Who are you?
5 Vamos comprar?
Notas iniciais
Brittany estava em seu escritório analisando alguns últimos documentos faltantes e então estaria livre para ir para casa. As sextas-feiras costumavam ser duras, seu corpo já estava no limite da exaustão, mas aquela em potencial estava pior. Havia sido uma semana complicada, mas diferente dos outros dias ela não estava triste por ter que voltar para casa, seu sentimento era de ansiedade e isso tinha nome e sobrenome.
Tudo bem que Santana Lopez tinha a importunado o dia inteiro, passou a tarde ligando de hora em hora para Brittany perguntando sobre os programas de tv, informando que o carteiro havia deixado uma embalagem grande como entrega, que Berta ameaçou enfiar colher quente na boca dela, que precisava ouvir a voz de alguém diferente da sua para não enlouquecer, ou que a loira estava atrasada para buscá-la... Coisas do tipo. Brittany já imagina quantas formas diferentes eram possíveis para matar alguém.
Quando seu telefone tocou pela milésima vez, ela simplesmente explodiu, não era possível que a latina fosse tão irritante, ou se comportasse como uma criança querendo atenção.
– Santana, pelo amor, quanto mais você me interromper aqui, mais eu vou demorar para chegar em casa. Será que você pode ficar meia hora sem me ligar? — Disse totalmente irritada.
"- Como é? Santana? Quem é Santana?" – Brittany reconheceu aquela voz feminina, não era a latina e sim sua sogra, lá estava ela totalmente envergonhada novamente.
– Senhora Evans, perdão. Eu, eu me enganei... Me desculpe. — Jogou os papéis na mesa e encostou seu corpo na cadeira, não aguentava mais, tinha que encerrar seu expediente.
"- Eu pude perceber, está com sua cabeça no mundo da lua, querida?"
Se Brittany pudesse culpar alguém pelo jeito estúpido de Sam, esse alguém era a sua sogra, definitivamente ela nunca simpatizou com a mulher, ela sempre se demonstrou arrogante, mas era a melhor amiga de sua mãe e teve que suportar todas as visitas indesejáveis da mulher, bem como todos os encontros de família. Brittany ainda se lembrava do dia de seu casamento quando Caroline disse que só aceitava o matrimônio pelos interesses familiares, mas que Britt nunca seria digna para o seu filho. Talvez fosse bem ao contrário.
– No que eu posso ajudá-la, senhora Evans? A senhora trocou o ramal? O final do telefone do seu bebê é o "02".
"- Não seja má educada, Pierce."
– Sou uma senhora Evans também, por favor, não se esqueça. — Zombou sabendo o quanto isto irritava a mulher.
"- São por estes motivos que eu sempre me arrependo de falar com você. Não tem o mínimo de compostura."
– Eu não faço questão nenhuma de falar com a senhora, além do mais, apenas estou tratando como a senhora mesmo me trata.
"- Escute Brittany, vamos acabar com isso de uma vez. Eu só liguei para saber como anda os preparativos para amanhã, eu fui ligar para organizadora de eventos e ela me disse que metade da recreação foi cancelada e eu já havia dito as minhas amigas que o meu neto sim teria uma festa de príncipe. Sem contar o tema, palhaços? Isso é tão comum. Como muda o tema de última hora sem me consultar?"
– Deve ser porque o filho é meu, senhora Evans. A festa não é pros seus amigos e sim para Luca e é disso que ele gosta. Se a senhora não estiver satisfeita faça isso para outro neto que a senhora tiver, Sam é cheio de mulheres, com certeza pretendentes melhores do que eu não vai faltar. Agora se me dá licença, estou no meu horário de trabalho, não posso ficar perdendo tempo com essas bobagens. Passar bem. — Desligou o telefone antes mesmo que a mulher conseguisse dizer uma palavra se quer.
Olhou para a tela de seu notebook e o relógio marcava 17h27, Santana devia estar soltando fogo pela boca, resolveu então juntar suas coisas e levar o que faltava para analisar mais tarde, afinal nem sua cabeça estava mais processando aqueles números. Saiu de sua sala, despediu-se de sua secretária e tomou o elevador que já estava quase fechando quando Tina, secretária e uma das amantes de Sam, entrou.
