Notas iniciais
Bem, acho que vocês vão ler mais da metade do capítulo e vão se perguntar o motivo da louca da autora ter dado esse título a ele "Bubbly"? Mas bem, no momento exato que vocês irão ver mais lá em baixo, eu convido a todos a colocar a música da minha linda Colbie Caillat - Bubbly pra ajudar no clima da fic. HUASHUAH Espero que aproveitem. Mais uma coisa que eu tenho que dizer: eu ri DEMAIS dos comentários de vocês. Vejo que a maioria tem o mesmo desejo de acabar com o Sam e a cada xingamento a ele me diverti. Bem como um novo nome LucTana, AMEI! Valeu Sunny. HUASHASH Obrigada também a todos que comentam e tô feliz que estão gostando da fic. Bom, chega de papo. Boa leitura. :)

Foi um completo alivio para Brittany acordar sem qualquer tipo de dor, ao contrário, passou o dia inteiro de molho e juntinho com seu bebê, uma verdadeira tarde de domingo. Ainda tinha a Santana que apesar de ter ficado meio chorosa depois da última conversa que tiveram, depois de um tempo resolveu se juntar a mamãe e o filhinho em uma tarde de filmes. Aos poucos a loira estava aprendendo que apesar da latina dar seus “5 minutos de loucura”, ela só precisava de um tempo sozinha e tudo ficava em ordem novamente para recomeçar. Como era de costume, quando acordou Santana já estava acordada e Sam não estava em casa.

O café da manhã foi relativamente calmo se comparado as manhãs em que Santana fala pelos “cotovelos”, enquanto Brittany se diverte com o monólogo. Mas hoje havia sido diferente, pois ela estava bem calada, segundo a morena estava “pensativa”, isso não pareceu preocupar Brittany já que ao menos não era uma latina “agressiva”.

Mas não era com isso que Brittany devia se preocupar, não pelo menos naquela segunda-feira. Ela estava no elevador de sua empresa, pedindo, talvez até mesmo orando que seu pai não estivesse em sua sala quando ela entrasse, ela sabia que ele seria drástico na hora de corrigi-la, não era mais uma criança que tinha medo da vara como Santana havia elucidado, mas era uma mulher com um filho e que sabia que o pai nunca brincava com suas ameaças quando tinha algo que o enfurecia. Apesar de que já estava sendo castigo suficiente ela andar pelos corredores da empresa e ouvir piadinhas ao seu respeito. Ela havia virado motivo de chacota, demorou anos até que todos respeitassem a profissional que era e não apenas a vissem como uma garotinha filha do chefe, nova presidente e em uma noite ela havia jogado tudo fora junto com alguns copos da bebida feliz.

– Senhora Pierce, eu vou orar pela senhora. – Suzi, uma das funcionárias mais antigas disse ao ver Brittany sair do elevador.

A única coisa que ela podia fazer era aumentar o ritmo dos seus passos, tentar manter a sua postura imbatível de sempre, sorrir e acenar apenas o necessário até poder se esconder e sua sala e só sair quando fosse realmente necessário.

– Marley, bom dia! Alguém me ligou ou perguntou por mim? – Perguntou a sua jovem secretária que sempre tinha um sorriso no rosto para oferecer.

– Bom dia, senhora Pierce! Apenas alguns jornalistas de outras agencias e eu os despachei como a senhora pediu, ligaram também da filial de Queens e disseram que vai ser imprescindível uma visita sua ou do senhor Evans na empresa, parece que estão com sérios problemas. E por fim, a senhora Rachel Berry pediu para não te deixar esquecer que vocês têm um almoço hoje.

– Obrigada, Marley. Eu estou aliviada apenas de saber que meu pai não me ligou, ou não.

– Se eu fosse a senhora não me animaria muito, seu sogro está desde cedo aqui e seu marido se trancou com ele na sala. Parece que seu pai mandou reservar a sala de reuniões.

– Ok, novas recomendações: Se alguém me ligar diz que eu morri.

A loira entrou em seu escritório e trancou-se no mesmo, apenas por precaução. Ela não sabia se era a pressão de saber que seu pai estava vindo para empresa quando os Evans já estavam reunidos desde mais cedo, mas não conseguia se concentrar. Aliás, para cada página do novo contrato de publicação, ela parava pelo menos três vezes para desbloquear seu celular, olhar para tela e bloquear novamente. Para sua surpresa ou aumentar a aflição de seu “TOC” não havia nenhuma mensagem se quer de Santana.

