Who are you?

35 Sobrinho ou Enteado?


Notas iniciais
Oi, amores!!! Sei o quanto cês estão achando horrível esses "casais" haha Mas faz parte da trama, esse é o momento que tudo fica muito dramático e complicado, mas tudo sempre tem uma saída, eu acho, né? haha

Depois da notícia que Kitty lhe deu, Brittany sentia que seu corpo ia sucumbir. Tudo doía, mas nada era mais forte do que o aperto em seu peito. O estresse em que ela estava envolvida fazia com que cada músculo de seu corpo clamasse por descanso. O choro engasgado em sua garganta, a cabeça a ponto de explodir... Ela nem se quer sabia como ainda conseguia se manter de pé. Mas precisava. Seu sobrinho precisava. Sobrinho. Ela devia chamar de sobrinho ou enteado? O que doía menos? Isso ainda lhe causava uma confusão mental e um aperto em seu peito. De tudo de ruim que estava acontecendo em sua vida, nada estava doendo tanto quanto essa traição dupla. Porém, a criança não tinha culpa de nada e ela precisava de ajuda.

Brittany pegou seu celular e passou a ligar para Sam, mas como sempre foi ignorada. Sua mente estava exausta demais para pensar, ela precisava de ajuda, ligou então para Quinn e Rachel que prontamente se habilitaram a ajudar.

— Pensem. Sam não tem dinheiro para sair e se esbaldar na noite, além do que a imprensa está no pé dele, onde ele poderia ir? – Quinn raciocinou.

— Nos pais? Talvez. – Rachel imaginou.

— Eu acho que nesse momento os pais seriam as últimas pessoas que Sam gostaria de ver.

— Quinn está certa, mas do mesmo jeito eu já liguei pra eles e ninguém sabe. Mas eu só tenho dois palpites. Ou ele ainda está na empresa, no escritório dele e não quer atender ninguém. Ou ele voltou pra única amante que ainda o receberia, Tina.

— A secretária? – A morena baixinha se surpreendeu. – Clichê, mas não deixo de estar surpresa.

— Quem o Evans não comeu? Desculpa. – Quinn levou à mão a boca se arrependendo do que havia dito por Brittany estar ali.

— Tudo bem, você tem razão. Se ele dormiu com a minha própria irmã, com quem mais ele não dormiria?

— Certo, mas estamos falando demais. Precisamos agir. Vamos nos dividir e cada uma vai em um lugar.

— Brittany não está em condições de dirigir, eu vou com ela até a casa da Tina e você vai até a empresa. Se alguém o achar liga pra outra e se manda pro hospital, caso contrário, a gente põe a polícia atrás dele se for preciso, mas vamos encontrá-lo.

Todas de acordo com o plano de Quinn, cada carro se encaminhou para uma direção.

— Justo hoje que minha calçada está forrada de jornalistas, tem uma movimentação fora do normal em minha casa. Sou ou não uma pessoa de sorte?

— Você quer um calmante?

— Se você me der um calmante eu vou apagar.

— Talvez seja o que você precise. Eu estou preocupada com você, estou com medo que desmaie, que tenha uma crise nervosa ou algo do tipo. Não é brincadeira.

— A única coisa que eu preciso é encontrar o Sam, colocar ele naquela sala de cirurgia e depois matá-lo.

— Vamos conversar sobre isso.

— Eu não quero conversar, Quinn. – Ela que até então encarava o vidro e a rua, agora olhava diretamente para a amiga. – Eu quero gritar, eu quero quebrar coisas, eu quero bater em alguém, é isso que eu preciso. Você não imagina a vontade que eu estou sentindo de abrir essa porta e me jogar pro lado de fora do carro. Eu quero sumir, que a terra me engula. Mas eu continuo sendo a patética que se preocupa demais com os outros.

— Você não é patética, só é melhor do que todos nós. Eu nem sei o que faria no seu lugar.

