Who are you?
21 Chegou À Hora.
Notas iniciais
No dia seguinte do jantar, pela manhã, Brittany cuidava de seu pequeno e estranhava o fato de que Santana ainda não havia acordado. Era algo que a surpreendia pois ela era sempre a primeira a se levantar, mas achou melhor não acordá-la, deveria estar cansada do dia anterior. Como toda sexta, Brittany já se preparava para levar Luca na casa dos pais e aproveitaria a ocasião para ter uma conversa com a mãe. Ela precisava descobrir o que seu pai estava escondendo já que o medo que ele transmitia no olhar quando conversou com ela era fora do comum.
— Olhe Luca e escute muito bem o que eu estou dizendo, eu estou dando um duro danado pra que você tenha um futuro bem mais tranquilo que o meu. Aí de você se mais pra frente for um filho ingrato, tá me entendendo? – Falava sério com o menino que apenas ria achando graça das expressões da mãe.
— Vocês são tão lindos! – A morena entrou no quarto de Luca e se aproximou deles. – E ele se parece tanto com você.
— Você já viu que ele está começando a andar? Ainda cambaleia um pouco, mas já vai andando agarrado nas coisas.
— Logo mais vai estar correndo pela casa, te deixando louca.
— Às vezes, eu acho que eu trabalho demais e estou perdendo muitas coisas dele. Eu vivo pro meu filho, San. Mas ao mesmo tempo tenho estado tão pouco com ele. – O apertou com ainda mais força, enquanto enchia o rostinho de beijos.
— Não é sua culpa. Aproveita que o feriado está chegando, terá um final de semana prolongado só pra ele. Mas já pensou em tirar férias?
— Férias? Como? Sam acabou de dar um golpe milionário na empresa. Enquanto ele não devolver tudo, meu pai não vai me deixar arredar o pé de lá.
— E por que seu pai não cuida? Não é ele que está fazendo essa burrada toda de deixar os Evans continuarem no comando?
— Porque meu pai pensa na imagem do casal Evans e ele está cuidando de negócios fora. Ele sempre gostou de viajar bastante. E eu sinceramente não quero pedir mais nada para ele, Santana. Eu não aguentaria nem olhar pra cara dele de novo.
— Nós vamos pensar em algo. – Deu um beijo na cabeça dela e outro na de Luca. – Agora vem, vamos tomar café, eu estou precisando.
— Ah, agora já entendi tudo. Bebeu vinho demais e depois dormiu feito pedra. – Debochou, enquanto iam andando em direção a sala de refeições.
— Eu tinha que aproveitar, afinal o doutor bonitão me liberou daqueles remédios. Eu só não queria lembrar como é ter uma ressaca.
— Vou lembrar de te controlar. – Colocou o filho no cadeirão ao seu lado e se sentou, começando a se servir.
— Se você lembrar de se controlar primeiro. – Rebateu rindo. – Cadê a Lisa? – Perguntou alheia do dia da semana em que estavam.
— Hoje é folga dela, lembra?
— Hoje é folga da Lisa. – Repetiu e fez uma expressão safada, enquanto maquinava algo. – Isso quer dizer que ela não vai estar aqui pra nos interromper? Porque vamos concordar, ela é uma verdadeira empata...
— Santana! – Interrompeu antes que ela pudesse terminar a frase.
— Desculpa. – Olhou pra Luca a sua frente. – Mas enfim... Você entendeu o que eu quis dizer... Então acho que a gente podia aproveitar a nossa manhã. – Sorriu de forma maliciosa, que foi correspondida por Brittany.
— Eu acho essa uma excelente ideia! – Arqueou seu corpo para o lado e deram um beijo rápido, porém caloroso. – Que tal a gente pular o café?
— Aprovo. Por que não pede a Berta que olhe Luca por uns instantes? – Mordiscou o lábio de Britt, que apenas concordou com a cabeça.
