Who are you?
14 Eu Confesso.
Notas iniciais
Santana não demorou nada para se arrumar, na verdade, quando Brittany saiu na frente da casa, ela já se encontrava encostada no carro esperando que a loira viesse. Lisa seguia Brittany com Luca no colo, antes de descer as escadas da varanda, parou e pegou o filho no colo para se despedir.
– A mamãe volta logo, meu amor, vou morrer de saudades de você. — Ela encheu a bochecha do filho de beijos e suspirou. — Primeira vez que eu vou ficar dias sem vê-lo.
– Não se preocupe, senhora Pierce, qualquer problema que tiver eu ligo para senhora. Mas eu vou cuidar muito bem dele. — A babá gentilmente a confortou.
– Liga mesmo, vou deixar avisado na empresa que apenas você pode me interromper. — Britt deu mais um beijo no pequeno e o devolveu com certo pesar a babá. — E como amanhã é a sua folga, eu pedi para minha mãe vir buscá-lo logo cedo, ok?
– Não se preocupe com isso.
– Ótimo! Até mais. — Acenou e foi de encontro a Santana.
– Até mais, senhora Pierce, façam uma boa viagem. Da tchau pra mamãe. — Segurou na mão do pequeno e o fez acenar.
Santana acenou de volta e mandou beijos, sendo correspondida por ele.
– Tá vendo? Fui eu que ensinei ele a mandar beijos, esse garoto vai ser um galã com minha ajuda. — Elas riram e entraram no carro.
Antes de dar a partida, Brittany ficou olhando por alguns minutos seu celular, tentando ligar para sabe-se lá quem.
– Olha Pierce, deixa eu te dar uma dica, esse carro não vai se movimentar sozinho.
– Eu sei, Santana. Eu estou tentando falar com Sam. Eu ainda não acredito que ele fez isso comigo.
– Até eu já percebi que seu marido é capaz de qualquer coisa, como você não?
– Porque ontem estava diferente... Quero dizer, eu sei que ele não presta, mas roubar a própria empresa.
– Ontem ele só queria te agradar, exatamente porque ele sabe que vai estar em suas mãos. Será que é difícil você perceber isso?
– É, você tem razão. — Suspirou.
– Você ainda o ama? — Abaixou um pouco a cabeça e fitou as suas próprias mãos no colo para poder faze essa pergunta. — Estava com esperanças de que ele se tornasse o homem bom pelo qual você se apaixonou?
– Eu nunca amei o Sam. — Santana rapidamente ergueu sua cabeça e a fitou. — Eu tenho descoberto isso. Mas sim, eu queria que ele fosse uma pessoa melhor, porque eu ainda tenho dois anos de casamento com ele e porque eu estou cansada de tantas brigas e tantos problemas. Se foi ele quem desviou o dinheiro, eu não sei o que eu terei que fazer.
– Não se preocupe, para isso você tem a mim. — Esticou a mão e tocou a dela. — Eu vou te ajudar no que você precisar. — Brittany abriu um sorriso sereno, mas discreto. Santana recolheu a sua mão e voltou a sua posição dura, ambas sabiam que ainda não estavam bem devido a noite anterior. — Agora larga esse celular que eu não quero sofrer outro acidente.
– Se estiver com medinho, pensa que ainda da tempo de saltar do carro.
– Não, não vou deixar você triste e solitária em uma viagem sem mim. — Abriu um sorriso e puxou seu cinto de segurança. — Pé na tábua.
A primeira hora dentro do carro com a latina foi aterrorizante para Brittany, Santana não parava de falar e sempre tinha uma nota irônica para tudo, além de muitas vezes roubar a atenção da loira para a rodovia sobre coisas insignificantes como o estilo do motorista no carro ao lado, ou as mulheres de beira de estrada.
– Coitadas dessas pessoas, elas devem estar perdidas. — Olhava por sua janela.
– Você está brincando, não está? Elas são mulheres de programa. — Inicialmente Santana fez uma cara de inocente e espantada, mas em seguida começou a rir da cara da loira.
– Claro que sim, sou pura, mas nem tanto.
– Você? Pura? — A loira riu sozinha.
