Who are you?

18 Quebra-cabeça.


Notas iniciais
Como prometido, vocês pediram e eu voltei!!! Um super alerta: Eu tenho uma forte tendência pro drama (não sei como ainda não me chamaram pra escrever uma novela mexicana, porque eu adoro), então pra quem não curte, em alguns capítulos vai rolar umas partes bem dramáticas, mas respirem fundo comigo, que ao mesmo tempo eu sempre vou buscar algo que deixe mais leve a leitura, além do suspense que não pode faltar haha Mas é totalmente essencial o drama tá? Prometo maneirar o quanto der. Considerações feitas, bora ler!

Pela manhã, mesmo a contragosto de seu corpo, Brittany acordou cedo para poder começar o seu dia. Tomou seu café sozinha, pois foi informada por Lisa que Sam já havia saído e Santana tinha ido correr. Ela se surpreendeu com a notícia da latina, mas considerou que fosse algo benéfico a ela.

“Não seria nada mal se você voltasse a malhar também, precisa se cuidar agora para... Para o que, Brittany? Ficar gostosa pra Santana?” — Pensava consigo mesma, sem nem se dar conta do sorriso maroto que surgia em seus lábios.

— Pensamentos eróticos logo de manhã, Pierce? – Santana perguntou ao adentrar o quarto da loira, com uma garrafinha de água nas mãos.

Brittany se virou para ela e até pensou em responder, mas ao ver Santana vestida com uma calça de ginastica apertada ao corpo, top expondo a barriga bem definida, cabelos presos em um rabo de cavalo, a pele brilhando por conta do exercício a pouco feito e pra completar, algumas gotas de água da garrafa escorriam, rolando sobre a pele morena... Acabou por perder o fôlego.

— Eu... Eu... Não. – Balançou um pouco a cabeça e tentou se concentrar. – Eu estava pensando que talvez eu precise achar uma atividade pra mim também. Sabe? Relaxar e tal... – Sorriu sem graça. — Você não vai trabalhar? Eu posso mandar um táxi pra te buscar, eu preciso ir mais cedo pra me encontrar com meu pai. – Tentou mudar de assunto.

— Ah... Eu vou sim. Eu aceito o táxi. – Disse sem nenhuma pretensão enquanto se encostava no guarda-roupa. – Mas sabe, sobre o primeiro assunto, você sabe que eu sempre posso te relaxar. – Disse com seu sorriso mais sacana, aquele que desconcertava Brittany.

A loira, por sua vez, já conhecia o jeito de Santana, sabia que ali estava mais uma de suas armadilhas para torturá-la.

“Ah não, Santana, hoje não. Hoje sou eu quem vai brincar com você.” — Disse para si mesma, enquanto tentava buscar a sua cara de ingênua. – Oh, Sant, eu tô precisando tanto dos seus cuidados. – Aproximou-se do corpo dela, apoiou uma das mãos no guarda-roupa, na altura da cabeça de Santana, enquanto a outra mão colocou na cintura e apertou seu corpo ao dela. – Estou sentindo tanta falta de você comigo, dos seus carinhos, dos seus beijos e do seu calor contra o meu. – Sussurrou no ouvido da morena que ficou toda arrepiada. – Preciso te sentir, Santana, eu preciso tanto te sentir. – Elevou o seu joelho pra altura do sexo da latina e começou a roçá-lo, o que arrancou suspiros fortes dela. – Você não está com saudades de mim? Porque eu estou de você.

— Estou... — A voz nitidamente arrastada. — A gente deve resolver isso. – Já estava pronta para atacar a loira, mas Brittany foi mais rápida e se afastou.

— É uma pena que agora não dá. Estou atrasadíssima, tenho uma reunião com meu pai. – Deu as costas e pegou sua bolsa na cama, enquanto esbanjava uma risada.

— Sua filha de uma... – Mordeu a língua para não terminar a frase. – Você fez isso de propósito!

— Isso o quê? – Perguntou já na porta.

— Isso! – Indicou sua região intima.

— Você se resolve. Aproveita que está precisando de um banho. – Mandou beijos no ar e saiu rindo à toa.

— Vaca! – Gritou para que pudesse ser ouvida.

Pela primeira vez em anos, Brittany sentiu prazer em ir para a empresa, ela se sentia confiante. Hoje era o dia em que tudo mudaria. Era o dia em que ela teria a sua vida de volta. Sam seria afastado, ela teria o divórcio, devolveria a presidência para seu pai e viajaria com Luca para o mais longe que pudesse e Santana... E Santana? Santana iria com ela, pra onde fosse.

