Who are you?
48 Who Are You?
Notas iniciais
— O juri deliberou. E decidiram por declarar Santana Lopez... Inocente, de todos os crimes que imputavam-lhe. – Todos começaram a vibrar e a comemorar entre si, o pesadelo tinha finalmente acabado. – Ordem, ordem, por favor! – Com muito custo eles seguraram a alegria e ficaram em silêncio. – Quanto a ré Daniele, ela deverá responder pelo crime de assassinato perante o juri, em julgamento próprio que ocorrerá em um mês. Quanto ao réu Manuel, será julgado pelo crime de sequestro. Já a ré Samara Lopez, será submetida a medida de segurança, devendo ser internada em uma clínica de segurança do Estado, não podendo sair da mesma até que uma banca avaliadora determine que não oferece mais risco a sociedade. Essa banca deverá se reunir a cada dois anos...
O resto da sentença foi lida, mas a verdade é que Santana já não escutava mais nada. Ela era inocente e a justiça por seus pais seria feita, era um sentimento libertador, mas que durou poucos segundos, uma vez que nunca se conformaria com a ideia de que os responsáveis eram sua própria irmã e ex-noiva.
Os meses que se seguiram serviram para demonstrar a todos o quanto a latina tinha ficado abalada desde então. Todos voltaram as suas rotinas, inclusive Santana, mas ela tinha criado um muro entre ela, seus amigos e seu amor. Brittany sentia que quando elas estavam juntas, apenas era o corpo dela ali, mas que sua amada mesmo não estava presente. Isso machucava a loira, porém ela tentava ser paciente, pois sabia que não era fácil nada daquilo. Quando Dani foi condenada a mais de 50 anos de prisão, Tito 85 e Manuel 15, Brittany achou que as coisas se estabilizariam, mas nada aconteceu.
Com três meses tendo passado, Rachel resolveu dar a parte da galeria para Kitty, que transformara em uma escola de fotografia, enquanto ela ocuparia a parte de cima e daria aulas de canto. Com uma sócia nos negócios, teria tempo de se dedicar a filha que estava prestes a nascer. Desta forma, Kitty também poderia se mudar e ficar mais tempo com a família. E aquela era a noite de inauguração. Kitty exporia seus melhores trabalhos e Rachel faria uma apresentação. Todos os amigos e familiares foram convidados.
Santana estava em um canto, apreciava uma taça de champanhe enquanto olhava um dos trabalhos de Kitty.
— Impressionante, não é? A minha irmã disse que foi tirada em uma viagem ao Brasil. Deve ser um país realmente encantador.
— Sem duvidas! E Kitty tem muito talento, ajudou ainda mais. – Disse sem graça, sem olhar para Brittany.
— Verdade! Mas mais do que falar do talento da minha irmã, eu quero conversar com você. A sós. Pode me acompanhar até o andar de cima?
— Claro! – Saiu na frente em direção as escadas.
Santana e Brittany entraram em uma das salas de música no piso superior, a loira começou a caminhar pelo local e parou diante de um lindo piano com o qual ela brincou com as teclas ao deslizar os dedos. Santana a observava ansiosa, até que ela parou e sentou no banco e chamou-a para se sentar ao seu lado.
— Eu estou cansada, Santana.
— Eu sei.
— Não, me escute. Eu te entendo, ok? Eu sei que não tem sido nada fácil pra você. Eu compreendo que foi dolorido demais tudo o que aconteceu. A mulher que você amou e a sua irmã se juntaram para matar seus pais. Eu também surtaria. Sério, eu não sei o que eu faria. Por isso, quando você resolveu se isolar de todos nós, eu aceitei. Porque se isso te faria bem, te daria espaço pra poder lidar com seus sentimentos, eu apoiaria. Mas foi pior do que eu pensei. Então, eu decidi que ficaria colada a você, que não era saudável ficar sozinha num momento assim, mas você me mandou embora. E desde então eu fico nessa linha entre tentar demonstrar que você não está sozinha, e ao mesmo tempo mostrar que tem o espaço que precisa. Só que isso também está me machucando, já faz três meses. Estou confusa sobre o que você quer, sobre o que temos e se ainda temos. Você ainda me quer? Ou não? É melhor terminarmos o noivado?
— Brittany...
— Santana... Eu vivi o suficiente em um casamento em que eu me sentia completamente despedaçada. Você foi o meu sopro de vida, mas eu não quero entrar nesse buraco negro de novo. Não quero parecer egoísta, mas você tem que me dar um sinal do que espera de mim. Porque eu... – Santana segurou o rosto dela com as duas mãos e selou seus lábios, impedindo que ela continuasse a falar.
— Eu te amo! E a única coisa que eu não queria era te deixar infeliz no nosso relacionamento. Ainda mais que chegasse ao ponto em que o comparasse ao seu casamento com o Sam. Eu... Eu apenas me perdi em tudo o que eu estava sentindo. E eu não queria que você se afundasse em minha tristeza comigo. Eu não percebi que estava te fazendo mal, a egoísta fui eu. Mas é que esse julgamento bagunçou tudo aqui dentro, sabe? Tudo o que a Samara me disse... Eu ainda sonho com o sorriso dela, aquele ar maldoso e vencedor... Ainda tem aquele depoimento de amor macabro da Dani... Enfim, aqui dentro eu surtei. – Ela apontava pra própria cabeça. – Mas aí eu aceitei uma indicação da Quinn, ela me passou o nome de uma ótima psicóloga que me ajudou com tudo. Desde a lidar com essa dor, até a colocar uma ordem cronológica nas minhas lembranças.