– Olha, não estou entendendo o motivo de sua risada. — A latina também não conseguiu se segurar e começou a rir. — A gente bem que podia chamar uma, eu ainda estou com fetiche pelo carro.
– Claro, por que não, né? Eu dirijo e as deixo se pegando no banco de trás.
– Acho muito perigoso.
– Ah, é mesmo?
– De qualquer forma a gente teria que parar o carro, porque você vai ficar prestando atenção em nós pelo retrovisor, iria acabar batendo o carro.
Na segunda hora ela começou a implicar com Brittany sobre o tipo de música que ouvia no rádio, que eram muito velhas, que precisavam de algumas músicas mais atuais. A loira dizia que o carro era dela e a morena dizia que não dava a mínima e voltava mudar a estação de rádio para irritar Brittany. Além de ficar batucando e cantarolando de forma enrolada as diversas músicas que tocavam.
– Não fale mal do meu Bon Jovi.
– Olha essa música, ela é muito depressiva, eu não acredito nessa letra.
– Você já assistiu Armageddon? Não, não é? Então não sabe o quanto essa música tem significado.
– Balela.
Na terceira hora, Brittany agradeceu as céus por Santana ter pego no sono, foi o momento mais tranquilo da viagem. Quem a via dormir poderia jurar que ela era um anjo e não um furacão, chegava até ser bonito de ver os traços latinos relaxados e a loira sabia que precisava se aproveitar disso, por esse motivo foi mais depressa com o carro, sendo que meia hora depois a latina despertou acabando com o sossego. Foi então que Brittany decidiu parar em um restaurante de estrada para se acalmar e não correr o risco de sentir vontade de jogar Santana janela a fora pela estrada. Também precisava esticar um pouco as pernas, já não se lembrava qual foi a última vez que teve que dirigir tanto. Além de que assim puderam comprar algo para se alimentar, ainda tinham mais uma hora e meia de viagem.
Elas ficaram em silêncio total durante os vinte minutos iniciais que voltaram para o carro, logo após isso a latina mais uma vez quebrou o silêncio.
– Eu preciso ir ao banheiro.
– Nós acabamos de fazer uma parada, você não manifestou nenhuma vontade, eu não vou parar agora.
– Deve ser porque eu não estava com vontade aquela hora, agora eu estou. Você precisa parar.
– Mais a frente eu paro.
– Mais a frente onde? Eu preciso.
– Mais a frente, você está vendo a rodovia, quer que eu pare em algum arbusto?
– Acho que você dormiu de calças jeans .
– O que? — Deu um riso sem entender o que ela quis dizer.
Santana parou por alguns segundos com seu olhar perdido olhando para fora da janela, uma lembrança perfeita se formava em sua mente. Uma senhora mais idosa, com os cabelos curtos e sotaque latino tentava animar a garota nitidamente irritada.
– O que foi Santana? Você dormiu de calça jeans para estar tão irritada?
– Eu vou embora, abuela. Eu não aguento mais, não vou deixar aprisionarem novamente.
– Tem que ter paciência, Santana. — A senhora colocou suas mãos nos ombros da neta e a abraçou por trás. — Tudo vai se resolver.
– Não, eu não quero saber. Está na hora de eu começar a minha vida, longe de tudo isso.
– Santana? Santana? — Brittany chamava insistentemente ao ver que a latina havia se distanciado.
– Eu me lembrei da minha abuela, era ela quem me falava sobre “dormir de calça jeans”. Eu tenho uma avó. — Uma lágrima sincera escorreu de um dos olhos da latina, sem saber porque aquela lembrança, apesar de simples, mexeu mais com os sentimentos dela do que a primeira.
– Isso é ótimo. — Disse de forma meiga ao ver o estado da morena. — Olha, eu vou parar no próximo posto, você usa o banheiro e eu tento falar com o Noah. — Santana apenas assentiu com a cabeça.
No posto de gasolina mais próximo Brittany fez a parada, enquanto Santana correu para o banheiro, ela ficou do lado de fora no carro tentando falar com Puckerman.
“- Deixe seu recado, você só será tarifado após o sinal.”
– Que droga. — Bufou enquanto olhava para a tela de seu celular.
– Vamos em outro. — A latina disse batendo a porta do carro.