“Oh, céus! Eu estou tão apaixonada por você, Santana. Tão apaixonada. O que será que nossas vidas nos reservam daqui pra frente? Eu preciso te ajudar, eu preciso te tirar dessa. Mas com calma. Deixa eu resolver isso, que eu vou me dedicar inteiramente a você.” — Pensava consigo mesma.

— Bom dia, Marley! – Disse de forma animada para a secretária.

— Bom dia, senhora Pierce! Seu pai está a aguardando na sua sala. – Abaixou o tom para dizer a frase seguinte como se fosse algo confidencial. – E não está com uma cara muito boa.

— Mas isso vai mudar. Porque o que eu tenho nessa pasta vai fazer com que ele dê pulos de alegria. – Seu otimismo era evidente e foi com essa confiança que ela entrou na sua sala. – Bom dia, papai! – Foi logo tomando seu lugar a mesa e oferecendo a pasta que tinha nos braços para o senhor em sua frente. – O relatório completo de Queens.

— Bom trabalho, Brittany. A partir de agora eu assumo isso.

— E o que o senhor pretende fazer? Digo, todos os auditores foram chamados e o jurídico...

— Não, não, não. — Interrompeu. — Esqueça isso. Está tudo acabado! — Ele era frio, não demonstrava nenhuma emoção, o que a deixava aflita após aquela afirmação.

— Como? – Brittany não podia estar escutando direito. – Como assim acabado? O senhor vai só executar a cláusula do meu casamento? Tomar posse da empresa, é isso?

— Não, Brittany. Nós não vamos fazer nada, nós vamos esquecer isso. Eu conversei ontem com o Fabio e chegamos a um acordo. Ele vai cobrir o rombo com o patrimônio pessoal dele e do seu marido e vai ficar tudo certo. – Ele falava com toda serenidade, enquanto Brittany ia deixando a sua boca abrir em sinal de surpresa, ou melhor, desespero.

— Eu não posso acreditar nisso! – Levantou-se da cadeira e começou a rodar na sala. Era absurdo demais, aquele não podia ser o seu pai. – O senhor deve estar brincando comigo, porque eu não vejo outra resposta. Nós conversamos ontem e o senhor me disse que iria tomar tudo. Digo... Iria ser enérgico em suas decisões. Essa é a oportunidade que sempre esperamos. O senhor sempre quis ser dono de tudo, sempre ficou atento a mínima falha dos Evans. E está aí! Então me explica, como pode estar me dizendo que devemos esquecer que ele roubou 95 milhões? Que acordo foi esse?

— Eu sei que há muitos interesses pessoais no meio. Eu sei que você quer o divórcio. Mas isso é inviável no momento. Eu sinto muito, Brittany. Porém, eu andei pensando em uma forma de recompensá-la e pra ficar justo para todos. Sendo assim, eu te libero dos encontros com Sam. Não precisam mais daquela história de fingirem ser um casal feliz. Vai ficar mais fácil pra você.

— Mais fácil? O senhor acha que me liberar de um acordo absurdo desses recompensa o que ele fez? Eu vou ter que continuar a dividir a minha vida com ele. A minha casa, meu filho, minha empresa. Eu vou ter que ver o sorriso sarcástico dele todos os dias, me dizendo que desfalcou milhões, mas que está tudo bem. Se fosse eu... Se fosse eu o mundo estaria caindo sobre a minha cabeça. Mas como é ele, isso não representa nada? Papai, não pode ser. – Ela parou de frente pra mesa novamente e apoiou as suas duas mãos, assim, podendo encarar o pai. – Por favor, papai, por mim. Pelo menos me permita sair desse casamento, é tudo o que eu mais quero. Eu não me importo com mais nada. Dane-se, Sam! Dane-se se ele vai preso, se a empresa fica com você ou com os Evans. Mas eu não aguento mais, papai! Eu não aguento mais! – Disse em tom de agonia.

— Eu não posso... Eu não posso... – Colocou a mão no rosto e suspirou forte. – Ele me tem nas mãos. Se eu seguir em frente, ele vai acabar comigo. E eu não dei tão duro pra morrer na praia.

— Por quê? O que ele tem de tão grave? O que o senhor fez de tão grave pra isso?

— Eu não posso te dizer nada sobre isso. Eu apenas não posso! Entenda isso. – Disse alterado.