— Só não queira estar no meu lugar. – Voltou ao seu silêncio.

Rachel foi a primeira a chegar em seu destino e ao conversar com o segurança, o mesmo a informou que Sam estava trancado em sua sala e permitiu que ela entrasse. A morena pode perceber como aquele lugar ficava assustador durante a madrugada, todo escuro e silencioso, em nada lembrava o prédio movimentado e cheio de vida.

— Sam? – Começou a chamá-lo assim que chegou ao andar. – Sam? – Pegou seu celular e acendeu a lanterna para se guiar até onde a luz estava mais forte, provavelmente a sala do loiro. – Sam, você está decente? – Bateu a porta, mas não houve resposta. Estava tudo silencioso demais para ele estar com alguém, voltou a bater, mas continuou sem resposta, então abriu a porta. – Estou entrando, se tiver sem calça é o momento de colocá-la no lugar. – Alertou, mas assim que abriu a porta pode vê-lo debruçado sobre a mesa, dormindo com uma garrafa de bebida ao seu lado. – Ótimo! Era tudo o que me faltava. Sam, acorda. Sam! – Rachel passou a sacudi-lo. – Levanta daí. – Ele pareceu resmungar alguma coisa.

— Mãe?

— Que os céus tenham bondade comigo e não me dê um filho como você. – Sacudiu com mais força. – Acorda logo. – Pode ver ele levantar a cabeça com dificuldade depois de seu sacolejo.

— Rachel? – Não tinha certeza se a imagem da morena baixinha na sua frente era real ou a reprodução perfeita de um sonho.

— Sim! Você precisa acordar, é urgente.

— O quê? Estamos pegando fogo?

— Ainda não, mas se não me acompanhar agora pro hospital pra salvar seu filho, Brittany é capaz de queimá-lo vivo mesmo.

— Luca? Aconteceu alguma coisa com Luca? – Levantou-se desesperado e meio sem jeito, esbarrando na mesa.

— Não. Luca não. O seu filho com a Kitty, ela não abortou. Ela mentiu todos esses anos. Ela teve o filho de vocês, mas ele está internado com uma grave doença e agora todo mundo sabe.

— Não, não, não. Não pode ser, você está mentindo pra mim. Isso não é verdade.

— Sam, eu queria muito mesmo te dar tempo pra fazer uma cena de exame de consciência e negação, mas o tempo corre. E eu acho bom você estar em um lugar público e cheio de testemunhas quando se encontrar com Brittany. E seu filho precisa de você.

Sam não teve outra opção se não ir com Rachel até o hospital, que só depois de curar a ressaca dele e apresentá-lo aos médicos, ligou para Brittany e Quinn. Achou prudente que a amiga não cruzasse com o marido naquele momento, tudo o que eles menos precisavam era de mais um escândalo naquele momento.

— Onde eles estão? – Brittany correu afobada pelo corredor.

— Sam está com Kitty e os médicos, eles estão discutindo os procedimentos e vão testar para ver se a medula de Sam é compatível com a de Miguel.

— Miguel?

Ao ouvir aquele nome, Brittany recordou-se de um dos momentos mais significativos com sua irmã.

FLASH BACK

— E então? O que deu? – Kitty e Brittany estavam sentadas lado a lado no chão do banheiro, enquanto Kitty segurava o seu teste de gravidez.

— Eu não consigo olhar, eu não consigo fazer isso. – A irmã mais nova disse chorosa.

— Tudo bem, eu faço. – Brittany pegou o teste da mão dela e analisou de acordo com as instruções da caixinha, deixando um pesado suspiro escapar depois. – Positivo. Você está grávida.

— Não! Eu não posso! O que foi que eu fiz? Eu estraguei tudo! – Levou as mãos ao rosto e começou a chorar, como ela iria ter um filho do noivo de sua irmã? De que forma ela poderia contar isso aos seus pais? Como admitiria que traiu a pessoa que mais ama no mundo?