– Em outro o que? — Deu logo a partida com o carro.
– Em outro posto, eu não consegui usar aquele banheiro, estava tudo imundo.
– Você está de brincadeira, não é?
– Britt, eu tenho quase certeza que eles criam cobras dentro daqueles sanitários.
– A gente não vai parar, você vai usar o banheiro em Queens.
– Mas tem um posto logo ao lado.
– E no próximo você vai dizer que tem até corpos no banheiro. Eu te conheço, nada disso.
– Não acredito que vai me torturar por uma hora de viagem.
– Você me torturou durante quatro horas e meia, acho que eu posso sim.
– Não, Britt. Para o carro.
– Eu não vou parar, Santana.
– Pierce, para o carro. — Segurou no volante para tentar conter a loira.
– O que está fazendo? Não. — Puxou o volante para direção oposta fazendo o carro transitar em zigue-zague entre as faixas. — Santana a gente vai bater.
– Então para esse carro. — Puxou com toda força o volante fazendo o veículo se desgovernar em direção a faixa direita, sendo que o mesmo saiu da pista e entrou em uma pequena valeta. -Ops!
– Eu não acredito nisso. — Abriu o carro e saiu do mesmo batendo a porta com força. — Eu não acredito que você me fez sofrer um acidente de carro pela segunda vez.
– Eu pedi para você parar. — Deu de ombros enquanto saia de dentro do automóvel para ver o estrago.
– Você é pior do que criança. Não sabe o que é não? Não sabe o que são coisas sérias e que eu estou atolada de responsabilidades e é egoismo seu ficar de pirraça durante a viagem toda. Eu já fiz demais te trazendo comigo, o que mais você quer? — A loira explodiu de raiva enquanto a morena fazia expressões de assustada.
– Eu? Eu sou criança? Você quer mesmo falar sobre um pouco de infantilidade? Então vamos lá. — A loira cruzou os braços cheia de marra enquanto a latina começou a esbravejar. — Você é uma ótima administradora da empresa, gestora do lar e mãe competente, mas no que toca sobre a sua própria vida pessoal você é um desastre. Você não é capaz de assumir e enfrentar as coisas que sente e ao invés de resolver como uma pessoa civilizada fica utilizando de seu mau-humor para cima de mim e quer saber de uma coisa? Eu não sou obrigada a aguentar e também não vou.
– Você não sabe de nada sobre os meus sentimentos e não tem o direito de falar sobre eles. — Desfez seus braços e começou a apontar seu dedo para a morena.
– Pois eu digo que sim e vou continuar me metendo porque eu estou bem no meio deles. — Apontou seu dedo da mesma maneira.
– Quer saber? Eu não vou ficar discutindo com você sobre isso, eu quero saber agora como é que nós vamos chegar em Queens dessa forma, hein? Me diz. — Deu as costas e voltou-se em direção da porta do carro para poder procurar seu celular.
– Lá vai você fugir outra vez.
– Por que você não faz um favor para gente e fica um pouco quieta?
– E por que você não faz um favor para gente, que já deveria ter feito no dia que me atropelou e não me largar aqui nessa via?
– Não me tente tanto. — Deu uma simples olhada por cima de seu ombro e voltou a mexer em sua bolsa dentro do carro a procura de seu celular, ao encontrá-lo foi logo ligando para seu seguro para que enviasse o guincho mais próximo, ao se virar de novo para trás surpreendeu-se com a ausência da latina. — Eu não acredito nisso.
“Eu devo ter jogado pedra na cruz, ou em outra vida eu deva ter sido uma filha bem rebelde e por isso essas coisas estão acontecendo comigo, dizem que pecar contra os pais é algo muito grave, não é? Meu filho veio como um anjo, mas agora tenho uma mulher que mais parece uma criança fazendo pirraça quando quer.” – Dizia para si mesma enquanto trancava seu carro. — “Quem sabe na próxima vida eu seja apenas alguém que curte a sombra e água fresca, quem sabe.”
Brittany deu uma boa olhada ao redor e pode ver a figura da morena se distanciando ao longo da via dando passos longos. A loira rapidamente correu atrás da latina e assim que alcançou a segurou pelo braço para que ela parasse.
