Which Side Will Prevail
33 Capítulo 33
Notas iniciais
POV Rachel
Eu rosnava de forma descontrolada e o macho a minha frente não estava diferente.
Quinn na mesma hora agarrou meu braço tentando me tirar dali, mas eu não me mexia nem mesmo um milímetro, encarando o nômade a minha frente.
– Ora, ora... Uma recém-criada. É por causa dessa criança que esta me dispensando Quinn?-. O tal Finn falava com deboche e desprezo. – Ela não pode proporcionar nem metade do que eu posso fazer por você.
Eu via tudo vermelho, sentia um gosto metálico na língua e se alguém me perguntasse como eu me sentia, eu diria que estava como se tivesse perdendo o juízo, tamanha era a minha fúria.
– Como se atreve!!! Ela é minha, fique longe-. Eu rugi alto.
– Calma Rachel, vamos embora-. Quinn tentava inutilmente me puxar.
– Você não vai a lugar nenhum meu anjo-. Olhou para a minha Quinn e quando eu o escutei a chamando de meu anjo, a minha fúria aumentou.
Soltei um rugido alto, eu estava mesmo descontrolada, só pensava em rasgar a garganta do vampiro a minha frente, chegava a imaginar o barulho que faria quando eu conseguisse fazer isso.
– Finn cale a boca, eu já disse, estou com a minha companheira e nada do que você me oferece me interessa. Eu estou tentando respeitar que você é convidado dos Schuster’s, mas se continuar com isso, não poderei mais segurar a Rachel, ela ainda não sabe se controlar.
– E acha que estou preocupado com isso? Nem ligo para o fato de ter que mata-la e menos ainda ligo para o que vão pensar os Schuster’s, só estou mesmo esperando que Sam se canse de divertir com a Mercedes para dar o fora daqui. Gente estranha, se alimenta de animais e faz amizade com humanos, credo.
Ele falou fazendo uma cara de desprezo.
Eu via em sua mente que ele já tinha ido para cama com Sugar, aparentemente a tal da Emma não ligou para ele e ele também não pareceu ligar para ela, se divertiu com Mercedes, mas logo a morena preferiu ficar com Sam.
Ele estava realmente entediado aqui. Mas ficou louco quando viu a Quinn, além da sua beleza, também havia a forma como se portava, era uma eximia lutadora e ele amava lutar para ter sexo.
Era isso, ele estava gostando ainda mais, cada vez que Quinn e eu o desafiávamos, ele gostava e ficava ainda mais excitado, ele não iria parar.
Li em sua mente que por eu ser recém-criada, ele me derrotaria facilmente, eu realmente não tinha pratica em lutas. E ele pensava em usar o poder em Quinn, pois sabia só de olhá-la que ela era uma ótima lutadora, mas ele não sabia do poder dela, não imaginava que ela poderia bloqueá-lo facilmente.
Dei uma passo instintivamente para o lado de Quinn. Eu precisava protege-la.
Quinn estava claramente em postura de luta, rosnava e embora estivesse ao meu lado não olhava para mim, seus olhos não saiam de Finn. Sua mente parecia voar em meio a um milhão de pensamentos, mas o que mais me maravilhava era que todos eles eram pensando maneiras de me salvar, pois todos gritavam que ela não deixaria Finn me machucar.
Uma vez mais Finn se moveu, em sua mente ele planejava os movimentos para fazer Quinn se afastar de mim, assim quando estivesse longe dela, ele poderia paralisa-la com seus poderes e me atacaria.
Antes que pensasse em dizer algo, Quinn se moveu em resposta ao movimento de Finn e vi em sua mente que ele ficou feliz, pois agora poderia usar o poder nela.
Só tive tempo de gritar.
– Use o escudo Quinn!
Na mesma hora vi uma espécie de fumaça branca tentar envolver Quinn, mas apenas se movia ao seu redor.
– Que merda é essa?-. Finn parecia assustado.
– Você não é o único com truques. – eu disse debochada.
Então em sua mente, eu vi que ele estava espumando de raiva e que pretendia descontá-la em mim ao me desmembrar toda.