“Com certeza ela está trocando mensagens com a tal ruiva, não era o que ela iria fazer?” – Brittany fechou os olhos e respirou fundo. – “Falta meia hora para hora do almoço, Brittany. Sinta-se vitoriosa por ter conseguido sobreviver a esta manhã e esqueça-se dela.” – Ela apoiou seus braços na mesa e encostou sua cabeça em suas palmas. – “Esquecer uma ova. Se ela tiver de papo com aquela ruiva pelo celular eu jogo ele fora, não foi pra isso que eu comprei aquela droga...”

Brittany teve que sair de seus pensamentos raivosos (pois sim, ela já planejava como estrangular Santana se visse uma mensagem de alguma desconhecida em seu celular, mesmo sem entender a razão), ao ouvir seu telefone tocar.

– Sim, Marley.

– Senhora Pierce, suas amigas te aguardam aqui fora. Posso deixá-las entrar?

– Diga que não é necessário, eu já estou saindo, não aguento mais ficar aqui

Brittany pegou sua bolsa e seu casaco e foi ao encontro das amigas, sugeriu um restaurante não tão formal que ficava um pouco distante do centro, mas que ao mesmo tempo proporcionasse um delicioso e calmo almoço a elas.

– Eu nem acredito que nós três estamos em plena segunda-feira almoçando juntas, isso não acontece há quanto tempo? – Rachel era de longe a mais animada.

– Nós crescemos. Quando estávamos no ensino médio e prometemos nos encontrar sempre não poderíamos imaginar que seria tão difícil. A faculdade foi uma festa, mas assim que botamos os pés para fora a realidade nos deu um tapa. – Quinn disse sabiamente.

– Eu que o diga... Ser casada com Sam tem sido um desafio. Quer dizer, não me machuca mais como antes.

– A minha opinião é que nunca o amou.

– Concordo, Rachel. Mas éramos amigos, em algum momento fomos pelo menos apaixonados. Eu me casei por isso, eu sabia das regras do meu matrimônio. Mas eu fui ambiciosa e iludida, uma coisa que foi embora com o tempo, mais exatamente quando me vi grávida e descobri o que é realmente o amor.

– Mas o amor de um companheiro nem se compara ao de uma mãe.

– Eu sei, preciso conhecê-lo também, Fabray.

– E a Santana?

– O que tem ela? – A loira perguntou de forma assustada.

– Queremos saber dela. Quer dizer, Noah nos contou sobre ela ontem, eu praticamente implorei para que ele abrisse a boca pra mim e pra Quinn.

– Não há muito o que eu contar. Ontem quando disse que tinha alguns problemas novos me referia a ela.

– Noah nos disse que ela te tira do sério, em que sentido? – Por algum motivo Britt notou um certo duplo sentido na frase de Quinn, mas resolveu ignorar.

– Ela é inteligente, astuciosa, não tem papas na língua e adora ser provocativa. Sim, ela me tira do sério porque ela é ela mesma, entendem? Sincera a todo custo e ela cobra isso de mim o tempo todo. Tem também seus momentos ternos, ela se demonstra protetora, amiga, companheira, prestativa e incrivelmente frágil. – Ela não se deu conta de que a cada palavra dita sobre a latina o seu sorriso se abria mais, mas isto não passou despercebido aos olhos de avelã da outra loira. – Eu sinto muito por ela, imagino como deve ser torturante acordar todos os dias sem ter noção de quem é e tento ajudá-la de todas as formas, mas eu sinto que não está sendo suficiente. Tem horas que ela se revolta e se fecha do nada e eu não sei o que fazer, tenho que ficar esperando que ela volte melhor.

– O que ela está fazendo nesse exato momento? – Quinn perguntou.

– Não sei, talvez almoçando também.

– Sozinha, não é?

– Provavelmente, mas não entendo aonde quer chegar.

