Who Knows? Oori Doori
7 Quando as coisas começam a esquentar
Notas iniciais
No Domingo depois do almoço eu estava sentada sozinha na beira da piscina com fones no ouvido. A água da piscina estava refrescando meus pés e o sol não estava tão quente a ponto de me fritar. Vi o Minho sair de casa carregando nos ombros algumas coisas embrulhadas e ir até o quintal largando o embrulho grande lá. Me levantei guardando meu iPod no bolso do short jeans enquanto ele desembrulhava as coisas – que estavam me parecendo barracas de acampar.
- Minho? – chamei quando cheguei perto.
- Sunie, oi. – ele levantou o olhar para mim com um sorrisinho.
- O que tá fazendo? São barracas? – coloquei minha mão na cintura o observando começar a armar.
- Ah, — fez ele continuando a armar virando-se para mim uma vez ou outra. – sim, eu achei umas barracas que estavam guardadas num armário na área de serviço, perguntei aos hyungs se seria interessante a gente acampar nessa noite e eles concordaram. Hum, só não falamos ainda com vocês, será que vocês nos acompanhariam no acampamento de quintal? – ele sorriu de novo.
- É claro! – eu dei um sorriso grande me animando. – Acho que elas vão aceitar também. Eu acho legal acampar... tenho trauma disso, mas... ainda gosto. Aliás, — mudei de assunto. – Minho, o que é hyung? – franzi as sobrancelhas.
- Ah sim. – ele largou as barracas por um minuto. – Na Coréia usamos “hyung” para garotos mais velhos que nós. Não tão velhos, mas na nossa faixa de idade, porém mais velhos alguns anos.
- Hum, então você pode usar “hyung” para o Onew e Jong, certo? Mas não para o Taemin.
- Isso. – ele deu mais um sorrisinho fechando seus olhos redondinhos e voltou para as cabanas.
Eu fiquei o olhando levantar a primeira barraca com agilidade. Puxa, ele era bom em tudo? Os minutos foram passando e eu procurei no fundo da minha cabeça algo para falar ou perguntar. Ele era silencioso, eu também.
- Hum, será que seria bom se a gente assasse marshmallows na fogueira? – perguntei.
- Sim! Seria legal.
- Bem, então vou chamar as garotas para irem até o mercado comprar marshmallows comigo, ok?
- Certo.
* * *
Anna e Maggy ficaram contentes com a idéia logo de início. O que foi até legal, elas nem sempre gostam das idéias, mas parece que um assunto que mistura as palavras chaves noite, fogueira e barracas as interessam de imediato. As chamei para me acompanharem até o mercado, mas Maggy bateu o pé para ficar em casa e organizar a trilha sonora (ela é a única de nós três que toca violão, apesar de eu e Anna sempre pedirmos para ela nos ensinar), pesquisar sobre a temperatura da noite (caso fizesse frio, ela organizaria os cobertores) e se oferecer para ajudar em mais alguma coisa para o acampamento. Eu contestei que ela iria ficar sozinha na casa com todos os cinco meninos, mas ela prometeu para mim e para Anna que não tocaria neles, ainda. Muito menos no Minho e no Taemin.
Anna, então, me acompanhou até o mercado próximo.
- Sabe, eu pensei numa coisa. – Anna disse enquanto lia uma embalagem de marshmallows.
- O quê? – perguntei olhando outra na prateleira.
- Bem, pelo o que você disse as barracas são daquelas pequenas onde só cabem duas pessoas bem espremidas.
- É. – respondi agora prestando atenção nela. – E daí?
- Pense! Mesmo que nós durmamos juntas, uma de nós terá que dormir com um garoto. E... bem, eu não quero dormir com uma de vocês duas. E tenho certeza que você não vai querer dormir com a Maggy, né?
- Não. Eu não. – falei. – Ai meu Deus! – meus olhos brilharam. – Nós vamos dormir com um deles! Num espaço pequeno de uma barraca!
Anna sorriu para mim e jogou dois pacotes grandes de marshmallow e mais alguns doces (chocolates, jujubas, M&M’s, cookies) para dentro da cestinha. Lá se foi a dieta pelo ralo.
* * *
Já estava anoitecendo quando nós três descemos para o quintal. Os meninos já estavam lá fora nos esperando há meia hora, nesse tempo, eu Maggy e Anna ficamos conversando enquanto escolhíamos qual roupa vestir e procurávamos cada uma um cobertor para levar. Eu sei, eu sei, você deve estar falando o quão somos peruas de escolher roupa para irmos acampar em casa, mas, com toda e absoluta certeza, se fosse você quem fosse acampar com aqueles garotos... hum, preciso mesmo dizer algo? Creio que não.
Por fim, lá estávamos nós, as Pseudo-Trigêmeas Nem Um Pouco Parecidas. Vestimos camisetas larguinhas (a minha ficou tão grande que meu short jeans desapareceu por debaixo dela) e carregamos as coisas para o quintal. Eu puxei a sacola de guloseimas, Anna carregou os cobertores fofinhos e Maggy colocou seu violão nas costas. Nós estávamos tão animadas!
O quintal era mesmo grande. As quatro barracas (uhul! Eram as únicas barracas, definitivamente) estavam armadas em forma de meia-lua na grama e Minho arrumava a fogueira mais afastada enquanto os outros catavam galhos e folhas pelo quintal.
