Whisky to forgive

1 Capítulo I: Whisky to forgive


Notas iniciais
Como eu sou apaixonada por Thalia e Nico, moçada! Espero que gostem! Enjoy!

Thalia Grace

— Outro copo. — pedi impaciente.

Perdi as contas de quantas vezes repeti essa frase durante a noite. Comecei assim que o bar abriu, continuei enquanto as pessoas chegavam e a repeti agora que o estabelecimento estava vazio.

O garçom era meu amigo Dakota. Ele começava a ficar irritado em ter que me servir, mas encheu o meu copo com Whisky outra vez.

— É a trigésima dose que você bebe. — observou — Termina isso logo que eu quero fechar o bar cedo hoje.

Fiz uma careta.

— Não me diga que você também vai nessa porcaria de casamento. — falei sabendo que a resposta era sim.

Entornei minha nova dose de Whisky.

— Eu vou nessa porcaria de casamento. — Dakota admitiu limpando os últimos copos atrás do balcão — E você devia arranjar um jeito mais adulto de enfrentar a situação ao invés de se embebedar, e me deixar fechar a porra do meu bar!

Esse era meu amigo me convidando educadamente a me retirar.

Eu não queria arranjar outra maneira de lidar com aquilo, queria dormir agarrada a uma garrafa de Jack Daniel's, babando álcool. Queria beber e esperar aquela noite terminar para então agir como a adulta que eu não era.

Todos meus amigos iriam aquele casamento, não havia sequer um que não iria como forma de reconhecimento a mim, já que minha única amiga era quem estava se casando. Se casando com o cara que eu namorava meses atrás.

E o que era pior, não era a primeira vez.

— Me vende logo uma garrafa e eu deixo você fechar essa espelunca. — disse apontando paras as garrafas de Jack Daniel's empilhadas na prateleira atrás dele — E me faça um bom preço, eu provavelmente fali aqui esta noite.

Isso era verdade. Havia bebido muito e sem me preocupar com preços, apenas pedi uma dose atrás da outra torcendo para ficar bêbada rápido.

— E você? Não vai ao casamento? — Dakota me perguntou.

Encarei-o atônita.

Era óbvio que eu não iria aquele casamento, ele estava tentando me irritar?

— Não, babaca, é claro que eu não vou. — retruquei ríspida.

Dakota não se intimidou com meu olhar diabólico e as palavras grosseiras.

— Detesto me meter, mas é óbvio que você não está legal com a situação. — ele disse merecendo receber um prêmio por só falar o que era óbvio — Não é o caso de vocês três conversarem antes que fodam com a vida um do outro?

Todos acabaríamos fodidos, só que de maneiras diferentes. Nico foderia Annabeth e ambos foderiam com a minha vida.

Preferi não dizer isso em voz alta.

— Me vende logo essa droga de garrafa. — resmunguei.

Não sabia como Dakota conseguia falar comigo, não naquela situação. Eu estava magoada, irritada, nervosa e um tanto quanto bêbada. Insuportável.

Surpreendentemente ele pegou uma garrafa e colocou sobre o balcão.

— Nós somos amigos há anos. Quantas vezes eu te vendi bebidas ilegalmente quando era menor de idade e quantas vezes te levei para casa porque estava chapada demais para dirigir, Lia? — ele usou meu apelido e sua voz emotiva, estava apelando — Pode ficar com essa de graça se me contar como está se sentindo.

Tentei descobrir como eu estava me sentindo, sem sucesso. Deduzi que era algo entre "péssima" e "no fundo do poço", já que estava bebendo feito uma garotinha.

Pensar nisso me fez lembrar.

— Eu o amo e isso é horrível porque ele é o namorado da minha melhor amiga. — os olhos cinzas dela estavam marejados, enojados e tristes.

A frase foi como um tapa.

Annabeth e Luke eram meus melhores amigos desde o ensino fundamental e eu nunca tinha percebido que ela era apaixonada por ele, nunca havia notado sequer um olhar e agora ela despejava em mim que amava o meu namorado.

Na época eu tentei entender como ela se sentia, como era ter seus dois melhores amigos namorando.

Meu namoro com Luke era algo recente, nós tínhamos acabado de entrar no colegial e era uma relação completamente infantil, eu o curtia, gostava dele, porém não o amava como Annabeth dizia fazer. Então eu terminei tudo, deixei o caminho livre para os dois e um tempo depois Luke deu uma chance à loira.

Droga. Não era sobre isso que Dakota falava.

