Notas iniciais
Era para ter postado esse capítulo na sexta, mas passei o findi fora e só agora deu pra finalizar ele. Mas aqui está :D

Quando Sona tinha 10 anos de idade, ela caiu em um poço.

O orfanato onde crescera ficava numa pequena vila Ioniana, afastada das cidades grandes e rodeada de bosques. Fazia parte do dia a dia das crianças passear pelas florestas e brincar em algumas ruínas próximas. Um dos locais preferidos de Sona era uma clareira com um poço, a muito já seco.

Ela gostava de ir para lá a fim de fugir das crianças que a importunavam no orfanato. Hoje em dia ela nem sequer se lembra direito de como que toda a situação ocorreu,mas o que ela se lembra é que acabaram descobrindo o pequeno esconderijo dela,e em uma brincadeira de mal gosto, a jogaram no poço.

Machucada e sozinha, ela estava totalmente aterrorizada naquele lugar úmido e escuro. Olhava para a luz a cima dela, mas apenas via um borrão claro por entre as lágrimas. Seu tornozelo doía tanto, mas ela ignorava a dor, por que seu coração pesava com uma dor muito pior : ela tinha certeza de que morreria.

Aquelas crianças eram más. Sempre a maltrataram, mas ela nunca imaginou que seriam capazes disso. Mas agora que já o fizeram, Sona tinha certeza de que não voltariam para ajudá-la. Muito menos avisar alguém de que ela “caíra” no poço.

Ela não conseguiria chamar por ninguém. Procurou em sua volta por qualquer coisa para fazer barulho, mas não havia nada. Seria muito difícil que algum viajante perdido passasse por ali, e coincidentemente parasse para olhar dentro do poço e salvá-la. As lágrimas a estavam sufocando.

Ela iria morrer. Iria morrer, e ninguém saberia disso. E ninguém se importaria.

Encolhida contra a parede de rochas cheias de musgo, ela chorava, clamando por socorro dentro de sua mente.

Em poucos momentos em sua vida, Sona se sentira tão desesperada. Porém, quando secou os olhos mais uma vez, tentando se acalmar e pensar melhor,viu uma forma dourada a sua frente. Piscou confusa, e eliminou o restante das lagrimas, tentando focar no objeto.

Etwahl. Estava ali, bem na sua frente. Vibrando docemente, emanando a sua aura amigável e gentil. A garota sentiu os olhos encherem de lágrimas novamente, mas dessa vez ela tinha alguma esperança.

Desde então, Sona sabia que em qualquer momento que se sentisse assustada e em perigo, poderia contar que Etwahl estaria lá para ajudá-la.

Por isso não se espantou ao sentir o tato frio e familiar, quando foi apoiar as mãos no chão, para se levantar. Mordera a língua com o soco, e isso estava doendo mais do que a própria maçã do rosto, já bem vermelha.

Ainda no chão,sentiu uma onda de calor , que vinha de Etwahl e percorria pelo seu braço, e olhou para a estranha.

Riven não viu medo, ou confusão nos olhos da garota. Mas sim indignação, como se não estivesse acreditando no que havia ocorrido. Ela olhou para o estranho objeto dourado, ao seu lado, e não sabia dizer se se lembrava dele já estar ali antes.

Ela sentiu o corpo congelar quando finalmente percebeu. Seus olhos saíram do instrumento e procuraram os cabelos azuis molhados, e suas pontas douradas, voltando novamente para Etwahl.

–Ah, merda...- Ela escondeu o rosto com as mãos, como se estivesse realmente envergonhada. – Meu deus, me desculpe, eu--

Viu um clarão azul entre os dedos, e quando baixou as mãos, foi como se um ferro quente a tivesse acertado no abdômen. Sentiu as pernas falharem, mas não se deixou cair.

Sona já estava de pé, os cabelos úmidos se movimentando como tentáculos furiosos, em conjunto com seu olhar. A cítara flutuava ao sua frente, suas cordas brilhando num tom ciano. Riven achava que o som que havia escutado era do objeto que a acertara, mas estava enganada: Não havia arma nenhuma, e o que ouvira era um acorde do instrumento a sua frente.

Os dedos da musicista dançavam ameaçadoramente pelas cordas, produzindo uma musica tão linda quanto aterrorizante. Continuava encarando a agressora fixamente, sem se abalar.

–Ok...- Riven sussurrou, sentindo-se enjoada- Eu acho que eu mereci isso. Mas... — deu dois passos a frente, lentamente.