– Vamos ver se você vai conseguir mesmo me desmembrar, vai ser difícil se posso prever todos seus movimentos.
– Mas como?
Perguntou ele com os olhos quase saltando para fora.
– Como eu disse, você não é o único com truques-. Disse de forma debochada enquanto tocava levemente em minha testa.
Ele de forma desesperada saltou em cima de mim com dentes a mostra.
Me esquivei dele no último segundo pulando para o lado.
Mais uma vez ele tentou ao rodar por trás de mim e tentando me puxar e mais uma vez me esquivei no último segundo apenas dando um passo para frente.
Eu sorria de forma debochada e ele entrou em desespero ao ver que não conseguia me pegar.
Do nada olhou de mim para Quinn e se pôs a correr em outra direção.
Na hora minha fúria voltou com força. Eu era uma vampira agora e sentia dentro de mim que a minha raça não desistia tão fácil, ele voltaria um dia, ele tentaria ter Quinn para ele e tentaria me matar. Um dia ele voltaria... mas eu não pretendia deixar isso acontecer.
Olhei para Quinn e corri atrás dele.
.....
5 horas depois.
Estávamos todos reunidos em frente a casa dos Schuster’s.
Tentávamos resolver o que faríamos agora. Na mente de minha família eu via que iríamos embora, agora que eu havia matado Finn, o convidado deles, não havia como ficar ali.
Todos agora estavam envolvidos nessa confusão.
Brittanny acabou tendo uma visão da luta e correu com nossa família para nos ajudar. Ao sair de casa todos de casa correndo, o tal do Sam se juntou a eles e assim a família de Will também.
Quando nos viu lutando Sam tentou tomar partido do Finn e ajuda-lo, mas Quinn o impediu por meio do escudo. Os Schuster’s nada fizeram, mas ficaram perto analisando e prontos a ajudarem se fosse preciso.
Acabou que foi fácil matar o Finn, ele não era tão bom assim de luta sem os seus poderes e uma vez que Quinn me protegia com seu escudo foi fácil para mim.
Sam não gostou muito da morte do seu amigo, mas reconhecia que ele tinha problemas com fêmeas comprometidas, não havia sido a primeira vez afinal. Tanto que não quis se vingar, apenas partiu na hora.
A tal da Mercedes não pareceu gostar muito disso, mas não gostava o bastante dele para abandonar a família e partir com ele. Ela não queria abandonar a dieta vegetariana e estava gostando de ter uma família.
Mas ainda nos sentíamos mal ali. Então queríamos ir embora.
– Eu ínsito Russel, fique.
– Eu acho que não vai dar amigo, não vai ter clima.
– Deixa de bobagens Russel, vocês não tiveram culpa. – Disse a Emma abraçada a Will.
– Isso mesmo, vocês não podem ir embora, acabaram de chegar, faz 40 anos que não nos vemos.
Kurt disse meio choramingando.
– Olha, vocês não tiveram culpa, se fosse comigo eu faria o mesmo, e sei que mesmo que fosse você me ajudaria velho amigo. – disse Will tentando persuadir Russel
Ele olhou para mim como se perguntasse.
– Rachel, Quinn... o que vocês acham? São vocês os que devem decidir aqui.
Olhei para Quinn e li seus pensamentos. Eu adorava quando ela os abria para mim.
– Por nós não tem problema. Quinn acha que se Will não se importar, aqui é o lugar ideal para ficarmos por uns anos.
– Então esta tudo certo!-. Gritou uma Sugar eufórica sendo seguida por uma Brittanny saltitante.
É talvez ir embora não fosse tão ruim afinal...
...
5 meses depois.
POV Quinn
Estávamos caçando ursos polares há três dias.
Na verdade estávamos competindo.
Todos saímos em duplas para caçar.
A primeira dupla a conseguir cinco ursos polares ganhava.
O premio?
Um ano com direito a sempre escolher as melhores presas.
Todos nós estávamos eufóricos.
Rachel e eu estávamos na frente com quatro ursos e logo atrás Kurt e Blaine com três.
Para não ter nenhum problema, nós só estávamos caçando ursos machos adultos e não estamos na época de acasalamento, por isso o impacto ambiental não será grande.