— Subo em dois minutos. – Deram mais um selinho antes de se afastarem. – Vem, meu amor. – Brittany pegou o filho no colo e foi em direção a cozinha.
— Delícia! – Santana levantou-se, foi em direção a sala e já ia subir as escadas quando a campainha tocou. – Justo agora? Espero que seja o correio. – Bufou e caminhou em direção a porta para poder atender. Dois homens com aparência séria e altos feitos dois armários, se encontravam na parte de fora. – Pois não?
— Senhorita Santana Lopez?
— Sou eu. – Disse um pouco temerosa.
— Eu sou o investigador Holker e esse é meu parceiro, nós somos do Terceiro Distrito Policial de Rochester e nós viemos lhe trazer esta intimação. Você precisa comparecer conosco na delegacia para prestar esclarecimento pelo assassinato de Glória e Roberto Lopez.
— Santana, quem é? – Brittany surgiu na sala e logo o sorriso que exibia foi substituído por um ar de medo e preocupação.
— Eles são investigadores e vieram pra me levar pra delegacia.
— Presa? – Perguntou assustada.
— Não, senhora. Apenas precisamos que a senhorita Lopez se apresente.
— Eu vou! Vocês podem aguardar eu trocar de roupa?
— Eu a levo. Vou contatar nosso advogado e a gente vai seguindo vocês até a delegacia.
— Não demorem, por favor.
— Não vamos demorar. Só não podemos aparecer com esses trajes na delegacia. – Disse áspera com seu jeito de sempre e fechou a porta, virando agora sua atenção para Brittany. – Nós já sabíamos que isso iria acontecer.
— Só não esperava que tão cedo.
— É melhor assim. Chegou à hora de eu assumir Santana Lopez e de chegar ao fim de meu passado.
Meia hora foi o suficiente para que Santana e Brittany se arrumassem e para que Brittany pudesse pedir a sua mãe que fosse buscar Luca em sua casa, além de chamar um advogado que as encontraria diretamente na delegacia de polícia. Apesar da imensa vontade, ela não poderia estar com Santana no momento do interrogatório.
A sala em que Santana se encontrava lhe dava calafrios. Tinha a sensação de que estava presa em uma caixa minuscula, onde seu psicológico seria testado por alguém que possuía mais informações dela, do que ela mesma.
— Bom dia, senhorita Lopez. Eu sou o Delegado de Polícia Dawson. E ontem eu recebi uma carta precatória da delegada de Albany, senhora Fillion, que está responsável pela investigação do assassinato de Roberto Lopez e Glória Lopez, seus pais. Chegamos ao seu paradeiro após receber informações de que você estava localizada na casa dos Evans, devido a um atropelamento que te deixou sem memória.
— Isso mesmo.
— Antes de começar a fazer perguntas, eu gostaria de ter acesso ao inquérito e saber especificamente que tipo de acusações recaem sobre a minha cliente. — Pediu o advogado.
— Na verdade, ainda é muito cedo pra dizer que são acusações. O inquérito tem andado de forma lenta, pois o depoimento de sua cliente se faz essencial. Mas uma das linhas de investigações seria de que a senhorita Lopez teria assassinado os pais para ficar com a herança. Suspeitas essas que se intensificaram com seu desaparecimento.
— Como foi citado, minha cliente sofreu um grave acidente de carro e não tem condições de responder a todas as perguntas. Eu tenho comigo um laudo médico que pode ser anexado ao inquérito.
— Estou ciente, doutor. Mas não a exime de ser interrogada.
— E eu nem quero ser. Eu não tenho muito com o que contribuir, mas posso fazer o possível.
— Do que exatamente se lembra, senhorita Lopez?