Sona deu um salto para trás, e com um movimento rápido tocou outras notas. A luz mudou para um tom violeta, e seus dedos se mexiam tão rápido , que pareciam se mesclar com a luz das cordas.

A soldada sentiu outro impacto, e dessa vez conseguiu ver o espectro roxo a atingindo. Ótimo,uma maga. Ela odiava magos.

O raio a deixara exausta. Seus pés ficaram pesados como chumbo, e sentia dificuldade para respirar. Lutava para não despencar no chão, e agora a urgência de dar outro soco nessa desgraçada peituda estava voltando com força.

–Sua vaca, qual é o seu problema?! Eu estou tentando fazer as pazes aqui.

Sona engoliu em seco e continuou parada. Tentava o máximo não demonstrar, mas estava aterrorizada.

“Draven, eu sei que você pode me ouvir, agora faça o favor de descer aqui!”

Nada. Ela na verdade nem fazia ideia se tinha como se comunicar com ele de tão longe, mas estava tentando. Estava ciente de que não conseguiria lidar com aquela mulher por muito tempo. Estava ofegante e tonta, ficando cansada, e sabia que não devia se desgastar tanto assim.

Esse... poder que Etwahl tinha ainda era quase desconhecido para ela. Sabia pouquíssimo sobre ele. Não sabia até onde era capaz de ir, e também não sabia até onde o seu próprio corpo aguentaria todo o desgaste.

Mas estava sozinha. Notou que só agora, depois de um dia inteiro em Noxus, é que ela finalmente se sentiu sozinha e desamparada. O irônico, é que até então a pessoa em que ela se apoiava, estava lá em cima com pepinos na cara, e nem se importava em descer.

Ela bufou, obrigando-se a se concentrar na mulher. Sentiu os dedos falharem, e no primeiro erro Riven conseguiu se soltar da aura, e saltou em cima de Sona, a derrubando novamente, dessa vez para longe do instrumento, que vibrava parecendo irritado.

– SUA VAGABUNDA TIRA ESSA CAMISETA!

As duas rolaram pela sala, Sona lutando para se livrar das mãos de Riven, e tentando em vão voltar para perto de Etwahl.

–Mas que merda é... — Draven desceu as escadas, e parou nos primeiros degraus, observando a cena inesperada. Riven estava quase conseguindo despir a garota, que lutava esperneando.

“Dravenmesalvaelavaimeestuprar!”

Podem continuar, não vou atrapalhar. — Ele se apoiou em um pilar próximo, cruzando os braços, sorrindo malicioso.

“DRAVEN!”

–Não se mete Draven, isso não é assunto teu! — Riven exclamou- Ela me atacou, e ainda por cima...

“Ela me deu um soco!”

Sona sentia-se criança de novo, tendo que explicar que não havia começado a briga, e que tudo era culpa do outro colega. Como diabos que ela foi se meter nessa confusão, era apenas o que ela se perguntava.

Draven ergueu a sobrancelha, ainda parado no mesmo lugar.

–Olha, acho que no momento que você bateu na minha mina, isso virou assunto meu.

Olhando assustada para Draven,Riven soltou a roupa de Sona, mas continuou em cima dela.A musicista aproveitou a distração, e conseguiu fugir, correndo até o Draven, com Etwahl a acompanhando graciosamente.

–Eu... me desculpe. É só que eu pensei que... — Ela se levantou, prendendo novamente o cabelo que havia se soltado durante a confusão.

Sona segurou o braço de Draven, defensivamente. Ele parecia conhecer a mulher, então as coisas pareciam que estavam se resolvendo. Draven trocou olhares com ela, e em seguida baixou um pouco a visão, na direção dos seus seios.

“Isso não é hora pra ficar me encarando, Draven...”

Por que você está usando a camiseta do Darius?

No mesmo instante Sona entendeu melhor a situação. Olhou para a estranha, que estava com o rosto vermelho, desviando o olhar.

“Eu peguei essa camiseta nas suas coisas, não sabia que não era sua...” Sona analisou melhor a blusa, esticando a parte da frente para ler. Parecia ser uma especie de uniforme de algum time de Noxus. Segurando um sorriso, ela complementou : “Acha que é por isso que ela me bateu? Ela estava gritando para tirar a camiseta ou algo assim...”

Draven deu de ombros.

– Eu teria ficado mais feliz se só tivesse encontrado vocês brigando peladas na lama. Mas sem a lama no caso.