Só tínhamos mais um dia para bater a marca dos cinco ursos, mas não estávamos preocupadas, conseguiríamos fácil.
Rachel claramente era a que mais se divertia.
Seus olhos agora já estavam alaranjados, seus sentidos vampirescos afiados e ela sabia lidar muito bem com eles.
Já sabia quem eram suas presas só pelo cheiro, assim como sabia nos rastrear pelo mesmo.
Já se controlava um pouco. Conseguia abrir uma porta sem quebra-la, assim como já conseguíamos “dormir” em uma cama sem ela quebrar a mesma.
Não que este último fato me importasse, mas digamos que já não havia mais desculpas para ir a cidade comprar uma, por isso desistimos disso na 5ª que ela quebrou. Mas ao usarmos o quarto de Sugar emprestado semana passada, percebemos esse novo controle dela.
Acredito que Emma agora respire aliviada, não haverá mais moveis ou paredes quebradas em sua casa. Ela reformou a mesma já três vezes nesses cinco meses.
Rachel faltava morrer de vergonha quando algo assim acontecia e Puck fazia a vergonha dela ir a níveis astronômicos ao ficar zombando, dizendo que Judy se mudou de propósito, pois antes pagar a reforma da casa da amiga do que ter a sua casa cheia de antiguidades toda quebrada.
Mas todos nós levávamos tudo na perfeita calma, era normal, todos passamos por isso.
Eu até hoje tenho problema com pegar copos, eita coisa para quebrar fácil.
Russel começou a fazer treinamento em casa com Rachel, obrigando ela a se comportar como humana, como se estivesse na civilização. Ela tem se saído bem.
Está mais feliz do que nunca, por estar se controlando cada vez melhor, mas é aqui... aqui no meio do nada, na natureza que ela fica feliz de verdade.
Ela ama se soltar assim como eu, pular de penhascos, saltar em arvores, correr pela neve.
Ama ser vampira. E isso me deixa cada vez mais feliz, pois eu vejo que não acabei com a vida dela afinal.
Desde o episódio de Finn que não tivemos mais problemas desse tipo.
Encontramos com nômades apenas mais uma vez, mas era um casal de companheiros por isso nada de grave aconteceu, apenas a curiosidade de sempre pelo nosso modo de vida.
Rachel estava em cima de uma colina tentando achar os outros pela mente.
De repente ela olha para mim e salta caindo diretamente ao meu lado.
– Achei! Kurt esta frustrado, pois ainda não acharam mais nenhum urso hoje.
Ela dizia com um sorriso travesso.
– Você sabe que ficar bisbilhotando não vale segundo as regras não é?
Perguntei rindo para ela.
Rachel apenas deu de ombros.
– Você sabe que Britt com certeza esta usando as visões para nos vigiar também, então eu não sou a única.
Ela disse como se isso fosse desculpa.
– Crianças. – eu resmunguei.
– Como é? – ela perguntou indignada. – Quem você esta chamando de criança?
– Você e Brittanny. Por quê? Algum problema? – falei com naturalidade.
– Eu tenho 19 anos e você apenas 18, então eu sou a mais velha aqui.
– Isso em idade humana minha querida, mas na realidade você ainda tem 19 e eu 198 por isso você é sim criança-. Falei debochada e completei. – E Brittanny é 50 anos mais nova do que eu, por isso....
Então braços fortes me erguiam do chão e me esmagavam em seu peito enquanto eu sentia seu rosto se afundar em meus cabelos.
– Então eu não estava errada afinal, eu me apaixonei sim por uma mulher bem mais velha que eu.
– Sim, muito mais velha. – respondi rindo.
– Hummm, isso é muito sexy sabia, mulheres mais velhas são mais experientes, podem ensinar muitas coisas-. Sorriu maliciosamente.
– E você pretende aprender?
– Quero passar o resto da eternidade aprendendo com você. – ela disse já retirando minhas roupas.
E bem nessa hora ouvimos o rugido de um urso polar, não estava muito longe, provavelmente uns cinco quilômetros de distancia.