– Ao que eu saiba você ainda tem mais meia hora de expediente, Cohen.
– O senhor Evans disse que eu já poderia ir. Mas se a senhora faz questão, eu fico. — Ameaçou apertar o botão com seu jeito todo retraído que sempre demonstrou para Brittany, mas por dentro a loira tinha certeza que a asiática ria dela.
– Na verdade, eu faço, todos têm que cumprir horário. Marley ainda está analisando alguns últimos papéis. Se você não tem mais nada o que fazer, pode ficar e ajudá-la. — Apertou o botão e indicou com a cabeça para a garota sair.
– Sim, senhora. — A mesma respondeu de forma hostil, mas a obedeceu.
– Coisas que me faz passar, Sam.Aguentar suas amantes na minha empresa.
Brittany seguia até a sua casa, mas nem mesmo entrou, ligou e pediu que a latina a esperasse em frente. Santana entrou no carro bufando.
– Sabe que horas são? 18h35 e você me disse que estaria aqui uma hora e meia antes.
– Tive uns contra-tempo, Santana. Mas é bom para eu lembrar que nunca mais devo te dar um horário. E olha, para não reclamar, comprei um celular para você. — Soltou-se de seu cinto e virou para trás puxando sua bolsa e de dentro tirou uma caixinha com o aparelho telefônico.
– Um celular pra mim? Pra quê? — Ficou com ar de duvida enquanto desencaixava o mesmo.
– Porque assim quando precisar de alguma coisa você vai me mandar uma mensagem no whatsapp, se eu achar que for relevante eu te respondo. Não tem condições de ficarmos como hoje, eu preciso trabalhar.
– Desculpa, eu não queria ser um estorvo na sua vida. — A morena cruzou os braços e virou com ar um triste para a janela do carro.
Aquilo fez o coração de Brittany se apertar, afinal ela tinha que relevar o quanto estava sendo complicado para a latina também.
– Olha, me desculpe. Você não é um estorvo, mas tem que me entender, ligar para dizer que encontrou um canal de séries é sacanagem.
– Eu me senti sozinha, queria ter mais tempo com você, mas pode me deixar na próxima esquina largada, eu não vou me importar.
Brittany levou a mão na cabeça e respirou fundo, não podia acreditar que estava sendo chantageada sentimentalmente pela rainha do drama.
– Não, sabe o que vamos fazer? Vamos para shopping e vamos fazer as compras, você vai se animar porque estou fazendo o que eu posso aqui, tente colaborar. — A loira saiu com o carro e a mulher ao seu lado não disse mais nenhuma palavra se quer.
Assim que chegaram ao shopping Brittany tratou de levar Santana as melhores lojas para que pudesse escolher tudo aquilo que precisava. Ela comprou desde sapatos, roupas, até produtos de higiene pessoal, perfumaria e tudo mais que se demonstrou necessário. Já estavam na última loja, o tempo praticamente voou e elas nem se deram conta disso. A essa altura o humor da morena já era outro e isso deixava a loira mais tranquila.
– Escolha um vestido para amanhã, Santana.
– Acho que eu já sei o que vou usar, mas e você?
– O que tem eu?
– O que você vai usar amanhã?
– Eu já tenho o vestido em casa.
– De forma alguma, eu andei olhando suas roupas e são todas de velha, você vai tratar de escolher roupas novas, peças que realmente valorizem o lindo corpo que você tem e que combinem com a sua personalidade, que te deixem confortável e não essas que você usa, certamente ligada a algum padrão que deva seguir porque alguém te convenceu que assim deveria ser feito. — Revirou os olhos e respirou fundo em seguida. — Vamos, o que está me olhando?
– Você andou mexendo no meu guarda-roupa? – Observou a morena um tanto confusa.
– Não fuja do foco. – Desconversou.
