Who Will Be Hurt?
2 Está tudo sobre controle.
Notas iniciais
Finalmente chegou o dia do meu aniversário de casamento com o Frankie, quem diria que a pouco mais de quatro anos atrás eu me casaria com ele. Foi tudo tão rápido que ainda hoje eu não sei se me casei por amor ou numa tentativa de esquecer a pessoa que eu mais amei, mas que talvez não sentisse o mesmo por mim.
Quatro anos atrás
Estávamos investigando mais um assassinato que havia ocorrido em Boston. Todos nós ficamos muito intrigados com o motivo que levou alguém a matar uma garotinha tão linda.
— Bom dia Frost e Korsak! Os cumprimentei enquanto me direcionava até a cena do crime.
— Bom dia Drª Isles. – Os dois me responderam um tanto quanto tristes, pois ver uma garotinha morta assim por qualquer motivo que fosse acabava com o dia de qualquer um.
Enquanto me abaixava para examinar o corpo da vítima avistei Jane se aproximar, apesar daquele mesmo terninho e botas de sempre, ela conseguia ser linda de qualquer jeito. Eu já não me surpreendo mais com os meus pensamentos, a muito tempo o que eu sentia por ela já deixou de ser amizade, é algo mais forte, eu à amo, acho que esse sentimento ficou mais claro na missão em tinha que me fantasiar de garçonete e Jane se fingir de lésbica para que pudéssemos colher amostras de DNA para descobrir o verdadeiro autor do crime, eu nunca mais consegui esquecer os olhares de Jane pra mim. Não sei se foi isso que alimentou o meu imaginário, mas a partir daquele momento me acostumei com a ideia de sermos muito mais que amigas. Mas não posso perder a sua amizade, se ela souber nem mesmo me verá com os olhos de amiga.
— Bom dia Maura!
— Bom dia Jane!
— Ei Frost, tem informações sobre a vítima?
— Tenho sim Jane. O nome dela é Elisa Thompson, 6 anos. Foi encontrada morta pelos pais de manhã aqui no quintal de sua casa com uma corda no pescoço, os pulsos atados sobre a sua cabeça, e fita isolante cobrindo a boca. Os pais dizem que Elisa era uma ótima menina e não suspeitam de nenhum vizinho ou amigo que possa ter feito isso.
— Encontrou alguma coisa sobre a vítima Maura?
— Sim Korsak, a lividez da pele indica que ela foi morta a pelo menos oito horas, não posso descartar uma agressão sexual, mas ainda preciso encontrar mais respostas através da autópsia.
— Fiz uma vistoria dentro da casa e não vi nenhum sinal evidente de invasão ou entrada forçada. Korsak encaminhe os pais ao departamento, precisamos ter uma conversa com eles e Frost converse com o irmão dela, veja se ele viu algo estranho na noite em que ela foi assassinada.
Tempos depois enquanto eu estava examinando o corpo da vitima, Jane entra na sala de autópsia, como sempre fazendo o papel meigo em busca de informações, e eu confesso que adoro essa parte nela e adoro também a presença dela. Ela faz não me sentir tão só enquanto eu faço o meu trabalho.
— Hey Maur achou algo que possa ajudar no caso? Ela foi enforcada?
— Os exames mostraram um trauma no pescoço da vítima e apesar de perder muito sangue a ferida na cabeça não foi a causa da morte. – Enquanto Maura respondia Jane evidenciava a sua impaciência.
— Maur, será que é tão difícil pra você praticar aquele esqueminha do sim ou não? Vamos lá repita comigo, sim, não, sim...
— Não. – Jane então demostra um sinal de alegria. – Ela foi estrangulada e a fratura do crânio foi post mortem. A marca no pescoço indica que ela foi estrangulada com garrote feito de algum tipo de cabo de tela e não encontramos nenhuma evidência de estupro. Achamos também tinta usada em fitas de máquina de escrever antiga em suas mãos. Além de encontrar as digitais do seu irmão de 10 anos nela, a autópsia revelou que ela comeu cerejas pouco antes de sua morte.
— Mas os pais disseram que estiveram com ela três horas antes das onze da noite que foi a hora provável de sua morte, então quem deu essas cerejas a ela?
— Não sei, acho melhor eu fazer uma visita à família para colher mais materiais e descobrir a origem dessa tinta.
— Eu vou pedir ao Frost para te acompanhar, enquanto isso vou colher alguns depoimentos de amigos da família. Maura você vai fazer algo hoje a noite?
— Não, por quê?
— Eu tenho um assunto muito importante pra tratar com você, não pode passar de hoje.
— Está ok! No Dirty Robber?
— Exato, estarei te esperando lá.
Eu mal podia esperar para saber o que Jane tinha de tão importante para conversar comigo, mas até lá havia ainda muito trabalho a ser feito. Fui então até a casa da família Thompson na companhia de Frost para colhermos mais evidências do crime.
— Boa tarde senhor Thompson, eu sou Drª Isles, a médica legista que está cuidando do caso e esse é o detetive Frost. Podemos entrar para verificar algumas provas.
— Que tipo de provas que vocês querem verificar?
— Não podemos dar mais detalhes, ainda estamos em processo de investigação. Pode nos acompanhar até o quarto da vítima?
— É Claro, podem ir por aqui, vão na frente.
Enquanto estávamos nos aproximando do quarto, o pai da vítima surpreendeu Frost com um golpe de bastão na cabeça o fazendo desmaiar. Quando tentei fugir ele me imobilizou e me fez inalar um pano com clorofórmio então rapidamente desmaiei, quando acordei já estava em um lugar que aparentava ser um galpão abandono, completamente amarrada com os pulsos em volta de uma coluna de madeira. Quando percebi ele estava na minha frente me olhando enquanto eu gritava por socorro.