— Isso é ótimo!
— É sim! E isso me ajudou em muitos aspectos. Eu organizei a minha vida toda e tomei algumas decisões. A primeira é que eu resolvi abrir uma filial da minha empresa e mudar a sede dela pra Rochester.
— Como? – Brittany estava nitidamente surpresa.
— Sim, é que não vai dar certo eu morando em uma cidade e a minha futura esposa morando em outra. Eu preciso de você comigo todos os dias da minha vida, não só nos finais de semana. Mas eu também preciso cuidar dos meus negócios. Então eu vou transferir a sede pra Rochester.
— Eu não acredito! Eu estou tão feliz! – Brittany jogou seus braços em torno do pescoço de Santana e a abraçou com força.
— Eu também. – Deu um beijo suave no ombro dela. – E isso significa que precisamos encontrar um arquiteto e companhia pra começar o projeto de nossa casa. Precisamos de um lar.
— Eu conheço alguns, mamãe vivia reformando a casa, inclusive se metendo na minha. Não vai ser difícil.
— Ótimo! E eu pensei que enquanto as obras estão em desenvolvimento, nós poderíamos fazer aquela viagem que você comprou de presente. Eu, você e o Luca.
— Me dê um mês pra organizar os negócios, também é o tempo da bebê da Quinn e Rachel nascer, além de acertarmos com uma boa construtora e então... Somos todos seus.
— Vai ser incrível! – Santana voltou a tomar os lábios de Brittany para si, mas agora com muito mais intensidade, sentia saudade de tocá-la assim.
Não só um mês correu rápido, mas como os anos se passaram com velocidade, 3 para ser mais exato. E as coisas pareciam ter mudado bastante com o decorrer do tempo. Gabriely se separou de Rafael e agora vivia com outro homem que era bom pra ela e que a amava verdadeiramente, a matriarca Pierce não acreditava que puderia ser feliz depois de tanto tempo, mas percebeu que ela também merecia um pouco de alegria. Rafael estava só, pois quando se separou, seu amante pensou que finalmente poderiam assumir o seu romance, ao menos, morar juntos, mas Rafael insistia em manter as aparências, o que foi a gota d’água. Brittany tinha o controle das empresas e apesar de seu coração bom tê-lo perdoado, não queria saber de qualquer contato com o irmão. Kitty não foi diferente, recusou-se a voltar, se quer, a vê-lo. Tudo se resumia em breves frases em reuniões importantes da empresa em que eram obrigados a socializar.
Fabio e Caroline ainda tentavam se recuperar da perda de seus bens, apesar do lucro das empresas, já não tinham mais a mesma posição depois de Fabio ter perdido grande parte da fortuna no jogo. Sam cumpriu dois anos de sua pena preso, apesar de terem pago a dívida, ficou comprovado suas fraldes. Depois que saiu da prisão, levou mais meio ano para voltar a trabalhar, só que agora tinha um cargo de Diretor Adjunto. Apesar de tudo, ele ainda era um dos donos e pai de dois dos herdeiros.
Noah já não era mais detetive particular, ele resolveu usar seus conhecimentos para ajudar a polícia e entrou na academia, inicialmente como policial e estava batalhando pra conquistar seu cargo como detetive. E agora, verdadeiramente, estava em um romance com Kitty. A caçula Pierce crescia cada vez mais profissionalmente, sendo reconhecida nacionalmente como uma grande artista. Seu filho, agora com seis anos, continuava sendo sua maior paixão, ele havia se recuperado totalmente de sua doença, para tranquilidade de toda a família.
Quinn dedicou um ano inteiro a cuidar da filha, com todo o auxílio possível de Rachel, eram verdadeiras mães corujas. Sofreu quando decidiu voltar a trabalhar, mas contou com a ajuda dos pais de Rachel, que cuidavam da pequena enquanto as mães não estavam em casa. Quinn associou-se há um grupo de psicólogos e agora tinha um renomado nome em sua área. Rachel dividiu-se entre cuidar da filha e cuidar de sua escola no primeiro ano. Ela contratou outros profissionais para que pudesse pegar o menor número de aulas possível, para não ficar tanto tempo longe da família. Elas não queriam depender de ninguém financeiramente, por isso uma delas tinha que se manter trabalhando, mas tudo sem abrir mão de curtir a nova integrante da família. Ao fim daquele um ano, voltou a sua rotina de aulas normais e com Beth mais crescidinha, podia leva-la junto para o trabalho de vez em quando. Com a primogênita com três anos, pensavam se não era hora de planejar um segundo filho.
