White Christmas - Especial Soho Dolls
4 Parte Final - Surpresa
Notas iniciais
O vento gritava do lado de fora, balançando as árvores violentamente. Parecia estar fazendo ainda mais frio que o esperado e as notícias diziam que a possibilidade da manhã de natal amanhecer com neve era altíssimas. Tinha tudo para ser o natal perfeito, repleto de alegria, amor e união... Senão fosse por Annabelle e o meu descontrole. Os galhos das árvores sacudiam com força criando um cenário de filme de terror em meu quintal largo e escuro, mas eu estava tão familiarizada com a visão que tinha de meu jardim de inverno que sequer me importei. Ou será que tudo aquilo fora causado por meu estado de humor? Definitivamente eu não deveria estar daquela forma, aquela era minha época favorita do ano e eu não podia me abalar por Annabelle.
Com um suspiro fundo eu balanço minha cabeça tentando afastar meu estado de humor fúnebre e então volto a encarar o céu escuro em minha frente. O silêncio acolhedor havia se formado em minha casa, aos poucos meus convidados iam embora e eu tentava apagar de minha mente o incidente daquela noite. Assim que Lauren dormiu, nem Stefan, nem Pearl e nem Annabelle estava por ali e não sabia se sentia culpa ou alívio por não ter que encara-los logo em seguida. Eu não deveria ter perdido a cabeça daquele jeito mas nada justificava a forma com que Annabelle se referiu aos meus filhos, claro que nada justificava a violência com que tratei do assunto mas ainda que culpada, não podia evitar o sentimento de vitória que me ocupava. Infelizmente aquilo já havia se tornado passado e não teria como mudar os fatos ocorridos. Ela tinha merecido e eu não deveria estar me remoendo daquela forma, mesmo que tivesse consciência do erro de minhas atitudes
Tirando o incidente com Annabelle tudo havia ocorrido bem, todas as pessoas que eu mais amava estavam ali comigo naquela data tornando-a ainda mais especial, a alegria entre nós era evidente nos enchendo de um sentimento de paz acolhedor. Mas por mais que aquela alegria estivesse em meu peito, a saudade a corroía pelas beiradas com as lembranças de meus pais. Eu imaginava como seria nossos fins de anos e datas especiais se eles estivessem presente, se eles se dariam bem com a família de Damon, se meus filhos seriam loucos por eles como eram por Pearl. Era impossível não pensar nos dois nos natais, quando morávamos juntos eles faziam de tudo para que a data fosse especial para mim já que muito raramente algum familiar se juntava a nós e todos os quinze anos que vivemos juntos foram o suficiente para me fazer amar aquela data devido as boas lembranças que tínhamos juntos.
Céus, como eu sentia falta deles...
– Ela dormiu? – a voz, dessa vez serena, de Damon me roubou a atenção me puxando para a realidade e em silêncio eu assenti positivamente — E você, como está?
– Estou bem, estou mais calma... – respondi com um suspiro fundo, encurtando o espaço entre nós para apoiar a testa em seu peito obrigando-o a envolver seus braços ao meu redor – Desculpe-me por ter acabado com a noite de natal, eu sei que prometi que iria acabar tudo bem mas estraguei tudo...
– Está tudo bem, meu anjo, não se martirize por isso.
– Mas você está chateado comigo, eu sei, foi culpa minha...
– Estou chateado mas não com você – ele se explicou – Pensei que dessa vez Annabelle fosse se redimir e tentar se concertar mas foi engano meu e agora acho que ela irá se afastar de vez...
Aquilo atingiu-me como um soco, indiretamente Damon quis falar que eu havia acabo com todas as possibilidades de sua irmã se aproximar e de fato meu marido estava certo. E isso apenas aumentava meu arrependimento.
– Sinto muito, Damon, deveria ter me controlado.
– Hey, a culpa não foi sua... – ele me consolou, acariciando meus cabelos – Eu amo você, ok? Não vamos mais falar nisso por hoje, não vamos estragar a nossa noite juntos por isso – Damon depositou um beijo demorado em meus cabelos antes de continuar — Vou colocar Ian para dormir, ele está exausto...
Assim como meus pais fizeram comigo, eu fazia de tudo para deixar cada natal de meus pequenos especial e a alegria de Ian e a empolgação de Lauren me enchia de satisfação por estar conseguindo. Toda a magia do natal voltara quando meus pequenos nasceram e quando eu e Damon voltamos, as noites que por sete anos foram de pura solidão se transforam em pura alegria novamente.
– Tudo bem... – assenti e antes que ele entrasse pela casa, a figura de meus dois amigos aproximava-se de mim.
– Hey... – Caroline começou, colocando-se ao meu lado para observar a lua junto a mim.
– Vocês já estão indo?
– Sim, viemos nos despedir e ver como você está... – Marquinhos respondeu.
– Eu estou bem, obrigada...
– Está mais calma? – ele perguntou.
– Sim, acho que estou sim... A adrenalina abaixou agora e para ser sincera estou me sentindo culpada e aliviada ao mesmo tempo. Me desculpem por ter acabado com a noite de Natal de vocês e Marquinhos, obrigada por me ajudar ali na cozinha.
– Estragar nossa noite de Natal? – ele perguntou retoricamente com ironia – Você está brincando? O ponto alto da noite foi ver você grudada nos cabelos de Annabelle, sempre sonhei em ver isso. Estou felicíssimo por ter presenciado.
– Marcos... – eu ri balançando a cabeça em repreensão e dando um leve soquinho em seu ombro – Por isso mesmo que eu estou aliviada, acho que Annabelle ficou com metade dos cabelos que tinha.
– Argh eu não acredito que não vi isso, eu teria aplaudido em pé! E ainda ajudado a bater naquela vadia – Caroline amaldiçoou, batendo o pé no chão.
– Eu deveria ter me controlado mas argh não suportei ouvir o que aquela desqualificada falou!
– Lena, foram anos se controlando, você tinha que explodir uma hora ou outra. Tudo bem que eu gostaria que fosse uma hora que eu estivesse por perto mas ainda assim, você precisava ver a cara dela ao ir embora, foi impagável – Caroline continuou — Ela e Pearl ficaram um tempão discutindo na cozinha depois que você entrou com Lauren.
– Argh Pearl... Eu estou morrendo de vergonha da minha sogra, ela não deveria ter visto o que viu, ela não merecia isso – suspirei pesadamente.
– Que isso Leninha, ela sabe a filha que tem e te conhece há anos, sabe que você não é qualquer barraqueira e que suporta Annabelle há muito tempo. – fora a vez de Marquinhos me consolar – Pode ter certeza que não vai demorar muito para ela esquecer isso. Pearl te adora.
– Eu espero... – disse esperançosa, encostando-me ao largo peitoral de Marcos enquanto ele passava os braços ao meu redor e de Caroline que estava aconchegada junto a mim também – É incrível tudo isso, não é?
– O que? O fato de você ter metido a mão na cara de Annabelle? – Marquinhos perguntou com um riso.
– Não, besta! Tudo isso, nós três juntos depois de tanto tempo, nossos filhos brincando juntos, nossa vida de agora... Eu nunca imaginei que pudesse ser tão feliz – expliquei em recordação ao meu momento nostálgico de antes de eles chegarem.
