Which Side Will Prevail
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Boa leitura.
Quinn POV.
Já eram 6 da manhã e eu já tinha arranjado tudo. Até que Russel iria ficar orgulhoso de mim. Depois que os conheci e morei com ele, eu acabei ganhando uma conta bancária bem gorda e um cartão de crédito, coisa que confesso até hoje nunca tinha usado, afinal, sou uma vampira e não uma humana patricinha. Quando quero uma coisa eu vou lá e pego, não acho necessário toda essa palhaçada de ter que pedir e depois pagar.
Mas como eu não posso chamar atenção para mim e nem para a Rachel, agora eu acabei pela primeira vez em mais de 70 anos usando tanto a conta bancária quanto o cartão de crédito. Acho que eles vão pensar que eu larguei os dois cartões por aí e que alguém acabou achando e usando. Mas tudo bem.
Rachel merece.
Fiz as últimas arrumações e me afastei olhando.
Eu achava que estava bom, mas estava muito nervosa, eu nem imaginava do que uma criança humana gostava. Eu até tentei descobrir, mas em cada loja que eu entrava, as pessoas me falavam coisas diferentes. Acabei comprando de tudo um pouco.
Olhei mais uma vez ao redor e me certifiquei já estava tudo desembalado. Já estava na hora de ir buscá-la no hospital. Saí trancando a porta e indo direto para o hospital.
(...)
Estava agora na farmácia comprando os remédios que o médico tinha prescrito para ela. Depois de assinar a papelada do hospital, a enfermeira trouxe a Rachel em uma cadeira de rodas, perguntei se tinha algo errado com ela, se ela não podia andar, mas o medico me contou que aquilo era apenas praxe do hospital. Eu a saldei com um bom dia e ela me respondeu, mas depois disso ficou calada, não disse uma única palavra desde que saímos de lá.
Paguei pelos remédios mais uma vez usando o cartão da conta bancária e saímos de lá. Estávamos a pé. O lugar que eu ia levá-la não era longe do hospital. Sei que ela não deveria andar muito, mas ficar com ela em um lugar apertado como carro estava fora de cogitação, por isso arrumei o lugar mais próximo possível ao hospital e ao mesmo tempo o que chamasse menos atenção.
O silencio de Rachel estava me incomodando, então resolvi puxar assunto.
– Qual o problema Rachel? Está calada de mais hoje.
– Não é nada-. Deu de ombros, sem me olhar.
Eu parei de andar.
– Olha pra mim. Me diz o que foi?
Ela ainda olhava para baixo. Começou a chutar algumas pedrinhas que tinha no chão.
– Você está me levando para algum abrigo não é?-. Sussurrou.
Ah, ela estava achando que eu ia largar ela no lugar que ela disse que batiam nela. Mas eu nunca faria isso.
– Ei – falei me abaixando na frente dela — Eu jamais faria isso com você. Você disse que era maltratada lá.
– Mas você disse ontem que não ia ficar comigo. – ela ainda olhava para o chão.
– Rachel olhe para mim-. Ela me olhou nos olhos. – Eu realmente não posso ficar com você. – ela rapidamente voltou a olhar para baixo e a ouvi soluçar baixinho. – Calma, me deixe terminar. – falei levantando seu rosto.
– Eu não posso ficar com você, mas também não vou te abandonar na rua ou em um abrigo. Eu conheço uma família que é ótima com pessoas, são muito carinhosos e espertos. Tenho certeza de que encontrarão algum lugar para você ficar, e até lá, sei que eles cuidaram de você.
Ela olhava para mim com os olhos cheio de lágrimas.
– Mas por que você não pode ser minha mãe. Você é tão boazinha.
Aquilo me partiu o coração. Como eu queria ser capaz de cuidar dela.
– Rachel eu já te expliquei que eu não posso, mas isso não quer dizer que eu não goste de você. Eu gosto muito. Apenas... Não posso mesmo ficar com você.
– Mas e se essas pessoas que você falou não gostarem de mim?-. perguntou com um biquinho de choro
– Impossível. Sei que eles vão te amar. E vão cuidar muito bem de você.
– Você... Depois que você me deixar com essas pessoas... você vai voltar para me visitar?
– Você quer que eu te visite?
Ela olhou para mim com um brilho lindo nos olhos.
– Sim. Quero muito.
– Então combinado. Prometo te visitar sempre que puder.
Ela agora caminhava ao meu lado sorrindo. Eu nem tinha me dado conta, mas eu estava sentindo falta do sorriso dela. Mas como podia isso, eu só a vi sorrindo uma única vez no hospital. Definitivamente essa criança estava mexendo comigo.
– Chegamos.
Falei parando de andar.
– Você mora aqui?
– Não eu não moro aqui. Na verdade eu moro muito longe. Só estou aqui de passagem, mas como para onde eu vou você não pode ir, por enquanto vamos ficar aqui.