— Muito pouco. Eu me lembro de estar fugindo de uma cabana, localizada atrás do milharal da estrada velha de Rochester. Dois homens me perseguiam com armas enquanto eu corria, apenas com uma blusa rasgada e calcinha. Eu estava assustada e eles diziam que eu era uma ameaça por saber demais. Não me pergunte o quê, porque eu não me lembro. Eu só sei que estava com tanto medo de ser pega, que entrei na avenida sem olhar e foi então que eu fui atropelada por Brittany, a mulher que tem cuidado de mim e dona da casa em que estou. Ao chegar no hospital, fui informada que havia hematomas por várias partes do meu corpo, o meu médico, doutor Parker, concluiu que eu havia sofrido uma tentativa de estupro e havia sido agredida. Desde então, eu venho tentado recuperar a minha memória, tenho sido ajudada por um investigador que me trouxe notícias básicas sobre mim. Inclusive, que meus pais estavam mortos.
— E a senhorita não pensou em voltar pra casa? Procurar a polícia?
— Sim! Por diversas vezes. Mas eu não o fiz porque eu queria estar segura. Me disseram que não havia mais família, além de uma avó que eu lembro que me renegava. E há poucos dias soube que tenho um tio que assumiu a empresa de minha família. Mas eu não sei mais nada sobre mim e isso é assustador. Eu seria jogada aos leões sem qualquer defesa.
— Nós não somos os leões. Nós estamos aqui pra ajudar a justiça.
— Justiça? Eu espero que seja, espero que a justiça vá atrás de quem me trancafiou longe da minha casa, da minha cidade. E vá atrás do titio que caridosamente está cuidando dos milhões de minha família.
— Sobre o senhor Garcia, você se lembra de alguma coisa?
— Nada. Absolutamente nada.
— Diz aqui no inquérito que Manoel Garcia não é irmão de sangue de Glória, apenas de consideração, pois seu pai se casou com a mãe de Glória. – Observou o advogado. – Por que ele ainda não foi interrogado?
— Isso é uma pergunta que vocês terão que fazer diretamente pra delegada de Albany, como eu disse, eu apenas estou respondendo a uma precatória. Mas posso assegurar que vamos atrás dessas pessoas que te sequestraram, Santana. Porque isso sim faz parte do meu território e vamos investigar se tem relação com o crime. Mas precisamos ser francos de que sua situação é delicada.
— Por que exatamente? O que de concreto vocês tem contra mim? Um arquivo médico?
— Arquivo médico contra você? Não. – Disse confuso.
— É estranho... – Suspirou.
— É delicado porque você desapareceu e agora está com uma perda de memória. Que pode ser comprovada, mas o juri pode ser facilmente manipulado, tendencioso, você me entende? Se fosse só o juiz. Mas promotores bem qualificados, podem acabar com sua defesa em um piscar de olhos.
— Mas pra levá-la a juri vocês terão que primeiro encontrar provas concretas contra ela. E até agora não apresentaram nada além de fatos que podem ser rebatidos.
— Como eu disse, estou aqui do lado da justiça. Não pra condenar ninguém.
O delegado ficou interrogando Santana por mais pelo menos uma hora e meia. Ele queria ter certeza de que ela não se lembrava de mais nada, de que não tinha nada que pudesse estar escapando de sua percepção. Mas era inútil. Por mais que ele forçasse ela responder onde se encontrava no dia do acidente, o que fez depois da morte dos pais... Ela não sabia responder nada, mantinha apenas a história inicial. A latina estava ficando irritada com aquela situação toda, mas tentou não bancar a insuportável porque se tratava de um delegado e porque precisava ajudar o máximo possível encontrar os responsáveis pela morte de seus pais. Ao final, sua cabeça estava explodindo.
Do lado de fora da sala, uma Brittany impaciente circulava pelos corredores. Ela sabia que podia causar um buraco no chão.
“Oh, Brittany! Por que não ouviu sua mãe quando ela disse que você deveria aproveitar o final do ensino médio pra poder viajar pelo mundo? Eu não teria casado com o Sam, provavelmente estaria transando drogada no Caribe, não estaria em uma delegacia preocupada que sua paixão seja presa... Mas não, não. Quis mostrar seu valor pro papai. Quis mostrar a sua inteligência e fazer uma das melhores faculdades e assumir o negócio da família. Tá aí o resultado!” — Dizia pra si mesma enquanto ingeria seu quarto copo de café, tentando resistir o cheiro de tabaco que vinha da ala aberta, mas restrita para policiais fumarem.