Olhei para ela e falei:
–É o último que falta para nós. Vamos?
– Eu não saio daqui agora nem que minha vida dependa disso. – disse já beijando meu pescoço e a minha capacidade de raciocínio já começava a me abandonar.
– Mas... mas vamos acabar perdendo a competição. – murmurei.
– Foda-se, tudo que eu queria ganhar eu já ganhei e esta em meus braços agora.
E assim ela deu fim a nossa conversa.
.....................................
5 anos depois
POV Rachel
– Ah, eu ainda não acredito que vocês estão indo embora... fiquem mais um pouco, passou tão rápido.
Sugar reclamava enquanto terminávamos de arrumar os carros para nossa partida.
– Sugar deixe de ser chata, já faz um ano que você nem ao menos se lembra de nós.
Quinn falou rindo e Sugar enfiou a cara no peito de Rory com vergonha enquanto todos gargalhavam.
Rory Flanagan foi um vampiro nômade que apareceu há um ano aqui e acabou ficando intrigado com nosso estilo de vida e pediu para ficar um tempo conosco, na época eu odiei a ideia, mas logo nos primeiros dias eu me tranquilizei, a ligação entre ele e Sugar foi quase instantânea, eles se apaixonaram e em uma semana já não se desgrudavam, ou seja, nós quase não os víamos. Ele era um macho legal, uma boa companhia, quando não estava pensando em sexo claro, o que era quase impossível quando Sugar estava perto dele.
Nesse tempo que fiquei aqui eu aprendi a controlar muito bem o meu dom.
Consigo ler a mente de qualquer um no raio de 20 quilômetros e se for uma mente que eu esteja familiariza, essa distancia sobe para 100 quilômetros.
Assim como também consigo bloquear pensamentos e sei como desligar esse poder.
Consigo resistir perfeitamente ao sague humanos e posso andar entre eles sem problema algum.
Outra habilidade que aprendi foi a luta. Desde a luta com Finn onde eu percebi que se não fosse pelo meu dom eu não poderia tê-lo derrotado que eu venho treinando com Puck, Russel e Will todos os dias. Hoje sou uma grande lutadora.
Já faz dois anos que treino apenas com Santana e Quinn, como eles chamam, esse é o meu treino final.
Puck diz que eu estava treinando para receber a minha faixa preta.
Agora, mesmo quando desligo meu dom, eu luto muito bem, Quinn diz que sou quase tão boa quanto ela.
Toda a minha fase de adaptação foi muito importante, mas agora que já estou pronta vamos voltar para a civilização.
Todos nós estamos tristes de certa forma. Somos uma grande família aqui. Mas já esta na hora de voltar ao mundo humano. Eu quero essa experiência também. Passamos muito tempo conversando e acabamos decidindo que estava na hora de ir embora, eu passei todo esse tempo treinando por um motivo, para poder viver entre os humanos, então não havia por que ficar evitando isso.
– Não se preocupe Sugar, logo viremos lhe visitar, eu prometo. – garanti a ela.
– Acho bom mesmo, a ingrata da sua esposa demorou 40 anos da última vez-. Ela falou se fingindo de brava e vindo me abraçar.
Ah é, me esqueci de contar esse último detalhe, há dois anos Quinn e eu nos casamos.
Tive essa ideia no meio de uma caçada e mantive segredo.
Pedi a Puck que tirasse uma licença pela internet e pedi a Brittanny que arrumasse a casa de forma elegante mas singela.
Pedi a Puck, Russel e Marley para tirar Quinn de casa por dois dias e implorei a minha mãe para ir comigo comprar um vestido para Quinn e para mim.
Judy ficou emocionada e se pudesse teria chorado quando achamos um lindo vestido na cidade. Era simples, delicado porém lindo. Realmente a cara de Quinn como Judy havia dito.
Era um vestido branco tomara que caia, que era justo no busto e se colava ao corpo até a altura dos quadris onde ele começava levemente a se abrir de forma que ele se ondulava durante o caminhar de Quinn.
A parte do corpete era de cetim, sem bordado algum, mas na parte da saia haviam alguns bordados delicados de flores e algumas pedras coladas para dar um efeito brilhoso quando tivesse a luz refletida ali.
