Who are you?

40 A Audiência.


Notas iniciais
Olá, meus amores! Boa leitura pra vocês. ;)

Quando Brittany despertou naquela manhã ela sentiu seu corpo dolorido, ela não sabia dizer se era devido a toda tensão que havia passado nos últimos dias, ou se foi pelo fato de que Santana havia feito com que ficasse deitada por muito tempo. Mas ela sabia que um banho quente e demorado poderia ajudá-la. Enquanto se banhava tentava colocar sua mente em ordem. Lembrou-se principalmente das recomendações da latina, ela mudaria sim a sua vida, mas teria coerência. O que importava de fato é que ela fosse feliz. Ela, seu filho e Santana. Essa era a sua meta agora.

Assim que saiu de seu banho, ela tratou de mandar uma mensagem para que as amigas fossem até sua casa, definitivamente ela não estava com vontade de ir para o escritório naquela manhã. Depois foi pegar seu filho para que pudessem tomar café juntos.

— E esses dentinhos? Já pararam de judiar o meu bebezinho? Eu estava tão preocupada com você.

— Devia estar preocupada mesmo, porque daqui a alguns anos quando ele for pesquisar pela mãe, ele terá bastante notícia interessante para ler. – Sam abaixou o jornal que lia e onde tinha uma foto de Brittany e Santana estampada. – Sente-se, querida. Venha tomar um café com seu marido.

— Eu sei que precisamos conversar, Sam. Mas poderia não estragar o café da manhã? – Colocou Luca no cadeirão e sentou-se ao lado dele.

— Vocês riram da minha cara. Você me enganou de baixo do meu teto.

— Quer mesmo falar sobre isso? O homem que tem um filho com a minha irmã? O homem que me traiu com mais mulheres do que eu posso contar? O homem que levou uma das amantes pra trabalhar como sua secretária? O homem que trouxe a amante mirim na festa de aniversário do filho? O que te dói, Sam? Você não me ama. Dói por estar com outra mulher? Ou por não ter desconfiado de nada?

— Eu estava disposto a te dar o divórcio, lembra? Mas agora o meu pai está estudando o nosso contrato pra tentar achar uma forma de se indenizar.

— Eu não me preocupo com seu pai e nem você deveria. Vamos acabar logo com isso, nós merecemos mais do que isso, nosso filho merece mais do que isso.

— Você fala como se fosse simples.

— Acredite em mim, é mais simples do que imagina. Enquanto você estava no hospital, chegaram as nossas intimações. Seremos ouvidos na segunda-feira. Preocupe-se com isso, do resto cuido eu.

Enquanto isso, Santana chegava a sua audiência acompanhada de Noah e seu advogado.

— Está preparada? – Puck perguntou antes de se despedirem para que ela fosse apresentada a magistrada.

— De forma alguma. Mas não tem como escapar, não é mesmo? – Deu de ombros.

— Eu vou estar aqui fora te esperando, vou aproveitar esse tempo pra fazer umas ligações pros meus contatos.

— Tudo bem, obrigada. Torça por mim.

— Senhorita Lopez, já é tempo. – O advogado a chamou.

— Vai dar tudo certo, gostosa. – Deu um leve beijo na testa da morena e ela seguiu pra sala.

— Todos de pé. – O oficial de justiça disse antes da juíza entrar.

— Tragam a acusada para frente. – Santana se aproximou. – Senhorita Lopez, está sendo acusada de violar a seção do Código Penal do Estado de Nova York. Chegou ao conhecimento de que cometeu o homicídio de seus genitores, Roberto e Glória Lopez. Tendo em mente os direitos lidos a você, pretende apelar?

— Sim.

— E qual é a apelação?

— Eu sou inocente.

— Seguindo o devido processo legal, eu declaro que seja convocado o júri que deve voltar a se apresentar a essa corte no dia 20 de janeiro. Como tem contribuído com a justiça, permitirei que aguarde em liberdade. Entretanto, está proibida de sair da cidade sem previa autorização, seus bens serão controlados para que não tente uma fuga. Nos vemos depois do recesso, senhores. – Bateu seu martelo.

— Mais de um mês, eu acho que eu vou morrer de agonia.

— Acredite, Santana. Isso aqui foi apenas uma formalidade, esse tempo que temos vai ser precioso pra montar sua defesa e vai passar voando.

— Eu sei, doutor. Mesmo me doendo muito, eu libero que acuse Samara como parte de minha defesa.

— Pode deixar, eu vou começar a preparar suas testemunhas também. Mas seria ideal que se lembra-se de mais.

— Eu vou me esforçar.

— Quer carona pra ir embora? – Disse assim que saíram da sala de audiência.

— Eu estou acompanhada, obrigada. – Santana caminhou até onde Noah estava.

— E então?

— Marcaram meu julgamento. 20 de janeiro. Teve sorte?