— E eu posso? Eu posso ficar nas mãos deles? — Não houve resposta. — Tá certo. Então quer saber? Eu me demito. Eu me demito. Eu vou pra casa ficar com meu filho e vou deixar Sam tomar conta de tudo, pra ele roubar o que quiser e no final a gente vê o que sobrou, porque eu não vou ficar sentada aí fazendo papel de palhaça.

— Você não pode fazer isso e você não vai!

— Eu não vou? Eu não vou? Então assista, papai. – Pegou a sua bolsa e já ia dar meia volta, mas Rafael foi mais rápido e a segurou pelo braço.

— Eu preciso de você aqui, firme e forte. Isso não é permanente, eu vou achar um modo de reverter essa situação, mas você tem que ter paciência.

— Paciência é tudo o que eu mais tenho tido nesses três anos. – Disse mais alto. — Mas eu não posso mais, será que não entende? Será que não vê?

— Não me obrigue a ser duro com você, não me obrigue a te lembrar tudo o que você pode perder. Venha aqui, sente-se na sua mesa e trabalhe. Isso logo vai passar. – Rafael soltou o braço da filha, deu a volta na mesa e saiu da sala.

Brittany lentamente se sentou na cadeira, apoiou seus braços na mesa e fechou seu rosto com as mãos deixando suas lágrimas escorrerem. Aquilo não podia ser real. Não podia.

Marley que ouviu toda a gritaria da parte de fora, assim que viu o senhor Pierce sair da sala, foi até a sua chefe para tentar ver se havia algo que ela pudesse fazer.

— Senhora Pierce... – Disse no tom mais meigo que pode. – A senhora... A senhora deseja algo? Eu posso fazer algo pela senhora?

— Ninguém pode, Marley. – Levantou a cabeça tentando secar as lágrimas inutilmente. – Por favor, diga a qualquer um que eu não estou, mas quando Santana chegar, peça que ela venha até a minha sala, sim?

— Sim, senhora. Mais alguma coisa? Deseja um copo de água?

— Não, Marley. Agradeço a preocupação, mas eu só preciso ficar sozinha agora.

— Como quiser, qualquer coisa, eu estou a disposição. – Saiu da sala deixando uma Brittany solitária e devastada.

— Isso não vai ficar assim, não vai!

Enquanto isso, Santana tomava o táxi que Brittany havia mandado para levá-la até a empresa. Entretanto, ela desviou o caminho e não foi direto a seu destino. Ela pediu para que o taxista a levasse até a estrada em que aconteceu o seu acidente, ela precisava lembrar, ela precisava forçar a sua mente a lhe dar uma nova direção, ela precisava mais do que tudo saber o que tinha acontecido. Ela não aguentava a angustia de pensar que poderia ser culpada de um crime tão bárbaro.

— A senhorita tem certeza que deseja descer aqui?

— Sim, por favor. Se puder me esperar, eu prometo que não irei demorar. E vou pagar por esses minutos, não se preocupe. – Disse desembarcando do carro. – Vamos, Santana. Lembre de algo, lembre.

Ela caminhava pela pista tentando buscar qualquer detalhe que lhe fizesse ter qualquer lembrança. Sua memória era um fraco borrão que começava no momento em que Brittany a encontrou derrubada, do choque com o carro, mas antes disso...

Ela olhava ao redor os campos de plantação e nada daquilo fazia sentido.

— O que eu fazia em um lugar assim? O quê?

— Senhorita, eu não quero interromper, mas acho que a senhorita não deveria ficar andando tão perto do matagal. Pode haver bandidos escondidos, ou animais.

Nesse momento, Santana sentiu um flash passar pela sua cabeça, sentiu uma leve tontura, mas as imagens vieram com nitidez.

FLASH BACK.

Santana corria pela plantação de forma acelerada, as folhas de milho lhe cortavam a pele por passar com brutalidade por entre elas, mas não havia outra escapatória. Era correr ou ser pega. Sua roupa toda rasgada, o coração na boca... Continuar naquela casa era o seu fim.

Não tão longe, ela podia ouvir os passos de seus perseguidores, eles estavam em seu encalço, mas ela não podia vacilar agora.

— Estamos ferrados! Estamos ferrados! – Um deles gritava em desespero.

— Ela está indo pra estrada. – O outro parou tentando distinguir a direção do barulho que a latina fazia ao correr. — Não deixa ela escapar, ela sabe demais.

“Minha virgem, me ajuda. Se eu escapar dessa, eu juro que eu serei uma pessoa melhor.” — Orava internamente. – “Mas com calma, tá? Porque a Senhora bem sabe que eu tenho as minhas limitações. Aff, veja se é hora de negociar com a Santa.”

