionar depois.
— Da próxima fale isso e não me faça analogias esquisitas.
Mas ela está certa, aquela mulher é do tipo fazer primeiro pensar depois, não quero acreditar que fui influenciada a fazer o mesmo naquela audição.
— Mas ao menos foi uma boa experiência para você, claro de um jeito único, talvez não apenas para você.
— Verdade, agora sei que audições são um saco e que devo apenas fazer o que me dê na telha, de fato ótimas experiências. — disse Alex sarcasticamente -
— Bem, se está satisfeita consigo mesma é o que importa, embora tenha que estragar o seu barato, semana que vem suas aulas irão retornar.
— Ugh, nem me fale, mais uma dor de cabeça para se tolerar.
Zoom Zoom
O celular de Alex vibrava em seu bolso.
Era uma notificação de um email, o que era estranho para ela já que não recebia esse tipo de mensagem.
— Esse é dá...GLT?
Ela então abre o email no mesmo instante.
Viemos por meio deste comunicar que a concorrente Alex Rose ficou em 18° na audição para a entrada à Great Legacy Talent e gostaríamos de parabenizá-la com antecedência, será um orgulho e honra tê-la como uma de nossas novas alunas e aspirantes do mundo artístico, desejamos que suas escolhas sejam douradas e que seus caminhos sejam sempre iluminados.
Demais instruções serão enviadas a partir de amanhã, fique atenta aos emails enviados por este mesmo endereço...
— Eu...entrei. — disse ela incrédula -
— Hmm...Legal. — respondeu Becca normalmente -
— Legal? Só legal?!
— O que foi? Esperava alguma reação alarmante? Não deveria ser surpresa que eles reconheceriam o talento de uma garota que aparentemente faz muito com pouca coisa.
Talento? Reconhecimento? Isso não vem ao caso eu realmente fui aceita?
O que esses caras tem na cabeça para fazerem isso?! Quer dizer? Porquê? Como?
Será que ela tem alguma coisa haver com isso? Nem... Ela só me ajudaria se eu pedisse diretamente e em casos como esse ela nem moveria um dedo, no entanto sua influência não chegaria tão longe dessa maneira.
— Mesmo assim...lhe dou meus parabéns, só espero que como a nova caloura você comece a se dedicar mais. — advertiu Becca abraçando-a -
Me dedicar? Eu nem sequer sei como reagir.
Se estivesse me importando era para eu estar feliz, mas como não é o caso qual reação seria melhor? Comemorar?
Aceitação seria um bom caminho mas como poderia fazer isso?
— Acho que estou ferrada... — murmurou ela -
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