White Day

1 For you — ▽


Notas iniciais
Eu sei que estamos em meio ao AoMomo Month, mas essa fic não está ligada ao projeto - como Still Into You. Mas a data exigia algo, era para ter feito essa oneshot ano passado e não deu, resolvi recompensar esse ano fazendo essa coisinha linda. Agradecimentos especiais para a Gabsy/Akemihime que leu parte da fic antes, e me encorajou a postar. Obrigada, sua linda.

Espero que vocês gostem, do mesmo jeito que amei escrever. Boa leitura. ♥

Estava quase arrependido daquela ideia maldita de pedir ajuda ao ruivo idiota de Seirin, mas ele era sua única opção. Sakurai Ryou tinha viajado com os pais durante o final de semana e a outra pessoa que conhecia que sabia fazer algo na cozinha e que estava mais próximo era Kagami Taiga. Claro que o ás de Seirin achou a proposta de Aomine Daiki inesperada, e mesmo sendo rivais confessos, resolveu ajudá-lo. Afinal, era uma causa nobre. E Kagami não perderia a chance de dar ordens para o moreno. Daiki comprou todos os ingredientes necessários como o outro havia pedido e no dia catorze de março, o ás de Touou estava no apartamento do ruivo.

- Eu entendo o fato de você estar aqui, afinal essa é a sua casa. – disse para Kagami, enquanto depositava as coisas no balcão próximo da pia da cozinha. – Mas o que ele está fazendo aqui?!

Daiki apontou para o fantasma de Seirin, que jazia sentado junto à mesa.

- Eu não queria perder a ocasião, Aomine-kun. – disse displicentemente para o ala-pivô, enquanto o fitava com seus olhos inexpressivos.

A presença de Kuroko Tetsuya incomodava Daiki por vários motivos, e um deles era por ser o antigo interesse amoroso de Satsuki, que agora era sua namorada – fato que ainda não tinha sido divulgado entre os Milagres; quis evitar o burburinho que viria principalmente de Kise, que era o único que sabia dos verdadeiros sentimentos dele. Uma vez que estava na casa de Kagami, tinha que se sujeitar ao ruivo e fazer corretamente as coisas que ele lhe dizia e nesse caso era uma espécie de chocolate caseiro. E mais que obviamente, o ás não era nada bom com doces.

- Você está mexendo demais, Ahomine! – ralhou Taiga, estreitando o olhar para o rival. – Assim vai estragar o recheio!

O moreno deu de ombros.

- Você não sabe explicar nada direito, Bakagami! Se eu mexer mais rápido, o caldo vai engrossar mais rápido.

Uma veia saltou na testa de Taiga enquanto encarava o outro, Kuroko apenas escondia o rosto com a mão ao prever a tragédia que aquilo daria se os dois resolvessem brigar. E no meio da discussão sobre como cozer os demais ingredientes, o celular do homem fantasma tocou. Tetsuya fez uma careta quando viu a chamada.

- Moshi, moshi? – atendeu a contragosto, enquanto ouvia o ser do outro lado da linha com sua voz eufórica e estridente. – Estou na casa do Kagami-kun, com o Aomine-kun. – respondeu, e foi bombardeado por perguntas. – O quê? Não é nada demais--... Não, não venha até aqui. Não--!

A chamada foi finalizada sem que ele pudesse fazer nada para impedir. Uma gota escorria pela lateral do rosto impassível de Kuroko e isso chamou a atenção dos dois que pararam de discutir para saber o que tinha acontecido.

- Quem era, Tetsu? – indagou Daiki, que mexia a calda de cereja cuidadosa e distraidamente.

- Era o Kise-kun... – disse, em seguida suspirou. – E ele está vindo para cá.

- O quê?! – berrou Kagami, rolando os olhos. – Aquele idiota só vai nos atrapalhar!

- Eu não quero ser visto aqui, caralho. Esse Kise vai ficar enchendo o saco, puta merda.