– Vocês não sentem que tudo isso aqui é mentira? – Caroline prosseguiu com meu pensamento – Que de repente nós vamos acordar de um sonho bom e então nos dar de cara com a realidade de novo? O Soho Dolls, Logan, Meredith...
– Sempre – confessei – Ás vezes eu sonho que tudo é mentira e que sou levada de novo para a realidade, então eu acordo assustada e Damon está dormindo tranquilamente ao meu lado. É a melhor sensação do mundo.
– E é ainda melhor com vocês aqui – minha amiga adicionou.
– Vocês são duas vadias que me fazem chorar e eu ainda sou louco por vocês! – Marquinhos nos apertou com mais força contra si, com aquela voz chorosa que bem conhecíamos e em resposta eu e Caroline nos abraçamos mais forte a ele.
– Eu amo vocês! – eu disse.
Os minutos passavam e o silêncio acolhedor que existia apenas entre nós três tomou conta do pequeno cômodo. Aquela paz conhecida me atingiu em cheio trazendo consigo aquela sensação de “estar em casa”, de conforto. Aqueles dois eram meus portos seguro e eu devia minha vida a eles.
– Eu preciso ir, Mariah já está dormindo e Mike já não deve ter mais braços para segurá-la – Marquinhos se manifestou com um ar de pêsames.
– Eu vou junto, Camila está dormindo também e Claire está exausta – Caroline anunciou, afastando-se de nosso abraço para me encarar carinhosamente – Tchau Lena, obrigada pela noite...
– Obrigada por terem vindo, apesar de tudo foi muito mais fácil com vocês aqui.
– Magine gata, nós estamos aqui para isso – Marquinhos respondeu depositando um beijo em minha têmpora.
– Feliz natal, Lena, se precisar nos ligue, certo? – minha amiga disse antes de me abraçar a última vez.
– Obrigada gente, feliz natal!
...
– Hey, passei para ver se está tudo bem por aqui... – eu disse, passando nas pontas dos pés em frente ao quarto de Emily que voltava da cozinha com uma garrafinha com água em mãos.
– Está sim, Jesse já está capotado há um tempão e eu acabei de sair do banho.
– Certo, se precisar de alguma coisa me chame...
– Bem capaz que eu vou entrar no quarto de vocês, além de a porta viver trancada eu não quero mais um trauma na minha vida.
– Bobinha, não iremos fazer nada – eu disse a reprimindo com o olhar – Seu pai deve estar como Jesse, no décimo nono sono.
– Duvido muito! Mas em todo o caso pode deixar que eu olho os pequenos, fique tranquila e aproveite com meu pai – Emily disse com certo desgosto mas com convicção.
– Obrigada Emms!
– Combinado é combinado... – ela deu de ombros – E obrigada por ter convencido o meu pai a deixar Jesse dormir aqui.
Claro que com muitíssimo esforço eu consegui convencer Damon de que não havia problema Jesse passar a noite em nossa casa e apenas com a desculpa de que Emily olharia Lauren e Ian para nós ficarmos juntos meu marido cedeu contragosto.
– Oh sim agora entendi porque você quer que eu aproveite com seu pai. Sua pequena safada!
– Nada a ver, Elena! – Emily se defendeu, corando vividamente. Ela era uma delicadeza só quando o assunto era sexo – Mas se isso for mantê-lo longe daqui e for evitar que ele cruze o corredor a madrugada inteira eu vou ficar muito feliz.
– Tudo de caso pensado não é mesmo? Juízo vocês dois!
– Pode deixar, Jesse só acordara amanhã – ela explicou rolando os olhos.
– Aliás. Me desculpe pela confusão de hoje, não queria que as coisas tivessem acabado assim...
– Elena, não se culpe por isso, eu estou de prova o quanto minha tia infernizou sua vida nos últimos anos e nada mais justo o que você fez. Vovó me contou também o que ela lhe falou e isso justifica sua atitude, se eu não suporto que falem de meus irmãos imagine você que é mãe – ela me consolou, agarrando minha mão.
– Eu acho que me sinto mais culpada por estar me sentindo aliviada do que por ter propriamente a agredido. Ainda assim ela é sua tia, Emms, e eu acho que estraguei as possibilidades de ela se reaproximar novamente.
– E eu não acho isso, minha avó é bem consciente das atitudes da tia Anna principalmente depois do que tudo aconteceu com aquele tal de Bart e tenho certeza de que ela e o tio Stefan irão ter uma conversa séria com ela.
– Seu pai parece chateado comigo...
– Meu pai chateado com você? Oh céus, o mundo realmente vai acabar. Elena, você acha mesmo que isso vai acontecer? Damon Salvatore não consegue ficar chateado com você por mais de cinco minutos, você o amolece por inteiro e tenho certeza de que se esse for o caso vocês irão se entender! – Emms disse com calma, ainda agarrada a minha mão.
– Oh céus como e quando você ficou tão grande e madura dessa forma? Obrigada querida!
– Não precisa agradecer, você faz demais por mim e meu pai e eu devo retribuir! – ela deu de ombros, corando levemente – Agora vá aproveitar antes que meu pai durma mesmo!
– Certo, você tem razão... Boa noite Emms, juízo! – eu disse com um tom carinhoso e antes que eu pudesse me afastar, Emily me envolveu com seus braços em um aperto firme.
– Pode deixar, mãe, boa noite! – ela disse daquela forma que enchia meus olhos de lágrimas.
Eu adorava aquela garota mais do que um dia pudesse imaginar que fosse ser possível.
Assim que me despedi de Emily, segui ao quarto de meus pequenos para checa-los e então fui em passos largos ao meu quarto e de Damon. Enquanto ele arrumava e colocava Ian para dormir e após Caroline e Marcos irem embora, eu tomei um banho rápido colocando uma camisola fina branca de seda e apenas uma calcinha pequena da mesma cor e providenciei o presente que havia preparado a ele. Entrei em silêncio pelo quarto, trancando a porta atrás de mim e me livrei de meu roupão macio de microfibra antes de aparecer em seu campo de visão.
– Hey... – forcei um sorriso enquanto me aproximava dele – Pensei que já estivesse dormindo...
– Não, estou esperando você... – ele respondeu sutilmente, sentando-se na cama a medida em que eu me aproximava. Ele tinha aquele tom de voz que afirmava ter algum assunto pendente entre nós.
– Sinto muito Damon, de verdade, eu sei que prometi que tudo acabaria bem e não queria que as coisas tivessem acontecido dessa forma. Você tem toda a razão em estar triste comigo mas eu não quero brigar, pelo menos não hoje e não por isso...
– Ei, ninguém aqui vai brigar com ninguém, meu anjo, eu sei o que aconteceu e não estou nem um pouco triste, pelo menos não com você. Annabelle teve o que mereceu, que Deus me perdoe falar isso de minha irmã, mas é claro que você não iria se controlar diante daquela situação, especialmente falando de nossos filhos. Para ser bem sincero eu estou mais chateado com o fato de você ter levado Emily a um sex shop do que por ter batido em minha irmã... – a voz de Damon era tranquila e seu olhar compreensivo examinava meu rosto com atenção enquanto falava e ouvir seu riso baixinho ao falar da filha me fizera relaxar em sua frente.