Quando Quinn chegou da caçada encontrou a casa toda decorada com lanternas e flores.
Ela se emocionou, mas foi proibida de chegar perto de mim por Brittanny e Marley, foi levada diretamente para um dos quartos e permaneceu lá por 3 horas e quando saiu eu achei que enfartaria se fosse possível. Ela estava magnifica, deslumbrante.
Seus cabelos loiros estavam soltos e esvoaçantes, caiam por suas costas e ombro em cascatas macias e brilhosas contrastando perfeitamente com a pele de marfim de Quinn e com o vestido branco.
Ela caminhava descalça em meio a neve.
A personificação de um anjo.
Era isso, ela era mesmo um anjo afinal. O mesmo anjo que me salvou há anos atrás.
O anjo que por medo de ser monstro, sofreu para ficar longe de mim.
Mas eu sempre a vi como meu anjo, meu anjo de olhos vermelhos.
...
O carro parou em frente à casa que eu não via há quase duas décadas.
Todos nós saltamos do carro e Quinn apertou a minha mão.
– Tem certeza amor?
Ela perguntou preocupada.
Sorri para ela apertando sua mão de volta.
– Se eu quero começar um novo capitulo em minha vida, eu preciso antes finalizar o primeiro. E só isso que falta amor.
Ela assentiu e foi comigo até a porta da frente.
Tocamos a campainha e esperamos.
Olhei para trás e vi toda a minha família encostada ao carro me observando e mais do que isso, me dando força para fazer isso.
Ouvimos passos descendo as escadas e dei dois passos para o lado, não queria ser visto logo de cara.
A porta foi aberta e ouvi ela ofegar, qualquer um levaria um susto ao ver que Quinn não mudou absolutamente nada em 15 anos.
– O ..... o que você faz aqui?
Ela perguntou com um pouco de medo na voz e ainda muita mágoa.
– Vim trazer uma pessoa para te ver Shelby.
E então eu apareci ao lado dela.
– Como vai Shelby?
E os olhos da mulher que tanto havia tentado ser minha mãe, se encheram de lágrimas.
– Rachel!
A mulher a minha frente estava paralisada...
Estávamos a uns 5 minutos sentados em um sofá. Russel no final resolveu que seria melhor entrar também, afinal a mulher poderia precisar de algum auxílio médico.
Eu estava ao lado de Quinn em um sofá de dois lugares, Russel sentado ao nosso lado em uma cadeira e Shelby em uma poltrona velha a nossa frente.
A casa estava exatamente igual ao que eu me lembrava, apenas muito mais velha. Assim como a mulher a minha frente. Eu não me lembrava exatamente a idade de Shelby, mas ela me parecia ter por volta dos seus 50 anos.
Estava claramente emocionada e estas emoções estavam mexendo muito com o corpo dela.
“Talvez você deva começar logo Rachel. Ela esta em choque e o corpo não dá sinais de que isso vá passar tão cedo”. Russel falou por pensamento.
Eu não me atrevia a ler a mente dela, era um lugar onde eu não queria entrar. Pigarrei para chamar a atenção dela e tentar quebrar o silencio mórbido que havia se instalado.
– Eu espero que não se importe, eu pedi que Russel me trouxesse até você. Estou começando uma nova vida, mas acho que ainda existem coisas que me prendem a vida antiga.
Falei logo o motivo de eu estar ali.
Ela piscou como se estivesse saindo de um transe e pela primeira vez pareceu se dar conta de onde estava e de que haviam outras pessoas ali além de mim.
– Me importar? Pelo contrário, estou comovida-. Ela disse como se quisesse chorar.
Apenas assenti para ela.
Então ela olhou para Quinn e Russel e sua fisionomia voltou a ficar carregada de mágoa.
– Pelo visto você os encontrou afinal.
– Na verdade a Quinn me encontrou-. Eu a corrigi também acida, não gostava nem um pouco do tom que ela se referia a eles.
– Ah é?
– Sim, me encontrou drogada em uma praça em Paradise.
Ela abaixou a cabeça e suspirou.