Ela continuava a correr o mais rápido que podia, mas estava machucada, assustada, bastante desidratada. Sentia que suas pernas iam sucumbir a qualquer instante, mas estava próximo demais pra desistir, já podia ouvir o barulho de automóvel. Foi então que reuniu suas ultimas forças para impulsionar o seu corpo para via. Ela não pensou em nada, nem ao menos se deu o trabalho de olhar a direção, ou se o carro estava perto demais, apenas precisava sair dali, ou iria ser pega por seus sequestradores, ou por algum animal, cobra, aranha, o que fosse... E nisso, não deu tempo de ver mais nada, apenas sentiu o baque do veículo em seu corpo e foi ao chão.

FIM DE FLASH BACK.

— Senhorita? Senhorita? Você está bem? – O motorista insistia, vendo que ela estava longe e cada vez mais pálida.

— Sim, eu estou bem. E tenho uma proposta pro senhor. Se me levar dentro desse milharal, até uma cabana abandonada, eu dobro o valor da corrida.

— O triplo? — Negociou.

— O triplo! — Se viu sem escolhas. — Brittany que me perdoe, mas não tem condições de eu ficar esperando dois dias.

Santana se enfiou no milharal com o taxista, mas apesar de chegarem ao final da mata, o barraco já não existia mais, ele havia sido incendiado.

Santana voltou para o carro um tanto abalada, mas feliz, pois essa lembrança devia lhe dizer algo. Ela não inventou seu acidente, não se arriscou por acaso. Ela realmente fugia de pessoas que queriam lhe fazer mal e se conseguisse chegar até elas, poderia saber o que aconteceu. Mas a dúvida era: como?

Cada vez mais ela precisava da polícia, sozinha não seria capaz de enfrentar aqueles dois homens novamente. Mas naquele momento, ela se usaria da esperteza de Brittany para tentar ajudá-la, precisava dela.

Assim que chegou à empresa, Santana praticamente voou para o escritório de Brittany, Marley não teve nem tempo de alertá-la sobre o estado da loira.

— Brittany, você não vai adivinhar do que eu lembrei... – Entrou toda empolgada na sala, mas foi desfazendo suas feições alegres ao ver sua paixão debruçada sobre a mesa, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. – Deus! O que aconteceu? – Correu ao encontro dela, se abaixou na frente da cadeira e a girou em sua direção.

— Deu tudo errado, Sant. Deu tudo errado. – A morena a abraçou por um longo tempo, suas pernas começavam a doer por estar naquela posição, mas não se importava, precisava deixar que ela descarregasse para depois terem uma boa conversa.

Demorou até Brittany se acalmar, Santana precisou ir buscar um copo com água e açúcar para ela, mas depois ficou por dentro de tudo o que havia acontecido. E assim como a loira, se sentia perplexa com a reação de Rafael.

— Eu não entendo. Ele está com a faca e o queijo na mão. O que ele pode ter feito de tão mais grave para que o senhor Evans esteja o chantageando assim?

— Eu não sei. Eu juro que eu não sei. Eu pensei em todas as possibilidades. Eu, minha mãe, até mesmo Kitty, negócios escusos... Mas não há nada de errado, Sant. Pelo menos não que eu saiba e é isso que me dá medo, porque eu nunca vi o meu pai recuar por nada.

— Você já pensou em perguntar pra sua mãe? Não é por nada, Brittany, mas eu acho que ela deve saber muita coisa do seu pai... Talvez ela seja a melhor pessoa.

— Mesmo que saiba, é da minha mãe que estamos falando. Já viu ela afrontar meu pai alguma vez? Eu vou ter que dar o meu próprio jeito.

— Que jeito?

— Eu denunciei uma suspeita de fraude anonimamente pra Policia Federal, eles vão investigar. Os Evans não vão sair impune dessas.

— E se eles descobrirem que foi você?

— Eu não me importo, eu quero a minha liberdade. Eu quero sair daquela casa. Eu quero poder levar meu filho e você comigo. – Segurou as duas mãos de Santana e as apertou com carinho. – Eu só preciso de vocês. Só de vocês.

— Eu também. – A latina abriu um sorriso terno e se aproximou de Brittany, dando-lhe um selinho demorado. — Mas eu se fosse você, teria dado as costas pra tudo. Brittany, nenhum juiz no mundo tiraria seu filho de você, ainda mais na situação do Sam. Do que você tem medo de verdade? Por que não mete a cara?

— Santana, quando vai perceber que eu não sou igual a você?

