Who are you?

23 A Consulta.


Notas iniciais
Oi! Fiquei feliz por vocês terem gostado do último capítulo mais ~leve~. Estava precisando de momentos mais tranquilo. Espero que gostem desse também. Boa leitura!

O final de semana passou mais rápido do que Brittany e Santana gostariam. E a semana já havia começado movimentada, pois teriam um feriado prolongado durante a semana. O que também servia de estimulo para aguentar firme aqueles três dias de trabalho.

— Marley, eu não vou conseguir sair pro almoço. Você pode pedir o de sempre pra mim, por favor. E pergunte a Santana o que ela vai querer.

— Senhora Pierce, a senhorita Lopez saiu ainda pouco, ela disse que tinha uma consulta e que a senhora já sabia do que se tratava.

— É verdade. Eu estou tão cheia de coisas na cabeça que acabei me esquecendo. – Suspirou deixando os papéis sobre a mesa. – Então, deixa que eu mesma peço o meu almoço e você pode ir, já passou do seu horário. E saco vazio não para em pé.

— Não se preocupe, eu posso pedir pra senhora. Se quiser, posso almoçar com a senhora, assim vamos revisando alguns documentos e ganhamos algum tempo.

— Eu aceito sua proposta de almoçarmos juntas, mas não vamos trabalhar. Nossas mentes merecem nem que seja meia hora de respiro e depois pegamos firme nos documentos.

— Tudo bem, vou deixar essas pastas na minha mesa. – A secretária sorriu e saiu da sala.

Brittany aproveitou para enviar uma mensagem para Santana.

“Me avise assim que sair da consulta com Quinn. Estou curiosa.”

“Vou pensar no seu caso. ;P” — A resposta veio logo.

“Para de ser ruim.”

“Eu já posso até ver sua cara de nervosa hahaha Pelo menos eu estou nervosa.”

“Quinn é ótima, tenho certeza que ela vai te ajudar bastante.”

“Não tenho dúvidas. Meu medo é ela começar a perguntar sobre a gente. Como vou dizer que acho a melhor amiga dela uma delícia?” — Brittany não pode deixar de rir ao ler a mensagem. – “Cheguei aqui. Depois nos falamos.”

Quando Marley voltou para sala, pode observar que sua chefe estava totalmente desligada, com um sorriso bobo nos lábios.

Santana foi recepcionada pela secretária de Quinn, que logo a atendeu. O divã dela era muito bem decorado, apesar de sóbrio, como deveria ser. Transmitia um ar de tranquilidade, mas o que mais chamou a atenção de Santana foi um porta retrato duplo, onde de um lado havia a foto de Quinn e Rachel, óbvio, e do outro de um enorme grupo de amigos, que incluía Brittany, Sam e Puck.

— Bonita foto. – Disse enquanto se sentava em uma poltrona confortável.

— Somos nós no ensino médio. Ainda muito jovens e inocentes. Se nós soubéssemos o que sabemos agora...

— Poderiam ter cometido erros diferentes.

— Sábias palavras. – Sorriu de forma gentil. – Bem, Santana. Eu fiquei muito, muito curiosa com o seu caso. E gostaria que tivéssemos uma longa conversa. Há muito de você para explorar. Não ache estranho se durante o nosso diálogo eu te aplique alguns testes, mas quero sanar algumas dúvidas que eu tenho.

— Esteja à vontade. Tudo que puder me ajudar vai ser muito bem vindo.

Como explicado por Quinn, os momentos em que estiveram juntas, ela tratou de fazer a analise completa de Santana. E ficava intrigada pela informação do tal “transtorno de personalidade” que a mesma informou que tinha.

— Eu vou tentar explicar da melhor forma que eu conseguir pra não te encher de termos técnicos. – Santana concordou com a cabeça. — Bom, a questão é a seguinte: as burocracias médicas não permitem que uma criança seja diagnosticada com qualquer doença psíquica grave. Uma vez que a personalidade da criança é formada ainda até os 18 anos. Então, antes disso, diz-se que a criança tem um Transtorno de Personalidade, ou Transtorna de Conduta. Há também uma grande briga médica quanto à internação de crianças, por esse mesmo motivo. Muitos defendem terapias alternativas e acreditam que uma educação bem rigorosa possa ser o suficiente pra sanar esses transtornos. Entretanto, não são limitados os casos em que crianças cometeram crimes horrendos, com requintes de crueldade que nem mesmo um adulto “normal” poderia imaginar. Todos nós temos uma bússola moral que nos impede de fazer diversas coisas, também conhecida como consciência. Acontece que a bússola dessas pessoas simplesmente não funciona.