— Pode gritar Drª Isles, ninguém vai poder te escutar.
— Como você pode ser tão cruel, capaz de matar a sua própria filha?
— Não fui eu quem matou Elisa.
— Então por quais motivos está fazendo isso se não foi você?
Aos prantos o pai começou a dizer o que levou a fazer aquilo. – Foi o meu filho, o Lucas que a matou, eu vi quando as mãos dele estavam cheias de sangue após matar a irmã. Ele falou que tinha ciúmes dela porque dávamos tudo à ela. Nós não poderíamos deixar que algo acontecesse com ele, eu sou capaz de fazer qualquer coisa pra proteger minha família, ele não pode pagar pelo que fez, ele não sabia o que estava fazendo.
Maura desesperada começou a suplicar por sua vida, em meio as lágrimas que caiam dos seus olhos. – Senhor Thompson nada vai acontecer de mal com o seu filho, no máximo ele irá receber tratamento psiquiátrico, por favor me tire daqui!
Todos os pedidos de Maura, os gritos de socorro, de nada adiantaram. O homem então pegou um galão e começou a espalhar gasolina pelo local. – Vocês estavam muito perto de saberem a verdade, e eu não posso deixar isso acontecer. – Então ele tirou um isqueiro do bolso e ascendeu, em poucos segundos o local estava tomado pelo fogo. Maura não tinha mais esperanças de ser salva, ela sabia que em poucos minutos estaria inconsciente por inalar a fumaça e em pouco tempo estaria com o seu corpo completamente carbonizado pelas chamas. Durante todo esse tempo ela só pensava em uma coisa, ou melhor, em uma única pessoa: Jane, a pessoa certa que poderia a salvar naquele momento, igual as várias outras vezes que sempre esteve perto para a proteger. O maior medo de Maura não era morrer no incêndio, mas sim, partir sem contar a Jane seu verdadeiro sentimento por ela.
***
Maura foi despertada dos seus pensamentos com o som de batidas na porta.
— Jane! Que bom que você veio, entre.
— Oi Maur, você acha que eu iria te deixar na mão, logo eu?
— Claro que não Jane, só não achei que você pudesse chegar tão cedo.
— Quantas pessoas estão convidadas além de mim?
— Meus pais, Tommy, Korsak, Frost e Lydia. Um jantar simples, para as pessoas mais próximas.
— No que você precisa da minha ajuda?
— O bufê já trouxe a comida, eu preciso só que você me ajude a organizar a mesa e a decoração. Alias você está tão bonita Jane, não poderia deixar de reparar.
— Que isso Maura, só aproveitei pra vir já vestida com a roupa do jantar, você se sabe que gosto de ser pratica. Tô morrendo de sede tem alguma cerveja aqui?
— Claro, esqueceu eu sempre reservo uma pra você. – Maura então pegou a cerveja de Jane na geladeira e a entregou. – Soube que terminou com o Casey é verdade?
— Sim, é verdade! Nunca poderíamos ter dado certo, ele se importa mais com o Afeganistão do que comigo. – Jane terminou a frase com um sorriso irônico.
— E eu sei que esse não foi o verdadeiro motivo pra você ter terminado com ele. Ele não te merece Jane, só te faz sofrer. Você precisa de alguém que sabe do que realmente precisa. Alguém que sempre está ao seu lado e que te conhece.
— E quem me conhece tanto assim Maura?
— Eu! – Hoo my God, eu não acredito que eu disse isso, eu tenho que consertar de alguma forma. – Quero dizer... Eu não conheço quem seja essa pessoa, mas, mas se eu soubesse com certeza eu diria. – Enquanto Maura, que de forma atrapalhada ia tentando se desculpar, não percebeu que cada vez mais estava sendo tomada pelas urticárias.
Jane ao perceber que Maura estava mentido pelo excesso de urticárias em seu pescoço, não conseguiu esconder o nervosismo e acabou derramando a cerveja em seu vestido.
— Ooh Jane, derramou cerveja em seu vestido, deixa limpar pra você.
— Não precisa se preocupar Maura, está tudo sobre controle. – Quando Jane deu por si, a mancha já havia se espalhado por todo o se vestido azul e Maura rapidamente veio limpá-la com o auxílio de um pequeno guardanapo.
Quando se deram conta, já não era mais a mancha o motivo que as faziam ficar tão perto uma da outra. Maura que antes tinha como foco apenas secar o local, agora não já não desafixava os seus olhos de Jane. Estavam tão próximas que podiam sentir a respiração uma da outra e a cada milésimos de segundo que se passava estavam cada vez mais próximas e mais hipnotizadas, como num transe não conseguiam se desgrudar. – Ter Maura assim tão perto de mim foi tudo o que eu sonhei não posso perder essa oportunidade tenho que arriscar. – Jane não desperdiçou o seu tempo e logo colou a sua boca nos finos lábios de Maura que não recusou e retribui o beijo que a cada vez mais ia ficando rápido e profundo. Nessa hora já não pensavam em respirar, em falar, apenas não pensavam somente agiam, não possuíam mais domínio sobre as mãos, que ao se tocarem não obedeciam, simplesmente tomavam caminho diversos seguindo apenas o extinto proporcionado por aquele beijo que era tão sonhado por ambas.
Nesse momento as mãos de Maura já se apoderavam dos cabelos longos e encaracolados de Jane que a empurrava contra o balcão intensificando o beijo. Haviam até se esquecido do que realmente tinham que fazer, deixando a organização do jantar totalmente esquecida. Mas o que elas não contavam e que Frankie chegaria mais cedo naquele dia. No ápice do beijo escutaram uma voz que as fez pararem imediatamente:
— Maura! O que você está fazendo?
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