Ela olhava para frente. Engraçado, ela parecia admirar o lugar e no entanto esse era um simples motel de beira de rua. Aqueles que não eram barra pesada, mas ainda assim eram bem baratos a ponto de aceitarem qualquer um.
È claro que eu podia pagar coisa muito melhor. Eu poderia até colocá-la na cobertura The Surrey Hotel. Mas eu precisava de um lugar discreto, onde não fizessem muitas perguntas e o principal, onde os funcionários fossem fáceis de subornar.
Dei instruções específicas sobre a Rachel. Que ela ficaria muito tempo sozinha no quarto, mas que não poderiam falar a ninguém. Que só deixasse entrar as pessoas do restaurante que eu contratei para trazer comida para ela e o principal, que não a deixassem sair sozinha de lá em hipótese alguma.
A conduzi até o quarto que eu havia alugado para ela e abri a porta.
Deixei ela entrar primeiro e entrei logo depois fechando a porta atrás de mim.
Ela olhava a tudo de boca aberta. Dava voltas em torno dela mesma e nada falava. Eu já estava ficando nervosa, será que ela não havia gostado das coisas que eu havia comprado para ela?
O apartamento era pequeno, mas era mais que o suficiente para abrigar uma garota de oito anos. Mas para poder ajudar a passar o tempo e para alegrá-la um pouco eu enchi o apartamento com tudo que eu imaginei que uma criança gostasse.
Comprei inúmeros brinquedos, bonecas, bolas, bichos de pelúcia, vídeo game e muitas roupas. Queria que ela sentisse que era importante para alguém e que ela soubesse que não estava mais sozinha no mundo.
Mas a sua demora em falar algo estava me levando a crer que ela não estava gostando do que via.
– Por favor, fale algo. Se você não gostou eu posso ir à loja e trocar os brinquedos. Ou então você vai comigo e você mesmo escolhe o que quer.
– Isso tudo é para mim?
– Claro que sim. Você não acha que eu tenho idade para ficar brincando de boneca né?! – tentei brincar com ela.
– Puxa... eu amei Quinnie.
Ela correu para mim e me abraçou. Na hora eu me assustei. Depois me preocupei com o fato da minha pele ser fria e dela perceber, mas como ela não parava de me abraçar, eu resolvi devolver o gesto e com todo cuidado do mundo eu a abracei de volta.
Mas algo me chamou a atenção.
– Quinnie? De onde você tirou esse nome?
Ela ficou vermelha igual a um tomate. Acho que estava sem graça.
– Desculpe. É que eu fiquei pensando ontem à noite que Quinn é um nome lindo, mas todo mundo deve te chamar assim. E já que eu não posso te chamar de mãe, eu queria te chamar de Quinnie. Como se fossemos melhores amigas... Eu posso?
Eu pensei. “Quinnie” nunca ninguém em toda minha existência havia me chamado assim, aliás, fora os Fabray que me chamavam de filha e mana, ninguém havia se atrevido a por um apelido em mim ou a fazer um diminutivo do meu nome, eu era feroz e fria de mais para dar essa intimidade a alguém. E nem me lembro se em minha época de humana eu tinha algum apelido carinhoso desse tipo, pois não me lembro quase nada dessa época.
– Claro que pode Rachel, eu vou amar que você me chame assim.
Então ela apertou mais seus braços em volta de mim e depois me soltou indo olhar de perto tudo que ganhara de mim.
Eu corri para a janela para poder respirar ar puro. Sabia que ficar perto dela aqui nesse quarto não seria fácil, por isso que tomei todas as medidas possíveis para ter que ficar o mínimo possível aqui.
Dei um tempo para que ela se acostumasse ao quarto e aos brinquedos.
Depois de mais ou menos duas horas bateram na porta. Pelo cheiro que eu estava sentindo, era a comida dela que tinha chegado.
Abri a porta e peguei a comida. Ela estava tomando banho. Arrumei a mesa para ela almoçar e a chamei.
– Rachel, o almoço chegou. Vem comer.
Ela abril a porta do banheiro depois de alguns segundos e correu até mim.
– Comida, que legal.
– O que você achou? Que eu não fosse te dar comida?-. Franzi a testa confusa.
– Ah eu não sei. Você já me deu tanta coisa. Roupas, brinquedos. Um quarto para ficar. Sei lá. Eu não podia pedir mais nada-. Falou corando.
– Você não precisa pedir. Minha obrigação é te dar tudo que você precisa. Agora anda, sente-se e coma tudo.
– Mas e você? Não vai comer?
– Não. Eu... vou sair. Preciso ver umas coisas e depois eu volto. Quanto a você, não pode se cansar muito. Ainda está se recuperando. Quando acabar de comer deite-se e durma um pouco. Quando voltar quero te encontrar dormindo entendeu?