— Muita! Mas te explico melhor quando tiver as informações em minhas mãos. Quer que eu te deixe na empresa?

— Na verdade, quero que me deixe em casa. Eu preciso conversar com a Dani.

Não muito tempo depois, Noah deixou Santana em frente a sua casa e seguiu para buscar pistas. A latina teve que respirar fundo antes de girar a maçaneta da porta.

— Você consegue, Santana. – Disse pra si mesma assim que adentrou a sala, não precisou ir muito longe, pois Dani se encontrava ali diante a lareira. – Dani. Oi.

— Já não era sem tempo. – Virou-se de frente pra Santana. – Como está a Brittany? Bem?

— Eu sei que eu não devia dar as costas pra você daquela forma, mas era uma emergência...

— Eu vou embora, Santana.

— Dani...

— Tudo na sua vida tem sido uma emergência. Quando nós viemos do Canadá pra cá foi porque o seu pai te chamou. Nós iríamos passar poucos dias porque meu pai estava doente. Mas ele sempre achava uma desculpa pra te prender por mais uma semana e outra. Até que achou um jeito de te prender definitivamente, quando pediu que assumisse a empresa da família.

— Você me disse que viemos para eu te apresentar a eles, porque estávamos noivas.

— Isso foi o que você me fez acreditar. Mas deveríamos ter partido quando seu pai disse que era contra nosso casamento.

— Então é isso? – Santana se lembrou das brigas, mais uma vez.

— É isso o quê? – Fez uma expressão confusa.

— Eu tinha me lembrado de nós duas brigando, você me pedindo pra escolher entre você e os meus pais, era isso, não era?

— Era. Eu queria voltar pro Canadá, pro meu pai. E você queria ficar.

— E então, nós terminamos, não foi? Por que você não me contou? Por que me disse que era a minha noiva? Por que mentiu pra mim?

— Porque no dia que eu ia voltar pro Canadá seus pais morreram, porque eu estive ao seu lado e tivemos uma recaída. Mas depois você me mandou embora de novo, disse que precisava ficar sozinha, mas que teria que voltar pro Canadá pra arrumar as suas coisas pra poder se mudar definitivamente pra cá e que lá, nós conversaríamos. Mas você desapareceu e eu fui atrás de você, eu te procurei, eu fiz tudo por você. Tudo bem, eu errei ao mentir que ainda éramos noivas, mas pra mim continuava sendo. Quando eu soube que estava com perda de memória, eu me senti tentada a dizer que ainda tínhamos algo, eu só não sabia que era tarde demais.

— O Kurt sabia?

— Não, ele não sabia. Eu nunca contei. Eu só queria a ajuda dele, ele era seu melhor amigo, ele topou na hora.

Santana respirou fundo, deu uma meia volta na sala, um habito que havia adquirido de Brittany quando estava nervosa.

— Eu tentei, Dani. Eu tentei. Eu me esforcei pra me lembrar de você e eu me lembrei. Tinha amor, tinha muito amor. Mas eu descobri através das minhas lembranças que esse amor estava sendo sufocado. Talvez, poderíamos realmente ter tentado de novo, em outras circunstâncias. Mas você mentiu pra mim e agora...

— E agora tem a Brittany.

— Sim, eu a amo. E é um amor mais forte do que tudo. Eu quero uma vida com ela, mas pra fazer isso eu precisava ser sincera com você.

— Não precisava, quando você saiu ontem eu pudi ver em seus olhos. Mas como eu disse, eu vou embora. Eu não vim aqui pra estragar sua vida, Santana, ao contrário, eu queria poder te encontrar, ver que estava bem, eu nunca desisti de você.

— E eu agradeço por isso, ainda mais que pra fazer isso, você e o Kurt deixaram seus empregos, suas famílias, uma vida.

— Kurt não tem família. Os meus pais planejam voltar pra cá.

— Ótimo, porque eu quero que fiquem. Eu posso arrumar um cargo a altura de ambos na minha empresa. Eu amo você, Dani. Pode não ser mais como antes, porém ainda tem sentimento aqui.

— Não precisa dessa caridade.

— Não é caridade, é gratidão por pessoas que fizeram tanto por mim e que eu amo.

— Eu vou pensar, mas agora, eu quero ir pra um hotel. Eu tenho que voltar pro Canadá, ajudar meus pais com a mudança.

— Você quem sabe. Mas se quiser ficar até a sua viagem, tudo bem. Eu preciso ir trabalhar, tem muita coisa parada. Eu preciso falar com o Kurt, se você o vir primeiro, pode deixar recado?

— Claro.

— Me desculpe.

— Me desculpe você por eu ter mentido. Mas saiba que tudo, tudo, tudo o que eu fiz foi por amor a você.

As duas se abraçaram, um abraço confuso, mas carinhoso pela parte das duas. Após Santana foi para a empresa, de onde ligou para Brittany para contar de sua audiência. A loira ficou agoniada depois da ligação, o que não passou despercebido aos olhos das amigas.