— Está liberada, senhorita Lopez. – A atenção de Brittany se voltou para a voz do delegado. – Mas fique ciente de que não pode sair da cidade sem avisar as autoridades.
— Sim, senhor. – Foi em direção de Brittany juntamente com seu advogado.
— E então? – A loira perguntou apreensiva.
— Há muitos furos no caso, senhora Pierce. Basicamente eles não têm nada de concreto contra a senhorita Lopez.
— Nada? – Brittany olhou pra Santana que confirmou.
— Parece que eles estão caçando um culpado pra dar uma resposta à sociedade. Os Lopez eram influentes em Albany, a indústria ainda é. Sem contar que a história da filha que quer a herança é muito boa pro Ministério Público.
— Isso é bom, não é? Tem muitas chances de defesa?
— Para ser franco, é muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. No momento, é bom seguir as orientações do delegado. Mas mais do que nunca, seria ótimo que a senhorita Lopez recobrasse a memória. Ou eles virão com tudo.
— É tudo o que eu mais quero, doutor, pode ter certeza que o que eu mais quero é ter minha memória de volta.
Após saírem da delegacia, ao invés de irem pra empresa, Santana e Brittany foram pra casa, onde poderiam conversar com mais calma e privacidade.
— Trouxe um remédio pra ajudar na sua dor de cabeça. – Brittany entregou um copo e um comprimido pra Santana que lia com certo empenho a cópia do inquérito que lhe foi entregue. – Grandes revelações aí? – Perguntou enquanto sentava ao lado da morena.
— Obrigada. – Agradeceu com um sorriso. – Muitas! Pra começar, a que meu tio, não é meu tio. Ele é filho do padrasto da minha mãe. E basicamente eles levantaram a minha vida toda. – Ingeriu o remédio e a água e voltou a sua atenção para a loira. – Aqui diz que eu entrei na escola tradicional de Albany aos cinco anos de idade, onde completei meu ciclo fundamental. Após fui transferida para Lima, aos cuidados de minha avó. Na metade do segundo ano, eu voltei para Albany. Assim que terminei o ensino médio, eu entrei pra faculdade de Direito, onde me graduei e me especializei e depois me mudei para o Canadá, onde há dois anos fui convidada como Trainee, mas acabei me estabilizando por cuidar de um projeto de Direitos Humanos.
— Uau! Você era alguém que fazia diferença no mundo, Santana Lopez.
— É mais do que isso, Brittany. Onde se encaixa o Padre Vita? Na minha lembrança, eu era criança, mas nem tanto, por volta de uns seis ou sete anos, quando fui internada. Se eu fiquei lá, devo ter ficado pelo menos alguns meses. Mas aqui não tem nada disso. Sem contar que eu terminei a escola no tempo regular.
— Será que seus pais não compraram alguém pra te promover de ano? Quero dizer, eles tinham influências pra isso. Pelo menos, seria o tipo de coisa que meu pai faria. Não que eu esteja os comparando ao monstro horrível que meu pai é, mas você me entende, não é mesmo?
— Sim, pode ser... Eu não sei como preencher essas lacunas sem a minha memória.
— Mas eu sei de um jeito.
— Qual?
— Eu sei que desde sua lembrança negativa com a sua avó, você tem certo receio de encontrá-la. Mas Santana, eu acredito que seja o momento de você ir atrás de Alma Lopez e pedir que ela te ajude a solucionar esse mistério.
Santana podia não querer concordar de imediato, mas de certa forma sentia que Brittany tinha razão. Sua avó era a porta pro seu passado ainda esquecido.
— Você acredita que ela iria me receber?