– Eu imagino mesmo e me desculpe por isso também mas, como disse, ela quem quis e não parou de insistir antes que eu cedesse. Você sabe como é Emily quando coloca algo na cabeça e não era para você saber disso de jeito nenhum...
– Vocês são duas pilantras, e ainda queriam esconder isso de mim!
– É claro que sim, era capaz de você ter uma síncope se nós contássemos...
– E por muito pouco eu não tive, sinceramente não consigo conviver com a imagem da minha filha no meio de todos aqueles brinquedinhos eróticos – sua face contorceu-se em uma careta de desgosto e aflição ao mesmo tempo que me fizera sorrir com a pai protetor que ele era. Damon era apenas um pai preocupado e babão e mesmo que fosse um tanto irritante e careta as vezes não deixava de me encantar com o amor que tinha por Emily.
– Então não imagine, amor, é melhor para você, para Emily e pode ter certeza que é melhor para mim também – minhas mãos acariciavam seus cabelos lentamente, arrastando as pontas das unhas pelo seu coro cabeludo da forma que sabia que ele gostava enquanto falava bem próximo a ele – Agora será que podemos mudar de assunto e esquecer todos os incômodos dessa noite? Eu quero você para mim...
– É impossível negar isso quando você me pede nesse tom de voz e fazendo esse carinho, parece o diabo tentando me seduzir Elena – ele grunhiu de olhos fechados, pendendo a cabeça para trás como um gatinho manhoso ao receber carinho atrás da orelha.
– Onde foi para o “meu anjo” hein?
– Não há nada angelical em você usando apenas uma camisola transparente e sussurrando com voz de tesão perto de mim, Elena! – Damon acusou-me erguendo rapidamente a cabeça e semicerrou os olhos, arrancando de mim uma gargalhada alta – Que eu me lembre você tem algo a me dar, filha de Lúcifer!
– Você é terrível, pensei que tivesse esquecido disso!
– É claro que não, você me deixou curioso até parece que não me conhece...
– Certo... – eu ri baixinho balançando a cabeça e sentindo os primeiros indícios de nervosismo me invadir – Não é nada tão valioso ou extremamente significativo como o colar mas ainda assim... – com um suspiro fundo, eu entreguei a ele as folhas impressas em uma pasta de arquivos que fazia parecer mesmo com um livro e assim que ele pegou em mãos me encarou com certa dúvida.
– Você escreveu um livro?
– Não é bem um livro, enfim, eu tentei... – encolhi os ombros sentindo meu rosto esquentar – É claro que está muito longe de ser um livro mas foi uma forma que eu encontrei de desabafar, de tentar dividir com alguém, mesmo que seja o computador, tudo o que estava em minha mente por anos... – enquanto eu falava, Damon foleava vagarosamente e hora ou outra passava os olhos pelas linhas escritas, com um olhar um tanto incrédulo.
– Espere, você escreveu um livro sobre sua vida?
– Sim e principalmente sobre nós dois – assenti timidamente – Falta muita coisa ainda, isso é apenas um rascunho e algumas partes eu sequer imprimi mas tudo o que eu queria lhe mostrar está aí... Era isso que eu estava fazendo esse tempo todo, claro que nada justifica a distância que se formou entre nós nesse período mas eu queria algo que o fizesse lembrar do quanto eu sou louca por você quando brigássemos e do quanto significa para mim. Você está sempre me dando provas incríveis de amor, presentes especiais e me deu os dois maiores presentes da minha vida e eu queria demais retribuir...
Damon estava em silêncio, apenas ouvindo o que eu falava e lendo as primeiras linhas de meu trabalho e toda aquela espera me deixava ainda mais agoniada e ansiosa. De repente a minha ideia incrível soava tão ridícula que eu estava prestes a arrancar aquela pasta das mãos dele e me esconder debaixo da cama.
– Damon, fale alguma coisa antes que eu arranque esse negócio de suas mãos e morra de vergonha...
– Calada! Estou lendo meu presente – ele respondeu com um sorriso imenso e os olhos brilhando daquela mesma forma que eu vira no altar em nosso casamento, de quando ele se declarou para mim e quando nossos filhos nasceram. Era aquele brilho que ofuscava qualquer diamante, qualquer brilhante de minhas joias, qualquer lua cheia ou qualquer coisa que pudesse brilhar na face da terra. Era aquele olhar me fazia ainda mais louca por ele.
– Comece por aqui então e leia de voz alta... – com cuidado eu virei a página e apontei ao parágrafo, aproveitando da deixa para me sentar em seu colo de modo que ele ficasse entre minhas pernas. Damon pigarreou e então põe-se a ler.
“A boate estava lotada como qualquer outra sexta-feira, havia homens de todas as maneiras ali, desde os mais bem vestidos com terno e gravata até caras com roupas mais despojadas, adolescentes com camisas de bandas e alguns mais velhos que admiravam de longe. Era apenas o início da noite e o pole dance era a minha companhia do momento. A música começou alta e meu corpo seguia o ritmo enquanto os olhos curiosos seguiam o meu corpo. Assovios, aplausos, gritos, elogios e mais diversas reações me atingiam, porém, nada chamava ou desviava minha atenção da dança... Nada além de um par de olhos azuis curiosos e um homem cuja presença era impossível de não notar...”
– Era eu, meu anjo? – com o término do parágrafo, Damon me encarou curioso sorrindo de forma divertida.
– Você não se lembra mais daquela noite? Estou ofendida!
– É claro que eu me lembro, estou apenas provocando! – ele respondeu com um riso alto para só então continuar a ler – Matt também tem olhos azuis, afinal.
– Certamente estaria lhe mostrando minha história com Matt, aguarde nas próximas páginas quando ele praticamente me agride ao descobrir que estou grávida... Pare de besteiras, amor, é claro que era você!
“Ele era deslumbrante... Aliás, deslumbrante não fazia jus ao que ele era mas minha mente afetada pela sua beleza e cabelos negros só conseguia pensar naquilo – e em seu dinheiro, é claro –, naquele momento. Seus olhos pareciam me devorar, e chegava a ser palpável o tesão e desejo que exalava de seu olhar. Eu reconhecia de longe um homem com desejo e aquele moreno não me deixava dúvidas daquilo. Enquanto em mim ele via um pedaço de carne, um corpo quente para aliviar o tesão, ao seu redor formavam-se pequenos e brilhantes cifrões.”
Assim como havia feito antes, Damon encarou-me mas dessa vez inconformado.
– Então foi isso que você pensou de mim? Que eu era uma carteira cheia de dinheiro?
– É claro que foi, você exalava riqueza Damon e eu queria o seu dinheiro mais que o seu corpo gostoso... – expliquei com descaso – O sexo maravilhoso foi um bônus!
– Sinceramente eu estou embasbacado, sua pequena interesseira! Você estava quente e molhada demais para ter fingido orgasmo, não venha me dizer que eu era apenas dinheiro!