— Isso é mais complicado do que eu imaginei.

— Mas o que é mais relevante, é que as internações de crianças só são indicadas, apenas após muitos exames e diversas análises de profissionais, ou seja, em casos graves mesmo. Por isso a minha surpresa quando você disse que foi internada. Ainda mais porque se sabe que o problema não é causado por traumas ou eventos vivenciados. A pessoa já nasce com essa desordem. Por isso, Santana, você poderia ter sofrido mil acidentes e nesses mil você poderia ter perdido a sua memória, mas essa doença continuaria em você. Porém, eu estou aqui a mais de hora te analisando e eu não encontro nenhum resquício desse seu transtorno.

— Mas eu não poderia ter sido curada? Eu não fiquei lá a minha vida toda, eu calculo que foi por muito pouco tempo, mas...

— Não! – Interrompeu a mulher em sua frente. – Não há cura. Há sim tratamento, mas mesmo assim eu saberia identificar. E exatamente por ser tão grave, que você levaria mais do que alguns meses para ser liberada. Ou não teriam razão para terem te internado.

— Então você acredita que houve um erro?

— Ou dos médicos que te avaliaram, o que mesmo assim é muito grave, porque um exame neurológico, mesmo pra época, poderia ser revelador. Ou dos seus pais, de alguma forma eles queriam que você ficasse lá. Mas que pais internam uma filha em um hospital psiquiátrico tendo tantas opções? Mas também pode ter sido um erro na clínica em que Noah foi.

— Mas eu me lembro, Quinn! Eu me lembro daquele local. Depois eu procurei fotos na internet, era ele. Era aquele hospital! Eles me deixaram lá.

— Você precisa ir até Albany, Santana. Converse com os médicos que te atenderam, ou peça os seus registros médicos. Mas eu duvido que sofra de transtorno de personalidade.

— Isso me deixa aliviada e confusa ao mesmo tempo. – Levou a mão a cabeça, sentindo uma confusão se formar.

— Eu posso te ajudar, eu vou te indicar pra uma amiga. Com mais consultas, ela pode te auxiliar a estimular a sua mente.

— Obrigada, Quinn. Mas por que não você?

— Sinto que vamos virar boas amigas, Santana. Não vai ser ético da minha parte continuar a te atender. Eu queria te ajudar nisso, porque sei o quanto é delicado. Mas sei que vamos conviver muito, eu torço por você e pela Brittany. – Estendeu as mãos que foram acolhidas pelas de Santana.

— E eu agradeço por isso. Sei o quão complicado é acreditar em mim agora.

— Estou fazendo isso pelo amor que tenho pela Brittany e porque eu confio na intuição dela. Mas agora que estamos a sós, posso dizer que se machucar a minha amiga, eu vou ser obrigada a te matar.

— Mensagem recebida com sucesso. – Elas riram.

Santana saiu com um sentimento de esperança do divã de Quinn, os dias anteriores desde que Noah havia lhe dado a notícia sobre Padre Vita, ela se preocupava em ser alguém capaz de tirar a vida dos próprios pais por ambição ou até mesmo por pura crueldade. Mas, para poder sanar qualquer duvida, seguiria os conselhos de Quinn, ela iria até o local se informar melhor.

Para completar seu dia, Santana recebeu uma ligação do Distrito Policial e foi informada de que havia novas informações sobre seu caso e que deveria comparecer a delegacia no dia seguinte para que fosse informada de tudo. E foi com esse pensamento que chegou à empresa.

Ela tomou o elevador e em sua cabeça foi repassando as palavras que Quinn havia dito.

— Você não é louca, Santana Lopez. Você pode ser um pouco desconcertada em algumas atitudes, é um fato. Mas você não é louca! Não tem que se preocupar com o que eles vão te dizer na delegacia. Você não é louca!

— Falando sozinha em um elevador, duvido que não seja louca. – Sam entrou na cabine antes que se fechasse.

— Nunca ouviu falar que falar consigo mesma ajuda no raciocínio? Você deveria tentar. Te faria bem pensar uma vez ou outra.

— Estou pensando que está mais do que na hora de te mandar embora da minha casa, pelo que eu saiba, você sabe muito bem aonde é sua a sua agora.

— Anda bem informado sobre mim.

— Sim, principalmente que está enrolada com a polícia.

— Acho que nós temos mais em comum do que eu imaginei.