— Como eu me sinto sabendo que minha melhor amiga e o cara que me fodia até três meses atrás vão se casar? — cuspi a pergunta retórica sem me preocupar com a escolha vulgar das palavras — Annabeth é uma vagabunda.

Sabia que Dakota era amigo de Annabeth também e fiquei com receio dele começar a defendê-la como todos tinham feito, porém ele não pareceu incomodado com a ofensa.

— E Nico? Ele também é um vagabundo? — ele fez uma careta ao dizer a última palavra — Aliás, você precisa melhorar seus xingamentos.

Nico Di Ângelo era um vagabundo no melhor sentido da palavra. Ele era extremamente atraente, ganhava uma pensão do pai que detestava e dirigia um Shelby Mustang GT500 1967 vermelho que sempre tinha embalagens de Mc Lanche Feliz espalhadas pelo carpete.

Lembrar dele era lembrar da gente transando naquela porcaria de carro enquanto ouvíamos Rolling Stones, lembrar dele reclamando do meu All star vermelho encardido e surtando toda vez que eu eu colocava a sola de borracha do tênis sobre o porta luvas.

Não gostava dele, amava ele.

Balancei a cabeça evitando o pensamento e bebi um gole de Whisky direto da garrafa.

— Olha, eu não consigo falar dele, ok? — confessei esfregando as costas da mão no lábio molhado de álcool — Ainda não fiz aquele monólogo de indiferença, tudo que eu disser será passional e não racional.

Dakota me lançou um olhar compreensivo e apertou minha mão.

Geralmente as pessoas não tomavam essa inciativa, porque eu odiava contato físico desnecessário, e se ele o havia feito era porque eu devia estar parecendo acabada ou frágil. E eu detestava me sentir assim.

Me recompus.

— Falei com ele ontem. — Dakota jogou a informação no ar como uma bomba.

Não queria perguntar sobre, não queria saber, mas me vi fazendo a pergunta.

— Falou?

— Falei e ainda assim não consegui entender porque vocês terminaram. Nico sempre foi louco por você. Todo mundo dizia que se ele conseguisse ficar contigo seria a transa da vida dele. Ele conseguiu e agora vai se casar com Annabeth, a garota que não tem nada a ver com ele. — ele suspirou — O que aconteceu?

Ótimo. Agora eu era a transa da vida de alguém.

— O que aconteceu foi que ele transou com a minha melhor amiga. — respondi sem cerimônias, afinal todas as pessoas que eu conhecia sabiam disso — E o pior é que eu não sei de quem é a maior parcela da culpa.

Dakota me olhou confuso e eu não podia culpá-lo, se nem eu mesma conseguia entender o que tinha acontecido, como ele poderia?

Ele arrancou o avental que vestia.

— Desisto de entender vocês. — ele ergueu as mãos em rendição — Eu acho que você deveria pensar se o teu orgulho vale o seu bem estar, porque eu sei, você sabe, todo mundo sabe, você ainda gosta dele. E não estou falando para você surtar e dar uma de louca. — ele pegou o meu celular, que estava atirado no balcão, e me entregou — Só liga.

Encarei o aparelho na minha mão. As laterais estavam desgastadas e o plano de tela era a imagem de uma garota deitada, com o cabelo bagunçado e um cigarro entre os dedos.

Dakota pegou as chaves penduradas em um prego preso à parede e abriu a porta balcão saindo de trás dele.

— Vou para minha casa me trocar. — avisou caminhando na direção da porta e sorriu para mim gritando por cima do ombro — Liga.

Observei ele desaparecer pela porta cometendo a loucura de me deixar sozinha em um bar. Eu poderia acabar com todo o estoque alcoólico dele, mas sabia que ele só tinha feito isso porque queria me deixar sozinha, encarando aquele celular até ir a loucura e ligar.

Maldito.

Peguei o celular e a garrafa de Whisky e caminhei pelo cômodo. O bar estava vazio, Dakota tinha trancado as janelas e apagado as luzes alguns minutos antes. Passei pelas mesas redondas de madeira e sentei no assoalho frio, apoiando as costas e a cabeça em uma parede.

Não falava com Nico e Annabeth desde o dia em que descobri que eles tinham dormido juntos e não queria falar naquele momento, as vésperas do casamento dos dois, seria como um pedido desesperado para ele não se casar e eu sequer sabia se era capaz de perdoar e esquecer tudo aquilo.

Por outro lado, naquela posição meus olhos encaravam meus tênis vermelhos, com a sola de borracha e os cadarços amarelados.

Foda-se.

Liguei o celular e digitei o número telefônico sem pensar outra vez, pois se o fizesse desistiria, e torci para que ele atendesse rápido, antes que eu cancelasse a ligação.