– Simples. Você já viu aquelas crianças que são levadas para abrigos, cujos os pais não tem condições de criar? Elas crescem sem ter um passado, ou sem ter alguém que elas possam contar verdadeiramente e sempre que chega alguém estranho a primeira reação é demonstrar toda a sua carência, mas depois elas se afastam por medo de perderem isso também. Elas passam sua vida em um momento de “espera”, ou espera para retornar o que era, ou espera de sair daquele lar e começar uma vida. Assim, elas ficam sem presente também, porque não o vivem.

– Quinn, resuma pra gente, meras mortais.

– Quero dizer que Santana não pode ficar a vida inteira trancada no quarto esperando que suas memórias voltem. Ela vai ficar igual a criancinha.

– E quer que eu faça o que? Que eu banque a babá e fique tomando conta dela em casa?

– Não, mas sim que mostre a ela que tem outras aberturas. Eu sei que Noah é bom, mas esta é a terceira maior cidade do Estado de Nova Iorque, isso pode demorar. Não pode tratá-la como se fosse um objeto que pode deixar em casa, fazer carinho algumas vezes e depois acabou. Tenta entender os sentimentos dela e então ela pode deixar de ser um problema e se tornar uma solução.

– Quinn em mais uma de suas análises. – Brittany bufou e colocou a mão em seu rosto, não sabia o que dizer.

– Ela pode ser, mas a minha opinião é de sua amiga desde o ensino fundamental. – Rachel pegou a mão de Brittany. – Para de colocar bloquinhos na sua frente que acabam tapando a sua visão. Nós vimos aquela latina cuidando de você no sábado e nós gostamos dela, eu quero ser amiga dela e espero que até nos mudarmos de vez para Rochester ainda tenhamos essa oportunidade.

– Você conseguiu ser ainda mais confusa do que sua mulher, Rach.

– Tem coisas que não se explica, apenas se alerta. Mas eu estou com a Rachel, também quero conhecer a Santana e eu adoraria recebê-la em meu divã.

– Ah sim, aquela de lá com certeza precisa de uma psicóloga, tenho quase certeza que ela é bipolar.

– Implicância, primeira fase... – Rachel diz de forma zombeteira para sua esposa.

– Que? Hã? – Britt tenta compreender.

– Que este vinho está uma delicia! Mas deveríamos fazer um brinde, com moderação, é claro. – Brincou com ela.

– Se ferrar, Fabray. E só por segurança estou aceitando brindar com água.

O almoço prosseguiu mais suave após aquele momento embaraçoso, se assim podia se dizer. O casal de amigas compartilhou seus planos para a mudança, bem como o crescimento da família, Brittany tentou buscar algo que fosse longe de seus problemas com seu casamento, familiares e empresa que pudesse dividir com elas. Eram amigas a anos, tinha um laço ainda mais forte com Quinn por em algum momento na faculdade, antes de Rachel se dizer apaixonada por Fabray, terem tido um caso, algo que ela agradeceu aos deuses por não ter afetado sua amizade com a outra loira quando acabou, ao contrário fez delas ainda mais amigas. Rachel soube, mas não se importou, pois no tempo namorava com Finn, que hoje também é seu melhor amigo e de Quinn também. Era uma grande família que o tempo e a maturidade afastaram, mas nunca desuniu, por isso Brittany não podia estar mais feliz com o retorno de suas praticamente irmãs. Mas enquanto isso não acontece, sua única opção é retornar a empresa e trabalhar.

Já estava praticamente dentro da sua sala quando Marley saiu de um outro canto da recepção e foi até ela.

– Senhora Pierce, espere. – Disse toda afobada tentando correr.

– Agora não, Marley. Meu humor está bom demais pra me vir com qualquer tipo de proble... – Teve que interromper a sua sala ao ver que seu pai tomava conta de sua mesa, ao seu lado de pé estava Sam.

– Bom humor? Tem que estar mesmo quando se tira duas horas e meia de almoço.

– Levando-se em consideração que eu, na maioria das vezes, nem tiro horário de almoço. – Moveu seu ombro para trás e em seguida cruzou seus braços dando alguns passos para frente da mesa. – Ao que devo a sua ilustre presença em minha sala.

– Sua sala? Não. Minha sala, estou esquentando o meu lugar.

– Como é?

– Isso mesmo, sua menina mimada e irresponsável. – Levantou-se da cadeira gritando completamente nervoso. – Aonde é que você estava com a cabeça? Em? Você perdeu a noção do ridículo e do perigo?