– Continue a ler, Doutor, as coisas vão melhorar – revirei os olhos rindo da indignação de Damon enquanto acariciava seus cabelos tentando reconforta-lo – Leia aqui agora...
“As coisas aconteceram naturalmente entre nós, como um casal fazendo sexo casual, ele era calmo mas ao mesmo tempo tinha uma presença marcante e um toque firme, daqueles que faria qualquer mulher enlouquecer. Sua necessidade e entrega era um sinal claro de que há tempos aquele homem não transava e de certa forma isso facilitava um tanto o meu trabalho, eu só precisava me concentrar em lhe dar prazer que os cifrões que brilhavam ao seu redor entrariam em meu bolso. Mas as coisas aconteceram de uma forma inesperada e a intimidade que nos envolvera me fizera tremer, arrepiar, praticamente alucinar contra ele... Damon, como ele se chamava, era um pacote completo; lindo, muito bem dotado – em todos os sentidos e principalmente nas partes baixas –, e ainda mostrava ser bom de cama e fora inevitável tremer com o orgasmo que chegou quando ele começou tudo de novo ao perceber que eu não havia chego lá. E isso significara mais do que deveria para mim. Nenhum homem havia se importado e por algum motivo desconhecido ele fora o primeiro.”
– É sério que você achou que eu fosse lhe deixar na mão, meu anjo?
– Era o que normalmente todos faziam... – expliquei encolhendo os ombros mais uma vez – Você faz ideia o estrago que aquele simples orgasmo causou na minha mente, Doutor? Eu não conseguia parar de pensar em você...
– Então esse sentimento foi reciproco porque a “Nina” não saia um segundo dos meus pensamentos. Você era minha droga Elena, proibida, viciante... – Damon respondeu com a voz pesada de excitação e cada palavra dita meu corpo estremecia, de desejo, de felicidade. Eu nunca deixava de me sentir daquela forma quando Damon se declarava para mim.
– Leia aqui agora... – querendo apressar um pouco as coisas, eu viro a página e indico onde ele deveria ler.
“Damon Salvatore, esse era o nome dele, um médico viúvo que morava com a filha e que fedia a dinheiro e eu não conseguia controlar o quão envolvida estava por ele. Claro que o dinheiro era apenas um detalhe, um bônus, mas a diferença entre nós dois era gritante por isso; ele morava em uma cobertura no coração de Manhattan, era um médico muitíssimo bem conceituado com um passado, um presente e certamente um futuro brilhante enquanto eu era apenas uma prostituta que morava em um casebre nos fundos da boate em que trabalhava, que apanhava do chefe e não tinha nenhuma garantia de que teria um futuro. Absolutamente tudo conspirava contra nós; nosso temperamento, sua família, nossa diferença social gritante, mas era impossível controlar a atração e o sentimento desconhecido que se formava em meu peito.
Damon era de longe o homem mais especial que eu havia conhecido apesar de extremamente complicado, era como se nele tivesse algum mistério, algo que eu não conseguia explicar, uma força que me atraia cada vez mais. Em volta de seu pescoço havia um grande aviso de perigo, uma placa com letras neon sobre o perigo eminente que aquele homem era, mas em meu ouvido uma doce voz ordenava que eu me aproximasse. E foi isso que eu fiz. A cada noite juntos, a cada beijo, a cada toque aquele aviso de perigo brilhava mais forte mas em minha mente eu tinha claro o quanto não me importava com aquilo. E quando percebi estava envolvida demais a ele.”
– Não pare ai, não precisamos discutir essa parte... Vamos para o que interessa – suspirei fundo, balançando a cabeça como se apagasse aquelas memórias dolorosas daquela época de minha mente. Mesmo que fosse impossível de se esquecer, principalmente agora que tudo estava registrado em uma folha de papel, lembrar-me de tudo aquilo não fazia bem ao meu psicológico.
– Certo... – ele assentiu suspirando como eu, como se sentisse minha dor.
“E não tinha mais como negar e esconder; eu estava irrevogavelmente apaixonada por Damon. Cada poro, cada célula, cada centímetro de meu corpo o amava e o necessitava. Cada pensamento, cada suspiro, cada batimento descompensado de meu coração era por ele. Damon era a brecha de luz na minha escuridão, aquela luz de esperança no fim do túnel. Eu nunca fora de acreditar em conto de fadas, em idealizações amorosas, afinal, minha vida era uma decepção total mas de repente, tudo fazia mais sentido para mim, tudo era mais colorido e Damon conseguia fazer eu me sentir mais viva, como se meu coração adormecido tivesse voltado a bater. Durante anos eu sonhara com o homem que roubaria meu coração e me deixaria sem fôlego, aquele a quem eu me entregaria de corpo e alma e o moreno dos olhos azuis fizera isso com uma facilidade absurda, tomou conta de meu ser em um piscar de olhos e ocupou meu coração sem pedir licença.
Era impossível não ter me apaixonado por ele mas infelizmente o caminho para o seu coração parecia ser inalcançável. Para ele era apenas sexo, sexo da forma mais carnal e casual que pudesse existir, erámos dois conhecidos que discutíamos frequentemente e no segundo seguinte arrancávamos nossas roupas para transar loucamente mas não passava disso e sinceramente, eu nunca iria reclamar. O sexo era ótimo e se seu corpo fosse a única coisa que pudesse ter dele eu estaria satisfeita, eu poderia ama-lo em segredo. E céus, como o amava... Apenas ouvir sua voz, sentir seu cheiro, sua companhia, ver seus sorrisos eram capazes de me tranquilizar, de me trazer uma paz de espirito que há tempos eu não tinha. ”
Damon fez uma breve pausa, olhando-me com os olhos repletos de pêsames e em resposta eu apenas apontei para que ele prosseguisse, mudando mais uma vez de página e pulando várias de nossas discussões. Principalmente aquela que envolvia Stefan.
“Com a mesma facilidade com que ele me reerguera, ele era capaz de me derrubar. Amá-lo em silêncio era masoquismo e muitas noites meu travesseiro se encharcava com minhas lágrimas derrubadas por ele, ao mesmo tempo em que eu me odiava por ter me entregado de tal forma eu sentia esperanças de que um dia ele fosse me amar de volta. Tola, eu diria, porém, o sentimento de perda que ficaria seria ainda pior que a dor do desamor. A influência dele sobre mim era tanta que quando percebi eu já não morava mais no bordel, a prostituição também ficara para trás e como “bônus” para toda aquela mudança a notícia mais feliz – e inesperada –, batera a minha porta; eu estava grávida de Damon.
Uma vida, um pedacinho do homem que eu amava crescia dento de mim e ainda que o medo de uma segunda rejeição me assombrasse, eu não conseguia conter a felicidade de estar grávida. Em minha mente a imagem de um pequeno garotinho dos olhos azuis me perseguia, ele era a cópia fiel do pai e encheria minha vida de alegrias assim como Damon fizera e eu já o amava com todas as minhas forças.”
Com mais uma breve pausa, Damon mudou de página ignorando os parágrafos e diálogos seguintes até encontrar algo que pulasse toda aquela dor narrada pela minha ilusão com meu segundo filho.
