Who Will Be Hurt?
6 O Melhor Presente
Notas iniciais
Confesso que sofri muito durante todos esses anos. Acredito que o tempo não seja capaz de curar, mas creio que ele ajude a conformar. Isso! Me conformei com a vida que tenho. Claro que não é a mesma que eu idealizava em meus sonhos. Talvez sonhos sejam um pouco impossíveis, por isso que são sonhos, neles temos liberdade de desejarmos tudo o que quisermos, sem termos limites, barreiras e regras do mundo real. Jane fazia parte desses sonhos e todos nós sabemos que os sonhos se acabam quando acordamos.
***
Era primavera, as flores brotavam no jardim. Um cenário perfeito para o casamento de uma mulher perfeita. Na casa de Maura todos preparavam a noiva para o casório.
— Maura você esta linda, você ganha de todas as noivas que já vi.
— Que isso Ângela, obrigada.
— Deixe de humildade Maura, você merece tudo que há de melhor, você está perfeita minha filha. Esse é o seu dia aproveite.
— Fico feliz por você e o meu pai terem vindo de Londres para o meu casamento. Isso significa muito pra mim. – Maura ternurosamente segurou as mãos de Constance.
— Viríamos de muito mais longe por você.
Enquanto isso Jane acabou de entrar no quarto.
— Venha aqui Jane e me diz o que você achou, estou muito ousada nesse vestido? Acho que o decote ficou exagerado.
— Maura! Deixa de besteira, ficou perfeito em você.
— Enquanto vocês conversam, eu e a sua mãe vamos aproveitar para checar a decoração.
— Tudo bem Ângela.
Constance e Ângela se retiraram do quarto.
— Está nervosa? Hoje é o grande dia.
— Um pouco.
— Um pouco? Por acaso fui eu que passei a madrugada inteira no telefone, insegura com os preparativos do casamento?
— A quem eu quero enganar, você é a minha melhor amiga e me conhece. – Maura dirige-se em frente ao espelho. – Na verdade eu já havia desistido da ideia de me casar um dia, me unir religiosamente com alguém e compartilhar isso com todos que conheço. Achava que em algum dia ter filhos seria o suficiente. Mas veja onde eu estou agora?
— Se arrepende?
— Não! Claro que não Jane! Eu estou feliz de me casar com o seu irmão.
— Digo isso porque foi muito rápida a decisão de vocês namorarem e se casarem. Veja! Foram apenas quatro meses Maura. Mesmo sendo o meu irmão e é claro que eu adoro ele, mas...
— Mas o quê Jane?
— Acho que você deveria ter pensado melhor e com mais tempo.
— Olha Jane... – Maura virasse para a morena. – Eu conheço o Frankie tempo suficiente pra tomar essa decisão sem arrependimentos. Não precisei de muito tempo para isso. E nem adianta me dizer que só aceitei por causa do gesto dele de me salvar do incêndio. Eu gosto muito do seu irmão. – Maura então começa a andar pelo quarto. – O Frankie é um homem tão doce, educado, e eu sempre notei que ele sentia algo por mim. Veja os perfis dos homens com que me relacionei! Ladrão, psicopata, doente. Agora eu sinto que acertei com o Frankie. Ele é o homem certo pra mim.
— Ele é o meu irmão e eu testifico isso. Só não quero que você se arrependa depois, de não ter esperado tempo suficiente e de ter que carregar essa família agora pra sempre.
— Ter que conviver com vocês é algo que eu não vou me arrepender. Me dá um abraço Jane, não quero brigar com você no dia do meu casamento.
— Ok. Não estou brigando com você. – As duas se abraçam.
Ângela entra no quarto.
— Maura, está na hora. Os convidados já chegaram, Frankie já vai subir ao altar. Está pronta?
— Estou Ângela.
— Vou avisar que você já esta indo.
— Já que o seu pai vai lhe conduzir até o altar, eu vou acompanhar a cerimônia da primeira fileira. Você é a minha melhor amiga e eu não quero perder nenhum momento. – A morena segura a mão de Maura. – Eu te desejo boa sorte e que você seja muito feliz e saiba que eu vou estar sempre ao seu lado como amiga e agora parente.
— Eu sei disso. Obrigada por tudo que fez por mim e representa na minha vida. Eu sei que eu posso contar sempre com você.