— Calma, fica calma. Vai ficar tudo bem, eu estou do seu lado. – Brittany gentilmente abraçou a irmã e permitiu que ela chorasse em seu ombro.

— Eu sou uma idiota, Britt! Eu estou tão envergonhada, me desculpa. Eu trai você, eu trai todo mundo, eu sou uma pessoa horrível. Desculpa, irmã, desculpa.

— Kitty! Você não é uma vergonha, não tem que pedir desculpas por estar grávida. Nós vamos dar um jeito. Conversaremos com Noah e...

— Não! Noah não, deixa ele fora disso. – Levantou seu rosto. – Ele não tem culpa, a culpa foi minha, eu preciso te dizer, Britt...

— Não precisa me dizer nada. Se ele não tem culpa, muito menos você.

— Britt, não é isso. Você não está me entendendo, tenho que te confessar...

— Confessar o quê? Você não vai querer esse bebê, é isso? Está pensando em...

— Não! Jamais! Eu quero esse filho, mas ele é meu, Brittany. Ele é só meu e de mais ninguém, o pai não o merece.

— Como assim não o merece? Se Noah fez algo de errado com você, a gente vai encontrá-lo agora mesmo e...

— Britt, deixa eu resolver isso. Deixa eu resolver que é melhor. Antes de sair por aí falando com as pessoas, eu preciso resolver isso na minha cabeça. – Pediu angustiada, ela precisa falar com Sam e depois contariam a verdade para Brittany juntos.

— Me deixa te ajudar. Se você quer esse bebê, eu o quero também. Eu vou te ajudar no que for preciso.

— Só... fica do meu lado. E diz que não importa o que aconteça, você sempre vai se lembrar que eu te amo.

Brittany riu divertida, a irmã estava tão frágil e tão emotiva, que nem parecia a mesma garota extrovertida e espoleta que sempre aprontava. Mal sabia ela que aquelas emoções tinham um sentido mais profundo.

— Eu sei, pequena. – Acomodou a cabeça da irmã em seu ombro. – Eu também te amo. E eu vou te ajudar, vou te proteger de nossos pais, vamos conversar com o pai do seu bebê e vamos ajeitar as coisas. Quando ele nascer, vai ter uma mãe e uma tia pra mimá-lo muito. – Pegou a mão da irmã e encaixou aos seus. – Eu prometo. Vai dar tudo certo. Só não chora mais porque me faz ter vontade de chorar também.

— Eu não consigo parar de pensar. Eu não consigo.

— Claro que consegue. Criança é sempre sinal de benção. Eu sou louca pra ser mãe, sabia? É o sonho da minha vida, ter um pedaço de mim e da pessoa que eu amo. – Aquelas palavras feriram ainda mais o coração de Kitty, mas ao mesmo tempo aquele diálogo tinha a função de distraí-la, Brittany sempre soube como confortar a irmã. – Eu já tenho até os nomes. Se for menino, eu vou chamar de Luca, se for menina, Helena.

— Por que esses nomes?

— Os dois significam luz. E é isso que um filho deve ser, uma luz pra tudo. Fecha os seus olhos.

— O quê?

— Fecha os seus olhos. – Kitty obedeceu. — Vai, pensa. Tenta imaginar você com seu bebê no colo, é a primeira vez que o segura, que pode olhá-lo, e ele está sentindo seu cheiro, te reconhecendo como a mulher que o gerou, como a sua mãe. Como gostaria de chamá-lo? Ou chamá-la...

— É difícil. – Ambas riram. – Talvez... Miguel. Porque foi do orfano São Miguel que nossos pais me tiraram e seria um modo de eu nunca me esquecer de onde eu vim. E Pietà, porque quando eu fui conhecer o orfanato, havia uma bela miniatura da obra original, que ficava na sala do berçário. A madre disse que assim como Pietà se compadecia por seu filho, também se compadecia de todos que passavam por lá.