– Sinto muito em saber disso Rachel. Eu devia ter ido atrás de você há muito tempo, eu errei nisso.
– Não foi só aí que você errou não-. Quinn falou pela primeira vez.
Eu via em sua mente o quanto ela estava se segurando para não dizer muitas coisas a Shelby. Ela ainda tinha muita raiva pela forma como fui tratada na infância. Mas ambas concordávamos que eu precisava encerrar aquilo.
Shelby ergueu o rosto desafiadoramente para Quinn e a encarou.
– E você? Não errou ao abandonar a filha que tanto amava? Ou acha que só por que a Rachel te chama de mãe agora, apaga tudo que você fez a ela?
Todos tossimos para tentar disfarçar o riso que demos. Eu ouvia minha família gargalhar do lado de fora.
– Na verdade eu não a chamo de mãe Shelby-. disse passando os braços em torno de Quinn e a puxando para meu colo. – Não é assim que eu a amo agora.
Vi Shelby ficar ainda mais branca e com os lábios trêmulos. Seu coração batia de forma assustadora.
– Mas..... mas você sempre a chamou de mãe.- ela balbuciou fracamente.
– Eu era apenas uma criança, eu confundi o que sentia. Mas desde que eu a reencontrei eu soube o que ela era para mim-. Olhei para Quinn e sorri. – Ela é tudo para mim, o motivo da minha existência.
– Mas..... nossa Rachel, ela é muito mais velha que você, ela já é uma mulher madura e você ainda é....
A interrompi na hora.
– Você daria mais do que uns 20 anos a ela Shelby? Acredite, a idade não é uma preocupação, não era nem mesmo antes deu a encontrar, quando eu ainda só sonhava com ela.
Quinn sorriu para minha declaração.
– Então vocês agora.....
Ela jogou no ar para ver o que diríamos.
– Nós nos casamos há 2 anos Shelby-. Quinn respondeu.
– Nossa....... bom, eu entendo-. Ela disse claramente chocada. Mas algo mudou em sua postura e o seu coração voltou a acelerar.
– Então você voltou por que...
Não precisei ler a sua mente para ver o que ela pensou e mais uma vez a corrigi.
– Judy e Russel são meus pais, já é assim há quase seis anos. Fui adotada por eles, carrego o sobrenome Fabray em meus documentos com muito orgulho.
Mais uma vez mágoa e raiva passaram pelos seus olhos.
– Você veio para que afinal Rachel, para esfregar em minha cara que finalmente esta feliz ao lado dos Fabray’s que você sempre afirmou que era sua família?
Respirei fundo. Não foi para isso que eu vim. Não era assim que eu queria que acontecesse.
Se eu queria terminar aquilo bem teria que ceder um pouco também.
– Não Shelby, não foi. Como disse uma nova fase da minha vida começou, mas eu não posso vive-la sem enterrar de vez o passado.
– Veio só para dizer adeus então?
Sua voz falhou ao final.
– Sim.
Ela abaixou a cabeça.
– E pedir desculpas também.
Ela me encarou sem entender.
– Você errou muito Shelby. Errou ao tentar me obrigar a te amar, errou ao esconder de mim que eles nunca me abandonaram, que você sim os afastou de mim com mentiras. Errou ao ficar me magoando ainda mais ao ver a minha tristeza.
Ela abaixou a cabeça de novo e suspirou.
– Eu estava tão desesperada para ser mãe que não percebi que estava sendo tão mesquinha assim.
Ela lamuriou.
Respirei fundo e continuei.
– Mas você não errou sozinha, eu também errei. Nunca te dei uma chance, gostava de machucar você quando você também me machucava. Errei quando fui embora daqui sem nunca avisar que estava viva pelo menos. Por isso eu queria esquecer isso. Vim pedir desculpas... avisar que estou bem.... maravilhosamente bem na verdade. Quinn me salvou, me ajudou a me recuperar das drogas.... ela me deu uma nova vida na verdade.
Falei olhando para meu anjo.
– No final ela era mesmo o meu anjo-. Finalizei.
– Anjo...... você sempre a chamou assim, até mesmo nos seus sonhos-. Shelby disse. – Bom, não tem como negar que você esta muito bem e muito feliz.