— Está tudo bem? Santana está bem? – Quinn perguntou atenta as reações da amiga.

— O julgamento dela foi marcado pra 20 de janeiro. Vão começar a convocar os jurados.

— Quais as chances reais dela? – Rachel que brincava com Luca, se sentou ao lado da esposa para que pudessem falar com mais seriedade.

— Poucas. A situação está bem feia. Mas eu quero acreditar que tudo vai melhorar, por isso eu chamei as minhas melhores amigas.

— O que podemos fazer por você, senhorita? – Quinn perguntou empolgada.

— Uma surpresa pra Santana, pra dar forças pra ela.

— Sinto cheiro de romance, e eu sou super a favor de qualquer coisa do tipo. – Rachel abriu seu sorriso iluminado.

As três passaram a confabular, enquanto Santana tentava se dedicar ao trabalho. Quando ela estava no fim do expediente, Noah foi ao seu encontro.

— Descobriu alguma coisa, Puck?

— Muitas. Eu fui me encontrar com o policial meu amigo, ele me deu a cópia do vídeo em que você supostamente entrega dinheiro ao mecânico, ampliamos o vídeo e eu consegui a placa do carro. Fizemos uma pesquisa no sistema e descobrimos que o carro era da locadora.

— E isso ajuda em que?

— Ajuda que fomos até a tal locadora e verificamos que na data do acidente, o carro estava alugado em seu nome, já tinha um pouco mais de duas semanas.

— Noah, isso é horrível! É mais uma prova contra mim.

— Não, senhorita. Porque o carro foi devolvido com perfeição um mês depois do seu desaparecimento, mais especificamente, um dia depois de você ter sido atropelada pela Brittany. E no vídeo que tem de você voltando do enterro dos seus pais, você está de táxi, sai rumo ao aeroporto de táxi. Mas a senhorita Lopez compareceu pra devolver o carro, sendo que sempre era pago em dinheiro as renovações.

— Quer dizer, que tentaram me incriminar.

— Quer dizer, que usaram a sua irmã.

— Certo, mas ainda não conseguimos descobrir quem foi essa pessoa. Precisamos descobrir um modo de ter acesso as finanças do seu tio.

— Eu sei como. Antes dele assumir a presidência da minha empresa, ele precisou dar um relatório do patrimônio pessoal, dividas e gastos. Pode servir?

— Vai ser perfeito.

— Eu vou pedir agora pro pessoal do... – A fala de Santana foi interrompida por batidas na porta. – Entre.

— Desculpe, San. Mas acho que sua secretária já tinha ido embora, mas o segurança lá em baixo me afirmou que ainda não tinha saído.

— Sem problemas, Kurt. Aproveite e conheça Noah. Noah, esse é meu amigo Kurt.

Noah se levantou e foi até o rapaz lhe oferecendo a mão.

— Eu vou deixar vocês conversarem. Eu vou até meu hotel arrumar as coisas pra voltarmos pra Rochester. Espero que arrume os papéis que precisamos.

— Tudo bem. Obrigada, Noah. Me pega mais tarde em casa.

— Pode deixar. Foi um prazer. – Disse a Kurt antes de sair.

— O prazer é todo meu. – Respondeu Kurt sorridente enquanto examinava Puck da cabeça aos pés.

— Quer um babador? – A latina riu da cara abobada do amigo.

— Precisava. Mas eu sei que aquilo não é areia pro meu caminhãozinho. – Suspirou tristonho enquanto se punha sentado na frente da morena. – Mas eu vim aqui por coisas mais sérias, Dani me contou o acontecido. Eu só queria vir dizer que eu não sabia de nada.

— Eu sei. – Estendeu a mão e segurou a do amigo. – Dani também te contou sobre minha proposta?

— Sim, eu achei bastante tentadora. Não queria voltar para o Canadá tão cedo, as coisas com Blaine parecem estar caminhando. E depois da falência lá da empresa, em que ficamos todos com a bunda na rua. Seria ótimo recomeçar num lugar melhor.

— Que falência?

— A que trabalhávamos no Canadá. Você já tinha vindo pra cá, mas eu e Dani só estávamos cumprindo o aviso prévio. Que não se encerrou, ela juntou as economias e nos trouxe pra cá pra te procurar. Mas já estávamos desesperados e pra mim, que não tem nada que me prende, é um recomeço. Eu só preciso achar um apartamento, ver essas coisas de visto...

— Leve o tempo que precisar. Minha casa é sua casa. Aliás, precisamos muito conversar sobre muitas coisas, só eu e você. Tem tanta coisa que não se encaixa.

— Eu estou aqui pra você, chefe.

Notas finais
O cerco se fecha, o tempo vai correr pra Santana e as pistas não param de aparecer. Espero que tenham gostado. Até o próximo!