— São belos nomes. Seu filho ou filha, vai ter muita sorte.

— Eu que tenho muita sorte de ter você, mesmo não merecendo.

FIM DE FLASH BACK

Brittany sentiu suas últimas energias irem embora depois daquela singela lembrança, foi então se sentando lentamente num dos bancos da sala de espera, sob o olhar atento e preocupado das amigas.

— Brittany, você está bem? – Rachel que tinha mais facilidade para se abaixar do que Quinn, ficou de frente pra ela.

— Eu só preciso que esse pesadelo acabe.

— Fica com ela, Rach. Eu vou pegar uma água. – Quinn se afastou da mulher e da amiga, assim que virou o corredor pegou o celular e rapidamente discou o número da latina, que não a atendeu. Devia ser o adiantado da hora, mas Quinn não se deu por vencida e deixou uma mensagem de voz. – Santana, aqui é a Quinn. Quando ouvir esse recado, por favor, me liga. As coisas saíram do controle e a Brittany precisa de você. Só você pra tirá-la dessa. Eu não quero estragar nada em sua vida, mas, por favor, eu já não sei mais o que fazer. Brittany pode querer me matar por te envolver nessa, mas eu não vejo outra solução. É pela minha amiga.

Santana até viu quando seu celular começou a vibrar e acendeu em cima do criado mudo, mas preferiu ignorar. Ela ainda não tinha conseguido dormir, enquanto Dani estava no mais profundo dos sonhos, envolvendo a latina com seu braço.

Depois de transar com a noiva, ter aqueles momentos de entrega profunda de corpo e também de sua alma, ela havia finalmente se lembrado quase que por completo da noiva. Da maioria dos momentos juntas, desde a primeira vista quando Dani ficou designada a apresentá-la a empresa, como a mesma havia lhe contado. Desde a última, quando mandou Dani seguir sozinha para o Canadá. Ela estava ali com todas as suas lembranças e todos os seus sentimentos, tanto por Dani quanto por Brittany e ambos travavam uma disputa de gladiadores dentro de seu peito, o vencedor a tinha como prêmio, mas a alto custo de sua sanidade e de estrutura de seu peito.

“Eu devia ter escutado o meu pai.” – Pensou enquanto olhava o relógio na parede que marcava quase três horas da madrugada.

No hospital, quando Kitty saiu do consultório do médico e foi até a sala de espera, se deparou com a irmã e as amigas. Brittany a fitava friamente e isso lhe cortava o coração, mesmo sabendo que era isso o que merecia, mesmo sabendo que isso ainda era muito pouco.

— E então? – Quinn foi a primeira a perguntar.

— Sam foi pro pré-operatório, ele é compatível. Eles vão salvar o meu filho! – Rachel a abraçou por solidariedade, apesar das circunstâncias, aquele não estava sendo um momento fácil pra Kitty e agora como futura mãe, entendia o sofrimento que ela enfrentava.

— Nós vamos estar aqui com você. Nós três. – Confortou a morena. Sob o ombro dela, Kitty pode ver a irmã, que virou o rosto.

Quinn e Rachel não sabiam dizer qual das Pierce estava mais arrasada naquela noite. Definitivamente ambas estavam acabadas.

As duas horas que se seguiram foram bastante angustiantes, Kitty se manteve dentro da capela o tempo todo, optou por estar sozinha com suas orações naquele momento, o que foi respeitado por todas. Quinn se sentia totalmente desconfortável naquela cadeira, então andava de um lado pro outro no corredor, podendo observar quando Brittany tinha finalmente se entregado ao desgaste e cochilado no ombro de Rachel, o que durou no máximo meia hora, pois o celular da loira começou a tocar e a despertou.

— Alô, Marley? Algum problema? – Olhou para o relógio que não marcava nem sete da manhã ainda.