– Papai eu...

– Cala boca que eu ainda não terminei. – A interrompeu gritando ainda mais alto e Brittany fechou seus olhos e enrijeceu seu corpo. – Sabe o que eu deveria ter feito? Ter tirado o cinto e ter te dado uma coça que você nunca experimentou na vida, porque você era a princesinha da mamãe. Assim eu faria você sentir bem mais vergonha do que eu e não esqueceria tão cedo pra não voltar a se repetir.

– Foi suficiente o senhor não ter barrado as matérias.

– Eu barrar? Não foi você que gritou aos quatro ventos que eu só penso em dinheiro? Segundo os números os jornais e revistas de ontem foram os mais bem vendidos, por que eu barraria isso? Sabe quantos anos os meus pais levaram para construir tudo isso aqui, Brittany? Cinquenta anos. Cin-quen-ta anos. – Silabou alto novamente. – Desde que eles se casaram eles trabalharam duro para construir seu pequeno negócio. Demorou dez anos até eles resolverem começar a construir sua família, pois achavam que tinham mais estabilidade para isso. Demorou mais vinte até que eles tivessem reconhecimento de verdade, todos os anos seguintes até chegarem ao topo. E bastou cinco minutos para você jogar tudo isso no ventilador.

– Desculpe, mas eu não sinto ter desonrado a empresa que os meus avos construíram, porque em nenhum momento eu coloquei o nome dela no meio, além de dar tudo de mim para conseguir geri-la. A única coisa que eu fiz foi desvincular de nós a imagem de família de comercial de margarina. Eu estou cansada de tudo isso. Cansada. O senhor acha que por causa do seu patrimônio e do seu nome pode anular a minha vida e eu não acho justo. Eu estou infeliz no meu casamento, infeliz com a família do meu marido. Infeliz perto dos meus próprios pais. – Sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, era realmente complicado para ela falar sobre isso, era uma feriada aberta em seu peito a ausência de seus pais em sua vida, mesmo eles estando tão perto a controlando. — Não é o que eu quero pra mim.

– E o que você quer pra você? O divorcio e jogar tudo isso fora? Viver uma vida miserável?

– Eu preferiria a ponte do que aquela mansão junto a Sam. – Dirigiu seu olhar para o loiro que continuava em silêncio em seu canto.

– A ponte não te garante a guarda do seu filho.

– Mas o que? Do que está falando? – Levou a mão do rosto balançando a cabeça.

– Estou falando que se não tomar jeito eu tiro tudo de você, mesmo que isso signifique perder toda a empresa, eu juro que eu te deixo sem nada. E sem nada a família do seu marido fica com tudo, ou seja, melhores condições de criar seu filho. É isso que você quer?

– Eu sou sua filha. – Agora já não conseguia mais controlar suas lágrimas. – Quando é que vai me tratar como tal?

– Não. Você é tão burra quanto a sua mãe. E agora a marcação vai ser cerrada, então vamos aos negócios. Nós vamos recuperar a nossa imagem e isso vai depender muito de vocês, porque sim, precisamos disso para a empresa porque temos investidores, você sabe o que é isso, Brittany? – Ela se manteve calada. – Pois bem, o plano é simples. Eu não me importo que vocês se matem em casa, eu não me importo. Mas a partir do momento que colocarem o pé pra fora dela são um casal feliz e apaixonado e é exatamente isso que vão passar a todos. Quero que cheguem juntos, quem saiam juntos, de mãos dadas se possível. Quero que façam programas familiares e íntimos juntos, deixem-se ser fotografados.

– Isso é um absurdo!

– Nada mais de farra, chega dessa palhaçada. Eu quero que em dois anos se tornem o casal mais apaixonado e cobiçado. Depois disso, vocês podem fazer o que quiserem, mas até lá os dois estão na mira.

– Por que está dando esse sermão? Eu sempre fiz tudo direito? Enquanto publicam por aí a fora que Sam me traí e que isso acaba com a nossa imagem, eu não vi ninguém reclamar, ao contrário.