- Se você não queria minha ajuda, então por que veio? – questionou.

- Cala a boca, Kagami e termina essa merda. – resmungou Aomine.

- Não sou eu que estou desesperado para fazer um chocolate de White Day pra dar pra uma menina--... – o ruivo fez uma pausa. – Espera, você não disse para quem é o chocolate.

Kuroko estava prestes a intervir na discussão dos dois, e de repente se viu interessado na resposta de Daiki. Os dois fitavam o moreno esperando que ele falasse algo, mas ele permaneceu calado enquanto derretia o chocolate na panela. O silêncio reinou ali por alguns instantes, até Kagami quebrá-lo.

- Pra quem é o chocolate, babaca? – perguntou, encarando-o mais uma vez.

- Não é da conta de vocês. – murmurou.

Novamente o silêncio. Kagami e Kuroko se entreolhavam, desconfiados de quem poderia ser a pessoa. Aliás, Kuroko já sabia de quem se tratava, Taiga que era muito estúpido para perceber que a única pessoa capaz de fazer o selvagem Aomine Daiki engolir seu orgulho para fazer algo por ela, era Momoi Satsuki. Longos minutos se passaram enquanto eles preparavam a guloseima, e o ruivo sondava o ás de Touou sempre que tinha chance, estava mesmo curioso a respeito da garota por quem seu rival se esforçava ao ponto de queimar os dedos no preparo do doce. Mesmo o moreno não revelando nada, Taiga sabia que era uma pessoal especial.

E então, o interfone tocou.

Taiga nem precisou atender, ao olhar pela tela viu o loiro afetado de Kaijo e junto dele estava Midorima Shintarou, que pela expressão que esboçava, fora forçado a vir com Kise Ryouta. Assim que abriu a porta, o loiro nem esperou ser convidado para entrar; retirou os sapatos e adentrou o recinto, e seus olhos percorriam o local onde um de seus rivais vivia.

- Kagamicchi, Kurokocchi e Aominecchi! – saudou os três, recebendo respostas desanimadas deles. – O que vocês estão fazendo? – fez menção de avançar para a cozinha, mas recuou até a porta e puxou o ás de Shutoku. – Adivinha quem encontrei no caminho? Sim, o Midorimacchi! Vamos, entre!

Shintarou retirou o tênis na porta antes de entrar. Carregava consigo uma pelúcia que dispensava perguntas, provavelmente era o seu item de sorte para o dia.

- Desculpe a intromissão. – curvou-se brevemente. – Kise simplesmente me arrastou até aqui, nanodayo.

Kise fez beicinho.

- Todos parecem estar se divertindo aqui, e você nem estava fazendo nada!

Midorima ajeitou os óculos no topo do nariz e engoliu em seco, estava indo se encontrar com Takao e a pelúcia era um presente para o amigo.

- Eu tinha um compromisso importante! – afirmou.

De repente, as feições de Ryouta ficaram maliciosas.

- Então você estava indo para um encontro, Midorimacchi? – sugeriu, com um sorrisinho perverso.

Kagami e Aomine pararam com o que estavam fazendo, Kuroko já observava a conversa desde o princípio. O lançador era o centro das atenções dentro daquela casa e as bochechas enrubescidas evidenciaram seu desconforto em ter suas intenções expostas de tal maneira.

- I-isso não te interessa, nanodayo. – retrucou, constrangido.

O copiador de Kaijo deixou uma risada gutural escapar.

- Não tem nada do que se envergonhar, Midorimacchi. Eu mesmo tenho encontro com três garotas hoje!

- Você é um idiota, Kise. – disse, por fim.

- Mas isso não vem ao caso. – voltou sua atenção para o que acontecia na cozinha. – O que diabos vocês dois estão fazendo?

Daiki e Taiga foram questionados por um Kise de cenho franzido e braços cruzados.