— Não custa tentar. Além do mais, aí deve haver o endereço dela no depoimento e tudo mais. E qual é, Santana? Você acabou de enfrentar o delegado de polícia, qual a dificuldade em falar com a sua avó?
— Se você tivesse os mesmos olhos de fúria dela em sua mente, entenderia o meu receio.
— Ela perdeu tudo que amava como você. Talvez ela queira recuperar parte disso agora. Ela é uma senhora idosa que mora sozinha em uma fazenda, será que isso não pode tê-la amolecido?
— Se ela acreditar que eu sou a culpada.
— Mais um motivo pra procurá-la. Chega de especulações. Vá e comprove por si mesma.
— Nossa, quem te vê falando assim, nem parece que sou eu que tenho que pegar no seu pé sempre pra tomar uma atitude.
— Faça o que eu digo, só não faça o que eu faço. – Ambas riram. – Mas pense nisso. Afinal, o que você tem a perder?
Depois da manhã conturbada, Brittany achou por bem dar um dia de folga para Santana que ficou enfiada no quarto o resto da tarde. Ela lia e relia os arquivos do inquérito buscando informações que pudessem ter passado despercebido nas outras quinhentas vezes que tinha lido. Mas parecia que quanto mais ela lia, menos fazia sentido. Ela tentava lembrar de mais coisas que pudessem complementar a história, porém tudo o que havia conseguido era triplicar a sua dor de cabeça.
Brittany precisava ir para empresa, ela tinha uma reunião que não podia ser remarcada, mas admitiu para si mesma que foi totalmente improdutiva já que teria que reler tudo o que foi acertado, pois não tinha conseguido prestar atenção em nada.
Em sua sala, ela se balançava na cadeira enquanto repassava em sua cabeça os últimos acontecimentos. Sendo retirada de seus pensamentos com o soar de seu telefone.
— Diga, Marley. Se for algum problema, eu já saí. Só volta na segunda-feira.
“- O senhor Noah está aqui fora e deseja falar com a senhora.”
— Noah? – Estranhou, não conseguindo se lembrar se havia marcado algo com ele, mas estava cansada demais pra raciocinar. — Tudo bem, pode deixá-lo entrar.
— Oi, Britt. – Foi de encontro a amiga e a abraçou, logo depois se sentou na cadeira de frente a mesa dela. – Deve estar estranhando a minha vinda aqui, mas é que eu soube pela Rach o que aconteceu com a Santana hoje cedo. Vim pra cá pra dar meu apoio a vocês, mas a Marley me disse que Santana não veio trabalhar, eu devia ter imaginado.
— Ela até queria, mas eu sabia que não estava em condições. Eu não estou, mas não tive como fugir.
— Eu imagino... – Um pequeno silêncio desconfortável se instalou. – Eu também vim porque eu queria me desculpar com você. Eu fui muito rude no outro dia, não sei o que me deu, mas eu perdi um pouco o controle falando aquelas coisas. Você estava abalada e apesar do pouco tempo, a latina é minha amiga também.
— Tudo bem, Puck, você só quer o meu bem. É que... Eu não vou desistir da Santana. Com esse inquérito a gente pode perceber o quanto as suspeitas contra ela são infundadas, não a inocentam totalmente, mas mostram uma nova direção. Eu acredito nela, na pessoa que ela é. Meu coração diz que eu tenho que confiar nisso.
— Eu espero que ele esteja certo dessa vez. – A mulher fez uma pequena careta, não gostando do comentário, mas resolveu ignorar.
— Devo te dizer que não precisarei mais dos seus serviços. O mistério Santana Lopez já foi desvendado, quer dizer, agora depende só dela.
— Mas sabe que qualquer coisa que eu puder ajudar, eu estou aqui.
— Eu sei, você é o melhor amigo de todos. – Estendeu sua mão sobre a mesa e alcançou a dele fazendo um leve carinho. – E é por esse motivo que eu tenho um convite pra você.