Luca também já estava bem crescido, com seus quatro anos e meio era o reflexo vivo da mãe, tanto na aparência, quanto em seu gênio. Brittany se sentia orgulhosa da forma como o filho crescia, apesar de seu casamento conturbado com Sam, o mesmo tinha lhe proporcionado a experiência mais maravilhosa de sua vida que era a de ser mãe. Ela teve que amadurecer muito cedo, aos 21 estava se casando, aos 23 já era mãe, aos 24 estava divorciada e vivendo o que realmente significava o amor. E agora, com quase 28 anos de idade, era reconhecida como uma das maiores empresárias de seu ramo. Recebera diversos prêmios pela sua administração, ainda mais por ter se livrado de uma crise tão terrível como a que tinha abalado seus negócios. Ela tinha tudo o que sempre sonhou, uma casa tranquila, um verdadeiro lar pro seu filho, amor verdadeiro, um relacionamento melhor com sua mãe e irmã, além de amigos que estavam sempre ao seu lado. E isso era o que Santana também compartilhava. Os negócios de sua família estavam sempre em constante crescimento, ainda sentia um vazio deixado pelos seus pais e por sua irmã, ela nunca mais voltou a vê-la. Apenas era notificada quando uma nova avaliação psicológica seria feita, mas nunca liberavam Samara. Seu relacionamento com a sua avó não era mais o mesmo de antes, mas pelo menos agora existia um. As duas conversavam e vez ou outra se visitavam, aquilo já era o suficiente para a latina, que chegou a imaginar que nunca mais receberia o amor da avó. E ainda, nunca mais se sentiu só, agora tinha seus velhos e novos amigos juntos e também tinha sua nova família. Brittany era seu grande amor e Luca era como se fosse seu filho também, ele até aprendeu a chamá-la de “mãe”. O que mais poderia querer? Nada, talvez, além de oficializar, finalmente, o que ela tinha com a loira. Em fim elas iriam se casar.
Depois de três anos elas resolveram que era o momento de realizar a cerimônia, mas nada muito grande, apenas para os amigos mais próximos e os familiares. Rachel, Quinn, Mercedes e Kitty seriam as madrinhas. Puck, Kurt, Blaine e o namorado de Mercedes, seriam os padrinhos. Mas o principal de tudo era que Santana só queria se casar quando estivesse grávida e quando sua barriga estivesse em evidência, era um sonho que tinha, por isso, quando completou sete meses de gestação, decidiu que era o momento certo. E lá estavam todos, tentando se organizar pro casamento.
— Brittany, se você demorar mais um pouco com esse vestido... Santana estará parindo.
— Não seja exagerada, Kitty. Até parece que quem vai casar é você. – Disse do lado de dentro do banheiro, saindo em seguida.
— Ela não está a noiva mais linda? – Quinn, que estava a ajudando com o vestido, disse assim que saíram.
— Eu acho que a minha cunhada vai pirar ao te ver!
Brittany usava um vestido sereia simples, sem grande luxos, mas que ficava impecável em seu corpo. Seus cabelos estavam trançados e enfeitados com flores brancas, na mão tinha uma rosa também branca.
— Está bom mesmo? Eu estou tão nervosa! Parece que eu nunca fiz isso antes. Eu estou me tremendo da cabeça aos pés. – Mostrou as mãos tremulas.
— Vai dar tudo certo! E agora vai ser diferente, totalmente.
— Pra começar, sua irmã vai estar lá com você no altar. – Kitty piscou.
No outro quarto, Mercedes e Kurt davam assistência a Santana. O vestido dela era romântico, valorizava seus seios e era solto em baixo, marcando sua barriga. Sua calda era um pouco mais longa, mas também não tinha véu ou grinalda. Seus cabelos estavam presos em um coque com flores enfeitando ao redor do cabelo preso, mas sem exageros. Ela queria que o destaque fosse outro. Ao contrário de Brittany, ela segurava uma rosa vermelha.
— Esse casamento vai ser o mais lindo do século! Olha pra essa mulher! – Mercedes estava de boca aberta.
— Cedes tem razão. Você é linda, sempre foi! Mas essa gravidez e esse vestido... Brittany que me perdoe, mas não tem condições dela estar mais bonita do que você.
— Mas pode ter certeza que eu vou achar ela a noiva mais linda do mundo! E aliás, já não está na hora de começar a cerimônia? Eu não estou aguentando mais, eu quero vê-la. – Os amigos riram da ansiedade dela.
— Fiquem aqui, eu vou ver se está tudo pronto. – Mercedes saiu do quarto e trombou com Rachel que também ia entrar no quarto de Brittany com as crianças. – Aí meu Deus! Acho que meu coração não aguenta tanto fofura junta! – Beth e Miguel seriam os floristas, enquanto Luca levaria as alianças.
— Eu acho que eu nunca tirei tanta foto na vida como agora, minha vontade era apertar os três de uma vez só. – Rachel disse babona.
— Ei garotas! Vim ver se está tudo ok!
— Sim, tudo pronto.
— Aí, e essas crianças? Eu acho que eu vou começar a chorar desde agora.
— Nem pensar, irmã. Sua maquiagem está perfeita, está tudo lindo. Não vamos estragar ou vai demorar mais pra ver Santana.
— Não sei se vou aguentar.
— Vai sim, amiga. Hoje é seu dia, mas ainda tem muito tempo pra chorar. – Quinn segurou a mão de Brittany e a acariciou para dar apoio. — Vamos lá chamar o Kurt, quando os sinos começarem a tocar, você pode sair.
— Vamos meninas e crianças, temos um casamento pra realizar. – Mercedes foi a primeira a sair, sendo seguida pelas demais madrinhas e crianças.
A cerimônia iniciou, assim que os padrinhos entraram os sinos começaram a soar. O casamento seria feito no jardim de um casarão antigo localizado no litoral. Kitty tinha descoberto o local em uma de suas sessões de fotos e o achou perfeito para a realização do casamento da irmã. E agora estava se realizando! Um casamento na virada de estação, da primavera pro verão. Ao entardecer, com o pôr-do-sol quase a iniciar, as luminárias prontas para serem acesas quando a noite chegasse e todos os convidados tinham ganhado também uma vela para iluminarem a cerimônia no momento certo.