– Pode deixar Quinnie. Vou fazer tudo que você quiser-. Abriu um sorriso enorme
Eu me virei para sair, mas ela me chamou.
– Quinnie?
Eu me virei e ela veio para o meu lado e abriu os braços para me abraçar, me abaixei tentando ficar na altura dela, o que era meio difícil, pois ela era bem pequena para a idade dela.
– Obrigada. – falou me abraçando e antes de me soltar me deu um beijinho no rosto.
Eu apenas olhei para ela e não soube o que dizer. Saí pela porta ainda estranhando a sensação que eu sentia.
...
Estava já há uma hora sentada no central Park. Olhava as pessoas ali, as famílias. Para os humanos era tudo tão simples. Por que tinha que ser tão difícil para mim. Como se não bastasse o cheiro dela me enlouquecer, eu também não sabia o que fazer quando ela me demonstrava o carinho que tinha por mim.
Agora a pouco por exemplo. Ela me abraçou e me beijou. Olhando aqui para essas mãe e crianças eu via que a reação normal a esse gesto seria dar um outro beijo nela e dizer o quanto eu gosto dela. Mas eu não sei ser assim. Definitivamente eu não tenho mais nada de humano em mim.
Suspirei e peguei meu celular para ligar para Brittanny pela vigésima vez só hoje.
Resolvi deixar um recado menos agradável dessa vez.
– Brittanny Pierce Fabray espero que ao ouvir essa mensagem você tenha uma visão de como eu pretendo recepcioná-la ao chegar aqui e já venha preparada, e pode avisar a sua esposa que ela pode começar a procurar uma outra companheira, pois depois que eu estiver na mesma cidade que você, você não vai existir por muito tempo mais. Tratem logo de vir para Nova York, preciso urgentemente de vocês.
Era o milésimo recado que eu deixava, estava ligando para Brittanny, pois as caixas postais de Judy e Russel já estavam cheias.
Fiquei ali por mais algum tempo. Rachel provavelmente estaria dormindo e eu aproveitava para arejar minha mente de seu aroma irresistível.
Comecei a voltar para casa e parei rapidamente em um beco escuro para drenar um traficante que estava por ali.
Tenho que reconhecer pelo menos uma coisa, o fato de Rachel ter entrado na minha vida fez com que a criminalidade de Nova York diminuísse bruscamente, eu estou matando a todos com uma velocidade incrível.
Assim que cheguei ao hotel, notei uma movimentação estranha por ali. Havia vários carros de polícia parados e em uma das portas mais distantes do hotel tinha dois policiais parados na porta.
Bom eu estava em Nova York, uma das cidades mais perigosas, isso devia ser normal por aqui.
Cheguei em frente a porta do nosso quarto e estranhei ela estar aberta.
– Rachel?
Nada, ela não respondia, me arrisquei em respirar profundamente, mas me espantei ao notar que seu cheiro forte e tentador não estava ali. Entrei apenas para me certificar do que meu olfato já sabia, o quarto estava vazio.
Corri até a portaria para me informar a onde ela estava e também para ver a cara do futuro defunto que havia ousado me desobedecer.
Cheguei lá e vi que tinha um policial falando com o recepcionista. Já ia interromper a conversa quando outra recepcionista fez sinal para que eu fosse até ela, assim que a alcancei fui logo perguntando.
– Aonde é que ela está?
– Sinto muito dona Quinn, mas sua irmã fugiu.
– Como assim fugiu?
– É que a mais ou menos uma hora atrás tivemos um problema aqui no hotel, parece que um dos inquilinos era uma garota de programa e o marido dela a pegou no flagra e acabou disparando tiros contra ela e o cliente dela, foi a maior confusão e logo vieram muitos policiais. Eles exigiram que todos os funcionários fossem até eles para prestar depoimento e acho que foi nesse momento que sua irmã percebeu a recepção sozinha e fugiu. Eu ainda a vi correndo e a chamei e tentei ir atrás dela, mas o policial não deixou, disse que ninguém poderia sair da cena do crime, e como a senhora proibiu a qualquer um de nós de falar com a policia sobre ela, eu achei melhor ficar quieta.
– Sua idiota. Então simplesmente deixou que uma criança de oito anos saísse rua afora e não fez nada?!
– Mas eu não podia fazer... quer dizer a polícia estava aqui e...
– Ah, cale a boca e suma da minha frente antes que eu...
Tive vontade de voar no pescoço dela e o quebrar bem devagar com minhas mãos, mas isso não iria me ajudar a achar a Rachel agora.
Droga. E agora o que eu ia fazer? Como iria achá-la no meio dessa cidade. Logo iria escurecer e estava muito frio.
Não, não quero nem imaginá-la na rua sozinha com fome e frio de novo.
Continua...
Notas finais
Depois de 10 coments eu posto o proximo
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