O bip característico de chamada em espera mal chegou a tocar duas vezes, ele estava próximo ao celular.

— Thalia? — ele chamou meu nome demonstrando entusiasmo e incerteza, mas a voz era a mesma, irritante e sensual e me fez respirar com dificuldade — Você está aí?

Eu podia cancelar a ligação, devia, entretanto eu me perdi ouvindo a respiração dele do outro lado e fiquei grata por ouvir sua voz.

— Estou.

Nico suspirou aparentemente aliviado.

— Você não vem, não é? — ele quebrou o silêncio que se seguiu enquanto eu me contentava em saber que ele estava do outro lado.

Era óbvio que eu não iria.

O que eu iria fazer num casamento que, no mínimo, era uma dupla traição e desrespeito comigo? Chorar não fazia meu tipo. Implorar, muito menos. Se eu fosse seria por orgulho e eu já tinha aberto mão dele ao ligar para Nico.

— Recebi o convite horroroso de vocês.

O convite realmente era algo horrível, letras inclinadas, folhas e impressões imitando estampas e rendas. E o pior eram os nomes dos noivos impressos nele.

A risada de Nico preencheu a ligação. Conseguia ver nitidamente o sorriso inclinado dele.

— Recebeu o meu convite. — corrigiu mudando a entonação ao dizer o pronome — Fui eu quem enviei e quem esperou você responder, nem que fosse para me xingar. Você viu a anotação no canto?

Eu tinha queimado o convite, mas me lembrava.

No canto inferior do convite havia uma anotação com caneta esferográfica, destacando-se dos escritos impressos.

— Vi. — confessei sem entusiasmo e repeti o que ele tinha escrito — Pode vir de tênis. As palavras queimaram da mesma maneira quando incinerei o convite com o isqueiro.

Havia rasgado o convite em diversas partes e depois queimei pedaço por pedaço insanamente. Se houvesse um espelho teria certeza que veria as chamas refletidas nos meus olhos.

Esperei que ele desligasse a ligação irritado.

— Meu isqueiro, aposto. — Nico respondeu rindo.

Realmente era o isqueiro dele. Peguei emprestado o isqueiro zippo, com o desenho de uma mulher de costas vestindo roupa intima e espartilho, sem intenção de devolver, porque ele caçoava do fato de eu me virar com uma caixa de fósforos.

— Quer de volta? — indaguei irônica.

— Quero ver você. — ele falou sem cerimônias e ouvi um barulho metálico do outro lado da linha, chaves, talvez — Onde você... Esquece, eu sei onde você está. Não sai daí.

Ergui as sobrancelhas.

— Falta uma hora pro seu casamento. — relembrei.

Ele desligou.

Não me mexi, continuei sentada no chão, com a garrafa de Jack Daniel's quase pela metade e soube que ele tinha chego antes mesmo de abrir a porta, reconheci o ronco do motor do Mustang.

A porta amadeirada do bar abriu e, mesmo sabendo que era ele, levei um susto ao vê-lo.

Nico estava lindo.

Geralmente ele vestia jeans e camisas surradas de bandas, despreocupado com a aparência, porque não precisava disso, ele era bonito. Mas agora, na minha frente, ele vestia um terno elegante, bem cortado e preto. Os únicos detalhes que lembravam seu descaso com a aparência eram os primeiros botões da camisa abertos e a gravata solta ao redor do colarinho. Sexy.

Bem, ele não poderia casar de jeans e all star.

Casar.

A palavra amargou na minha boca ancorando-me de volta a realidade.

— Sabia que você estaria aqui. — os olhos escuros me fitavam enquanto ele caminhava pelo bar e sentava ao meu lado da mesma maneira que eu, com as costas apoiadas contra a parede.

O ombro dele tocou o meu e eu me afastei.

— Você lembra o que me disse aquele noite? — ele perguntou virando o rosto de lado para poder me olhar e fechou os dedos na garrafa de Whisky bebendo um gole sem perguntar se podia.

Era horrível ficar perto dele.

Os olhos dele eram pretos, centrados e me encaravam atentos; os botões abertos da camisa mostravam seu pescoço e o cabelo escuro e liso estava despenteadamente rebelde.

E notando todos os detalhes que me atraíam eu só conseguia imaginar se, caso o tocasse, eu pensaria em Annabeth. Pensaria nele com ela.

Foquei na pergunta que ele havia feito.