Ao som dos sinos, Brittany e Santana saíram dos quartos e se avistaram no topo da escadaria dupla que se unia na metade. Lentamente elas foram descendo, mas sem deixar que seus olhares se desconectassem. Quando se encontraram se deram as mãos e ficaram em silêncio por alguns minutos enquanto se admiravam.
— Parece um sonho. – Brittany foi a primeira a dizer.
— Eu estou pronta pra vivê-lo com você. – Delicadamente ela secou uma lágrima solitária da loira que insistia em cair. – Eu te amo!
— E eu amo você!
As duas seguiram juntas até o jardim, Miguel e Beth entraram na frente jogando flores brancas e vermelhas pelo caminho, até o altar onde Marley, fiel escudeira de Brittany, seria a cerimonialista. Ao som instrumental de Home, de Gabrielle Aplin, elas chegaram até o altar.
— 1º Carta de São Paulo aos Coríntios, 13, 4-8. – Marley começou a ler uma passagem da bíblia. - “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.”— Ela fechou o livro sagrado e intercalou seu olhar sobre elas. – Queridos amigos, estamos presentes aqui, diante dessa imensidão encantada para unir essas duas mulheres pela força do amor. Falar sobre o amor é muito fácil e ao mesmo tempo muito difícil: quando ele é falso, palavra nenhuma convence. Quando é verdadeiro, basta um olhar. Diversas pessoas já falaram sobre o amor, todas tentando definir este sentimento que parece não encontrar nenhuma definição, mas quando eu olho esse casal, com certeza eu posso entender. Numa breve reflexão sobre as palavras que eu li, o amor quando verdadeiro tudo suporta, por isso garotas, por mais que as coisas fiquem difíceis, lembrem que vocês são um presente uma na vida da outra, que vocês nunca imaginaram ganhar, mas que vão lutar todos os dias para demonstrar que merecem e assim serão felizes. Sejam a melhor pessoa que puderem ser, aprendam juntas, errem juntas, mas cresçam juntas. Vocês com certeza estão sendo abençoadas agora, o destino juntou vocês duas e não teve como escapar. Vocês se pertencem. Então quero que olhem uma para outra agora e digam seus votos, aquilo que sentem.
— Eu, Santa Lopez, quero você, Brittany Pierce, para ser minha esposa, para sempre. Com você ao meu lado, eu nunca estarei sozinha. Apesar do mundo ver essa mulher forte e independente, eu nunca conheci alguém tão graciosa e com um coração tão puro. Quando eu estive perdida você sempre esteve lá para me ajudar, então, neste dia e neste momento, prometo o resto da minha vida a você. Você sempre acreditou em mim e eu acredito em você. Acredito, principalmente, que somos melhores juntas. Eu preciso de você na minha vida.
— Eu amo tanto você. – Brittany sussurrou enquanto apertava a mão da morena.
Olhando ao redor, podiam ver Rachel, Mercedes e Kurt chorando como crianças, mas todos com sorrisos nos lábios.
— Bom, quando eu saí de casa numa manhã qualquer e atropelei uma latina, eu não tinha a mínima ideia do que me esperava, muito menos poderia sonhar que eu me casaria com ela. Enfim, queria que esses votos fossem perfeitos, mas a perfeição é uma coisa difícil de se ter. A vida é um pouco confusa, e quando chega o amor, eu acho que é como minha mãe sempre disse: “você não pode fugir do amor, é algo que você nunca procura, ele te acha e quando isso acontece, você não pode se imaginar um dia sem ele”. Santana, eu não posso imaginar passar um momento da minha vida sem você. Eu prometo que sempre a protegerei, assim como sempre me protege. Você é minha amiga, minha casa e o meu verdadeiro amor. Eu sou sua e serei para sempre.
Depois dos votos, Luca entrou com as alianças, o auge da fofura para as duas e assim foram finalmente unidas.
Dois meses depois do casamento, Helena veio ao mundo, interrompendo um jantar em família e levando todos pra maternidade. Como não podia deixar de ser, Santana implicou com todas as enfermeiras que tentaram atendê-la e vesti-la, mas na hora que as contrações começaram a apertar, ela não se importou com nada e guardou todas as suas energias para ter a filha.
— Nasceu! – Brittany anunciou emocionada.
— Podemos vê-las? – Rachel perguntou empolgada.
— Santana vai ser transferida pra um quarto e depois de exames normais, Helena vai ser levada pro berçário. Ela é tão linda!
— Eu sou avó de novo! – Gabriely falou com um sorriso.
— E eu bisa! – Alma surpreendeu a todos ao chegar no hospital com um presente nas mãos.
Depois que Santana saiu da maternidade, Brittany era só zelo tanto com a esposa, quanto com a filha, tirou o mesmo tempo de licença a maternidade. Quando Helena completou quatro meses, as duas se revesavam nos dias que iam trabalhar e ficar em casa para serem totalmente presentes para filha. E aquele era o dia em que Santana iria trabalhar e Brittany ficaria com os filhos.
— Hoje pode ser que eu demore um pouco pra voltar pra casa, eu tenho uma reunião demorada em que vamos decidir a nova coleção pro próximo ano. Mas prometo chegar em tempo pro jantar.