Apesar de o casamento ter sido realizado na casa de Maura, a cerimônia não perdeu o seu brilho. Flores por todos os lados e luminárias espalhadas por todos os lugares. Uma decoração impecável que demonstrava a realização do sonho de qualquer mulher.
— Posso sentar ao seu lado Jane?
— Claro Constance!
— Ainda não entendo porque Maura não quis ninguém ao lado dela no altar. Sem padrinhos, sem os pais. Apenas ela, o noivo e o padre. Fiquei decepcionada com ela, eu devia estar lá na frente!
— Talvez ela deve ter ficado constrangida ao ter que escolher somente uma mãe para estar lá em cima, já que ela e a Hope estão tão próximas agora.
— Mesmo assim eu não me conformo. Eu deveria estar lá com ela. Fui eu quem deu toda a educação que ela precisava, um teto, um sobrenome.
— Mas não carinho suficiente.
— São águas passadas Jane, agora eu sou uma nova pessoa e ela deveria reconhecer isso.
— Eu tenho certeza que ela reconhece e se importa com você que sempre será a mãe dela.
— Eu sei disso. Mas agora falando sobre você, cadê o seu namorado, não deveria estar aqui com você?
— Ele não pode estar aqui. Ele está em missão no Afeganistão e ainda por cima nós brigamos então... acho que é a hora de acabar com esse namoro impossível.
— E você vai desistir assim sem tentar? Ou outra pessoa balançou o seu coração a ponto de te deixar indecisa sobre o seu relacionamento?
— Acho que a segunda opção é a mais possível, mas, é muito complicado, é algo que não pode ou vai acontecer, enfim...
— Veja Jane, nada é impossível. Eu sei que não sou intima á você, mas sei que posso dizer isso. Quando conheci o pai da Maura, digo o meu marido, ele era casado com outra mulher e eu era muito próxima a eles. E depois de algum tempo começou a surgir algo sabe? Ficamos apaixonados um pelo outro e eu vi o quanto isso era errado e me afastei durante um tempo.
— Então como vocês fizeram para terminarem juntos?
— Eu me permiti enxergar que nada na vida é uma sentença final, o casamento deles já não era o mesmo, não havia mais amor e eu sentia que o amava e que ele correspondia, então ele deixou a mulher dele por mim e estamos casados até hoje e não tenho nenhum arrependimento do que fiz. Então permita-se, viva e não importe-se com as dificuldades, elas existem para serem vencidas. Sejam quais forem os problemas que lhe impeçam de lutar por ele, não se importe, tente.
— Obrigada Constance, eu vou pensar em tudo isso depois que o Frankie passar.
O casamento havia começado, Frankie atravessava o tapete vermelho estendido no jardim. Jane por um minuto se esqueceu do que aquilo significava. E por um minuto não lembrou que aquele também era o casamento de Maura e esboçou felicidade e orgulho ao ver o irmão tão elegante de terno e gravata.
Os casamentos em sua maioria têm aquele velho costume do atraso das noivas, mas Maura não achava elegante esse ato então não demorou muito a sua entrada. A marcha nupcial anunciava o destaque de qualquer cerimônia de casamento, é claro, a noiva. Ao ver Maura desfilando no tapete em direção ao altar o que Rizzoli sentia fisicamente era um frio na barriga. Ela não sabia o que sentir, o que era certo sentir. Quando finalmente a loira chegou perto de si, trocaram um breve sorriso.
Maura então foi entregue por seu pai ao noivo. E mesmo com todo o misto de sentimentos que povoavam a morena, ela sentia que aquilo era o certo a ser feito. Afinal, onde ela estava com a cabeça ao se apaixonar pela melhor amiga? Ou imaginar que tudo o que ela sentia poderia ser recíproco? Mesmo com todas as brincadeiras sugestivas entre as duas, nada justificariam tais perguntas. O que Jane não sabia era que todos aqueles momentos significavam o modo disfarçado que o cérebro de ambas encontrou para demostrar o desejo que sentiam uma pela outra.
O mestre de cerimônias começou o casamento com todas aquelas frases inspiradoras sobre o amor e a dadiva da união de um casal. E a cada frase Jane se convencia de que o melhor presente que ela podia dar à Frankie era abrir mão do amor de Maura.
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