– Que bom que percebe isso.
– Onde você vive?
– Acabamos de voltar do Alasca, moramos lá por 5 anos.
– E para onde estão indo?
– Para algum lugar maravilhoso com certeza-. Respondi deixando claro que não contaria a ela.
– Entendo...... e....... e você pretende vir me ver de novo?
– Para ser sincera, não. Não voltarei mais aqui Shelby.
Ela deixou escapar um soluço, mas se recuperou rápido.
– Você somente quer deixar o passado para trás-. Ela falava como se estivesse convencendo a ela mesma.
Então perguntei algo que queria desde que entrei ali.
– Onde está o Leroy?
– Oh-. ela pareceu surpresa. – Ele se mudou a 2 anos. Mora em uma cidade vizinha, nós acabamos nos divorciando.
– Sinto por isso.
Ela riu sem humor.
– Ele nunca superou realmente o que aconteceu com você. Sempre deixou claro que a culpa foi minha por te sufocar tanto. E digamos que eu nunca deixei de falar disso então acho que ele simplesmente cansou de tudo.
– Vocês se amavam-. Eu falei me lembrando de algumas cenas que presenciei deles.
– Sim, muito, mas acho que perdemos isso com o tempo.
Então Quinn entrou na conversa depois de muito tempo.
– Talvez... com a Rachel colocando um fim nessa história, você deva colocar um fim também Shelby. Esqueça isso e quem sabe de certo de novo com o seu marido.
Shelby levantou os olhos esperançosos.
– Você acha?
– Acho que se você o ama, você deve lutar. Você cometeu um erro. Mas eu mesma cometi vários e hoje sou a mulher mais feliz do mundo ao lado de Rachel. Acredito que quando amamos tudo vale a pena. Agora com esse assunto encerrado, você pode tentar de novo com seu marido. Se vocês eram felizes antes de tudo isso, podem voltar a ser agora.
Shelby pareceu pensar um pouco nisso e sorriu de leve.
– Vou pensar nisso.
Me levantei puxando Quinn comigo e Russel nos imitou.
– Acho que já vou Shelby.
Ela se levantou e me abraçou, fiquei meio sem jeito, mas lhe dei um fraco abraço.
– Mande lembranças ao Leroy e diga que desejo tudo de bom a ele.
– Direi sim Rachel, ele vai gostar muito disso.
Sem ter mais o que fazer ali comecei a me dirigir a porta.
Quando passava por ela Shelby me chamou. Quinn e Russel continuaram andando achando que ela apenas queria se despedir, mas não era bem isso que ela tinha em mente.
Ela me abraçou mais uma vez, mas sussurrou em meu ouvido, mal sabendo ela que todos podíamos ouvi-la.
– Seu olhos costumavam ser castanhos.
Antes que pudesse dizer o que havia planejado sobre ter problemas de vista e usar lentes de cor, ela me surpreendeu mais uma vez.
– Parece que adotou bem mais do que o sobrenome dos Fabray, sempre desconfiei de algo naquela família, mas seja o que for parece que fez muito bem a você. Seja muito feliz Rachel.
Então ela me soltou e entrou de novo na casa fechando a porta.
Caminhei até os carros e encontrei Quinn recostada na porta da Mercedes e Russel já abraçado a Judy
– Parece que vamos precisar melhorar nosso disfarce, não é tão bom quanto pensávamos-. Disse Marley.
– Parece que sim-. Russel concordou. – E agora? Para onde vamos?
– Londres.
– Canadá.
– Escócia.
Santana, Puck e Brittanny falaram ao mesmo tempo.
Nos entreolhamos e a primeira a falar foi Marley.
– Ok, nós não vamos brigar igual da outra vez em 1964, vamos sortear-. Falou com uma cara mandona, me fazendo sorrir.
Eu finalmente fazia parte de uma família e estava mais do que ansiosa para viajar por todo o mundo ao lado deles e ao lado do meu anjo.
Era hra de começar novamente...
...E assim começamos o sorteio....
Nosso novo destino...
Notas finais
Beijos minha Linda sz
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