— Diga lá, seu fiel escudeiro não tem como negar.
— Que bom que disse isso, porque agora não tem mais como voltar atrás. Eu quero te convidar pro jantar de Ação de Graças que eu vou fazer em casa.
— Na sua casa? – Fez uma expressão não muito boa.
— Não se preocupe com o Sam, se é isso que te agonia. No último ano eu passei sozinha com Berta, esse ano eu pensei em convidar os meus amigos. Aproveitar Quinn e Rachel, Santana também.
— Bom, sendo um jantar com tanta mulher bonita. Eu não tenho como negar. Eu prometo levar as melhores bebidas. – Brittany riu.
— Eu conto com isso, a gente está precisando de uma noite animada.
Eles ficaram mais uma meia hora conversando antes de resolverem ir embora. Brittany ia cumprir a ideia inicial de seu dia e conversaria com sua mãe ao ir buscar Luca na casa dela.
Apertou a campainha da linda mansão e enquanto aguardava, repassava as diversas perguntas que havia em sua mente, mesmo sabendo que boa parte delas não seria respondida. Como de costume, Gabriely foi abrir a porta com o neto já nos braços.
— Hoje ele estava elétrico, acho que vou mandar trazer aquele chiqueirinho que tem em sua casa direto pra cá. Minhas louças não vão sobreviver a esse menininho arteiro.
— Você tá querendo deixar a vovó de cabelos brancos, né? – Riu e pegou o filho no colo, logo o enchendo de beijos.
— Nem brinque com isso, sou nova demais pra essas coisas.
— Ah é sim. – Ironizou. – Mamãe, antes de me mandar embora, eu gostaria de falar com você em particular.
— Sobre o quê? Aconteceu algum problema na delegacia?
— Não, nada disso, as coisas estão meio que controladas quanto a isso. Na verdade, é sobre o papai.
— O que você aprontou, Susan?
— Na verdade... É o que o papai "aprontou", mamãe? O que ele fez de tão grave que o senhor Evans conseguiu manipulá-lo?
— Eu não sei do que você está falando. – Disse enquanto fechava a porta atrás de si.
— Por favor, mamãe. Ele disse até pra mim que foi ameaçado por Fabio, você sabe disso também. Mas sabe bem mais do que eu, porque você conhece o motivo. E eu tenho fortes suspeitas de que é por isso que meu pai nunca se separou de você, você tem informações demais dele.
— E eu acho que você tem uma imaginação muito fértil, minha filha. Eu sei o mesmo que você sabe sobre o seu pai. Você vê como ele me trata, como ele nunca nem me deixou chegar perto daquela empresa. Eu não tenho nada pra te dizer que possa te ajudar. Me desculpa, mas eu não sei.
— Eu não acredito na senhora.
— Eu não precise que você acredite.
— É por medo? Ele te ameaça de alguma forma? Ou você não quer perder as regalias que o seu silêncio traz?
— Já chega, Susan. Eu sou sua mãe, você não está falando com qualquer pessoa. Tenha mais respeito.
— Eu tento, mamãe, eu juro que eu tento. Só que é difícil quando a senhora mesma não se dá ao respeito e se submete a ele.
— Você nunca vai entender, Susan. Agora, se me dá licença, eu ainda tenho um jantar com uma amiga. – Brittany apenas ficou a olhando. – Não me olhe assim, não me olhe com reprovação. Eu tenho aguentado esse olhar por tempo demais. Mas tudo o que eu fiz, faço e sempre farei, é pro seu próprio bem e de sua irmã também.
— Quando você repete uma mentira tantas vezes, acaba acreditando nela. Esse é o seu lema. Olhe pra vida minha vida. Kitty não dá as caras há mais de anos, desde que perdeu o bebê. Então, eu espero que um dia eu possa lhe dar outro olhar de resposta que não seja de reprovação. – Deu de ombros. – Não vou mais te atrapalhar. Luca tadinho já está dormindo aqui. Boa noite.
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