— Tudo bem, eu vou aproveitar pra rever uns contratos também. Marley acabou de volta de férias, está tudo uma bagunça, pois sua substituta era um desastre!
— Eu gostava dela, principalmente pelo fato de que ela tem mais de 55 anos e é muito bem casada com um senhor adorável. – Reprimiu sua risada dando um beijo demorado na esposa, mas resmungou quando seu lábio foi mordido.
— Certeza que você a mandou.
Santana fez uma expressão inocente e foi em direção a Luca.
— E você, meu lindo, não vai me dar um beijo de despedida?
— Eu estou bravo com você. – Formou um bico.
— Por quê?
— Você disse que ia me ajudar a montar minha nave com o lego, mas vai chegar tarde de novo e vai só deitar com a Helena e esquecer de mim. – Cruzou os braços emburrados.
— Parece que eu reconheço esse ciúmes de algum lugar. – Brincou a latina.
— Eu não sei de nada. – Bebericou seu café.
— Vamos fazer um trato? Hoje provavelmente eu vou chegar tarde, mas amanhã já é sábado e teremos muito tempo. Enquanto sua mamãe dorme com a Helena de tarde, duas preguiçosas, nós construímos a nave. Pode ser?
— Pode. – Disse um pouco mais animado.
— Mereço um beijo agora? – Ele se abraçou ao pescoço dela e a beijou na bochecha. – Eu te amo, cuida das mulheres de casa, ok?
— Tá bem, mãe.
Brittany observava tudo com ternura.
— Ok, agora o senhor se apressa que eu vou te levar pra escola. E nem adianta revirar os olhos e fazer careta que sua mãe te ensinou.
A manhã passou rápida para Brittany, ela se dividia em cuidar de Helena e revisar alguns documentos da empresa para que não ficasse nada pro final de semana. Depois, enquanto Berta preparava o almoço, ela foi buscar o filho na escola. Assim que botou os pés de volta em casa seu celular começou a tocar.
— Filho, sobe e lava as mãos pro almoço. – Retirou o celular da bolsa e viu o nome de Quinn no visor. – Oi, Quinn. Tudo bem?
“- Britt, eu estou bem e você? Eu tentei ligar pra Santana, mas acredito que hoje seja o dia dela de trabalhar, certo?”
— Eu também estou bem. – Pendurou o celular entre o ombro e a orelha pra poder recolher os brinquedos espalhados pelo sofá. – Santana deve estar em reunião, por isso não te atendeu. É algo urgente?
“- Mais ou menos. Hoje é dia de mais uma avaliação da Samara, ela sempre gosta de estar presente, gostaria de saber se ela se lembra.”
— Provavelmente ela deve ter se esquecido, mas não acredito que ela vá poder de qualquer forma. Já faz quatro anos, acho que ela tem alguma chance?
“- Eu duvido muito! Vai ser como das outras vezes. Pode ficar tranquila.”
— Mesmo assim, pode me ligar quando acabar pra me dizer como foi?
“- Ligo sim, sem problemas. Ah! Não se esqueçam do jantar em casa no domingo. Até mais tarde.”
— Como poderia esquecer? Noah finalmente vai propor a Kitty. Ele acertou em cheio essa surpresa! Até mais tarde. – Desligou. – Luca! Pelo tanto que está demorando, espero que essas mãos estejam brilhando.
Já na metade da tarde, Brittany fazia Helena dormir quando viu pela janela uma grande tempestade se formar. Como tinha dado a tarde livre para que Berta fosse a uma consulta de rotina, teria que recolher alguns lençóis que estavam no varal antes que a chuva chegasse de fato, os raios já cortavam o céu cinzento.
— Mamãe, eu já terminei meu dever. Eu posso ver um pouco de TV? – O menino apareceu no quarto da irmã.
— Vai começar uma tempestade de raios. Por que não escolhe um jogo bem legal para nós? Eu vou apenas recolher os lençóis e volto pra jogar com você. – Colocou com cuidado a filha no berço.
— Legal! – Saiu correndo animado.
Brittany pegou a babá eletrônica, passou pelo corredor, viu o filho mexendo em sua caixa de jogos e desceu pra lavanderia onde pegou um cesto grande. Os pingos já começavam a cair, em seu bolso seu celular começou a vibrar insistentemente.
— Marley, tudo certo?
"- Na verdade não, senhora Pierce. Eu não consigo trabalhar nessa confusão. Sei que é seu dia de ficar em casa, mas será que eu poderia passar rapidamente apenas pra tirar algumas dúvidas. Tem alguns documentos que não podem esperar até segunda."
— Mas é claro que pode! Só tome cuidado no caminho, a chuva parece que vai ser feia.
"- Sim, senhora."
Brittany jogou seu celular dentro do cesto mesmo, quando ela terminou de recolher toda roupa de cama, correu de volta a casa e escutou o telefone tocar, deixou o cesto em cima da máquina de lavar e correu pra atender o telefone, mas ao atender já era tarde demais. Pela babá eletrônica pode ouvir o choro de Helena, então rapidamente subiu pra os quartos.
— Mamãe, eu já escolhi o jogo. – Exibiu a caixa de batalha naval, o mesmo de sempre.
— Um minuto e eu já volto. Sua irmã despertou.
— Mas a mãe já foi ver.
— Como? – Perguntou confusa.