Sona deu um tapinha no seu braço, porém não parecia realmente irritada. O carrasco observou o hematoma que estava inchando ainda no rosto da garota, mas sem se preocupar muito. Ela podia se curar afinal de contas.

“Quem é ela,alias?”

– Uma soldada ai qualquer. Acho que já vi ela antes mas não tô me lembrando onde.

Com um pigarro, Riven chamou atenção.

–Oi, eu estou aqui ainda. E por favor Draven, nos vimos hoje de tarde mesmo. De qualquer jeito... — Recuperando a compostura, e tentando ignorar o fato de que Draven parecia estar conversando sozinho, continuou:

–Eu vim a procura do General Darius.

–Ele não está. Agora vaza. — Draven a conduziu pelo braço até a porta, com mais força do que necessário.

–Darius sumiu nas últimas horas, e eu não sei mais onde procurar por ele.

–Como assim, “sumiu”? — Draven perguntou, parando de puxar, mas sem soltá-la.

–Ocorreu... um pequeno incidente hoje. E Darius foi dispensado. Desde então não sabemos onde ele está, pensei que viria para cá então...

“Deixe-a ficar, Draven. Ela só está preocupada com seu irmão.”

Você acabou de levar uma surra dessa mulher, Sona.

O machucado no seu rosto não a deixava esquecer disso, e ainda estava um pouco assustada. Mas ela conseguia ver verdadeira preocupação na feição da soldada.

“Foi um mal entendido... e ela já pediu desculpas. Além do mais, eu não levei uma surra, eu sei me defender!”

Sona bateu forte com as mãos nas cordas da cítara, produzindo um som medonho que fez calafrios descerem pela espinha de Riven.

–Claro,claro que sabe. — Deu 2 tapinhas gentis na cabeça de Sona, como se fosse um cachorrinho sendo recompensado por se comportar bem.

“Eu senti o sarcasmo nisso.”

–Hm.. Draven, com quem você está conversando? — Estava ficando preocupante já. Todos sabiam que Draven estava longe de ser considerado uma pessoa normal, mas Riven achava que não chegava a tanto.

–Com a Sona. — ele respondeu sem nem olhá-la direito.

–Mas ela não disse nada.

–É claro que não, ela é muda. — Draven revirou os olhos, como se o fato dela ser muda já tivesse ficado bem óbvio.

Riven desistiu de entender.

“Deixe-a ficar, se você a conhece não creio que tenha problemas.”

Analisando-a dos pés a cabeça, Draven fez uma careta, e a soltou.

–Que seja, pode ficar aí esperando que ele apareça. Mas vou avisando, pode ser perda de tempo. — Ele voltou para o quarto, esperando que Sona viesse junto. Mas ela ficou na sala ainda, trocando olhares com a mulher estranha que havia lhe soqueado minutos atrás.

–Não entendi muito bem, mas você que fez ele mudar de ideia, não é?

Sona concordou, balançando de leve a cabeça.

–Obrigada. Não gostaria de pegar toda essa chuva de novo...- ela sorriu sem jeito, e desviou o olhar.

Tocando de leve a bochecha inchada, Sona a olhava séria. Riven entendeu o recado. Poderia ter perdoado e a ajudado agora, mas não queria dizer que havia esquecido o que aconteceu. É claro, Riven também não conseguiria confiar em alguém que a havia lhe atacado 5 minutos atrás sem nenhum motivo aparente.

Procurando na sacola plastica que trouxera consigo, Riven retirou uma lata de cerveja. Ótimo, está um pouco gelada ainda. Jogou uma para Sona, que a pegou sem jeito no ar.

–É bom colocar um gelo logo aí... acho que essa lata serve até acharmos a cozinha.

Pegando outra lata para si, ela levou ao rosto, exemplificando o que acabara de dizer.

Sona tocou a lata suavemente no hematoma, fazendo uma careta com o toque gelado na pele inchada e quente. Pensou em explicar para Riven que isso não era necessário, que conseguiria se curar com o pouco de energia que lhe sobrara.

Porém,por algum motivo, resolveu deixar isso para lá.

Notas finais
Antes que perguntem : Não, o Draven não estava pelado, ele desceu vestido já, tá bom gente? PS: eu tenho uma page no face onde posto meus desenhos e cosplays, e decidi que de vez em quando eu vou postar alguns rascunhos de spoilers ou de cenas da fic por lá, antes de sair o capitulo... caso eu acabe demorando demais para postar ele, eu gosto de fazer vcs sofrerem e postar alguma coisa pelo menos XD https://www.facebook.com/ShinseiShi curtam la :3