“Tudo estava indo bem, as coisas entre nós pareciam melhorar e eu sentia que estava cada vez mais perto daquele caminho inalcançável que julgava ser o coração de Damon. Nós não discutíamos mais, ele aceitara nosso bebê e até mesmo Emily se esforçava para se dar bem comigo, era tudo um sonho virando realidade e facilmente eu conseguia arquitetar meu futuro com Damon e nosso filho. Estávamos tentando dar certo, como era o combinado. Mas como uma montanha russa, minha vida desmoronou e minhas linhas retas voltaram a se entortar. Ele se afastou, Annabelle descobriu a verdade sobre mim e consequentemente Emily e o meu pior pesadelo aconteceu; eu perdi meu bebê.
Era uma dor horrível, insuportável e mais do que nunca eu precisava do apoio de Damon para superar a perda de nosso filho mas infelizmente sua reação não fora a que eu esperava. Quando julguei que as coisas não pudessem piorar, mais uma vez a vida me mostrou que eu estava completamente errada e com a linda promessa de que tudo daria certo, Damon mais uma vez partiu o meu coração em pedaços tão pequenos que eu acreditava nunca poder juntá-los novamente. De fato ser uma prostituta em uma cidade como Nova Iorque não era fácil principalmente quando uma grande lista de homens de influência havia passado por sua cama.
– Para mim chega Elena, eu não consigo fazer mais isso, é demais para mim, seu passado é um fardo pesado demais para eu conseguir superar feliz e contente, sorrindo e agindo como se estivesse sabendo lidar com o fato de você ter dormido com meia Nova Iorque.
– Damon, eu acabei de perder nosso bebê, não posso te perder também, não agora...
– Elena eu nem sei se esse bebê era mesmo meu, veja a quantidade de homens que você transou depois de mim.”
– Me dói ler isso e pensar que eu demorei tanto a perceber que você sentia algo a mais por mim e que não dei valor aos seus sentimentos... Nunca vou me perdoar por ter sido um canalha, Elena, você não faz ideia o quanto eu sou arrependido por ter lhe feito sofrer daquela forma – ele parou subitamente de ler, largando a pasta para me abraçar com força, como se eu fosse fugir a qualquer momento – Foram os piores meses da minha vida viver sem você, foi uma agonia e uma solidão que eu jamais quero experimentar novamente. Eu pensava que você nunca mais fosse voltar para mim, que aquele realmente tinha sido nosso fim, e só a ideia de viver uma vida sem você me enlouquecia.
– Shhshh passou, meu amor, passou! – eu disse baixinho, beijando cada parte preciosa de seu rosto agarrando-me a ele como se minha vida dependesse daquilo naquele momento – Eu já perdoei você, isso são apenas lembranças e episódios ruins que fazem o que nós somos hoje, fortes e unidos. Agora eu olho para trás e vejo que todo o sofrimento valeu a pena e eu faria tudo igual para ter a vida que tenho hoje ao seu lado.
– Mas ainda assim eu não consigo me perdoar, as coisas poderiam ter sido mais fáceis entre nós e tudo isso por minha culpa... – Damon segurou meu rosto com delicadeza, encostando nossas testas.
– Se as coisas tivessem sido mais fáceis talvez não estivéssemos juntos depois de tanto tempo, eu amo você Damon e não precisa se martirizar pelo o que passou. Eu te perdoei por tudo o que aconteceu – eu beijei demoradamente seus lábios para nos afastar e apanhar a pasta de nosso lado novamente – Agora leia isso aqui...
Eu foleei até encontrar a página certa onde finalmente ficávamos juntos.
“Eu estava decidida, deixaria Nova Iorque e começaria uma nova vida em Londres junto a Matt. Recomeçaria do zero, estava disposta a esquecer todo o sofrimento do passado para ter uma vida nova e mais do que tudo, estava disposta a esquecer ele e nossa história – se é que um dia tivemos uma. Tinha que admitir que tudo aquilo era loucura mas também era a única esperança que eu tinha, minha vida havia se transformado em uma constante tristeza que eu escondia com todas as minhas forças de meus melhores amigos mas não podia esconder de mim a realidade para sempre e a realidade naquele momento me fazia querer nunca mais levantar de minha cama. Nada mais me restava, nem meu bebê e nem o homem que eu amava, o que mais queria naquela cidade que só me traziam lembranças ruins?
Faltava alguns dias para minha partida e eu ainda trabalhava na loja de Jeff para cumprir com os horários e também manter minha mente ocupada já que deixa-la vazia era atração para meus pensamentos ruins. Era o fim de meu expediente e eu não via a hora de chegar em casa, tomar um banho quente e relaxar após um dia cansativo na loja de decoração quando uma mão firme segurou meu braço, impedindo-me que eu seguisse meu caminho.
Era ele, quem eu menos queria ver naquele momento. O homem cujo rosto me perseguia constantemente, dono dos olhos que me faziam um pedido silencioso. Eu não queria vê-lo e muito menos ouvir sua voz, mas sua determinação era maior que minha vontade de dispensa-lo e quando percebi, o homem que eu amava chorava em minha frente implorando para que eu não fosse embora.
– Porque eu te amo, Elena... Eu te amo!
E naquele momento o mundo havia parado para mim. Eram as três palavras que mais desejava ouvir, vindas da voz que eu mais fantasiei. Por alguns segundos eu me perguntei se aquilo não passava de um sonho, de uma pegadinha de meu inconsciente mas o olhar de Damon e o calor de seu corpo tão próximo ao meu mostravam-me que aquilo tudo estava de fato acontecendo.
– Eu te amo do jeito mais sincero e intenso que possa existir, eu te quero da maneira mais egoísta e possessiva que alguém possa querer. Por favor, Elena, me perdoe... Não faça isso comigo, não vá embora, eu não quero te perder, eu não posso te perder! Eu e amo, Elena, eu amo você, eu amo quem é, quem você foi e obviamente amarei ainda mais quem você vai ser, amo o que você faz, a pessoa, o Damon que existe quando estamos juntos. Eu nunca poderia ter mudado se não fosse por ti... É para Londres que você quer ir? Ótimo, então vamos para Londres, para China, Brasil, qualquer lugar que queira mas por favor, não me deixe. Eu te quero comigo todos os dias da minha vida, te quero ao meu lado ao acordarmos, quero ser o pai dos seus filhos, quero colocar uma aliança no seu dedo e poder te chamar de minha, quero ser o motivo de todas suas futuras felicidades e estar presente contigo em todas suas conquistas e fracassos, eu quero ser seu ponto de paz, seu porto seguro e aquela pessoa a quem você recorre quando precisa de apoio... Por favor, Elena, só me diga o que eu preciso fazer para que você mude de ideia... Se quiser eu me ajoelhe aqui aos seus pés, grito para todo mundo ouvir que “você é a mulher que eu amo”, eu faço, eu faço o que quiser, apenas me diga o que fazer para que você fique...