– Você é engraçada, Santana. Tem momentos que eu tenho medo de te falar qualquer coisa pelo seu jeito explosivo e em outros você se demonstra tão racional e tão compreensiva, como se realmente se importasse comigo.
– Por que é tão surpreendente querer que você seja você mesma e viva a sua vida ao invés do que os outros querem?
– Porque não é do seu interesse.
– Pode ser, mas você cuida de mim e eu apenas quero fazer com que se sinta bem, agora vai. – Deu algumas palminhas no ar fazendo sinal para que a loira fosse ver as roupas.
Brittany rodou toda a loja, no começo se sentia contrariada a ter que seguir conselhos de Santana, quem era ela mesmo para falar sobre a sua vida? Mas depois foi sentindo prazer. Escolheu roupas formais, como seu trabalho exigia, mas ao mesmo tempo joviais. Deu-se ao gosto até de escolher lingerie novas, antes apenas comprava peças intimas por comprar, mas agora ela tinha o desejo de ousar, o fato de Santana poder querer desvendá-la a deixava extremamente animada.
Ao final, quando chegou ao provador, tinha sua bolsa cheia de roupas. Santana também se encontrava separando algumas peças.
– Parece que você mandou ver. – A morena abriu um sorriso.
– Acho que eu me empolguei.
– Ótimo! Eu só tenho que experimentar mais algumas coisas e acabo.
– Tudo bem.
A latina entrou em uma das cabines e Brittany entrou em seguida na do lado, ao notar que o trinco da porta não trancava direito, Santana trocou para a cabine do outro lado da loira. Brittany tratou logo de experimentar as suas peças, enquanto o fazia ouvia seu celular tocar, no primeiro momento não deu bola, mas devido a insistência resolveu olhar. Ao abrir a tela do seu celular no whatsapp teve uma surpresa, diversas fotos de Santana apenas de lingerie.
“Você gostou? Não quer vir até aqui e dar uma conferida de perto?”
“Você é doida, Santana.”
“Vou deixar a porta aberta.”
Brittany olhou-se no espelho e riu sozinha, lá estava ela com uma saia preta justa que ia até a metade de sua pernas, camiseta desabotoada na altura dos seios e seu mais novo sutiã a mostra.
“Isso é insano. Mas quanto mais perigoso, mais excitante se torna.” – Dizia para si mesmo com um pequeno sorriso sapeca nos lábios. – “Afinal, quem se importa? Quem liga para alguns beijos na cabine?”
A loira abriu mais alguns botões de sua blusa, abriu a porta de sua cabine e colocou a sua cabeça para fora, ao notar que estava vazio partiu para o provador ao lado onde viu a morena entrar. Empurrou a porta e porta e pode notar que esta cedeu facilmente.
“Safada, sabia que eu viria e deixou mesmo aberta. Serei eu a te provocar.”
– Então, deixe-me ver o que tem aí. Eu escolhi essa lingerie especialmente para você.
Mas então veio o susto, não era Santana ali e sim uma senhora de já aproximadamente uns 80 anos, que passou a gritar com a presença da loira ali.
– Socorro! — Começou a bater a roupa que tinha na mão em Brittany. — Sua pervertida, saia daqui.
– Oh céus! Me perdoe, me desculpe, não foi a minha intenção. — Ficou completamente vermelha, lá estava ela envergonhada novamente.
Estava totalmente constrangida, se ela pudesse abria um buraco no chão e enfiaria a sua cabeça dentro como os desenhos da Warner. Santana que ouviu a gritaria de dentro de sua cabine resolveu sair para ver o que estava acontecendo.
– Mas o que houve?
– Essa sem vergonha invadiu a minha cabine para me abusar. Não tem mais respeito por senhoras como eu.
Ao ver a loira naquele estado, não foi difícil compreender o que estava acontecendo ali, ela iria mesmo invadir sua cabine.
– Eu tenho certeza que tudo não passou de um mal entendido. Por que a senhora não vai para a cabine que eu estava onde o trinco está funcionando?
– Obrigada, você sim é um anjo. Não é uma depravada como essa. — A senhora entrou resmungando.