- Não me diga que é um chocolate para o White Day? – Kise nem esperou alguém responder. Ao ver as cerejas que iam no cheesecake, tudo ficou nítido para o loiro. – Você vai dar pra Momocchi, Aominecchi!

Agora a atenção foi focada em Ryouta, e alternada para o moreno que parecia estar petrificado.

- Se está fazendo algo para dar no White Day, quer dizer que ela te deu algo no Valentine’s Day!

O loiro continuou, euforicamente.

- Ahhh, então era para a Momoi. – a voz de Kagami sobressaiu, após finalmente descobrir.

- Vocês estão namorando?! – indagou, mas como sempre, não deixava ninguém falar. – Aposto que vocês estão namorando! Vou ligar agora pra Momocchi para confirmar--...

Antes que Kise levasse aquela situação adiante, antes que o Daiki o cobrisse de porrada, Midorima interviu. Tomou o celular das mãos do loiro e o fechou. Agarrou o outro pelo pulso e puxou em direção a porta, Kise se debatia com os olhos marejados. Era uma cena bem cômica.

- Mais uma vez, desculpe a intromissão. – falou Shintarou. – E Aomine... Cuide bem da Momoi, nanodayo.

- Não preciso que você me diga o que tenho que fazer. – retorquiu o moreno.

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Midorima. Tem coisas que nunca mudam, afinal.

- Eu quero ficar! Me solta, Midorimacchi! – choramingou Ryouta.

- Você já atrapalhou demais, vamos. – O esverdeado ainda o puxava, enquanto colocava os sapatos.

– Tchau Kurokocchi, Kagamicchi, Aominecchi!

- Vai embora logo, Kise! – berrou Kagami, mal-humorado.

- Até logo, Kise-kun. – a voz calma de Kuroko se fez presente.

Daiki ficou em silêncio, colocando a massa do cheesecake para assar. O ruivo se viu exausto e já tinha passado do horário do almoço. Taiga aproveitou a presença dos dois que estavam ali para fazer uma refeição entre amigos – se é que podia chamar a pantera de Touou assim. Preparou sua especialidade: curry, enquanto ajudava o moreno nos toques finais da sobremesa preparada para presentear a garota analítica de olhos e cabelos rosados.

Após ser obrigado a almoçar com o seu rival – quase houve uma guerra de comida entre ele e o Ás de Seirin –, Daiki se despediu de Kuroko e Kagami, engolindo o orgulho para agradecê-los pela ajuda. O ruivo apenas deixava o sorriso altivo e convencido esboçar em seus lábios por ser superior que o outro em alguma coisa ao menos – embora se julgasse melhor que o ala-pivô no basquete. Kuroko desejava votos de boa sorte. Tudo o que ele precisava fazer agora era entregar aquele maldito doce para sua namorada.

A primeira coisa que fez quando chegou ao bairro onde eles viviam, foi direcionar os passos até a casa dela. Eles eram vizinhos e seus pais – assim como eles – eram amigos de longa data e por isso, dispensava formalidades ao adentrar a casa alheia sem aviso prévio. Cumprimentou o pai de Satsuki que estava na sala, cuja atenção estava focada num programa que passava na televisão. A mãe dela estava na cozinha e o recepcionara com um sorriso e já lhe dava a localização exata de sua namorada: a gerente estava em seu quarto.

Subiu o pequeno lance de escadas que dava acesso ao piso superior, onde ficavam os quartos. O da rosada era o primeiro do lado esquerdo e sem cerimônia alguma, abriu a porta de rompante, se deparando com a garota enrolada na toalha e com o corpo salpicado pelas gotas remanescentes do banho no chuveiro. Um grito, um urso de pelúcia jogado contra seu rosto e a porta fechada com violência.

Aomine suspirou profundamente, e deu leves batidinhas na porta.