Era, de longe, o dia mais feliz de minha vida. Era uma felicidade sem igual e sem comparação... Era saber que o homem da sua vida te amava também, que o que você sentia era recíproco. Meu corpo tremia levemente e meus pulmões não conseguiam inalar oxigênio o suficiente, em meu peito o coração uma vez despedaçado batia fortemente e as inquietas borboletas voavam em meu estômago como se quisessem fugir dali. Ele me amava. Era isso que importava. O meu homem, o meu Doutor, o meu porto seguro, o meu Damon.
– Apenas me abrace...
A felicidade que eu sentia escorria morna pelos meus olhos assim como sangue que meu coração bombardeava pelas minhas veias, esquentando meu ser novamente. Eu me sentia viva novamente. Toda a determinação de ir embora havia desaparecido e o único lugar onde eu queria estar era nos braços de Damon novamente.
E foi isso que aconteceu. Durante uma noite toda nós nos amamos como há tempos não fazíamos, partilhando daquela intimidade que apenas nós tínhamos e do prazer único que era quando estávamos juntos. Eu me sentia completa novamente, fazendo amor com Damon incansavelmente trocando juras de amor em meio a todo aquele prazer. Era muito mais que uma manhã de natal com neve, mais que passar uma tarde na Disneylândia, era dormir no aconchego, no calor dos braços do homem que eu amava e tinha absoluta certeza de que me amava também.
Eu o amava, da forma mais verdadeira e sincera que pudesse existir. Com toda a minha alma e todo o meu corpo. Sem nenhuma restrição, nenhum receio, nenhum segredo. Ele era o meu desejo mais lascivo e obscuro, o amor mais puro e intenso e a felicidade mais absoluta e reparadora, ele era literalmente meu paraíso e eu nunca seria capaz de resistir a ele. Apenas um beijo, um toque, uma noite fora o suficiente para me prender a ele para sempre e inteiramente. Damon era o melhor dos sonhos, o mais encantados dos príncipes, o amor da minha vida.”
– E ainda é... – assim que ele finalizou a leitura, adiantei-me a dizer e quando meus olhos se cruzaram aos do homem em minha frente, eu tinha certeza de que aquele sentimento era recíproco.
Aquele mesmo brilho que eu tanto amava não deixava os olhos dele e parecia ter se intensificado devido as lágrimas que se acumularam. Seus dedos seguravam com força a pasta enquanto nós nos encarávamos em silêncio, extremamente próximos um do outro e sem desviar nossos olhares, conversando em silêncio com aquela intimidade e cumplicidade que apenas nós tínhamos. Com uma magnitude tão inexplicável que era capaz de ver sua alma. Daquele jeito tão ardente que parecíamos fazer amor por pensamento.
– E então? O que achou? – perguntei quebrando aquele silêncio confortável entre nós.
– Eu simplesmente amei, é perfeito, nunca ninguém tinha feito algo tão especial para mim. Você não faz ideia o quanto significa saber que você dividiu seus pensamentos comigo através disso...
– Eu tenho uma cópia para mim e quero isso aqui seja nossa válvula de escape para toda vez que brigarmos e se algum dia chegarmos a nos separar. Quero que a gente leia isso para nos lembrar o quanto o nosso amor é forte e verdadeiro, por quantas coisas nós já passamos juntos – minhas mãos acariciavam os braços de Damon enquanto falava, pressionando com leveza os seus bíceps – Porque agora você sabe que eu não funciono sem você.
– Você sabe que eu nunca vou lhe deixar, não é mesmo? – ele disse levando as mãos a minha cintura, puxando-me mais para si.
– É sempre bom ouvir... – eu sorri delicadamente, guiando minhas mãos aos seus ombros para enfim chegar a sua nuca e acabar com a distância entre nossos lábios.
– Eu sou louco por você, meu anjo, mais do que você possa imaginar.
Antes que eu percebesse ele já me segurava possessivo contra si, segurando firme minha cintura me beijando intensamente. Seus lábios eram famintos contra os meus, despertando um desejo tão profundo que me fazia estremecer por dentro. Sua língua acariciava-se a minha como dois corpos se amando, lasciva e apaixonadamente, esfregando-se a outra provocando aquela sensação conhecida entre nós. Sensação que apenas ele conseguia me causar. A minha mente estava nublada de desejo e ainda que uma parte de mim me lembrava que eu havia dito algo sobre não transar com Damon naquela noite, o meu corpo já estava pronto para ele.
As mãos de Damon pressionavam minha cintura por cima da camisola, agarrando-se ao meu corpo enquanto sua boca tomava conta da minha. Seus dedos arrastavam o tecido fino que cobria meu corpo, o embolando entre eles da mesma forma que eu fazia em seus cabelos, inclinando seu rosto ao meu favor para intensificar nosso beijo e o contato entre nós. Como se fosse possível. Grunhidos e gemidos de prazer escapavam entre o beijo, juntando-se ao som de nossos corações acelerados e respirações ofegantes na evidência clara de nossa excitação, o calor de nossos corpos misturavam-se nos envolvendo em puro desejo sexual, deixando meus seios pesados sob o tecido de minha camisola.
Pressa parecia ser a última coisa que ele tinha naquele momento, apesar da intensidade do seu beijo Damon estava calmo, provando de meus lábios e saciando daquele contato de nossos corpos que há tempos não tínhamos. Porém, sua tranquilidade era proporcional à minha pressa e eu o queria demais para esperar aquela tortura. Sem esperar até o próximo passo seu, eu abaixo as finas alças de minha camisola deixando o tecido deslizar pelos meus braços até parar em meus seios, presos aos meus mamilos enrijecidos.
– Damon... – um sussurro, um pedido mudo escapou entre meus lábios para que ele me tomasse para si. Eu estava cega de desejo.
– Você está com pressa, meu anjo? – ele perguntou no mesmo tom de voz sussurrado, com um sorriso deslumbrado contornando seus lábios.
– Eu quero você... – respondi acabando de retirar as alças pelos meus braços, me deixando nua da cintura para cima.
– E eu quero amar cada parte de seu corpo...
– Sem torturas, Doutor, eu estou louca para te ter dento de mim!
O sorriso de Damon aumentou ao me ver naquela situação diante de seus olhos e sem mais delongas suas mãos voltaram ao meu corpo, pressionando minha cintura, acariciando minha barriga com os polegares e puxando-me para si na intensidade que eu desejava, com a força que me fizera arrepiar por dentro. Um suspiro fundo de tesão percorreu meu peito antes de Damon atacar novamente minha boca e partir ao meu pescoço, onde seus lábios me beijavam com ardor enquanto suas mãos puxavam levemente meus cabelos da nuca e me prendiam contra si com o outro braço preso à minha cintura. Eu estava imobilizada contra ele, a não ser pelos meus quadris inquietos que remexiam ao encontro do seu, enquanto Damon distribuía beijos pelo meu busto, arrastando seus lábios e sua barba rala para fazer até chegar aos meus seios sensíveis e inchados.
Um gemido sôfrego escapou quando sua língua morna entrou em contato com o meu mamilo túrgido, circulando-o em uma leve provocação que teve uma reação direta com a região entre Minhas pernas. Com a mão que segurava minha cintura, ele cobriu meu seio esquerdo que havia acabado de dar aquele banho de língua, pressionando meu mamilo úmido entre os dedos sem afastar sua boca do outro seio, imitando os movimentos em uma sucção deliciosa e contínua, transformando-os em mínimos botões rígidos.