— Mas você é melhor e bem mais corajosa do que pensa...

Naquele resto de manhã, as duas não fizeram mais nada. Santana trancou a porta do escritório de Brittany e as duas se acomodaram no sofá. Brittany tinha sua cabeça deitada no colo de Santana que lhe acariciava os cabelos. Não trocaram nenhuma palavra, pois cada uma estava mergulhada em seu mundo particular, mas na verdade, nem era preciso. Apenas a companhia uma da outra as ajudava a manter a calma e buscar a serenidade necessária para entender seus conflitos. Isso era bom, mas também revelava como uma estava tão dependente da outra.

Na hora do almoço, mesmo contra a vontade de Brittany, Santana insistiu para que saíssem para um restaurante, precisava fazer com que a loira respirasse ar puro e saísse de dentro daquele escritório. E isso as fez bem, em pouco tempo levavam um papo ameno e aleatório.

— Recebi uma mensagem do Marcos, ele pediu pra te lembrar da sua consulta amanhã.

— Você não vai comigo?

— Não sei se é uma boa ideia...

— Por que não? – Deixou de prestar atenção em sua deliciosa sobremesa, para poder fitar os olhos da mulher em sua frente. – O que rolou entre vocês na boate?

— Nada, Santana.

— Então...

— Então o que? – Fez-se de desentendida.

— Por que acha que não é uma boa ideia me acompanhar?

— Ele tem interesse em mim. Ele sabe que Sam e eu vivemos uma farsa. Aliás, ele bateu no Sam fora da boate, também levou alguns socos... Mas o caso é que eu não sei como encará-lo. Ficou um clima bem estranho.

— É, eu percebi como ele te comia com os olhos... – Fez uma careta tentando disfarçar sua irritação.

— Enquanto isso, eu comia você. – Sorriu de forma marota.

— Mas me largou no banheiro...

— E você correu beijar o Noah.

— Tá certo. Você venceu. – Elas riram.

— Obrigada. Mas agora que eu estava me lembrando... Você chegou no escritório me dizendo que havia tido uma lembrança, o que foi?

— Ah, é verdade. Fiquei tão preocupada com você que preferi esperar... Eu fui até o lugar que você me atropelou.

— Você fez o quê? Santana, é perigoso demais! Não acredito que você fez isso. Você havia prometido que iria esperar.

— Perigoso? Que perigoso o quê? Você acha que tinha gente me esperando passar por uma via abandonada?

— Eu não sei, Santana. Desde que o Noah descobriu aquelas coisas, eu sinto um nó na barriga, eu tenho medo de que cheguem até você e te façam mal.

— Aff, você é linda demais! Queria poder te beijar agora. – As duas sorriram. – Mas enfim... Não tinha risco algum. Eu fui até lá e me lembrei que eu estava fugindo de uma casinha perto da plantação. Sabe, dessas de madeira, pequenas, de caseiro talvez... Eu escapei dela e sai correndo pelo milharal, enquanto dois homens me perseguiam. E eles diziam que não podiam me deixar fugir porque eu sabia demais. Brittany, eles podem ser a prova de que eu não matei meus pais, mas que eu sei quem matou. Ou pelo menos, eles são a prova de que eu não fugi da justiça, foram eles que me sequestraram.

— Isso é bom demais! Não sabe o quanto eu estou aliviada. Mas mesmo assim, sabe que não vai ser simples, não temos como achar esses homens e você precisa se lembrar de onde foi sequestrada pra termos alguma pista.

— Sim, eu sei que se eu chegar contando essa história pra polícia eles vão achar muito vago, ou vão dizer que eu inventei. Mas parece que o quebra-cabeça está se completando, sabe? E essa angustia de saber que não sou uma assassina está indo embora.

— Você não é uma assassina, Lopez.

— Eu espero, Pierce. – Respondeu firme da mesma forma e as duas riram, apenas bobagens como essas para fazer com que elas relaxassem. – Mas eu preciso continuar agindo, eu preciso ir em busca do meu passado.

— Tudo bem, eu estou de acordo com isso. Até porque, eu sei que não adianta ser contra porque você vai fazer do mesmo jeito. Mas dessa vez, eu vou com você, não vou deixar você ir sozinha. Estamos nessa juntas. Põe isso na sua cabecinha dura.

Era tudo que Santana precisava ouvir, Brittany era realmente sua parceira.

Notas finais
Muito obrigada a todos que comentaram. Fiquei super feliz com a resposta positiva de vocês. Mas continuem comentando o que acham, o que esperam, porque me anima muito! Até o próximo.