– Com Sam eu não preciso nem conversar, porque o pai dele já fez isso e o meu recado já ficou bem dado pra você. Agora façam o que vocês deviam estar fazendo há muito tempo ao invés de ficarem causando polêmicas por aí a fora: trabalhem!

Saiu da sala pisando duro, Brittany respirou fundo, mas não teve tempo para relaxar, pois foi vez de Sam se pronunciar.

– Parabéns, Brittany! – Bateu palmas de forma irônica.

– Você é um covarde, Sam Evans.

– É só estava tentando fazer com que nós não caíssemos nisso que você nos colocou. Posso te parabenizar de novo? Quer um beijo agora ou guardamos para as câmeras? – Foi se aproximando dela de braços abertos como se fosse beijá-la.

– Caí fora, Sam. – Colocou as duas mãos no peito dele e o empurrou. – Eu tenho nojo de você.

– É? Mas acho melhor se preparando, porque graças a você nossas cenas de amor irão se tornar corriqueiras. Te aguardo no nosso jantar de quarta, nosso mais novo dia prefiro da semana. – Deu uma piscada e saiu da sala batendo a porta.

– Mas que inferno. – Pegou um objeto de decoração qualquer de cima da sua mesa e tacou contra a parede.

Marley ao ouvir o barulho dos cacos correu até a porta.

– Senhora Pierce, está tudo bem?

– Bem, Marley? Está tudo ótimo! Você está vendo o meu sorriso? – Disse toda irritada.

– Desculpe-me, eu tentei avisá-la, mas... – Disse de forma retraída e pesarosa, Brittany sentiu-se na obrigação de interrompe-la.

– Não foi culpa sua, Rose. Desculpe-me você. Como pode ter ouvido e com certeza metade da empresa, eu estou enrascada e eu não sei mais o que fazer. A minha vontade era jogar tudo para o alto, mas aí eu me lembro que nem mesmo isso eu posso.

– Quer um conselho, senhora Pierce? Vá para casa e esfrie a cabeça, eu duvido que a senhora seja capaz de pensar em qualquer coisa aqui agora.

Brittany colocou as duas mãos no rosto e de fato o que Marley havia proposto era o mais sensato.

– É, você está certa. Acho que uma briga pior do que essa eu não posso arranjar por sair mais cedo. – Pegou sua bolsa em cima do sofá e dirigiu-se até a porta. — Se alguém perguntar por mim diga pra procurar meu corpo lá em baixo, que eu me joguei do décimo segundo andar.

Assim que chegou em casa Brittany teve a surpresa de encontrar com Noah na sala conversando animadamente com Santana.

– Festa na minha casa e ninguém me convida. – Disse chamando a atenção dos dois para si.

– Na verdade, deveríamos dar uma festa de verdade. – Se levantou animada do sofá e foi até a loira. — Puckerman veio me tração a minha ficha de identificação civil. Sou Santana Lopez, tenho 24 anos, filha de Glória e Roberto Lopez, nascida em Lima, Ohio. Ou seja, eu já tenho o nome da minha família, já sei de onde eu vim. – Falava empolgada com um enorme sorriso nos lábios.

– Isso é incrível! Quer dizer que já poderemos contatá-los?

– Na verdade, agora eu tenho quem procurar. – Noah se aproximou das garotas passando um braço em cada ombro. – Eu vou pra Lima, vejo o que descubro, vou tentar encontrar os pais ou algum parente de Santana.

– E sobre a informação de Padre Vita que eu te passei?

– Em primeiro momento, eu me assustei com a possibilidade do que isso representa, pois próximo aqui não me lembra algo bom. Mas eu pesquisei e tenho diversas opções para esse nome, mas agora terei que expandir mais ainda ao saber que ela é de outro Estado. Até eu conferir um por um, não é bom eu arriscar um palpite. O mais certo é eu ir até Lima.

– Bom. – Deu um pequeno sorriso, estava realmente nervosa para demonstrar maior entusiasmo.

– Bom não, ótimo! Vou até fazer as malas porque eu estou com meu tempo contado nesta casa. – Estava radiante, uma esperança que a loira não tinha visto nela até então.

– Mas e você? Por que essa cara? O que faz aqui tão cedo em casa? – O rapaz a encarou.