Santana saiu com seu sorriso vencedor de dentro do elevador e traçou caminho direto para o escritório de Brittany. Estranhou o fato de Marley não estar na recepção e imaginou que a mesma ainda deveria estar em horário de almoço, ou algo assim, pois Brittany havia comentado que teriam uma reunião demorada. Não que isso a incomodasse, uma vez que sempre entrava sem ser anunciada na sala da loira, a menos que a secretária a alertasse que havia alguém importante com a sua chefe. Desse modo, abriu a porta já tagarelando como sempre.

— Você não acredita no que o Sam teve coragem de me dizer... – Parou a sua frase ao ver a loira sentada a vontade no sofá, com a secretária do lado, enquanto conversavam animadamente a ponto de rirem. O rosto de Brittany estava até meio corado, Santana também pode ver os resquícios do almoço. – Atrapalho? – Perguntou de forma mais séria.

— De forma alguma. – Brittany respondeu ainda tentando controlar seu riso. – Marley estava me contando sobre a faculdade, ela tem histórias ótimas pra contar, você tem que ouvir.

Santana observou Brittany e depois Marley que continuava bem à vontade, um nó em seu estômago continuou a se formar.

— Eu imagino que sim. Mas eu não quero atrapalhar esse momento, eu só... Eu só vim dizer que foi tudo bem com a Quinn. Só não te avisei antes porque havia acabado a bateria do meu celular.

— Aí, vem cá. Me conta. Eu quero muito saber. – Se levantou empolgada.

— Não. Eu te conto em casa. Eu ainda preciso pensar sobre muitas coisas e tem uma pilha de papéis em cima da minha mesa. – Saiu antes que Brittany pudesse responder.

— Acho melhor eu voltar ao trabalho também. Estendemos demais esse almoço. – Marley levantou-se, enquanto recolhia os lixos do almoço.

— Verdade, mas foi bem agradável, Marley. Obrigada.

Brittany também voltou a sua rotina e só foi se encontrar com Santana no final do expediente.

— Está caindo uma chuva aterrorizante lá fora. O que você acha de na volta a gente pedir uma pizza? Eu estou com tanta vontade de comer uma gordice. – Perguntou animada, depois da latina permitir sua entrada na sala.

— Acho bom. Mas eu acho que não vou com você, vou ficar um pouco mais. Compensar as horas que eu saí, tem tanta coisa aqui.

— Que isso? Não se preocupe, não tem nada de muito urgente, a gente pode...

— Mesmo, Brittany. – Falou num tom mais sério. – Eu prefiro ficar e ir sozinha depois.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não.

— Santana... Por favor, eu te conheço. Foi o Sam? Ele te disse algo naquela hora que chegou? Não terminou de me dizer.

— Sam só foi o idiota de sempre, nada fora do normal.

— E então?

— E então que eu preciso terminar. Você me permiti ou vai continuar aí falando? – Agora sua expressão era emburrada e o tom irritado.

— Tudo bem. Eu vou só. – Queria não demonstrar, mas seu rosto estampava sua chateação.

Ela saiu com pressa, pegou a sua bolsa dentro da sua sala e depois tomou o elevador. Parou no hall de entrada da empresa, aguardando que seu carro fosse trazido. Mas era evidente seu estado, ela não entendia como apesar de tudo, Santana ainda conseguia ser grossa com ela.

— A senhora está bem? – Marley que estava sentada encolhida, a tirou de seus pensamentos.

— Sim, eu só estou cansada. Longo dia.

— Mesmo? – Não parecia acreditar na chefe, após dois anos trabalhando com ela, já sabia identificar suas reações a emoções.

— Sim. – Sorriu de forma amena. – O que faz aí? Por que ainda não foi pra casa?

— Está quase impossível conseguir um táxi agora. Eu pedi que meu pai viesse me buscar. Mas ele mora do outro lado da cidade e ainda tem que pegar minha irmãzinha na aula de música. Vou ter que aguardar.

— Eu não sabia que tinha uma irmãzinha. Não que eu saiba muita coisa.

— É verdade... – Disse um pouco envergonhada.

— Vem, eu te dou uma carona. Você me conta um pouco mais de você. Trabalha pra mim há tanto tempo, sabe tanto de mim, que me sinto mal por não saber tanto de você.

— Não quero incomodar, minha casa fica na contra mão da sua.

— Pare de bobagem, isso é uma ordem, Marley Rose.

— Sim, senhora. – Levantou-se e acompanhou a loira até seu carro.

Santana se sentiu mal pela forma que tratou Brittany, ela não podia deixar que seu ciúme falasse mais alto. Ela deveria deixar esse lado infantil de lado, precisava dialogar com Brittany. Era por ela que Brittany estava apaixonada, era por ela que estava arriscando tanto.