“- Desculpe incomodá-la, senhora Pierce. Mas eu realmente fiquei bastante preocupada com a senhora e a sua irmã. E gostaria de saber também se a senhora vai comparecer na empresa, ou vai preferir que eu a atualize.”

— A cirurgia está por acabar. Mesmo eu não querendo, eu preciso ir pra empresa, eu preciso de informações constantes da filial. Mas antes eu vou passar na minha casa pra poder tomar um banho e trocar de roupa, estou um trapo. Então, como vai chegar primeiro. Vai se atualizando pra mim, quero todos os relatórios impressos.

“- Sim, senhora. Eu vou preparar tudo. E, por favor, diga a sua irmã que eu estou rezando pelo pequeno.”

— Obrigada, Marley. Você é muito gentil. – Encerrou a ligação e se deparou com os olhares curiosos das amigas.

— Hum, Marley. Preocupada ela, hein? – Rachel foi a primeira a fazer o comentário.

— Sinal de que o encontro ontem à noite foi bom. Conte-nos tudo. – Quinn sentou ao lado de Brittany, deixando-a no meio.

— Qual parte querem que eu conte? A parte que eu dormi, ou a parte que fomos interrompidas pela pequena sereia?

— Que? – Rachel perguntou confusa. – Como assim?

— Depois da apresentação eu sugeri que fossemos ao apartamento dela pra comermos algo, queria evitar lugares públicos e a minha casa ainda estava um inferno. Até aí tudo bem. Ela me deixou no sofá dela por alguns minutos e eu simplesmente apaguei! Eu dormi! Quando o interfone tocou e eu me dei conta de que havia pego no sono, eu senti tanta vergonha. – Levou as mãos ao rosto sentindo seu rosto voltar a queimar, ainda mais com a risada das amigas, que tinham que fazer força pra controlar, já que estavam em um hospital.

— Eu não acredito, eu vou rir disso por uma vida inteira! – Quinn estava vermelha, assim como Brittany, mas por ter que segurar a risada.

— Acho que o encontro não estava tão bom assim, Brittany até dormiu. – Caçoou Rachel.

— Não! Para! E de começo não tinha intenção nenhuma de que fosse um encontro. Eu realmente precisava relaxar e esvaziar minha mente dos problemas, achei uma ótima oportunidade. Mas claro, no meio da noite, não deu pra evitar os flertes, eu não sei o que me deu. Eu praticamente ataquei a Marley. Aquela não era eu, mas eu sentia que precisava ser feito. Claro que ela é uma mulher linda e charmosa, que eu me senti atraída, mas em condições normais eu saberia me por no meu lugar.

— E por que você acha que não foi assim? Por que você se deixou levar? – A outra loira a indagou.

— Santana. Eu quis provar pra mim mesma que eu seria capaz de ter uma vida normal sem ela, não esquecer, porque a gente não esquece um amor, não assim. Mas não sei, caso ela não volte... Eu não queria sentir que o meu mundo é só ela, como eu fiz com o Sam, e passei quase um ano me lamentando e aceitando o lugar de pobre mulher traída.

— E deu certo?

— Não, Quinn. Quero dizer. Eu tinha absoluta certeza que seria um sexo incrível, mas do que adianta se não é com a pessoa que te ama e verdadeiramente ama? Seria apenas enganação. Não me arrependo de tentar, mas agradeço pela irmã dela ter ligado e tocado a música da pequena sereia. – O casal de amigas voltaram a rir.

— Tem certas coisas que eu acho que só acontecem com você, Brittany.

— Eu concordo, Rachel... – Elas iriam continuar a comentar, mas o médico que fazia a cirurgia foi ao encontro delas. – Como meu sobrinho está, doutor? – Brittany se levantou e foi ao encontro dele.

— Onde está a mãe da criança?