– Meu Doutor... – gemi em deleite, tombando minha cabeça para trás, arrastando minhas unhas pelos braços de Damon e puxando seus cabelos em um pedido para que ele não parasse.
– Meu anjo! – ele respondeu com meu seio na boca, igualmente afetado, sugando com mais força meu mamilo e roçando seus dentes em minha pele sensível me fazendo gemer alto mais uma vez.
Damon sabia exatamente como me torturar, ele conhecia cada parte de meu corpo, cada tipo de carícia, cada cantinho que me fazia gemer e alucinar e não me poupava de suas provocações. Mas assim como ele, eu tinha PHD em seu corpo, tinha fluência em sua linguagem corporal e assim como ele, não abria mão me minha influência. E tudo isso contribuía para que o nosso sexo ficasse cada vez melhor.
Minhas costas arqueavam em sua direção e eu me erguia a seu favor com cuidado para não dispensar sua carícia ao mesmo tempo em que buscava seu membro entre nossos corpos na brecha que eu havia deixado ao me expor para ele. Sua ereção já estava firme, exatamente como eu imaginava que estivesse, e toma-la em mãos fora o auge para o autocontrole de meu marido que gemeu ruidosamente contra meu seio. Eu o acariciava com vontade, primeiramente sobre o tecido de sua cueca em uma breve provocação que deixava sua respiração ofegante, para em seguida libera-lo de sua box apertada e tomar seu membro que eu tanto queria dentro de mim.
– Elena... – ele grunhiu entredentes, fechando seus olhos com força a medida em que minha mão subia e descia por sua ereção quente.
Eu o comprimia levemente em meus dedos, aumentando gradualmente a velocidade de meus movimentos assistindo suas feições de prazer com um sutil sorriso deliciado. Seu peito subia e descia com sua respiração descompensada e seu lábio inferior era preso pelos seus dentes em uma tentativa falha de abafar seus gemidos. Ele ficava ainda mais lindo vulnerável a mim daquele jeito. Conforme eu o masturbava mais depressa, Damon descontava o que sentia em minhas coxas, apertando-as com força e aproximando-se do local em que se encontravam onde acariciou com o polegar minha intimidade coberta por minha calcinha já úmida de minha excitação.
Com a minha mente focada em lhe dar prazer, eu começo a masturba-lo com mais velocidade acariciando a cabecinha com o polegar e aplicando mais pressão, fazendo o líquido pré-ejaculatório escorrer e facilitar meus movimentos. Os grunhidos abafados pelo lábio mordido viraram suspiros altos que ficavam cada vez mais descompensados com o contato de minha mão, ele estava perdendo a cabeça lentamente.
– Goza para mim, Doutor... – eu pedi manhosamente, sussurrando em seu ouvido e controlando os gemidos pelo que o polegar de Damon pressionando meu clitóris causava.
–Só quando eu estiver dentro de você! – ele respondeu gostosamente excitado e ofegante – Argh Elena você está tão pronta para mim! – Damon soltou um suspiro fundo, pressionando meu clitóris por cima do tecido antes de adentrar pela lateral da calcinha e encontrar meu sexo quente pronto para recebê-lo, espalhando a umidade por todo ele – É um desperdício não provar disso...
Sem que eu esperasse, ele me penetrou com o dedo do meio em uma estocada forte que contorcera meu interior e meus dedos dos pés de prazer, me fazendo gemer mais alto que eu pudesse conter. Vagarosamente Damon moveu seu dedo sem desviar o olhar de meu rosto – assim como eu ele adorava me encarar enquanto me dava prazer –, retirando-o de dentro de mim para voltar ao meu interior com o indicador junto, dando tchau a minha sanidade. Ele acariciava meus tecidos sensíveis com a ponta dos dedos, curvando-os em meu interior a procura de uma região específica em mim que facilmente fora achada e facilmente me fizera cair lânguida de prazer sobre ele. Com maestria meu marido acariciava aquele ponto com os dedos, fazendo meu interior contorcer ao redor deles em desespero, sugando-os famintos como se aquela carícia excitante não fosse suficiente. Eu alucinava de prazer, meu corpo estava tomado daquela sensação luxuriante e deliciosa que me agitava toda por dentro, levando-me ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Minha mente estava em braço e eu só conseguia me concentrar em suas carícias excitantes no meio de minhas pernas.
– Damon, mais, por favor... Me faça gozar...
E com aquele pedido desesperado, Damon começou a acariciar meu clitóris levando-me ao limite do prazer, ao máximo que meu corpo suportava. Meu corpo tremia naquela sensação conhecida de liberdade junto com meus músculos internos, contraindo, torcendo e retorcendo até o clímax devastador chegar me deixando trêmula e ofegante sobre Damon. Meu rosto enterrou-se na curvatura de seu pescoço, sussurrando seu nome com minha voz falha enquanto ele acariciava minhas costas nuas, beijando meu ombro e procurando pelo meu seio com a outra mão.
– Damon, eu quero você... – eu disse baixinho.
Com delicadeza, ele me colocou deitada em nossa cama para terminar de me despir, puxando lentamente minha camisola pelos meus quadris e pernas para em seguida fazer a mesma forma com a minha pequena calcinha. Para minha sorte meu corpo continuava esguio e com tudo em cima mesmo após as duas gestações e eu seria extremamente grata a maravilhosa genética de minha mãe que sempre fora magra – e claro a academia que eu voltei a frequentar junto com Damon. Após me ter completamente nua em nossa cama, meu marido tratou de se livrar de suas roupas, me rendendo a bela visão de seu corpo que também continuava sendo motivo de suspiros, com o peitoral e abdômen fortes formando aquelas entradas em forma de V nos quadris junto com seus braços com músculos bem definidos. E claro, de seu membro ereto que nunca me deixava na mão. Ele era maravilhoso e eu nunca me cansaria de contempla-lo nu daquela forma.
– Eu adoro esse brilho em seus olhos de quando vamos fazer amor... – Damon disse, colocando-se sobre mim e entre minhas pernas e apoiando-se nos braços acima a minha cabeça.
– E eu não me canso de ouvir tudo o que você me fala quando estamos na cama... – eu respondi, envolvendo-o com meus braços e pernas.
– Você é maravilhosa, meu anjo! – ele sussurrou, tomando meus lábios aos seus em um beijo apaixonado.
Fizemos questão de nenhuma pressa ao contrário de nossos beijos anteriores, sua língua acariciava-se a minha sensualmente em um beijo sem pressa demonstrando todo nosso amor e aquele sentimento de cumplicidade que adquirimos com o passar dos anos. Eu sentia o sabor e a textura de seus lábios em minha boca perfeitamente sem toda aquela urgência, era quase uma transa de línguas de tanta intimidade e sensualidade que havia em nosso beijo e isso apenas elevava meus níveis de excitação.