“Você é uma trouxa mesmo. Eu tenho certeza que a Brittany vai rir da sua cara quando contar que estava com ciúmes daquela criança. Aliás, é melhor nem comentar nada, vamos guardar isso pra si mesmo. Era apenas estresse. Ela vai acreditar, você já é nervosa por natureza.” — Traçava um pequeno monólogo com ela mesma. – “Além do mais... É uma ideia muito louca, Brittany e...” — Seu raciocínio foi cortado ao ver a imagem de Marley entrando no carro de Brittany. – Mas é o que?

Brittany se perdeu um pouco ao levar Marley pra casa, sem contar que a chuva não ajudava nada o transito, levando o dobro do tempo para poder chegar ao prédio.

— Então é aqui que você mora? – Estacionou o carro na frente e reparou no local.

— É bem modesto, mas é meu. Tenho minha independência.

— Mora sozinha?

— Sim, gosto de ter um tempo só pra mim. Me ajuda a estudar.

— Isso mesmo, foque sempre nos estudos que ainda quero entrar numa sala em que você seja a empresária.

— É o meu sonho, ser como à senhora.

— Não, Marley. Nada de senhora, já saímos da empresa. – Elas riram.

— Sim, senho... – Parou antes de completar a frase. – Brittany. – Elas riram em conjunto. – Mas não vou mais segurá-la. Já me aproveitei demais te desviando de seu caminho.

— Foi um prazer pra mim.

— Foi um prazer pra mim também, é uma excelente companhia e temos mais em comum do que imaginei.

— Eu concordo. Ainda precisamos marcar de ver um espetáculo juntas.

— Com certeza! Até amanhã. – Soltou seu cinto e se virou para se despedir com um beijo na bochecha de Brittany, que virou ao mesmo tempo e suas bocas quase se tocaram. – Desculpa, senhora Pierce, eu...

— Não, tudo bem. Foi um acidente. – Riu do nervosismo da secretária. – Até amanhã, Marley. Boa noite.

Brittany seguiu pra casa e foi mais um inferno conseguir chegar até lá. Ao botar os pés pra dentro de casa, pode ver a imagem da latina deitada no sofá, com roupas de moletom confortáveis e quentinhas, enquanto assistia uma coisa qualquer na TV, parecia quase adormecida. A loira se aproximou da mesma, sentou no braço do sofá e lhe passou as mãos no cabelo. A latina abriu os olhos um pouco assutados e fitou os de Brittany.

— Está mais calma?

— Onde você estava?

— Eu fui dar uma carona pra Marley até em casa.

— Você saiu antes de mim. Eu cheguei tem tempo...

— A chuva me atrapalhou, era um pouco distante... – Balançou a cabeça. – Mas o que é isso? Um interrogatório?

— Não. Não tenho nada a ver com o que faz. – Deu de ombros e voltou a sua atenção pro televisor.

— Ah... – Entendeu finalmente o que se passava. – Eu já entendi. Olha, eu vou subir e tomar um banho bem gostoso, vou por roupas tão quentinhas quanto a sua, vou pegar o meu filho e me enfiar de baixo das cobertas. Nós vamos reservar um cantinho pra você, mas apenas com uma condição: o seu ciúme tem que ficar de fora, pois só tem lugar pra você e nada mais. Aliás, só tem lugar pra você na minha vida. Eu só tenho olhos pra você. – Ela se abaixou e deu um beijo na testa de Santana. – E eu, particularmente, vou estar torcendo para que você vá.

Brittany foi para o seu quarto e deixou Santana morrendo de raiva. Mas ela não sabia se morria de raiva pelo fato de estar com ciúme, ou se morria de raiva pela loira conseguir tão facilmente que ela esquecesse desse ciúme. Assim sendo, depois de meia hora se torturando sobre o que era certo fazer, Santana aceitou o convite e foi bater no quarto de Brittany.

— Entra. – Ela pode ver a imagem da morena um tanto retraída. – Vem cá, deita aqui. Esse filme é ótimo e a Berta fez pipoca. – Santana foi para a cama e deitou ao lado de Luca, que ficou no meio das mulheres. – Eu estou feliz que está aqui. Passei o dia sentindo falta da sua companhia.

Notas finais
Acho que finalmente achei meus dias oficiais de postar. Domingo e quarta. Então, no meio de semana logo estou de volta. Estou trabalhando a ideia de uma nova fic pra vocês, mas mais pra frente comento mais sobre isso pra saber se aprovam. Até mais, quarta estou de volta! Beijos.