– Meu pai brigou comigo pelo que aconteceu no aniversário e eu vim pra casa pra tentar relaxar um pouco. Interrompi vocês? Está me trocando pela latina descaradamente, Noah? Não ia nem mesmo me esperar chegar? – Tentou brincar depois de sua primeira pergunta severa?

– De forma alguma, minha loira. – Beijou a testa dela. – Apenas fiquei de levar o casal Faberry ao aeroporto, estava a caminho da empresa pra te buscar para ir comigo.

– Eu adoraria, mas prefiro ficar em casa.

– Até porque elas já almoçaram juntas hoje. – Santana completou.

– E nem me chamaram?

– Papo de mulher.

– Não se preocupe, eu sou mulher e também não fui chamada.

– Não por isso. Tá afim de jantar comigo um dia desses? Só nós dois? Vamos descontar.

– Eu topo.

– Bom! Então vamos marcar isso, gatinha. – Os dois tocaram as mãos e Brittany acompanhou aquilo sem acreditar.

– Vocês são ridículos.

– Não, nós somos injustiçados. Mas deixa isso pra um papo mais tarde, preciso ir ou a Rachel vai me atormentar pro resto da vida. Me dêem beijos garotos. – Ele ficou no meio enquanto cada uma depositava um beijo de um lado da bochecha dele. – Delícia.

Ele saiu e as duas ficaram no mesmo lugar se olhando em silêncio até a loira quebrá-lo.

– Empolgada?

– Esperançosa. Na verdade eu estava com medo disso levar muito tempo e eu me tornar um peso.

– Você não é um peso.

– Como é que se chama a pessoa que fica na sua casa sem fazer nada? A é, agregada como a sua doce sogra disse.

– Ela é uma bruxa, não ligue pra ela.

– Você está acabada, não está? – A latina se aproximou e tocou o rosto de Britt com delicadeza fazendo suaves carícias com as pontas de seus dedos. – Estou tentando levar uma conversa normal, mas vejo seus olhos bem mais escuros que o natural, sua expressão carregada...

– Tarde difícil. – Suspirou, pegou a mão da morena e deu um pequeno beijo. – Mas não quero falar sobre isso, na verdade eu quero me concentrar na sua felicidade. Você tem razão, vamos comemorar isso, mas de um jeito saudável. Eu vou subir, tomar um banho, descansar um pouco e depois eu vou pedir pizza e nós vamos comer com controladas taças de vinho.

– Acho um ótimo plano!

Conforme o combinado, ao anoitecer Brittany pediu pizzas para “comemorarem”, na verdade o que ela queria era agradar Santana e compensá-la de alguma forma, as palavras de Quinn ainda davam voltas em sua cabeça.

Santana tratou de arrumar a sala, fez da mesa de centro uma mesa para refeições, diminuiu a luz, escolheu o vinho e selecionou as músicas, algo caprichado que encheu os olhos da loira de encanto. Poderia até dizer que aquilo parecia com um encontro, mas que bobagem né? Claro que não era. Era? Afinal, não tinha mais em mente quando foi sua última noite romântica, ou algo que pudesse chegar perto disso.

– Uau! Isso é realmente necessário? Imagina quando você voltar para casa. – Sentou-se em uma almofada de frente para a latina na mesa.

– Me sinto inspirada. Pode me chamar de boba porque o que ele me trouxe é apenas um papel, mas estou feliz por eu ser realmente Santana Lopez, ter alguma certeza na minha vida, algo que eu possa me agarrar. Mesmo que ele não encontre meus pais em Lima, quem sabe eles estejam por aqui. Mas ao menos eu tenho quem procurar, me entende? Não sou mais um livro em branco.

– Santana... – Esticou as suas mãos por cima da mesa e pegou as dela. – Quer saber de uma coisa? Você pode se agarrar a mim. Nós não temos muito do seu passado, mas eu não vou te deixar sem um presente ou um futuro. Eu quero te ajudar mais do que eu estou fazendo. Quando você se sentir melhor eu quero te levar para empresa, vamos encontrar algo que possa fazer lá, vou te ajudar a ser independente e que possa ocupar seu tempo. Por enquanto ainda reclama de dores de cabeça recente e amanhã que faz uma semana que chegou a essa casa. Mas com o tempo vou te ajudar a se estruturar. Enquanto isso Noah procura seus pais e você recupera a sua memória, mas não quero que se sinta mais triste, ou deprimida. Você tem a mim, vamos ser amigas, acho que só assim nos entenderemos e evitaremos que se tranque naquele quarto e eu fique preocupada e me sinta culpada por isso. – Ela pode ver um sorriso sincero e carinhoso surgir nos lábios carnudos da morena, era um sinal de que ela estava baixando “sua guarda”.