– O que você pensa que está fazendo, Santana?
– Um favor pra gente, o que você não teve coragem.
– Será que você pode colaborar? Eu tenho um problema enorme. Nós estamos no meio de uma rodovia correndo o risco de sermos assaltada se não coisa pior. Por favor, vamos esperar o guincho e depois conversarmos como duas adultas. Eu não quero que a gente fique igual ao começo, em que de cada dez palavras, nove eram indiretas. Por favor.
Santana respirou fundo e assentiu com a cabeça, no fundo ela sabia que seu drama e sua implicância com Brittany eram totalmente desnecessários naquele momento. As duas caminharam de volta ao carro e lá ficaram em silêncio até o guincho chegar.
– Olha dona, não é nada de complicado não, mas eu só vou poder entregar seu carro pela tarde de amanhã.
– Não senhor, o senhor não está entendendo, eu quero esse carro pra hoje, eu preciso na verdade. Eu estou a uma hora do meu destino. Aqui não passa ônibus, ou seja, não tem o que fazer até amanhã de tarde.
– O máximo que eu posso fazer é adiantar tudo e entregar amanhã cedinho pra senhora, antes disso não tem como. Se eu fosse a dona arranjava um desses motéis de beira de estrada e se hospedava, porque milagre também não faço dona.
– Tô começando a acreditar que meu pecado foi mais grave do que eu imaginei.
– Que? — Santana arqueou a sobrancelha totalmente sem noção do que Brittany se referia.
– Nada, eu falei alto demais. — Colocou a mão no rosto. — Tudo bem, senhor. Qual é o motel mais próximo?
– Subam aqui, eu deixo as donas lá.
Santana e Brittany se entreolharam, não tinham muitas escolhas, então por fim aceitaram a carona do senhor até o motel mais próximo. O lugar não aparentava nenhum luxo se quer, Brittany apenas pedia aos céus que houvesse o mínimo de higiene aceitável.
– Quer que eu te carregue no colo pra dentro? — Santana zombou ao ver que a loira parou na porta do quarto sem muita vontade de entrar. — Vamos, vai ser divertido. Eu, você e aqueles brinquedinhos. — Disse por trás ao pé do ouvido dela.
– É incrível todo esse seu erotismo a essa hora da tarde, nesse lugar e nessa situação.
– Fogo não tem hora, Pierce. — Disse passando a frente e entrando no quarto. Jogou suas bolsas em um lado do sofá e o seu corpo do outro.
Brittany veio logo atrás, deixou sua bolsa perto da cama e se sentou na beirada dela, enquanto tentava de alguma forma entrar em contato com alguém de sua empresa.
– Ia pedir que um carro viesse nos buscar, mas não rede nessa droga de lugar.
– Se tivesse ligado para eles ao invés do guincho... Por que não usa o telefone daqui?
– São pra ligações internas. — Respirou fundo.
– Hum, entendida dos motéis. Quantas vezes o boca de truta de trouxe num desses? — Riu de forma sarcástica.
– Eu... Eu... — Se embolou enquanto as suas bochechas ficavam coradas.
– Não precisa dizer nada, eu tava brincando, esse é o tipo de coisa que eu não quero saber de você. É nojento pensar na junção dos seus corpos brancos. Além de ficar confusa sobre qual é o teu e qual é o cabelo dele. Certeza que ele sempre puxava o errado.
– Santana!
– Desculpa. Ok. Parei. Vamos assistir um pouco de tv para descontrair.
A latina estucou-se um pouco e pegou o controle que se encontrava em cima de uma mesinha central, ao ligar o televisor deparou-se é claro com a programação típica para um motel, filme pornô. Sua boca, assim como a de Brittany se abriram instantaneamente com as imagens de sexo que se reproduziam.
– Como essa mulher consegue...
– Não fala, Sant... não fala nada.
– Mas não dói? Olha só pra isso.
– Eu não quero olhar. — Dizia ao mesmo tempo que seus olhos se encontravam impressionados com a imagem.
– Ela não tá gemendo, ela tá parindo, mas ao invés de sair...