Eu percorria seu corpo com vontade, exploravam suas costas arrastando levemente minhas unhas por ela até chegar aos seus cabelos e me prender a eles, enchendo os espaços entre meus dedos com os seus fios sedosos e suados. Meu pé esquerdo subia por sua panturrilha com uma leve carícia ao mesmo tempo em que o interior de minha coxa fazia o mesmo e me abria para recebê-lo.
– Nosso casamento chegou ao ponto de não sairmos do papai-e-mamãe, Doutor? – perguntei manhosamente, entreabrindo ainda mais minhas pernas para aconchega-lo adequadamente na posição.
– Qual é o problema? É um clássico! – ele respondeu com um riso e enquanto apoiava-se com apenas uma mão pude senti-lo posicionando-se contra meu sexo.
Com a expectativa de recebe-lo, eu agarro com mais força seus cabelos, porém, ao invés de me penetrar como esperava Damon começou a percorrer meu sexo com a cabecinha de seu membro. Pressionando, massageando meu clitóris e provocando minha entrada sedenta para recebe-lo.
– Damon, não... – gemi em uma reluta cheia de tesão devido a maciez de sua virilidade me estimulando daquela forma, me deixando ainda mais excitada e molhada.
Com desespero eu corro minhas mãos a sua bunda onde a pressiono a meu favor e elevo minha perna que o acariciava até sua cintura, empurrando-o junto com minhas mãos. Porém, normalmente Damon era mais forte que eu e quando eu estava presa sob seu corpo enquanto fazíamos amos após um orgasmo intenso ele ficava ainda mais forte, então a única coisa que consegui foi que ele me acariciasse com mais força, aumentando meu prazer e meu desespero para tê-lo dentro de mim junto.
– Você vai acordar todos na casa, meu anjo – ele disse calmamente, cobrindo sua boca a minha para tentar abafar os gemidos que eu sequer percebia que emitia.
– Damon, eu não aguento mais... – pedi baixinho contra seus lábios urgentes – Por favor...
Com um sorriso malicioso nos lábios, Damon continuou a me acariciar para só então voltar a minha entrada, me penetrando lentamente, alargando meu interior para recebe-lo e adorando aquela sensação única de pele contra pele de seu membro me invadindo e me enchendo de alívio. Antes mesmo de começar a se mover e que eu tivesse me acostumado com aquele corpo invasivo, Damon nos mudou de posição, agarrando-se aos meus quadris e pernas e me deixando por cima, montada em seu colo.
– Essa posição está boa para você? – sua respiração ofegante pinicava meu pescoço enquanto ele beijava a curvatura de meu ombro.
– Perfeita! – respondi extasiada, me adequando a posição e ao que queria fazer de modo que meus joelhos ficassem apoiados na cama e minhas mãos segurassem seus ombros.
Com lentidão eu me ergui de seu colo, retirando-o por completo de mim para em seguida voltar a sentar em seu colo com vontade, completando-me de uma vez e comprimindo todo o seu membro em meu interior.
– Céus Elena! – ele gemeu, tomando a cabeça para trás e puxando meus quadris para si – De novo...
Sorrindo maliciosamente a sua reação, eu me apoiei novamente em seus ombros erguendo-me de seu colo, deixando apenas a ponta de seu membro em meu interior e em seguida repeti o movimento de me sentar, não aguentando o prazer de ser invadida por ele daquela forma e gemendo junto a ele. Damon segurou com força minha cintura e em meio a reboladas damos início ao ritmo mais antigo do mundo. Um vai e vem delicioso e insano que nos arrastava ao precipício de prazer desejado. Nós gemíamos seguidamente, baixinho e para nós, contra nossos lábios famintos um pelo o outro abafando as evidencias do prazer insano que dividíamos.
Meus quadris iam de encontro aos dele com intensidade e nossos corpos suados chocavam-se um no outro naquele som conhecido do amor que fazíamos. Era enlouquecedor. Eu tremia por inteiro, perseguindo o ápice daquela relação que estava prestes a chegar, e enquanto um braço estava ao redor de seu pescoço me mantendo perto dele o outro buscava por estabilidade em sua coxa para que pudesse intensificar o ritmo.
– Damon, eu estou quase... – disse contra sua bochecha, selando beijos por sua face que escorria a suor.
– Não, não goza agora... Espera – ele interferiu, segurando com mais força minha cintura de forma que limitava meus movimentos.
– Por favor...
Com a mesma habilidade que fizera anteriormente, Damon voltou a me deitar em nossa cama, me penetrando tão devagar que meus olhos reviraram-se ao voltar a recebe-lo. Apenas seu corpo contra o meu, seu peso sobre mim eu era capaz de gozar, meu ventre já se comprimia com sua presença implorando por alívio. Mas ainda assim ele não parou, ele investia fundo em meio as minhas pernas, minha coxa esquerda envolvendo a sua enquanto a outra estava ao redor de seus quadris em movimento, acertando-me em cheio.
– Não, meu anjo, ainda não... – Damon me reprimiu, de dentes cerrados em uma expressão de puro controle. Ele também estava no ápice.
– Eu não aguento, Damon, me deixe... – gemi em reluta, sentindo as lágrimas invadirem meus olhos a medida que tentava adiar o orgasmo que já chegava – Damon, mais...
Eu queria pedi-lo para ir mais devagar, mas minha mente nublada não me deixava terminar.
– Só mais um pouco, amor... – ele inclinou-se em mim, apoiando sua testa a minha – Eu amo você, meu anjo, amo demais. Amo seu corpo, amo estar dentro de você. Amo passar cada segundo dos meus dias ao seu lado, ver o jeito que cuida de nossos filhos... Céus, Elena, você me enlouquece.
– Damon, por favor! – eu já não conseguia me controlar ou controlar os espasmos de meu corpo, meu interior implorava para que eu relaxasse e eu implorava por aquela sensação deliciosa de êxtase – Por favor!
– Goza, meu anjo, goza para mim – ele sussurrou docemente.
Com um grito de alívio, eu relaxei sob ele, sendo tomada por uma onda tão forte de prazer e satisfação que fizera minha visão embaçar. Cada parte de meu corpo se contorcia, meu interior sugava Damon para dentro de mim com ele liberando seu orgasmo quente em meu interior, meus dedinhos dos pés dobravam-se de prazer assim como minhas pernas ao seu redor. Damon grunhia da mesma forma que eu, rígido e com sua musculatura tensa, perdido no orgasmo que havia chego para ele junto comigo e eu podia ver o suor escorrendo pela sua face com a nosso esforço. Intenso e avassalador, exatamente como precisávamos.
Seu corpo suado caiu lânguido sobre o meu, depositando todo seu peso sobre mim e seu rosto enterrado em meu pescoço causando um delicioso arrepio em meu corpo sensível com sua respiração ofegante. Não sabia exatamente por quanto tempo ficamos daquela forma, curtindo nossos corpos ainda unidos e nossos corações batendo acelerado contra o peito do outro em um momento íntimo e apenas nosso. Eu amava aquele homem com todas as minhas forças, com todo o meu ser, cada parte de mim pertencia a ele.
– Eu amo você, Doutor, você é meu tudo! – respondi igualmente ofegante, acariciando seus cabelos suados.
"You are my everything... You are my baby, baby, baby, baby love"
FIM
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