— Eu vou chamar. – Brittany saiu apressada e foi até a capela, a luminosidade era baixa, mas diante do grande crucifixo e rodeada pela luz das velas, Brittany pode ver Kitty ajoelhada, rezando sem parar. – Kitty. A operação terminou, o médico quer falar com você.

— Graças a Deus! Obrigada. – Levantou-se com dificuldade, mas sentiu sua perna falhar por ter passado as ultimas horas de joelhos dobrados rezando, Brittany foi ao seu encontro e a ajudou se sustentar.

— Eu te ajudo.

— Obrigada. – Juntas ela caminharam de volta a sala de espera. – Doutor, por favor, como está o meu filho?

— O procedimento foi um sucesso! Tudo ocorreu bem, mas ainda é cedo para darmos qualquer parecer quanto ao quadro geral, às próximas horas serão imprescindíveis para analisarmos o progresso do pequeno Miguel. Em poucas horas também, o senhor Evans estará pronto pra receber alta.

— Obrigada, doutor. Muito obrigada por tudo! Eu posso ver meu filho?

— Nós vamos transferi-lo de quarto ainda, mas assim que tudo estiver pronto. Eu peço pra enfermeira avisá-la. – Sorriu de forma gentil e se afastou.

— Vai dar tudo certo, Kitty. O mais complicado já passou. – Rachel se abraçou a ela.

— E eu fico aliviada por saber que pude ajudar. Acho que agora devo ir.

— Eu e Rachel podemos ficar com você, Kitty.

— Eu agradeço muito as três, principalmente você, Brittany. Mas vamos concordar que hospital não é lugar pra uma grávida e vocês precisam descansar. E eu não vou ficar sozinha, minha mãe está vindo pra cá.

— Você contou a ela? – Brittany perguntou curiosa.

— Na verdade, ela sempre soube. – A cara de indignação de Brittany foi ainda maior. – Britt, me desculpa. – Kitty se adiantou e tentou alcançá-la, mas a loira mais velha se esquivou.

— Vocês armaram pra mim, brincaram com a minha vida, porque vocês mentiram pra mim, mentiram! Me deixaram casar com o Sam mesmo sabendo de tudo. Mamãe deve ter te ajudado a fugir e papai te convenceu a ficar quieta pra ele não perder os grandes milhões com os Evans.

— Não! Não! Você está entendendo tudo errado. Eu fugi sozinha. Eu passei minha gravidez sozinha, mas eu tive medo de parir e não ter ninguém do meu lado. Foi então que eu contei pra mamãe. Papai soube tem alguns dias, quando foi brigar comigo pela cena em sua casa. Eu estava saindo do quarto com Miguel, que estava ardendo em febre, e ele me barrou no corredor do hotel. Mas se ele soubesse na época que o filho era de um Evans, ele não ia se importar, ele me casaria no seu lugar e teria o herdeiro que queria, bem mais cedo do que você pode dar. – Brittany não aguentou e levou a sua mão ao rosto de Kitty, lhe dando um tapa, o que chocou as amigas que assistiam o diálogo.

— Senhoritas isso é um hospital! Não admitimos violência! – A enfermeira ralhou.

— Desculpa! Me desculpa, Kitty! Eu não quis... Eu não... – Sentiu-se totalmente arrependida, Kitty sempre foi importante demais para ela para chegar a esse nível.

— Tudo bem, eu mereço isso e muito mais de você. – Disse em meio a lágrimas.

— Por que não vamos embora, Brittany? Estamos todas cansadas, você está há duas noites sem dormir direito, os nervos estão a flor da pele, nada de bom pode sair daqui agora. – Aconselhou Quinn já a afastando da irmã.

— Temos que conversar... – Pediu Kitty.

— Não agora. – Aconselhou Rachel depois de lhe dar um beijo na testa. – Nós voltaremos.

Notas finais
Como sempre digo, perdoem o drama e não desistam de mim haha Espero que tenham gostado. Até o próximo. Beijos.