— Sim! Eu tava abaixado procurando meu jogo e eu vi ela passar no corredor. – Deu de ombros.
— Que estranho. Vou ver porque ela voltou cedo então, vai arrumando tudo.
Brittany caminhou até o quarto da filha e pela brecha da porta pode ver o corpo moreno debruçado sobre o berço, Brittany pode notar que aquelas não eram roupas de Santana, ainda mais porque ela tinha saído de manhã com uma saia e blusa social, não de jeans e blusa preta. Cantava a mesma música que a latina costumava cantarolar para a filha, mas sem duvidas nenhuma não era ela. Mas o que mais chamou a atenção foi uma marca de nascença nas costas. Lembrou-se de imediato do que a abuela de Santana tinha dito no julgamento da neta.
“Samara tem os dedos das mãos mais longos, era o que nos fazia diferenciar quando eram pequenas, olheiras profundas e uma mancha na pele, bem nas costas, na lombar.”
— Mamãe, vem. – Luca saiu no corredor pra chamar a mãe.
Brittany que estava mais branca de que de costume foi até o filho e pediu silêncio.
— Filho, vai no quarto da mamãe e se tranca no guarda-roupa.
— Por quê?
— Me obedece, filho. Depois mamãe explica. Não abre a porta pra ninguém, a não ser pra mim.
— Eu estou com medo.
— Não precisa, é um jogo, tá bom? É só um jogo nosso. Mas tem que fazer tudo que eu pedi se não eu ganho. Vai, valendo! – O menino saiu correndo pro quarto e Brittany entrou no quarto dele, retirou uma lampada do abajur e voltou pro quarto da filha, Samara agora tinha a bebê no colo, Brittany podia sentir seu coração querer sair pela boca. – Samara, veio conhecer sua sobrinha? – Brittany tinha as mãos nas costas, enquanto tentava segurar seu nervosismo.
— Ela tem mesmo os traços da família. Diria que lembra muito a minha mãe. O nariz, sabe? Além do formato da sobrancelhas. Com certeza acordada deve ter o olhar dela. Eu nunca me esqueci, eu tenho o olhar penetrante de Glória Lopez na mente, principalmente o do dia em que ela disse que íamos passear e me deixou trancada naquele lugar.
— Sim, eu vi as fotos de sua mãe e realmente é assustador as semelhanças. – Lentamente ela ia se aproximando.
— Qual é o nome?
— Helena.
— E quem escolheu? Você ou minha irmã?
— Eu. Santana sabia que era minha vontade.
— Shh! Não diga esse nome aqui. – Ela ia ninando a menina de um lado para o outro, dando um jeito de se afastar mais de Brittany. — Olá, Helena! Eu sou a Samara, você já ouviu falar de mim? Aposto que não.
— Como soube onde moramos?
— Por quê? Era segredo? Não queria que eu viesse conhecer minha sobrinha? – Brittany se manteve em silêncio, não sabia quais respostas eram boas para dar. – Hein? Responda-me, cunhada. – Gritou e isso fez com que o bebê despertasse e voltasse a chorar.
— Não é isso... Eu só... só estou surpresa. Agora, me dê a minha filha, ela está assustada, ela precisa dormir. Eu vou fazer ela dormir. – Se aproximou e tentou pegar a filha, deixando a lampada presa a calça na parte de trás, mas Samara se esgueirou.
— Não se preocupe, ela está bem. – Foi caminhando em direção da janela.
— Por favor, Samara. Ela é só um bebê. – A voz dela estava cada vez mais embargada.
— Eu sei e eu só estou a segurando. Qual o problema?
— O problema é que eu a quero de volta.
— Vai ter, no seu momento. Por agora, mantenha distância.
Brittany achou que aquele era o momento perfeito de quebrar a lampada e tentar ferir Samara para que soutasse a sua filha, mas teria que ser cuidadosa para não ferir Helena e nem para deixá-la cair. Entretanto, ao ouvirem o barulho de um carro estacionar, as duas desviaram seu olhar para janela. A chuva já caia forte, lá fora elas só puderam ver um carro preto deixado com a porta aberta.
— Brittany! – Elas ouviram Santana gritar.
— A convidada principal chegou. – Samara puxou uma arma de dentro da blusa e apontou pra cabeça da bebê. – Fique quietinha ou eu puxo o gatilho.
Brittany levou suas mãos a boca, sua vontade era de gritar. Santana surgiu a porta e viu o estado de pânico da esposa e logo pode entender o porquê.
— Entre irmã, nós só estávamos esperando você chegar pra começar.
— Samara, eu sei o que você quer. Você me quer! Devolve a minha filha pra Brittany e deixa elas saírem daqui, ficamos só você e eu. Nós vamos finalmente resolver isso.
— Por que só uma se eu posso ter as três?
— A polícia está vindo, quando me ligaram dizendo que você tinha escapado, eu tive um pressentimento, eu sabia que viria pra cá. Eles vão chegar a qualquer momento, você não vai ter como fugir.
— Mais um motivo pra manter sua filha comigo. Ou o quê? Vai pedir que eles atirem com sua filha em meus braços? É tão má mãe quanto a nossa?
— O que você quer? Pelo amor de Deus! O que você quer? Me diz que eu te dou. Mas eu imploro que solte a minha filha.- Brittany choramingou
— Pra começar eu quero que você cale a boca! Não tem nada que você possa me dar. Meu assunto é com ela.