– Santana! — Brittany levantou para desligar a televisão antes que ela completasse a frase. — Escute o rádio, tudo bem? Eu vou ali fora ver se eu consigo sinal.
– Se eu fosse você tomava cuidado, porque isso daqui está parecendo aqueles filmes em que tudo da errado para os mocinhos, eles vão para um motel em um lugar perdido e acabam sendo mortos por um serial killer com uma serra elétrica.
– Bom, naturalmente eles começam pelas latinas calientes, quem sabe eu ainda tenha alguma chance de correr e sobreviver, não é?
– Você está na minha lista negra, Pierce. Tomara que esse serial não seja fã de clichês. — Brittany deu de ombros e saiu para o corredor rindo. — Chata.
Brittany tentou insistentemente ligar, mas sem sucesso, qualquer fio de sinal que recebia duravam segundos insuficientes para completar uma chamada, apenas desistiu quando viu que sua bateria estava para acabar. Ao retornar ao quarto se deparou com Santana deitada de barriga para cima no sofá fitando o teto. Na verdade, a latina ainda estava intrigada com a sua lembrança de mais cedo, a imagem de sua “abuela” a intrigava. Sempre que ela pensava na mulher seus olhos enxiam-se de lágrimas e seu coração apertava. Mas por quê? Por que se a avó parecia protegê-la tanto? E afinal, o que é que a perturbava tanto ao ponto de querer mudar de casa? Nada fazia sentido, não sabia como conectar essa lembrança a que teve de sua infância.
Fechou momentaneamente seus olhos e fixou a imagem da mulher em sua mente, buscando mais lembranças junto aquela senhora, mas nada, além de uma dor intensa dor, vinha em sua cabeça. Brittany praticamente leu as expressões dela e não era difícil de notar no que ela estava pensando, por isso recolheu-se na cama e também ficou em silêncio. Havia muitas coisas que precisava programar em sua cabeça também.
Quando anoiteceu, elas não tiveram coragem de pedir qualquer prato que pudesse ter sido feito naquele local, por isso abriram salgadinhos e pacotes de biscoitinhos que havia no quarto mesmo. A refeição era feita em silêncio, as duas vezes ou outra trocavam olhares que eram logo desviados.
– Desculpa, pode pegar. — A loira disse ao sua mão tocar com a da latina quando foi pegar a última bolacha recheada.
– Não, tudo bem. Eu fico com o final das batatas. — Pegou o pacote para si.
– Acho que nos devemos uma conversa.
– É, eu acho que sim. Por que você não começa?
– Na verdade eu não sei por onde começar.
– Que tal pelo motivo de estar agindo diferente comigo? Ou então, o que levou você a se irritar tanto por eu ter saído com o Noah e posteriormente ter ficado com ele, sendo que você tinha acabado de me dispensar?
– Às vezes eu me esqueço como é arriscado deixar a palavra para você. — Suspirou. — Mas bem, eu não sei...
– Não, não, não. Vamos deixar algumas coisas claras, vamos ser sinceras agora. Se você for começar me dizendo que não sabe, é melhor nem me dizer nada. E sem se irritar comigo? — Disse rápido ao perceber que a loira estava pronta para protestar.
– Eu me irrito sim, mas sabe por quê? Eu gosto da forma que você é comigo, eu gosto da forma que insiste em mim.
– E isso é motivo para se irritar? — A latina perguntou de forma confusa.
– Sim, porque eu não deveria gostar dessa forma que eu gosto. — Ela abaixou a cabeça por alguns segundos, seria o tempo para Santana começar a falar e lançar algo, mas a morena não conseguia, precisava que Brittany terminasse de expressar o que dizia. — Eu... Eu tenho que confessar. Eu tenho sentido coisas diferentes por você, Santana. Coisas que a muito tempo eu não sentia. Começou com uma simples atração, mas você passou a me tirar do sério em todos os sentidos. Eu sinto uma necessidade enorme de cuidar de você, me sinto mal por não poder ajudá-la mais, tenho vontade de ficar contigo, porque quando não está a fim de me irritar é a pessoa mais agradável, que mais parece me entender e mais me faz bem. E quando a gente se beija eu sinto aquelas coisas de adolescente no estômago, eu quero te agarrar, te fazer minha. E tudo isso se intensificou desde que transamos. São os maravilhosos sintomas de paixão. Mas só que San... Eu sou casada, eu tenho um filho e um milhão de problemas. Eu não posso me dar ao desfrute de ficar suspirando pelos cantos, muito menos viver momentos de sexo perigoso com você, sendo que hora ou outra você vai embora, vai sair da minha vida e eu estou cansada de sofrer por conta de sentimentos. — Ao dizer isso ela pode sentir o peso de suas lágrimas escorrendo por sua face, o que apertou ainda mais o coração de Santana.