- Chegamos! – Maggy cantarolou.
- Oi! – eles cumprimentaram com a mesma animação.
Nós todos sentamos em roda. A fogueira ainda não estava acesa e o sol dizia adeus no horizonte pintando o céu com tons de laranja e vermelho. Infelizmente eu não fiquei perto de quem queria. Já Maggy e Anna... é, elas conseguiram. Eu fiquei com Onew do meu lado esquerdo e Taemin do meu lado direito. Logo, Anna estava do lado de Taemin, e Minho do lado de Onew. Ah, ótimo.
- Hum, acho que podem acender a fogueira... – disse Anna. – Eu trouxe cobertores para mais tarde, caso faça frio, mas não achei cobertores suficientes... Também vamos ter que dividi-los. – ela sorriu omitindo a parte que nos acusava. Sim, tinha cobertores suficientes para cada uma de nós, mas nós os escondemos. Ah, e essa foi uma idéia minha, só para constatar.
- E eu trouxe doces! – abri a sacola de plástico. – Tem chocolate, marshmallows, biscoitos...
- Adoro marshmallows! – Key lambeu o lábio superior. Acho que o coração de uma certa garota ao lado dele foi a mil.
- Ah, eu também! – ela deu um sorrisão para ele. – Eu quem disse para elas comprarem!
- Ah-ham. – eu limpei a garganta com deboche e Maggy me metralhou com os olhos me mandando calar.
- E você, Maggy, trouxe algo? – Jonghyun ao lado dela perguntou. Sim, eu estava começando a saber falar o nome dele.
- Ah. – ela puxou o embrulho das costas e abriu o zíper. – Já ia me esquecendo. É meu violão!
- Você toca? – os meninos ficaram entusiasmados e, por um instante, Mag foi o centro das atenções. Eu e Anna trocamos olhares.
- Toco sim! – ela respondeu. – E trouxe justamente para isso, mas preciso de um parceiro para cantar enquanto eu tocar.
Os meninos apontaram para Jonghyun que ajeitou a franja com ar superior, depois sorriu.
- Ok, eu canto! Sabe tocar “I’m Yours”? – ele se virou para Mag, que assentiu.
O ventinho do fim de tarde começara a ficar frio. Futuquei minha camiseta sem mangas com “New York” escrito e acho que uma lampadinha se acendeu em cima da minha cabeça quando Anna começou a desdobrar os cobertores e meu rosto se iluminou.
- Sun? – ouvi Anna chamar.
- Ah, nada não. Então, onde estão os gravetos para os marshmallows? – sorri olhando Minho curvado com toda aquela altura tentando fazer o fogo pegar nos gravetos e nas folhas do montinho-fogueira.
- Acho melhor espetos daqueles de churrasco, Sunie. – Maggy falou. – Gravetos são sujos de terra... – ela fez uma careta.
- Ah, é. – fiz eu me levantando. – Ok, alguém sabe onde estão os palitos de churrasco?
- Sei onde estão, mas não sei explicar. – Onew franziu o cenho. – Vou com você, então.
Ele se levantou e eu andei ao lado dele. Diabos, eu era mesmo a mais baixinha, e amaldiçoei minha genética por isso. Não seria tão mais legal se eu fosse alta como a Anna? Que conseguiria ultrapassar o Jonghyun se usasse salto, por exemplo.
- Sunie posso perguntar uma coisa? – Onew começou quando já estávamos na casa e ele procurava os espetos no armário da cozinha.
- Pode, claro.
Ele me entregou o saquinho com espetos e me fitou com seus olhos simpáticos e brilhantes.
- Hum... você gosta de algum de nós?
Eu gelei e devo ter demorado um pouco para formular uma resposta.
- Eu gosto muito de vocês todos! – segurei os espetos com firmeza, senti que eles poderiam sair da minha mão trêmula. – Vocês são ótimos e muito mais legais que muitos garotos americanos, por isso fico feliz por vocês estarem no lugar de qualquer um desses rapazes daqui...
- Não é isso. – ele me cortou. – Digo, está na cara que vocês estão contentes tendo que conviver conosco, nós também estamos, mas... nenhum sentimento diferente por um de nós? Algo especial?
- Não estou te entendendo, Onew. – menti olhando para meus pés descalços.
- Esquece. Mas é que... hum, como é que se diz? Ah, sim. Bem, não me leve a mal, é que me parece que você se afeiçoou com um de nós. E as outras meninas também, Anna e Maggy.
- Ah. – fiz eu, corando. – E com quem você acha que eu “me afeiçoei mais”? – fiz aspas no ar.
Ele sorriu e me deu uma piscadela antes de dar as costas e sair cantando baixo uma música provavelmente coreana, já que eu estranhei as palavras. Era a mesma que tocava no som no dia em que chegamos, soava assim:
Hello, hello / Geudae jigeumeun eoddeolji mollado / Who knows? Oori doori / Oonmyungilji molla
Ah, aliás, ele tinha uma voz linda.
Notas finais
Está sendo muito, MUITO divertido escrever WKOD, espero que esteja sendo ler também, e para provar isso, estou no aguardo dos reviews lindos e brilhantes feito SHINee *-* /sebate
Chu ~
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