- Qual é, Satsuki. – ergueu a voz para que ela o ouvisse do outro lado. – Não é como se fosse a primeira vez que eu te vi seminua.

- Pervertido! – ela gritou de dentro do quarto, terminando de se trocar.

- Abre logo essa porta, trouxe algo pra você. – entoou, atiçando a curiosidade da namorada.

Mesmo sem vê-lo, Momoi arqueou a sobrancelha.

- O que é, Dai-chan? – questionou, enquanto ponderava no que poderia ser.

- Se quiser saber o que é, vai ter que abrir a porta. – sorriu, sabia que ela estava tentada. – Você vai gostar.

Satsuki bufou do outro lado, inflou as bochechas e fechou os punhos. Se condenou por ser tão curiosa e não resistir queria saber de algo. Seria um presente? Daiki não fazia o tipo romântico, ele fazia tudo a sua maneira mesmo que isso a frustrasse um pouco. Foi quando seus orbes róseos viram o calendário pendurado próximo a escrivaninha. Era o White Day, e ele queria lhe fazer uma surpresa enquanto ela o expulsava. Se sentiu culpada, mas a culpa era dele por ir entrando sem bater. Sendo consumida pela curiosidade e pelas expectativas, ela finalmente abriu a porta.

- Entra. – tentou disfarçar a aprensão com feições amarradas.

- Até que enfim. – resmungou, enquanto passava pela porta que foi fechada atrás de si.

Trazia em mãos uma bolsa térmica, que deixou em cima do kotatsu que estava no centro do quarto. Se acomodou ali sobre o tapete, abrindo a bolsa e retirando dela uma travessa que depositou sobre a pequena mesa. Retirou também os pratinhos e talheres descartáveis que comprou apenas para aquela ocasião. Momoi encarava a cena um tanto confusa.

- O que é isso? – perguntou, mesmo sabendo o que era.

- É um cheesecake de cerejas. – proferiu, apontando o óbvio. – Eu fiz pra você.

A última sentença vinda dos lábios rasos do namorado fez o coração da gerente falhar uma batida.

Aquela era a razão pela qual ele tinha sumido o dia todo. Esteve se esforçando para presenteá-la naquela data especial com uma de suas guloseimas preferidas. Estava tão emocionada que nem sabia o que dizer, apenas o fitou apaixonadamente, com os olhos rosados brilhando de felicidade.

- Vai ficar com essa cara estúpida aí, ou vai comer? – estreitou o olhar, encarando-a.

- Hmpf, idiota! – respondeu a altura, se sentando próximo a ele no kotatsu. – E eu achando que você estava sendo romântico, você é apenas o Ahomine de sempre!

- Cala a boca e come isso logo.

- Eu vou comer, seu chato!

E com auxílio dos talheres, cortou uma fatia do cheesecake e colocou em seu prato. Levou um pequeno pedaço até a boca e provou; os olhos arregalaram em surpresa, estava realmente gostoso.

- Isso tá uma delícia! – exclamou, dando mais uma garfada na sobremesa. – Muito bom mesmo!

Um sorriso de satisfação enfim surgiu nos lábios do moreno.

- Happy White Day, Bakatsuki. – falou em ingles com seu sotaque horrível.

E antes que ela pudesse protestar por chamá-la por aquele apelido infantil, Daiki aproximou seus lábios dos dela e a silenciou com um beijo suave, onde saboreava da guloseima naquela boca que se encaixava tão perfeitamente a sua. A língua se intrometeu entremeio os lábios alheios e ele desfrutou daquele sabor que o deixava cada vez mais viciado: o gosto incomparável dos lábios carnudos da sua Satsuki.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Tive que fazer separado de Still Into You por motivos de sim, e também para floodar o fandom com o meu OTP. *vomita arco-íris* Deixe um review, sim? Sempre me incentiva muito a continuar escrevendo, ainda mais quando se trata do meu OTP supremo. Beijos apimentados e até a próxima! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!