Abrir seu coração sempre foi algo complicado para Brittany, afinal desde pequena ela nunca teve quem a escutasse. Doar-se a amigos era uma tarefa muito fácil, ainda mais se tratando de uma garota meiga como sempre fora. Entretanto, falar sobre o seu amor e esperar que alguém a ame de volta, era muito complicado.
– Brittany, eu...
– Não, Santana. Eu sei que eu fui uma idiota de deixar isso acontecer comigo, eu sei. E eu fiquei mal ontem porque eu estava com ciúmes de você. Mas o que eu podia fazer? Eu escolhi me afastar para não sofrer, ou melhor, cortar qualquer coisa que possa vir a nascer e me ferrar mais pra frente. Principalmente porque eu não queria ver que eu me apaixonei mais uma vez por alguém que não se importa com os sentimentos alheios, além de prazeres instantâneos.
– O que? Você está me comparando ao Sam? Eu não admito isso.
– É? E como eu devo julgar o seu comportamento de se atirar nos braços de Noah? — Santana buscava uma resposta lógica, mas a paciência de Brittany não quis esperar. — Quer saber, Santana? Esquece tudo isso. Foi um erro da minha parte dizer. Eu tenho que parar de ser tão sentimental assim. — A loira levantou-se do sofá com a intenção de ir até o banheiro, mas Santana a segurou pelo braço e se levantou também.
– Espera, a gente não terminou de conversar.
– Terminamos sim, eu não quero ouvir mais nada. — Puxou o seu braço e correu em direção ao banheiro.
– Britt! Brrittany! — A latina caminhou até a porta do banheiro e segurou na maçaneta a girando insistentemente. — Abre essa porta. Não é justo. Não é justo você dizer tudo o que quer e depois se trancar no banheiro. Eu também tenho o direito de falar.
– Mas eu tenho o direito de não ouvir. — Gritou da parte de dentro. — Me deixa, eu vou tomar meu banho e depois vou dormir, porque amanhã se nada mais der errado, eu chego em Queens. — Suspirou nitidamente cansada, enquanto começava a desatar os botões de sua calça.
– Isso e eu vou estar aqui fora te esperando. Então, você só vai prolongar as coisas. Ou pretende dormir no banheiro? Sabe que não pode ficar aí pra sempre. Custa me ouvir? Cinco minutos?
– Se for preciso... Eu fico aqui.
– Você está me deixando irritada, mas que droga. — Bufou e depois se encostou na porta. — Pode não se comportar como criança, ou como eu e deixar de birra? — Sua voz suavizou-se para a próxima frase. — E não pode dormir aí, é perigoso. Tem a loira do banheiro e o serial, precisa ficar comigo, pra eu te proteger.
Brittany mesmo sem querer deixou um sorriso se abrir do outro lado da porta, limpou suas lágrimas e também se apoiou no obstáculo que as separava falando agora mais calma.
– Mas eu sou maior que você.
– Bobagem. Eu sou mais forte e mais brava.
– Verdade.
– Então abre a porta pra mim, me deixa dizer o que eu preciso também.
Santana pode ouvir o barulho da tranca, então afastou-se da porta que abriu uma pequena brecha deixando o rosto da loira a mostra, que escondia o resto do corpo na folha de madeira.
– Você pode abrir o resto? É meio incomodo assim.
– Você disse cinco minutos, Lopez. Vamos lá.
Santana respirou fundo, passou a ponta da língua entre os lábios e encarou os olhos da loira um pouco avermelhados pelo choro anterior. Ela que sempre protestava por respostas rápidas de Brittany, agora sentia um nó em sua garganta, mas este era o seu momento.
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