— Então me diz o que quer? Ou vai esperar a polícia chegar?
— Pra começar, eu quero você ajoelhada aqui, na minha frente. E que me peça perdão por cada momento, desde que fomos geradas você tem me roubado. Chegou a hora de eu te cobrar. Ajoelha! – Voltou a gritar e a assustar o bebê.
Santana livrou-se de seus sapatos e ajoelhou-se do lado deles.
— Começa a falar!
— Me perdoe, Samara! Me perdoe por tudo o que eu te fiz, pela vida que eu te roubei, pelos anos que você sofreu...
— Continua! Não para!
— Me perdoa por ser uma má irmã. – Santana deixou seu corpo cair pra frente, deixando sua cabeça se encostar no chão. – Me perdoa por ter roubado o amor de nossos pais, por estar livre enquanto você não está. – Brittany pode ver a mão dela tatear pra trás até encontrar o salto do sapato e segurá-lo com firmeza, sabia o que poderia vir. – Me desculpa por tudo! E me desculpe por isso...
Santana trouxe o sapato pra frente e com toda sua força bateu o seu salto fino no pé de Samara que urrou de dor, Brittany aproveitou que ela se curvou de dor e roubou a filha dos braços dela, mas antes que pudesse sair Samara apontou a arma pra cabeça de Santana.
— Não se atreva! Fique paradinha aí. – Brittany protegeu mais a filha nos braços e foi se encolhendo contra a parede, sentindo a lampada se quebrar, espetando suas costas inclusive, teve que segurar a dor. – De pé, vadia! Eu disse de pé! – Santana levantou lentamente com as mãos na cabeça. – Eu estava tentando ter um momento aqui, te dar a chance de mostrar que não é tão ordinária assim. Mas você tinha que estragar, não é mesmo? Tinha que estragar! – Bateu com o cano na testa de Santana.
— Eu não podia deixar que você ferisse a minha filha.
— Eu não podia deixar que você ferisse a minha filha. – Repetiu em tom irônico. – Sua bondade me cansa. Sabia? Antes você fazia isso pra chamar a atenção de nossos pais. Mas agora eles não estão mais aqui, já pode parar. Eu matei eles, matei. Então você não precisa mais disso. A não ser que queira se aparecer pra ela. É isso? – Apontou a arma pra direção onde Brittany e Helena estavam. – Acho que ela já está bem apaixonada, não está? Afinal já se casou com você e tudo. O que mais quer?
— Eu quero que você vá embora da minha casa! – Santana voou para cima da irmã e um disparo foi escutado. Santana e Samara olharam pra mesma direção, o tiro tinha acertado a parede, próximo a cabeça de Brittany, que podia jurar que sua alma tinha saído de seu corpo naquele momento. Vendo que ninguém foi ferido, as gêmeas traçaram uma briga corporal, caindo ao chão. Santana tentava puxar a arma da mão da irmã, que fazia força pra apontar pra ela, mas não conseguia. Brittany reuniu as últimas forças de seu corpo pra chutar a mão de Samara, vendo a arma rodar pra debaixo do guarda-roupa.
— Corre, Brittany! – Santana ordenou.
— Cala boca! – Samara deu um murro na irmã e bateu a cabeça dela contra o chão, deixando-a tonta. Brittany já corria o corredor quando ela conseguiu sair do quarto, Samara começou a correr atrás dela, mas ouviram um grito.
— Mamãe, eu estou com medo!
Brittany que estava a beira de descer as escadas com Helena, desviou o olhar pro seu quarto quando viu que Samara olhava pra mesma direção.
— Temos mais alguém em casa? – Saiu correndo pro quarto, já que estava mais próxima.
— Não, meu filho não! – Correu pro mesmo lugar, mas Samara tinha trancado a porta. – Samara! – Esmurrou a porta com uma das mãos, enquanto segurava a filha com a outra.
Brittany correu de volta pro quarto de Helena, viu o corpo de Santana no chão e gritou assustada, mas viu que ela ainda respirava. Deixou a filha no berço, se abaixou e pegou a arma que havia rodado pra debaixo do armário e voltou pro seu quarto. Empunhou a arma e teve dificuldade para mirá-la já que suas mãos tremiam bastante, e então atirou, arrebentando a fechadura. Ao empurrar a porta, pode ver Samara sentada na janela, segurando Luca com força em suas mãos.
— Solta o meu filho.
— Ou o quê? Se você der um passo, eu o jogo. Se você atirar, eu ainda assim vou derrubá-lo. – Nesse momento pode-se ouvir o barulho da sirene da polícia. – Não, não, não. Merda!
— Samara Lopez, a casa está cercada. Você tem cinco minutos pra se entregar. Nós não queremos machucar ninguém.
— Devolve meu filho. Devolve e você ainda tem uma chance de fugir.
— Eu não vou permitir que vocês sejam felizes. Abaixa essa arma. – Brittany manteve-se parada. – Abaixa! – Ela ameaçou jogar Luca pela janela e tanto mãe, quanto filho gritaram. – Eu não estou brincando. – Brittany deixou a arma no chão e a empurrou pra trás, no corredor, longe do alcance das duas. – Ótimo! – Samara puxou o corpo de Luca pra dentro e desceu da janela. – Vem pra cá agora e não tente nenhuma gracinha. Vamos trocar o seu filho pelo amor da vida da minha irmã. Eu tenho uma faca, e se fizer qualquer gracinha, você vai se machucar. – Brittany se aproximou e Luca foi solto, mas ela foi segurada por um dos braços.