— Disse que queria ficar bêbada e te beijar enquanto você dirigia, que queria dançar Depeche Mode de calcinha e camisa com você na sala de estar, me alimentar de fast food e fumar cigarros no chuveiro, mas que não queria só isso. — repeti a frase quase exata — Disse que você tinha medo de viver coisas de verdade e que preferia ficar no fundo do poço que você chamava de vida.

A vida dele era uma merda e ele preferia manter ela do jeito que era e eu estava embarcando com ele nisso. Foi isso o que eu quis dizer quando falei aquilo para ele, que ele era um filho da puta acomodado e que as únicas coisas boas que tinham eram infantis e fúteis.

Desde que comecei a namorar com ele eu fumava três vezes mais, bebia quase todos os dias e acordava depois do horário do almoço. E o pior era que eu gostava disso e fiquei apavorada pensando em onde isso iria me levar.

— Quando Annabeth me procurou ela disse que estava cansada da monotonia e dos complexos moralistas do Luke, disse que precisa se arriscar e fazer uma ou outra loucura. — engoli em seco ao ouvir Nico falar o nome dela — Eu estava puto com você e ela estava me dizendo exatamente o contrário do que você tinha me dito.

Essas eram as desculpas dele. Sem os clichês de "eu estava bêbado" ou " e eu sou homem", mas isso não fazia delas melhoras ou piores.

Encarei-o.

— Você podia ter dormido com qualquer uma, eu e você tínhamos brigado, rompido, e seria normal você afogar as mágoas com alguém, seria irrelevante para mim. — confessei ainda fitando-o — Ela era a única pessoa que você não poderia foder, isso eu não conseguiria esquecer.

— Eu ...

— Nem sei qual de vocês eu detesto mais. Você que de um jeito meio torto era meu namorado e sabia que ela era minha melhor amiga ou ela que traiu Luke, o cara que eu dispensei para ela poder ficar, com você, o cara que eu gostava. — cuspi as palavras com raiva — É eu estou muito mais puta com ela.

Annabeth tinha me traído duas vezes. Ela tinha dormido com Nico sabendo que eu amava ele e tinha traído o próprio namorado, Luke, que eu abri mão por ela.

— Nesses meses esperei você dizer não, não case com ela, e eu jogaria tudo pro alto. Então eu pensava: ela não vai esquecer, qual é, é a Thalia. E fui seguindo em frente. Envie o convite esperando que você ficasse irritada com a coragem e me ligasse. Só queria ouvir de você. Não.

Ergui as sobrancelhas.

Jamais faria isso. Primeiro porque eu não era igual ela, não iria dar um jeito de destruir o seu casamento, e Nico não tinha que deixar de casar com Annabeth porque teria chances comigo, tinha que fazer isso por ele mesmo.

— Se você está esperando eu dizer que não quero que você case com ela, desista, não vou. — disse convicta.

Nico sorriu sarcástico.

— Três meses, Thalia, eu entendi. — ele parecia verdadeiramente melancólico — Você acha que eu sairia do meu casamento faltando minutos para a cerimônia se eu não tivesse largado tudo? Me senti aliviado deixando tudo para trás, estava sendo hipócrita, como poderia casar em um Igreja se todos sabem que eu sou cético? Como poderia me casar com ela se todos sabem que eu amo você?

Amo você.

Eu sentia falta de fumar cigarros enquanto tomava o café terrível que ele fazia, sentia falta da vida de merda que ele tinha, sentia falta dele. E Dakota estava certo, eu estava infeliz.

Não sabia se conseguiria perdoar Annabeth, mas Nico sim.

Levei minha mão até o rosto dele, e Nico me beijou, colocando a mão na minha cintura e me puxando para cima do colo dele, com as coxas ao redor do seu corpo. Whisky e cigarros.

Ofegando eu me afastei da boca dele, que desceu pelo meu pescoço, e passei as unhas com o esmalte preto descascado que ele sempre implicava pelo cabelo dele. As mãos dele procuraram a barra da minha camisa, deixando a pele da cintura arrepiada, e ele a puxou com pressa e atirou longe.

Ele tinha ficado bonito de terno, mas considerando que Nico ficava bonito de qualquer jeito não senti remorso ao arrancar o paletó elegante e deixá-lo cair o no chão empoeirado do bar.

Não pensei que ele provavelmente tinha transado com Annabeth nas últimas horas ao abrir os botões da camisa dele impaciente e atrapalhada. Nico riu parando de beijar o meu pescoço.

— Acho que nós temos tempo. — disse contra a pele do meu pescoço me deixando arrepiada — Um bar vazio e, é claro, Whisky.

Notas finais
É isso! Gostaram? Comentem, favoritem, façam o que quiserem, seus divos! E Whisky para todos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!