– Tudo bem, mas essa “relação” de amizade só pode dar certo se você também aceitar a minha ajuda. Pode contar comigo também.

– Eu sei. Incrivelmente parece que nesses dias você tem me ajudado mais do que eu a você.

– Bom, então porque não começa a me dizer o que está te afligindo?

Brittany pareceu recear antes de falar, mordeu seu lábio inferior e coçou sua cabeça um tanto sem jeito.

– Como eu havia dito, meu pai foi até a empresa esbravejar comigo. Exigiu que eu “tomasse jeito” ou ele tomaria o controle. Basicamente me ameaçou, disse que vou ter que seguir algumas regras dele, ou me deixa sem nada, até mesmo sem Luca. – Ela abaixou a cabeça e apertou os olhos sentindo que as lágrimas rolariam de novo. – É tudo culpa minha, eu fiz a escolha estúpida de novo. – Ela estava tão meiga, tão frágil e isso partia o coração da latina em dois. — Eu me casei com Sam, mas se não fosse o Luca eu já teria acabado com tudo isso a muito tempo, eu errei, fui burra...

– Shhh. – Ajoelhou-se no chão, apoiou um dos braços na mesinha e esticou o outro para segurar e levantar o rosto de Brittany, colocando seu indicador no lábio dela. – Não repete mais isso. Luca é um garoto perfeito, eu morreria para ter um filho como ele, não foi um erro. Você mesma já me disse que fez tudo por paixão, Sam é um idiota e jogou tudo pro espaço, que se dane ele. Mas você tem sido a certa até aqui, vai ser recompensador no final. Eu tenho certeza. – Limpou as lágrimas dela.

– Você é incrível, Santana! – Sussurrou. – Me abraça?

– É, eu sei. – As duas riram. – Vem cá. – Levantou-se e a loira fez o mesmo indo para o meio dos braços da latina que a envolveu com ternura.

Brittany desde sempre foi sentimental, mas teve que guardar tudo para si nos últimos anos por não ter com quem compartilhar, porém Santana estava arrancando com facilidade tudo de dentro dela, não sabia explicar. Apenas aquele era o melhor abraço que já havia experimentado, tudo desde o perfume até a pele macia da latina a fazia se sentir segura e isso era bom.

– Hum... Eu ouvi essa música no rádio e Lisa me disse o nome dela, tive que baixar. Dança comigo? – Disse ao ouvir Bubbly começar a se reproduzir em seu celular.

– Claro! – A loira respondeu recuperando o brilho de seus olhos.

Santana permitiu que ela passasse seus braços em volta de seu pescoço, enquanto envolvia Brittany com seus braços pelo quadril. As duas seguiam o passo clichê de “dois pra lá e dois pra cá”, apenas o som da música e seus olhares intensos... Em certo momento a latina se arriscou a segurar um dos braços de Brittany e a fez girar arrancando risos da parte da loira. Parou com seu corpo por trás do dela, voltou a segurar em seu quadril e parou com sua cabeça no ombro esquerdo dela podendo sentir o cheiro embriagante que vinha da loira.

– Você dança muito bem. – A morena sussurrou próximo ao ouvido de Britt e lhe deu um beijo no ombro.

Brittany soltou seu corpo, segurou na mão de Santana e voltou a ficar de frente para a mesma.

– Você também. – Segurou com a outra mão na cintura da latina e a puxou pra frente sem controle da força empregada para tanto, o que fez com que seus corpos se chocassem e uma descarga elétrica consumisse as duas.

– Somos um belo par.

Santana se aproveitou da proximidade, encarou os olhos da loira e depois os lábios, as respirações aceleradas concluíram que as duas pensavam na mesma coisa, o que acabou no resultado de um beijo intenso e caloroso.

Notas finais
Gostaram? Como sou muito legal, vou deixar o melhor para o próximo capítulo. :) Até mais.