— Corre, filho! Vai pra fora! – Brittany choramingou e o filho obedeceu.
— Por onde eu posso sair?
— O último quarto, pela sacada. Dá pra alcançar o telhado, se descermos com cuidado, chega ao quarto da empregada.
— Espero que não esteja me enrolando.
— Eu não estou. – Com a mão livre, Samara puxou a faca que escondia no bolso, era pequena, mas pontuda e se perfurasse o local certo, era o fim. – Vou te mostrar primeiro na janela, mostrar que eles não devem brincar comigo. – Elas caminharam até a janela e ela colocou Brittany do seu lado, mostrando a faca empunhada e dirigida pra garganta da loira. – Se entrarem, eu a mato. – Gritou, ao se afastarem e virarem, deram de cara com Marley na porta, ela parecia segurava a arma que Brittany tinha jogado pro corredor.
Sem penar e se aproveitando da surpresa de Samara, Marley atirou duas vezes em direção de latina má, com os olhos fechados, sem jeito para atirar, só teve certeza que havia acertado alguém quando ouviu o barulho de um corpo cair no chão, torceu para que não fosse o de Brittany. E de fato não era, era o corpo de Samara estirado no chão.
Com o som do disparo, a polícia invadiu imediatamente. Já fora da casa, depois que o corpo foi socorrido, Brittany foi levada pra uma ambulância pra poderem estancar o sangramento do corte em suas costas, ao lado estava Santana que fazia um curativo na cabeça. Se davam as mãos sem dizer qualquer coisa, ainda estavam muito abaladas. Marley dava seu depoimento pra polícia.
— Eu cheguei a casa, ia apertar a campainha quando ouvi o disparo, eu apenas tive o reflexo de correr e subir. Tinha uma trilha de sangue de um quarto pro outro, nas escadas, eu ouvi uma discussão, pela brecha da porta eu vi a Samara sentada na janela com o menino... Eu pensei que ela fosse se jogar com ele. – Ela tremia, mesmo estando enrolada em uma manta. — Quando a senhora Pierce jogou a arma, eu não pensei duas vezes... Eu a segurei... Eu só precisar esperar e...
— Acabou! – Quinn tranquilizou Marley, que a abraçou ainda em choque.
Kitty e Rachel estavam na porta da ambulância de Brittany e Santana aguardando por notícias. Kurt tentava acalmar Luca e Helena, junto com a avó. Noah se aproximou deles e anunciou.
— A ambulância que levava Samara...
— O que aconteceu? – Perguntou Gabriely preocupada.
— Derrapou na pista e tombou, houve uma explosão. O corpo da Samara está desfigurado, ele estava preso a maca. O motorista foi socorrido, mas a enfermeira... ainda não sabem.
— Quando a desgraça acaba?
— Eu espero que agora, senhora Pierce. Eu espero que agora...
Santana sentia em seu interior que aquilo não tinha acabado, mas jamais admitiria isso pra ninguém. A não ser Quinn, que sempre observadora, tinha tido a mesma impressão que ela. Mas não iriam alarmar ninguém, afinal ninguém precisava viver com o medo constante. Ainda mais um medo não confirmado. Com o tempo, elas superariam aquele momento juntas. Brittany fez com que se mudassem de casa, escolheram uma próxima a de Quinn e Rachel. E juntou-se a Santana na terapia, os anos de companheirismo foi o melhor remédio.
— Acredita que faz 10 anos que eu te atropelei aqui? — Elas estavam paradas na via, encostadas no carro.
— 10 anos que minha vida mudou.
— Pra melhor?
— Sem dúvidas. Hoje eu sei quem eu sou, graças a você. — Beijou a esposa com carinho.
— Então vamos, ou vamos nos atrasar pro lançamento do seu próprio livro.
Elas entraram no carro e partiram para livraria. Incentivada pelos amigos, Santana resolveu publicar o que tinha passado anos atrás em um livro. Seria uma forma de se libertar de todos os seus sentimentos negativos guardados e de finalmente encerrar um ciclo. Ainda escolhera uma data significante para que fosse lançado e fazia questão que todos que eram importante pra ela estivessem presente.
Brittany segurava o primeiro dos livros o qual tinha uma dedicatória especial.
"Dizem que o que faz uma história ser boa não é o enredo, os personagens e nem quantas páginas tem, mas sim a forma que ela é contada. Talvez, seja por isso que nossa história seja tão mágica, porque foi a vida quem quis contá-la para todas. Foram as tramas da vida que fizeram com que o meu destino se cruzasse com o seu. Assim, sem mais nem menos. Repetindo uma das frases que mais disse quando me encontrou "quem é você?", hoje eu posso te dar a resposta com certeza: Meu nome é Santana Lopez, nascida em Lima, filha de Roberto e Glória Lopez. Formada em Direito, especializada em administração de empresas, mãe de Luca Pierce Evans e Helena Pierce Lopez e casada com Brittany Susan Pierce. Mas, se nos embasarmos no que eu te dei como resposta naquela noite, de que não podia se resumir a pessoa por suas informações civis, eu respondo que eu sou Santana Lopez, a mulher mais sortuda do mundo, que teve é loucamente apaixonada por você e que é sua. Essa sou eu. Eu sou o que a vida me fez ser pra você. Seu amor."
FIM.
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