Santana olhou para Brittany com ar de quem iria rir sem parar, seu sorriso já se formava em seus lábios, mas a loira a repreendeu com um olhar duro.
– Não diga uma palavra se quer, Lopez. — Voltou para dentro de sua cabine para se trocar.
– Qual é, Pierce? — Encostou-se na porta do lado de fora. — Eu sabia que você estava necessitada, mas não imaginava que tanto. Não está perdoando nem as velhinhas.
– Vai se ferrar, Santana. — Gritou do lado de dentro o que fez a latina cair numa gargalhada ainda maior.
Brittany ainda não havia se recuperado, estava totalmente sem graça, nunca se imaginou em uma cena dessas. Mas era sua própria culpa, perdia totalmente a razão e a noção das coisas quando se envolvia com a morena. E isso porque tinha apenas três dias que havia a conhecido. O que mais passaria?
Depois de finalizarem as compras voltaram para o carro, ainda tinham que pegar Luca na casa dos pais de Brittany. Santana a cada senhora de idade que via na rua provocava Brittany, fazendo a loira imaginar de quantas formas era possível assassinar alguém, de uma coisa estava certa: não haveria ninguém para reclamar o corpo. Mas enfim, resolveu relevar, afinal como se dizem "quanto mais se importa, pior ficar".
Ao chegar na casa de seus pais desceu do carro e foi seguida por Santana, que parou silenciosamente ao seu lado, esperando que a porta da casa se abrisse.
– Está atrasada, Susan.
Uma mulher loira, de pele tão branca quanto a da Brittany e olhos azuis um tanto mais escuros, abriu a porta. A latina se impressionou em como as duas se pareciam, mesmo sendo mãe e filha.
– Desculpe, mamãe. Eu tive que levar a Santana para comprar algumas coisas. — Disse trazendo o filho ao colo. — Olá, meu amor. Se divertiu com a vovó hoje?
– Então você é Santana Lopez? — A mulher analisou a latina a sua frente.
– Ao que parece sim. — Esboçou um pequeno sorriso.
– Papai está em casa?
– Está no banho, estava até agora pouco brincando com Luca. Sabe o quanto ele se realiza com o neto.
– O machinho que ele não teve.
– Brittany! — A loira mais velha repreendeu.
– Tudo bem, mamãe. Eu já estou indo, nos vemos amanhã. — Deu um beijo na bochecha da mãe.
A latina que acompanhava toda a cena tentava compreender, despediu-se da senhora com um aceno e voltou para o carro atrás da loira. O caminho de volta a casa estava silencioso, Santana observava as expressões distantes da loira, precisava arranjar alguma maneira de levantar o animo da mulher. Olhou em direção do rádio, do mesmo saia o som de uma música antiga, Your Love do The Outfield, clássico das discotecas e lá estava a latina fazendo os típicos movimentos de dança. Movia de seu quadril para cima, enquanto passava seus dedos que formavam um "v" em frente aos olhos, remexendo a sua cabeça e seu cabelo, o que fez Brittany prestar atenção nela e começar a rir.
– Canta, Pierce. Canta. — A latina dizia vendo a perna da loira se mexer no ritmo da música.
– Não, isso é uma velharia.
– Mas é bom. E ninguém pode te ouvir, só eu e o Luca. — Sorriu. — Anda, canta pra mim. Estou aqui te seduzindo com a minha dança, me deve essa. — Britt riu ainda mais.
“I ain't got many friends left to talk to, no-one's around when I'm in trouble. You know I'd do everything for you, stay the night — we'll keep it under cover. I just wanna use your love tonight. I don't wanna lose your love tonight.”
Ela cantou e por alguns momentos se esqueceu dos problemas que afetavam a sua cabeça momentos atrás. Era algo simples, mas Santana conseguiu realmente deixá-la mais leve, além daquela letra da música fazer todo sentido para ela agora. Já a latina contemplava a imagem serena da loira, ela ficava bem mais bonita assim, além de cantar bem, estava feliz por poder ajudar, ao menos um pouco.
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